Opinião
Boleiros, redes sociais e o diagnóstico equivocado sobre o futebol brasileiro
Mais uma vez este que vos escreve pede licença para falar sobre um panorama mais amplo do futebol brasileiro, tendo em vista mais uma eliminação precoce, a sexta seguida, para uma seleção europeia em Copas do Mundo, a terceira consecutiva para uma seleção fora do patamar principal do futebol mundial.
Ex-jogadores que hoje comentam nos principais grupos de mídia do País atribuem a classificação de seis seleções europeias para as quartas de final da Copa do Mundo ao fato desses países terem as melhores ligas. No entanto, pelo que consta, as ligas norueguesa, suíça, belga e mesmo a francesa não possuem seus principais jogadores atuando em suas ligas, enquanto a Alemanha foi precocemente eliminada nos 16 avos de final da competição e a Itália completará 12 anos fora do certame mundial em 2030, quando tentará retornar ao lugar que lhe cabe como tetracampeã.
Aliás, jogadores brasileiros brilham nas principais ligas: Vinicius Júnior é o principal jogador do principal clube do planeta, o Real Madrid; Igor Thiago foi vice-artilheiro da Premier League, ficando atrás apenas do carrasco Haaland, mesma liga onde Alisson Becker é um dos principais goleiros; Marquinhos é um capitão que ergueu de forma consecutiva a taça da Liga dos Campeões da Europa nas duas últimas temporadas pelo PSG, para ficar nesses exemplos.
Outra leitura equivocada é a de que “imitamos os europeus”, sem perceberem que na história do futebol brasileiro as grandes inovações táticas vieram de lá, seja com os húngaros Dori Kuschner e Bella Guttman, o brasileiro Cláudio Coutinho ou, mais recentemente, o português Jorge Jesus.
Incautos internautas bradam nas redes que a Seleção Brasileira deve ser feita apenas com atletas que atuam por aqui, sem se recordarem – ou, porque não, ignorando – as experiências anteriores ruins com Edu Coimbra e Paulo Roberto Falcão.
Aliás, a pior análise que eu vi foi em relação a uma certa superioridade mental dos europeus, repetindo um discurso infeliz – para dizer o mínimo – do diretor de futebol de base do Flamengo Alfredo Almeida, dando a entender que sul-americanos e africanos têm as ferramentas, mas não a inteligência para a prática do futebol de alto desempenho, um perigoso flerte com conceitos de eugênia e de supremacia racial.
A única análise correta, a meu ver é a de resgatar a vocação ofensiva, o drible, a imprevisibilidade e o improviso característicos do futebol brasileiro, aliando esse sentido intuitivo que nos diferencia à organização tática europeia, que tanto deu resultado por aqui, principalmente no Flamengo de 2019.
A formação dos atletas também é fundamental. Foi constrangedor ver posições nas quais historicamente o Brasil produziu jogadores em profusão, como meias de criação e laterais, com severa dificuldade de serem preenchidas no selecionado nacional.
Ex-jogadores que hoje comentam nos principais grupos de mídia do País atribuem a classificação de seis seleções europeias para as quartas de final da Copa do Mundo ao fato desses países terem as melhores ligas. No entanto, pelo que consta, as ligas norueguesa, suíça, belga e mesmo a francesa não possuem seus principais jogadores atuando em suas ligas, enquanto a Alemanha foi precocemente eliminada nos 16 avos de final da competição e a Itália completará 12 anos fora do certame mundial em 2030, quando tentará retornar ao lugar que lhe cabe como tetracampeã.
Aliás, jogadores brasileiros brilham nas principais ligas: Vinicius Júnior é o principal jogador do principal clube do planeta, o Real Madrid; Igor Thiago foi vice-artilheiro da Premier League, ficando atrás apenas do carrasco Haaland, mesma liga onde Alisson Becker é um dos principais goleiros; Marquinhos é um capitão que ergueu de forma consecutiva a taça da Liga dos Campeões da Europa nas duas últimas temporadas pelo PSG, para ficar nesses exemplos.
Outra leitura equivocada é a de que “imitamos os europeus”, sem perceberem que na história do futebol brasileiro as grandes inovações táticas vieram de lá, seja com os húngaros Dori Kuschner e Bella Guttman, o brasileiro Cláudio Coutinho ou, mais recentemente, o português Jorge Jesus.
Incautos internautas bradam nas redes que a Seleção Brasileira deve ser feita apenas com atletas que atuam por aqui, sem se recordarem – ou, porque não, ignorando – as experiências anteriores ruins com Edu Coimbra e Paulo Roberto Falcão.
Aliás, a pior análise que eu vi foi em relação a uma certa superioridade mental dos europeus, repetindo um discurso infeliz – para dizer o mínimo – do diretor de futebol de base do Flamengo Alfredo Almeida, dando a entender que sul-americanos e africanos têm as ferramentas, mas não a inteligência para a prática do futebol de alto desempenho, um perigoso flerte com conceitos de eugênia e de supremacia racial.
A única análise correta, a meu ver é a de resgatar a vocação ofensiva, o drible, a imprevisibilidade e o improviso característicos do futebol brasileiro, aliando esse sentido intuitivo que nos diferencia à organização tática europeia, que tanto deu resultado por aqui, principalmente no Flamengo de 2019.
A formação dos atletas também é fundamental. Foi constrangedor ver posições nas quais historicamente o Brasil produziu jogadores em profusão, como meias de criação e laterais, com severa dificuldade de serem preenchidas no selecionado nacional.
Sobre Carlão Azevedo
Âncora do canal do Carlão Azevedo", Carlão é profissional de telecomunicações e flamenguista inveterado, não necessariamente nessa ordem.
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