Crise de Identidade
Eleito sob a promessa de profissionalismo radical e modernização do clube, o presidente Bap enfrenta seu primeiro grande teste de fogo na gestão. A lua de mel acabou. Cobrado por resultados imediatos e por uma postura mais transparente, o mandatário parece preso ao labirinto político da Gávea. O futebol do Flamengo não pode ser gerido como uma extensão de reuniões de conselho; ele pulsa no campo. Falta ao presidente a sensibilidade de entender que o sarrafo rubro-negro mudou, e o que antes era aceitável, hoje é considerado fracasso.
Do outro lado, José Boto carrega o piano do departamento mais pressionado do planeta. Contratado por sua grife e histórico no mercado internacional, o diretor de futebol ainda não conseguiu imprimir sua marca no DNA do Flamengo. As contratações recentes pontuais não resolveram as carências crônicas do elenco, e a demora em reagir no mercado custou caro nas competições de mata-mata. Boto foi trazido para antecipar problemas, não para justificar perdas. O torcedor quer ver o "olhar clínico" que justificou sua vinda, traduzido em um elenco equilibrado e competitivo.
O momento é delicado, mas longe de ser irreversível. No entanto, para corrigir a rota, o Flamengo precisa de menos convicções internas e mais autocrítica. Bap precisa liderar com os pés no chão, e José Boto precisa agir com a agilidade que o futebol sul-americano exige. Eu vou continuar cobrando, porque o tamanho do Flamengo não aceita a passividade como resposta.
Sobre Marcelo Canela
Canela é aquele cara que respira futebol e transforma cada detalhe do jogo em pauta. Dono de uma mente criativa e estratégica, ele comanda o canal “Canela na Rede” com um olhar cirúrgico, onde outros veem lances, ele enxerga padrões táticos, histórias não contadas e debates que inflamam a resenha.
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