A decisão que mudou tudo: o erro da Inglaterra que colocou a Argentina em mais uma final de Copa do Mundo
Imagem: FIFAIngleses abriram o placar, controlavam a semifinal e tinham a vaga nas mãos, mas uma mudança tática de Thomas Tuchel transformou o jogo, recolocou a Argentina na partida e abriu caminho para uma virada histórica nos minutos finais diante de Messi e companhia.
A Argentina está novamente na final da Copa do Mundo. Em uma semifinal marcada pela tensão, pela intensidade física e por uma reviravolta dramática nos minutos finais, a atual campeã mundial derrotou a Inglaterra por 2 a 1, de virada, no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, e garantiu presença na decisão do próximo domingo diante da Espanha.
Anthony Gordon abriu o placar para os ingleses no início do segundo tempo, mas Enzo Fernández empatou aos 85 minutos e Lautaro Martínez, já nos acréscimos, completou a virada argentina após cruzamento preciso de Lionel Messi, encerrando mais um capítulo histórico da rivalidade entre as duas seleções.
Primeiro tempo de muito estudo e poucas oportunidades
Os primeiros 45 minutos foram marcados por enorme cautela dos dois lados. A Inglaterra procurava acelerar a circulação da bola através de Bellingham e Declan Rice, enquanto a Argentina apostava em uma pressão intermediária e na tentativa de encontrar Messi entre as linhas defensivas inglesas.
Thomas Tuchel montou a Inglaterra em um 4-2-3-1, com Rice e Mainoo protegendo a defesa e liberando Bellingham para atuar próximo dos homens de frente. Saka e Gordon abriam o campo pelos lados, enquanto Harry Kane atuava como referência central e pivô para as aproximações do meio-campo.
Do outro lado, Lionel Scaloni utilizou uma estrutura híbrida entre o 4-3-3 e o 4-4-2. Messi tinha liberdade total para abandonar o corredor direito e ocupar os espaços entre as linhas inglesas, enquanto Julián Álvarez realizava movimentos constantes para atacar a profundidade e abrir espaços para as infiltrações de Mac Allister e Enzo Fernández.
O equilíbrio tático produziu um jogo físico e de poucas oportunidades claras. A Inglaterra conseguiu limitar as ações de Messi durante boa parte da primeira etapa, enquanto a Argentina neutralizou a principal arma inglesa: os ataques rápidos pelos corredores laterais.
Gordon coloca a Inglaterra na frente
A partida mudou logo no início da etapa final. Aos 55 minutos, a Inglaterra conseguiu acelerar uma rara transição em velocidade e encontrou espaço nas costas da defesa argentina. Anthony Gordon apareceu livre para finalizar e colocar os ingleses em vantagem, fazendo explodir a torcida britânica presente em Atlanta.
Naquele momento, o cenário parecia ideal para a equipe de Thomas Tuchel. A Inglaterra havia encontrado o gol e tinha diante de si uma Argentina obrigada a se expor ainda mais em busca do empate.
Como a Argentina assumiu o controle da partida
Foi justamente após o gol que a semifinal começou a mudar taticamente. Em vez de manter a pressão e explorar os espaços que inevitavelmente apareceriam na defesa argentina, a Inglaterra optou por recuar suas linhas e proteger a vantagem mínima.
Tuchel transformou progressivamente seu 4-2-3-1 em uma estrutura muito mais defensiva, aproximando os laterais da linha dos zagueiros e reduzindo drasticamente a participação ofensiva dos pontas. Na prática, a Inglaterra passou a defender em um bloco baixo próximo da própria área.
A decisão entregou à Argentina exatamente o cenário que Scaloni desejava. Com posse praticamente total do meio-campo, Enzo Fernández e Mac Allister passaram a controlar o ritmo do jogo, enquanto Messi encontrou liberdade para receber entre Rice e os zagueiros ingleses.
A grande superioridade argentina apareceu na ocupação dos chamados "meio-espaços", regiões entre o lateral e o zagueiro que começaram a ser exploradas constantemente pelos movimentos de Messi e Julián Álvarez. Sem conseguir pressionar a saída rival e cada vez mais próximo de sua própria área, o sistema inglês perdeu compactação e passou a apenas reagir aos ataques argentinos.
Os números finais ajudam a explicar essa superioridade territorial: a Argentina terminou a partida com 64% de posse de bola, mais que o dobro de passes certos do adversário e quase quatro vezes mais volume ofensivo em oportunidades claras criadas.
O erro estratégico de Thomas Tuchel
A escolha de recuar a equipe após abrir o placar provavelmente será um dos grandes debates desta Copa do Mundo na Inglaterra.
Durante toda a competição, os ingleses mostraram enorme qualidade quando jogaram de maneira agressiva, pressionando alto e utilizando a movimentação de Bellingham, Saka e Gordon para acelerar as transições ofensivas. Ao abdicar dessa característica e aceitar o domínio territorial argentino, Tuchel permitiu que a Albiceleste controlasse completamente os minutos finais da semifinal.
A mudança para uma linha defensiva mais baixa produziu exatamente o efeito contrário ao desejado: aumentou a pressão sobre a defesa inglesa e reduziu drasticamente as possibilidades de contra-ataque, transformando a reta final da partida em um verdadeiro ataque contra defesa.
A reação argentina e a virada nos minutos finais
A insistência argentina foi recompensada aos 85 minutos. Após jogada construída por Lionel Messi, Enzo Fernández apareceu na entrada da área para finalizar e deixar tudo igual em Atlanta.
O empate abalou emocionalmente a Inglaterra, que já demonstrava dificuldades para recuperar o controle da partida. A Argentina manteve a pressão e continuou ocupando o campo ofensivo até encontrar o golpe decisivo nos acréscimos.
Já aos 90+2 minutos, Messi recebeu pela direita e colocou a bola na medida para Lautaro Martínez aparecer entre os zagueiros e cabecear para o fundo das redes, decretando a virada e a classificação argentina para mais uma final mundial.
Espanha x Argentina: uma final que promete entrar para a história
A decisão de domingo colocará frente a frente as duas seleções que apresentaram o futebol mais consistente da competição.
De um lado estará a Espanha, dona da maior posse de bola do torneio e de um modelo baseado em circulação rápida, pressão pós-perda e enorme capacidade técnica no meio-campo. Do outro, a Argentina chega impulsionada pela experiência competitiva, pela maturidade tática e pela capacidade de sobreviver aos momentos mais difíceis dos jogos eliminatórios.
O confronto promete ser fascinante também do ponto de vista estratégico. A Espanha buscará controlar o ritmo através da posse, enquanto a Argentina tentará repetir a fórmula que a levou até aqui: intensidade sem a bola, ocupação inteligente dos espaços e liberdade criativa para Lionel Messi decidir nos momentos importantes.
Caso conquiste o título, a Argentina se tornará a primeira seleção, desde o Brasil de 1958 e 1962, a conquistar dois títulos mundiais consecutivos. A Espanha, por sua vez, busca o bicampeonato e a consolidação definitiva de uma nova geração que recolocou a Fúria entre as grandes potências do futebol mundial.
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