CBF E CLUBES INAUGURAM O PROGRAMA “MEU BAGRE, MINHA VIDA”
Na falta de jogos do Brasileirão e copas em função da injustificável “Super Data FIFA”, o tema que ocupa as resenhas e mesas de bar é a redução gradativa de estrangeiros até o ano de 2030, quando a lista de relacionados por partida não poderá ultrapassar 5 atletas de fora do Brasil. Dos 40 clubes que formam as séries A e B, apenas Flamengo, Bahia e Londrina votaram contra a intempestiva medida.
Sob a justificativa de que o excesso de estrangeiros limita a ascensão de jovens talentos e aumenta a idade média dos elencos, jogou-se no colo deles a culpa pela má formação e pelos péssimos (para não dizer inexistentes) processos de transição da base para o futebol profissional, ignorando que os jovens são negociados para fora do país cada vez mais precocemente.
O voto que mais saltou aos olhos foi o de Bruno Spindel, representante na reunião e diretor de futebol do Cruzeiro: Spindel dirigiu o futebol profissional do Flamengo entre 2019 e 2025. Nesse período, qual o grande talento geracional que brilhou em campo, que foi protagonista nos títulos ou que foi negociado para o exterior por valores vultosos, como Vini Jr. e Lucas Paquetá? A premissa foi justamente o contrário: vender a base para trazer jogadores “prontos”. Que o digam os Famalicões, Gis Vicentes e Estoris da vida.
Até Carlo Ancelotti, técnico que enfrenta diversas resistências de treinadores, comentaristas e torcedores brasileiros justamente por ser estrangeiro, assinou embaixo. Logo ele, multicampeão pelo Milan e Real Madrid com elencos apinhados de estrangeiros, destacadamente brasileiros, como Dida, Cafu, Kaká, Rodrygo e Vini.
A existência de estrangeiros deve ser regulada, mas não pode prejudicar o desempenho em campo. Inglaterra, França e Espanha têm seleções de base e ligas fortes, revelam talentos e não foi a presença de outras nacionalidades que impediu o progresso das suas seleções e campeonatos profissionais.
O tiro brasileiro inevitavelmente sairá pela culatra e nota-se que a medida que visou limitar uma pretensa “espanholização” do futebol brasileiro, protagonizada por Flamengo e Palmeiras, é totalmente inócua.
Se ambos os clubes são os que têm maior capacidade de trazer para seus elencos estrangeiros de melhor qualidade e renome internacional, não são eles também que podem pagar pelos direitos econômicos de jogadores brasileiros e enfraquecer os próprios coirmãos?
Adicione-se a isso um pequeno detalhe: são também Flamengo e Palmeiras os clubes que podem repatriar mais brasileiros de melhor qualidade, vide os casos de Samuel Lino e Lucas Paquetá, no Flamengo, e de Vitor Roque e Paulinho, no Palmeiras.
Resultado provável: além de impedir o acesso a mercados como Equador e Colômbia a clubes médios do Brasil, a medida irá inflacionar – ainda mais - o custo de jogadores locais de qualidade duvidosa, ou seja, o que se pagaria por um jogador brasileiro para composição de elenco passará a ser inflacionado, diante da necessidade de reforços e da limitação sem sentido.
Diante desse cenário, não há sombra de dúvida: a CBF, referendada por 37 dos seus principais clubes, criou o programa “Meu Bagre, Minha Vida”.
Sobre Carlão Azevedo
Âncora do canal do Carlão Azevedo", Carlão é profissional de telecomunicações e flamenguista inveterado, não necessariamente nessa ordem.
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