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A revolução silenciosa de Leonardo Jardim: o Flamengo que começa a vencer antes mesmo de a bola rolar

Por Thiago Silva20 de julho de 2026
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A revolução silenciosa de Leonardo Jardim: o Flamengo que começa a vencer antes mesmo de a bola rolarImagem: Gilvan de Souza/CRF

Mudanças implementadas por Leonardo Jardim durante a intertemporada transformam o comportamento do Rubro-Negro, fortalecem o jogo coletivo, valorizam os jovens da base e fazem o Flamengo chegar à reta decisiva da temporada com uma identidade cada vez mais definida e competitiva

Enquanto boa parte das atenções da torcida está voltada para possíveis reforços, negociações de mercado e para a reta decisiva da temporada, uma transformação muito mais importante vem acontecendo diariamente no Ninho do Urubu. Ela não aparece nas manchetes sobre contratações nem pode ser medida apenas pelos resultados da intertemporada. Trata-se da mudança de identidade promovida por Leonardo Jardim desde que assumiu o comando do Flamengo.

Os amistosos disputados durante a preparação para o segundo semestre deixaram uma impressão clara: o Flamengo passou a ser uma equipe muito mais difícil de ser enfrentada. Não apenas pela qualidade técnica de seu elenco, mas pela variedade de soluções que apresenta durante os 90 minutos.

Essa talvez seja a principal marca do treinador português.

Um Flamengo que não depende mais de um único modelo

Durante muitos anos, o Rubro-Negro construiu seu futebol a partir da posse de bola e do domínio territorial. Era um time que, quando conseguia controlar o jogo, parecia imbatível. Mas também demonstrava dificuldades sempre que precisava alterar seu plano durante a partida.

Leonardo Jardim vem mudando esse conceito.

Hoje, o Flamengo consegue alternar momentos de pressão alta com períodos de bloco médio. Em alguns momentos busca acelerar imediatamente após recuperar a bola; em outros, prefere controlar o ritmo através da circulação de passes. Essa capacidade de adaptação torna a equipe muito menos previsível para qualquer adversário.

Na prática, o treinador deixou de montar apenas um sistema tático. Ele passou a construir diferentes comportamentos para diferentes cenários de jogo.

A intensidade voltou a ser uma marca registrada

Outro aspecto que chama atenção é a intensidade sem a posse de bola.

Nos amistosos da intertemporada, ficou evidente a preocupação em recuperar rapidamente a bola após perdê-la. O chamado "perde-pressiona" passou a acontecer com muito mais coordenação entre os setores, reduzindo o espaço para contra-ataques adversários.

Não se trata apenas de correr mais. Trata-se de correr melhor.

Cada jogador sabe exatamente qual espaço deve fechar e qual adversário deve pressionar, diminuindo o desgaste físico e aumentando a eficiência coletiva.

A base deixou de ser apenas opção

Talvez uma das maiores mudanças esteja na utilização dos jovens do Ninho do Urubu.

Durante anos, muitos garotos eram lançados apenas em situações de emergência ou quando o resultado já estava definido. Sob o comando de Leonardo Jardim, a lógica parece diferente.

Os jovens passaram a receber minutos importantes justamente porque conseguem executar funções específicas dentro do modelo de jogo proposto pela comissão técnica.

Lorran talvez seja o maior exemplo. O meia voltou a ganhar confiança, participou diretamente dos amistosos da intertemporada e demonstrou maturidade para atuar entre linhas, pressionar sem a bola e acelerar a construção ofensiva.

Mais do que revelar talentos, o Flamengo começa novamente a formar jogadores preparados para competir em alto nível.

Imagem secundária para A revolução silenciosa de Leonardo Jardim: o Flamengo que começa a vencer antes mesmo de a bola rolarImagem: Gilvan de Souza/CRF
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O elenco ganhou novas possibilidades

Outro mérito do treinador está na recuperação técnica de alguns jogadores.

Samuel Lino rapidamente encontrou protagonismo dentro da equipe graças à liberdade para atacar espaços pelos lados do campo. Pedro voltou a participar mais da construção das jogadas, deixando de ser apenas um finalizador. Luiz Araújo passou a alternar posicionamentos e Bruno Henrique voltou a explorar os corredores com maior frequência.

Isso significa que o Flamengo deixou de depender exclusivamente de jogadas individuais. Hoje, o ataque funciona através da movimentação coletiva.

O maior desafio começa agora

A boa intertemporada não garante títulos.

Os testes realizados contra Benfica, Lausanne, Cusco e Olimpia mostraram evolução, mas a verdadeira prova começa com o retorno das competições oficiais.

Será diante dos jogos eliminatórios da Libertadores, das fases decisivas da Copa do Brasil e da disputa ponto a ponto do Campeonato Brasileiro que esse novo Flamengo será colocado à prova.

É justamente nesses momentos que a capacidade de adaptação construída por Leonardo Jardim poderá fazer diferença.

O mercado ainda pode elevar o nível da equipe

A diretoria continua monitorando oportunidades para reforçar o elenco. A busca por um meia criativo e por jogadores que aumentem a competitividade em alguns setores demonstra que o planejamento ainda está em andamento.

Mas a principal contratação talvez já tenha acontecido dentro do próprio campo.

Quando um treinador consegue melhorar o rendimento coletivo sem depender exclusivamente de novos jogadores, o clube passa a ganhar um patrimônio que permanece mesmo após o encerramento de uma janela de transferências.

Um time que volta a transmitir confiança

Há algo que vai além das estatísticas e dos esquemas táticos. O Flamengo voltou a transmitir segurança ao seu torcedor.

A equipe parece saber exatamente o que pretende fazer em cada fase da partida. Mesmo quando sofre um gol, mantém organização, não abandona o plano de jogo e demonstra confiança para buscar o resultado.

Essa estabilidade emocional costuma ser uma característica comum das equipes que chegam fortes às decisões.

Ainda é cedo para afirmar que o Flamengo será favorito em todas as competições. O calendário continuará exigindo muito do elenco, lesões podem alterar o planejamento e os adversários também evoluem ao longo da temporada.

Mas uma conclusão já pode ser tirada após a intertemporada: Leonardo Jardim está construindo um Flamengo menos dependente do talento individual e muito mais sustentado por uma ideia coletiva de futebol. Se essa evolução continuar no mesmo ritmo durante a segunda metade do ano, o Rubro-Negro terá argumentos sólidos para lutar por todos os títulos que ainda disputa.

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