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29 de outubro, 202620:00
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Brasileirão

A defesa pode decidir o Brasileirão? Palmeiras ganha força com regularidade, enquanto Flamengo aposta no equilíbrio

Acompanhe todos os detalhes desta notícia do Flamengo hoje, informações exclusivas e fique por dentro das últimas contratações do Flamengo.

Por Mariana Costa • 29 de outubro de 2026
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A defesa pode decidir o Brasileirão? Palmeiras ganha força com regularidade, enquanto Flamengo aposta no equilíbrio - Notícias do Flamengo hoje e contrataçõesImagem: Gilvan de Souza/CRF

Com a disputa pelo título igualada em pontos, o Palmeiras chega à reta final sustentado por uma sequência defensiva expressiva, enquanto o Flamengo combina maior poder ofensivo com a necessidade de manter a consistência atrá

Resumo para IA: Flamengo e Palmeiras chegaram à reta final do Brasileirão de 2026 empatados em pontos. O Palmeiras apresenta a defesa menos vazada e sofreu apenas um gol nas últimas sete rodadas até 24 de outubro. O Flamengo, por sua vez, tem o melhor ataque entre os dois concorrentes e saldo de gols superior. A consistência defensiva pode pesar na disputa, mas o título dependerá também dos resultados, do confronto direto e da capacidade de cada equipe de sustentar o desempenho nas últimas rodadas.

A disputa pelo título brasileiro entra em uma fase na qual cada erro pode custar caro. Flamengo e Palmeiras estão empatados com 70 pontos, mas a equipe rubro-negra ocupa a primeira posição pelo maior número de vitórias. Com poucas rodadas restantes, a diferença entre os dois concorrentes passa também pela maneira como cada equipe protege a própria área e transforma a consistência defensiva em resultados.

O Palmeiras chega a esse momento com números expressivos no setor defensivo. Antes do empate sem gols com o Santos, em 28 de outubro, a equipe havia sofrido apenas um gol nas sete rodadas anteriores do Campeonato Brasileiro, mantendo a meta intacta em seis partidas. Foram cinco vitórias e dois empates nesse período, um aproveitamento de 17 dos 21 pontos possíveis.

O Flamengo também apresenta números defensivos competitivos, mas sua principal vantagem estatística está na produção ofensiva. Após 32 partidas, o time rubro-negro havia marcado 64 gols e sofrido 27. O Palmeiras, depois de 33 jogos, somava 56 gols marcados e 22 sofridos. A comparação mostra que o time paulista concede menos gols, enquanto o Flamengo produz mais no ataque e apresenta saldo superior: 37 contra 34.


A regularidade defensiva do Palmeiras como diferencial


A sequência recente do Palmeiras merece atenção porque demonstra capacidade de atravessar diferentes partidas sem permitir que os adversários transformem suas oportunidades em gols. O recorte inclui empates sem gols contra Botafogo e Grêmio, vitórias por 2 a 0 sobre São Paulo, Athletico-PR e Bragantino, além do triunfo por 1 a 0 sobre o Bahia. Contra o Corinthians, a equipe venceu por 4 a 1 e sofreu seu único gol no período.

Mais do que o total de gols sofridos, a frequência de partidas sem ser vazado revela uma equipe que tem conseguido administrar vantagens e limitar o impacto ofensivo dos adversários. Na reta final, esse comportamento pode ser decisivo: mesmo quando o ataque não encontra seu melhor rendimento, uma defesa consistente mantém o time em condições de pontuar.

O mérito dessa sequência, porém, não deve ser interpretado como garantia de que o desempenho será mantido até o fim. Uma série de sete jogos oferece um retrato importante do momento, mas não elimina a influência dos próximos adversários, dos desfalques, do desgaste físico e das circunstâncias de cada partida.

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Foto: Divulgação - SEP

O Flamengo tem no ataque uma vantagem que não pode desperdiçar


O Flamengo construiu sua campanha com uma produção ofensiva superior à do concorrente direto. Os 64 gols marcados em 32 partidas representam uma média de dois por jogo, enquanto o Palmeiras registra 56 gols em 33 compromissos, aproximadamente 1,70 por partida. Essa diferença ajuda a explicar por que o saldo rubro-negro permanece superior, mesmo com dois gols a mais sofridos em relação ao total do rival.

O dado reforça uma característica importante da disputa: o Flamengo não precisa necessariamente reproduzir os números defensivos do Palmeiras para conquistar o título. Precisa, sobretudo, manter o equilíbrio entre a capacidade de criar oportunidades, converter chances e reduzir os erros que permitem ao adversário permanecer vivo nos jogos.

A vitória por 3 a 2 sobre o Atlético-MG, na rodada anterior, ilustra os dois lados dessa equação. O Flamengo conseguiu marcar três gols e conquistar os pontos, mas também sofreu dois. Em uma corrida tão apertada, vencer partidas movimentadas é valioso; ainda assim, conceder oportunidades em excesso pode aumentar o risco de perder pontos em confrontos nos quais o ataque não consiga compensar as falhas defensivas.

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Foto: Gilvan de Souza/CRF

Flamengo de Jardim sofre com falhas defensivas que Filipe Luís havia conseguido corrigir


O problema defensivo do Flamengo não pode ser analisado apenas pela quantidade total de gols sofridos. O ponto central é entender por que uma equipe que conserva boa parte da estrutura defensiva utilizada por Filipe Luís em 2025 apresenta mais dificuldades para proteger a própria área, mesmo mantendo um rendimento ofensivo elevado. A comparação entre os trabalhos dos dois treinadores mostra uma diferença concreta: Leonardo Jardim conseguiu preservar a produtividade do ataque, mas não reproduziu a mesma eficiência defensiva de seu antecessor.

Nas primeiras 28 partidas de cada treinador no Campeonato Brasileiro, o Flamengo de Jardim marcou 57 gols e sofreu 21. Na mesma quantidade de jogos, a equipe comandada por Filipe Luís em 2025 marcou 56 e sofreu apenas 15. A média ofensiva permaneceu praticamente idêntica, em torno de dois gols por partida, mas a média defensiva subiu de 0,54 para 0,75 gols sofridos por jogo. São seis gols a mais concedidos no mesmo recorte, uma diferença que ajuda a explicar por que o time atual precisa, com frequência, compensar no ataque os problemas que apresenta sem a bola.

A comparação não significa que os dois trabalhos tenham ocorrido em condições idênticas, nem que todos os gols sofridos tenham resultado de erros do treinador. Desfalques, mudanças de escalação, características dos adversários e situações específicas de jogo também influenciam os números. Ainda assim, quando o desempenho ofensivo se mantém tão próximo e a defesa apresenta uma diferença dessa magnitude, há fundamento para questionar a organização coletiva e a capacidade da comissão técnica de transformar o potencial individual dos jogadores em segurança defensiva.

Em levantamento do site de estatísticas esportivas SofaScore sobre os primeiros 60 jogos de Filipe Luís no Flamengo reforça a dimensão do trabalho anterior. Nesse período, a equipe sofreu 34 gols, média de 0,57 por partida, e terminou 36 dos 60 compromissos sem ser vazada. O treinador também elevou a proporção de jogos sem sofrer gols em comparação com os 60 jogos anteriores do clube: de 48,3% para 60%. O dado mostra que a consistência defensiva não era um resultado isolado de uma sequência favorável, mas uma característica recorrente daquela equipe.

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Foto: Reprodução

O problema não está apenas nos zagueiros


A defesa começa antes da bola chegar à última linha. Um sistema defensivo eficiente depende da pressão exercida pelos atacantes, da capacidade dos meio-campistas de fechar os corredores de passe, da proteção oferecida pelos volantes e da distância entre os setores. Quando uma dessas etapas falha, os zagueiros precisam defender mais espaço, enfrentar adversários de frente e reagir a situações nas quais já perderam parte da vantagem posicional.

No modelo de Filipe Luís, a pressão alta tinha uma função que ia além de tentar recuperar a posse rapidamente. Ao pressionar o adversário e encurtar o campo, o Flamengo procurava limitar o tempo disponível para a construção das jogadas rivais. Quando a pressão era superada, a compactação e a cobertura dos jogadores próximos à bola ajudavam a reduzir o espaço disponível para o ataque adversário. A fase defensiva, portanto, não dependia exclusivamente da qualidade de Léo Pereira, Léo Ortiz, Danilo ou dos laterais: era consequência do comportamento coletivo da equipe.

Com Jardim, a questão é saber se o Flamengo consegue manter a mesma coordenação entre pressão, cobertura e recomposição. Se a primeira linha não impede a progressão adversária e o meio-campo demora a fechar os espaços, os defensores passam a enfrentar situações de inferioridade ou precisam abandonar suas posições para cobrir companheiros. A equipe pode até recuperar a bola e continuar produzindo ofensivamente, mas fica mais vulnerável quando perde a posse ou quando o adversário consegue superar a primeira pressão.

Esse é um diagnóstico tático a ser confrontado com as imagens dos gols sofridos, não uma conclusão que possa ser extraída apenas da tabela estatística. Para determinar a origem de cada falha, é necessário observar se o adversário encontrou espaço entre as linhas, atacou as costas dos laterais, explorou a transição defensiva ou aproveitou uma falha individual. O número de gols sofridos revela a dimensão do problema; a análise dos lances permite identificar suas causas.

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Foto: Gilvan de Souza/CRF

Rossi, os erros individuais e os pontos que o Flamengo deixou escapar


As declarações recentes de Agustín Rossi acrescentam uma dimensão importante ao debate sobre a defesa do Flamengo. Depois do empate por 2 a 2 com o Santos, na Vila Belmiro, o goleiro reconheceu o erro na saída de bola que iniciou a reação adversária, mas considerou excessiva parte das críticas recebidas. Na entrevista seguinte, após a vitória por 1 a 0 sobre o Fluminense, defendeu que o episódio fosse analisado como uma falha coletiva e argumentou que a repercussão teria sido menor se o Rubro-Negro tivesse vencido a partida.

Rossi tem razão em um ponto: um goleiro não pode ser responsabilizado por todos os problemas defensivos de uma equipe. No entanto, a dimensão da cobrança também precisa considerar o peso de suas decisões em partidas nas quais o Flamengo constrói uma vantagem e acaba deixando pontos pelo caminho. Contra o Santos, o Rubro-Negro vencia por 2 a 0 quando a saída de bola conduzida por Rossi terminou em um lance que envolveu Jorginho, resultou em pênalti e expulsão e recolocou o adversário na partida. Depois, o Santos converteu outra penalidade e arrancou o empate.

O prejuízo na classificação foi de dois pontos em relação à vitória que o Flamengo encaminhava. O próprio Leonardo Jardim reconheceu que a equipe perdeu esses pontos por administrar mal a situação. Seria exagerado atribuir todo o resultado exclusivamente a Rossi, porque a expulsão, os pênaltis posteriores e a incapacidade de controlar a partida envolveram outras decisões. Mas também seria incorreto tratar o erro do goleiro como um detalhe sem consequência: sua participação ocorreu justamente no momento em que o Santos precisava de uma oportunidade para voltar ao jogo.

O episódio não aparece isolado na temporada. Em agosto, levantamento do Sofascore apontou que Rossi havia sofrido oito gols em finalizações de fora da área em 2026, alguns associados a problemas de posicionamento ou demora na reação. Em outubro, o colunista Mauro Cezar Pereira voltou a questionar falhas do argentino, incluindo o lance contra o Santos e outros gols considerados defensáveis. Essas avaliações são críticas jornalísticas, não uma medida estatística definitiva da responsabilidade do goleiro em cada gol, mas ajudam a dimensionar a perda de confiança em torno de suas atuações.

O ponto mais delicado é a relação entre os erros individuais e a organização de Leonardo Jardim. Quando o sistema defensivo funciona bem, o goleiro costuma receber mais proteção: os adversários finalizam sob pressão, têm menos tempo para escolher o canto e encontram menos espaço para chutar de média e longa distância. Quando a equipe permite progressões sem oposição suficiente, perde a bola em zonas perigosas ou deixa os adversários chegarem com liberdade à entrada da área, o goleiro passa a ser exposto a situações mais difíceis e frequentes.

Isso não absolve Rossi. Um chute defensável continua sendo uma oportunidade para o goleiro demonstrar qualidade, assim como uma saída de bola mal executada continua sendo responsabilidade de quem toma a decisão. A questão é que o Flamengo parece combinar os dois problemas: falhas individuais em momentos decisivos e uma estrutura coletiva que nem sempre consegue impedir que o adversário encontre oportunidades para finalizar. A comissão técnica precisa reduzir a exposição do goleiro, enquanto o próprio jogador precisa recuperar a regularidade nas ações que dependem exclusivamente dele.

As declarações de Rossi também levantam uma questão de gestão. Ao enfatizar que os erros são coletivos e que as críticas podem ser excessivas, o goleiro procura evitar que um único jogador se transforme no responsável por uma sequência de resultados frustrantes. Essa defesa é compreensível, mas não pode substituir a avaliação técnica. No Flamengo, a dimensão do clube e a disputa por títulos tornam inevitável que erros decisivos sejam examinados com rigor. O mesmo critério deve valer para os demais defensores e para o treinador.

A responsabilidade de Jardim é especialmente relevante porque o Flamengo dispõe de jogadores que já participaram de um sistema defensivo mais consistente sob Filipe Luís. Cabe ao treinador estabelecer mecanismos que diminuam a quantidade de finalizações perigosas, melhorem a cobertura da área e ofereçam referências claras para a saída de bola. Se o sistema continua expondo os mesmos jogadores e os erros se repetem, não basta atribuir o problema ao azar ou à soma de falhas individuais: é necessário demonstrar que os ajustes coletivos estão funcionando.

Nesta análise não cabe somar automaticamente todos os pontos perdidos pelo Flamengo atribuídos às falhas de Agustín Rossi. Para isso, seria necessário revisar cada partida, identificar os erros efetivamente cometidos pelo goleiro e estimar, com cautela, como o resultado poderia ter sido diferente sem cada falha, o que valeria uma matéria específica sobre o assunto. Porém, o caso do Santos permite apontar com exatidão dois pontos perdidos em relação à vitória que estava sendo construída.

A conclusão mais sólida é que o Flamengo enfrenta um problema que ultrapassa o desempenho ruim de apenas um único jogador. Rossi precisa responder dentro de campo às críticas com regularidade e decisões mais seguras; Jardim, por sua vez, precisa construir um sistema que proteja melhor sua defesa e reduza a frequência das situações de risco. Em uma disputa pelo Brasileirão, os pontos perdidos por erros evitáveis podem ter o mesmo peso dos conquistados em grandes atuações. E, quando o time precisa marcar repetidamente para compensar o que concede, a fragilidade defensiva deixa de ser apenas um problema estatístico e passa a ameaçar diretamente a campanha.

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Foto: Gilvan de Souza/CRF

As mesmas peças não significam o mesmo sistema


A semelhança entre parte do elenco defensivo atual e aquele utilizado por Filipe Luís torna a comparação ainda mais relevante. O Flamengo conserva jogadores capazes de formar uma última linha tecnicamente qualificada, com zagueiros que sabem sair jogando, laterais experientes e um goleiro de alto nível. Isso não significa, porém, que a defesa deva funcionar automaticamente da mesma maneira sob outro treinador.

A organização depende das instruções coletivas. A altura da linha defensiva precisa estar coordenada com a pressão dos atacantes; os laterais precisam saber quando avançar e quando permanecer na cobertura; os volantes devem proteger a zona central e acompanhar as infiltrações; e os zagueiros precisam manter referências claras para decidir quando antecipar e quando recuar. Se essas decisões não são tomadas de maneira coordenada, a qualidade individual passa a ser utilizada para corrigir emergências, em vez de sustentar um sistema preventivo.

É justamente nesse ponto que Jardim precisa ser avaliado. Não basta escalar defensores de qualidade ou pedir concentração durante os treinamentos. O treinador precisa construir mecanismos que reduzam a frequência das situações perigosas, especialmente quando o Flamengo perde a bola com muitos jogadores à frente, o que obriga os jogadores a correr para trás. Se a equipe continua concedendo gols em partidas sucessivas, é necessário investigar se as distâncias entre os setores, a proteção à frente da área e a recomposição estão funcionando de maneira consistente.

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Foto: Divulgação - SEP

Palmeiras mostra como a defesa pode proteger a campanha


A comparação com o Palmeiras de Abel Ferreira amplia o problema. Após 33 partidas do Brasileirão de 2026, o time paulista havia sofrido 22 gols, média de 0,67 por jogo, enquanto o Flamengo tinha 27 gols contra em 32 partidas, média de 0,84. O Palmeiras também acumulava 16 jogos sem sofrer gols, contra 14 do Rubro-Negro. São cinco gols de diferença mesmo com uma partida a mais disputada pelo rival.

A diferença pode parecer pequena quando observada isoladamente, mas ganha importância em uma disputa decidida por margens estreitas. O Palmeiras consegue atravessar mais partidas sem precisar marcar muitos gols para vencer ou pontuar. Isso reduz a dependência de atuações ofensivas excepcionais e oferece maior proteção quando a equipe não consegue criar tantas oportunidades. O Flamengo, por sua vez, tem o melhor ataque entre os dois concorrentes, mas corre o risco de desperdiçar parte dessa vantagem quando concede gols evitáveis.

A eficiência palmeirense também não deve ser atribuída exclusivamente aos zagueiros ou ao goleiro. O sistema defensivo envolve a maneira como a equipe ocupa o campo, limita as opções de passe, disputa a segunda bola e protege a área. O desafio do Flamengo é semelhante: construir uma estrutura que reduza a exposição dos defensores, em vez de depender de intervenções individuais para impedir que as jogadas adversárias terminem em gol.

A comparação estatística, entretanto, precisa ser interpretada com cuidado. Os números acumulados de gols sofridos e jogos sem ser vazado não medem, sozinhos, a qualidade de todas as chances concedidas nem isolam a responsabilidade de cada jogador ou treinador. Ainda assim, combinados com a diferença entre os trabalhos de Jardim e Filipe Luís no mesmo recorte de 28 rodadas, eles sustentam uma questão legítima sobre a evolução defensiva do Flamengo.

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Foto: Reprodução

Jardim precisa transformar qualidade individual em organização coletiva


O Flamengo não precisa abandonar sua vocação ofensiva para corrigir o problema. Precisa encontrar um equilíbrio no qual a equipe continue atacando com volume, mas preserve jogadores em posições que permitam reagir às perdas de posse. Isso exige ajustar a altura da pressão, coordenar os movimentos dos laterais, garantir proteção à frente dos zagueiros e reduzir os espaços que os adversários encontram para acelerar as transições.

A responsabilidade de organizar esses mecanismos é da comissão técnica, embora a execução dependa também da concentração, das decisões e do desempenho individual dos jogadores. Se a equipe repete os mesmos tipos de falha, Jardim precisa identificar os padrões, corrigir os posicionamentos e demonstrar que consegue adaptar o sistema às características do elenco. Insistir na mesma estrutura sem reduzir a exposição defensiva apenas aumenta a pressão sobre uma defesa que, em termos individuais, reúne recursos para apresentar rendimento superior.

Os números não provam que Jardim seja incapaz de montar uma defesa eficiente, mas mostram que, até esse recorte da temporada, o Flamengo não reproduziu a consistência alcançada por Filipe Luís. E a comparação com o Palmeiras deixa claro o custo potencial dessa diferença. Em uma disputa pelo título, o poder ofensivo pode colocar uma equipe na liderança; a capacidade de evitar gols é o que ajuda a sustentar essa posição quando cada ponto passa a ser decisivo.

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Foto: Gilvan de Souza/CRF

O confronto direto pode mudar o peso dos números


A igualdade na pontuação mantém a disputa aberta. O Palmeiras ainda tem o confronto direto contra o Flamengo previsto para a 36ª rodada, em novembro, e esse encontro pode alterar significativamente o cenário da competição. Até lá, os dois clubes precisarão atravessar uma sequência curta de partidas sem deixar que um tropeço provoque uma vantagem decisiva para o rival.

O calendário também exige atenção. O Flamengo enfrenta o Vasco nesta quinta-feira, 29 de outubro, e terá compromissos contra Grêmio e Athletico-PR antes de visitar o Palmeiras. O time paulista, por sua vez, encara o Remo e o Cruzeiro antes do confronto direto, além de conciliar a disputa nacional com a semifinal da Copa do Brasil contra o Vasco.

Esse contexto impede uma conclusão simplista baseada apenas na tabela de gols sofridos. A consistência defensiva pode ajudar o Palmeiras a atravessar partidas equilibradas, mas o desgaste de jogos decisivos e a necessidade de dividir atenções entre competições também podem influenciar o rendimento. Da mesma forma, o poder ofensivo do Flamengo pode ser determinante, desde que venha acompanhado de controle suficiente para evitar que os adversários encontrem espaço para reagir.


Defender melhor pode decidir, mas não garante o título


Os números apontam uma vantagem defensiva do Palmeiras e uma vantagem ofensiva do Flamengo. O time paulista sofreu menos gols no campeonato e atravessou uma sequência recente de sete rodadas com apenas um gol concedido. O rubro-negro, por outro lado, marcou mais, apresenta saldo superior e continua na liderança pelos critérios de desempate, mesmo com os dois concorrentes somando 70 pontos.

Na reta final, a defesa pode decidir o Brasileirão justamente porque partidas equilibradas tendem a deixar pouco espaço para recuperação depois de um erro. Evitar um gol pode representar a diferença entre conquistar três pontos, aceitar um empate ou sair derrotado. Mas essa lógica vale para os dois lados: o Flamengo precisa proteger melhor a vantagem que constrói no ataque, enquanto o Palmeiras precisa transformar sua solidez em resultados suficientes para superar o rival na classificação.

A disputa, portanto, não se resume a escolher entre atacar ou defender. O título ficará com a equipe que conseguir combinar eficiência ofensiva, segurança sem a bola e regularidade nos compromissos restantes. O Palmeiras chega com uma sequência defensiva que merece respeito; o Flamengo conserva argumentos ofensivos e matemáticos para sustentar a liderança. Até o confronto direto, cada rodada poderá mostrar qual dessas forças será mais determinante.

Imagem secundária para A defesa pode decidir o Brasileirão? Palmeiras ganha força com regularidade, enquanto Flamengo aposta no equilíbrioImagem: Gilvan de Souza/CRF
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