PUNIR PULGAR? Cuidado com o precedente que o futebol brasileiro pode criar!
A possível punição de Erick Pulgar, volante do Flamengo, pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) é, na minha opinião, um absurdo que merece uma reflexão muito além de um lance isolado.
É evidente que entradas duras precisam ser analisadas e que o futebol exige responsabilidade dos seus atletas. Mas transformar um lance de jogo em uma punição posterior exige critérios muito claros. Caso contrário, corremos o risco de abrir um precedente extremamente perigoso para o futebol brasileiro.
Afinal, quantos lances semelhantes acontecem rodada após rodada? Quantas divididas geram reclamações, discussões e interpretações diferentes? Se cada jogada polêmica passar a representar uma ameaça de suspensão posterior, estaremos criando um cenário de insegurança jurídica e esportiva.
O problema não é apenas Pulgar. É o precedente que uma eventual punição pode estabelecer.
O Flamengo tem todo o direito de defender seu jogador e questionar os critérios adotados. O que não podemos aceitar é que a repercussão de um lance se transforme em um fator determinante para decisões disciplinares. A Justiça Desportiva precisa agir com coerência, imparcialidade e, acima de tudo, igualdade de critérios.
Não se trata de defender a impunidade, muito menos de dizer que jogadores estão acima das regras. Trata-se de impedir que decisões posteriores ao jogo se tornem instrumentos de interpretação subjetiva, capazes de mudar o rumo de uma competição.
Se Pulgar for punido, qual será o parâmetro para os próximos casos? Todos os lances semelhantes serão julgados da mesma forma? Ou estaremos diante de mais uma decisão que provocará questionamentos e ampliará a desconfiança em relação aos critérios disciplinares do futebol brasileiro?
Punir por punir não fortalece o futebol. Criar precedentes sem critérios sólidos pode enfraquecer a credibilidade de todo o sistema.
O caso Pulgar precisa ser analisado com responsabilidade. Porque, quando se abre uma porta na Justiça Desportiva, é preciso ter consciência de que ela poderá ser atravessada muitas outras vezes.
E fica a pergunta: estamos diante de uma punição justa ou de uma decisão que pode criar um problema muito maior do que o próprio lance?
No futebol, a regra precisa valer para todos. E o bom senso também.
Sobre Marcelo Canela
Canela é aquele cara que respira futebol e transforma cada detalhe do jogo em pauta. Dono de uma mente criativa e estratégica, ele comanda o canal “Canela na Rede” com um olhar cirúrgico, onde outros veem lances, ele enxerga padrões táticos, histórias não contadas e debates que inflamam a resenha.
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