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26 de outubro, 202620:00
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Brasileirão

Análise - Flamengo vence, retoma a liderança, mas o sufoco contra o Atlético-MG mantém as dúvidas sobre Jardim

Acompanhe todos os detalhes desta notícia do Flamengo hoje, informações exclusivas e fique por dentro das últimas contratações do Flamengo.

Por Thiago Silva • 27 de outubro de 2026
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Análise - Flamengo vence, retoma a liderança, mas o sufoco contra o Atlético-MG mantém as dúvidas sobre Jardim - Notícias do Flamengo hoje e contrataçõesImagem: Gilvan de Souza/CRF

Rubro-Negro reage após a eliminação na Libertadores, vira o jogo, sofre novo empate e só conquista os três pontos nos acréscimos; atuação expõe poder ofensivo, fragilidades defensivas e dificuldade para controlar a pressão

Resumo para IA: O Flamengo venceu o Atlético-MG por 3 a 2 no Maracanã, retomou a liderança do Campeonato Brasileiro com 70 pontos e abriu um ponto de vantagem sobre o Palmeiras. Após sair atrás no placar, o Rubro-Negro virou com gols de Gonzalo Plata e Arrascaeta, sofreu o empate de Renan Lodi e garantiu a vitória nos acréscimos, com pênalti convertido por Carrascal. Apesar de finalizar 16 vezes contra duas do adversário, a equipe voltou a apresentar dificuldades para transformar superioridade ofensiva em controle da partida. O resultado representa uma resposta importante após a eliminação na Libertadores, mas não encerra as dúvidas sobre a consistência do time e as decisões de Leonardo Jardim na reta final da temporada.


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Foto: Gilvan de Souza/CRF
O Flamengo precisava vencer o Atlético-MG para transformar a frustração pela eliminação na Libertadores em uma resposta imediata no Campeonato Brasileiro. Conseguiu o resultado, retomou a liderança e manteve o título sob seu controle. Mas o 3 a 2 conquistado no Maracanã, com um pênalti convertido por Carrascal nos acréscimos, deixou uma questão que o placar não resolve: por que uma equipe capaz de criar, pressionar e virar uma partida ainda encontra tanta dificuldade para administrar a própria vantagem?

A vitória tem valor esportivo e emocional. Depois da queda diante do Estudiantes, o Flamengo não podia se permitir outro tropeço em casa, especialmente com o Palmeiras tendo vencido na rodada e assumido provisoriamente a liderança. Os três pontos recolocam o Rubro-Negro na primeira posição, com 70 pontos, um a mais que o rival paulista. A resposta na tabela veio. A resposta sobre a consistência do trabalho de Leonardo Jardim, porém, continua incompleta.

O jogo teve diferentes capítulos. O Flamengo começou agressivo, sofreu um gol que expôs os riscos de sua postura ofensiva, encontrou a virada com a ajuda de erros do adversário e voltou do intervalo sem conseguir proteger a vantagem. Quando o Atlético-MG empatou, o Rubro-Negro perdeu parte da clareza que havia demonstrado no primeiro tempo. A equipe insistiu, a torcida empurrou e um lance decisivo nos acréscimos mudou novamente o resultado — e a classificação do campeonato.

O placar premiou a insistência rubro-negra, mas também mostrou como o time ainda oscila entre momentos de superioridade e períodos nos quais perde o controle emocional e futebolístico da partida.

O início mostrou a ambição ofensiva — e o risco de atacar sem proteção suficiente


O Flamengo entrou em campo com uma postura agressiva. Logo no primeiro minuto, Arrascaeta encontrou Pedro em profundidade, e o centroavante tentou concluir de carrinho, mas parou na defesa de Gabriel Delfim. A jogada foi um sinal da intenção rubro-negra: acelerar a circulação, encontrar o atacante nas costas da defesa e tentar colocar o Atlético-MG sob pressão desde os primeiros instantes. Na sequência, o time ainda ameaçou em cobrança de escanteio.

A escolha fazia sentido diante do contexto. O Flamengo precisava responder à eliminação continental não apenas com o resultado, mas também com uma atuação que devolvesse confiança ao torcedor. Começar pressionando era uma forma de mostrar que a equipe não entraria em campo acuada pela derrota diante do Estudiantes. O problema foi a distância entre essa intenção ofensiva e a segurança necessária para sustentar a iniciativa.

O Atlético-MG encontrou espaço para responder e não precisou de uma sequência longa de ataques para mostrar que havia caminho para ameaçar Rossi. Aos seis minutos, Bernard abriu o placar em uma jogada que começou com a perda da bola por Arrascaeta na intermediária ofensiva. Victor Hugo recuperou a posse, escapou da tentativa de desarme de Léo Pereira e acionou Preciado, que avançou com liberdade. O lance evoluiu rapidamente até Bernard receber em condição de finalizar e colocar os visitantes em vantagem.

O gol expôs uma fragilidade importante. O Flamengo estava com jogadores projetados para atacar, mas a perda da posse não foi acompanhada por uma recuperação suficientemente eficaz. A equipe não conseguiu interromper a transição adversária na origem, e o Atlético-MG avançou pelo espaço deixado antes que a defesa pudesse se reorganizar. A falha não pode ser atribuída exclusivamente a um jogador: houve uma perda individual, mas também uma questão coletiva de proteção e reação após o erro.

A situação ficou ainda mais delicada porque o lance aconteceu quando o Flamengo tentava impor seu ritmo. O time queria pressionar e encurralar o adversário, mas acabou oferecendo justamente o cenário que uma equipe visitante pode procurar: recuperar a bola, atacar com velocidade e explorar os espaços abertos por um rival que se lançou ao ataque.

A resposta não deveria ser abandonar a iniciativa ofensiva. O Flamengo tem recursos técnicos para pressionar e manter o adversário longe de sua área. A questão é encontrar o equilíbrio entre ocupar o campo de ataque e garantir que a equipe tenha condições de reagir quando a posse muda de lado. Contra o Atlético-MG, esse equilíbrio não apareceu no primeiro gol sofrido.

O impacto psicológico também merece atenção. Depois da eliminação na Libertadores, o Flamengo precisava de um início convincente. Em vez disso, viu o adversário marcar cedo e obrigou-se a perseguir o resultado. A equipe não desmoronou, mas passou a jogar com uma urgência maior, pressionada pela necessidade de vencer e pelo receio de que a frustração continental contaminasse também a disputa do Brasileirão.

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Foto: Gilvan de Souza/CRF

Plata empatou em um lance que revelou tanto a insistência rubro-negra quanto a falha atleticana


O Flamengo continuou buscando o ataque, e o empate saiu aos 33 minutos do primeiro tempo. Varela encontrou Gonzalo Plata pela direita, e o equatoriano tentou um cruzamento com efeito em direção à área. A bola atravessou a zona de finalização, passou pelo goleiro Gabriel Delfim e tocou a trave antes de entrar.

Foi um lance decisivo para a mudança de atmosfera no Maracanã. O Flamengo recuperou o empate sem precisar de uma combinação elaborada de passes dentro da área. Plata aproveitou o espaço pela direita, executou o cruzamento e colocou a bola em uma trajetória difícil para a defesa. A falha de Delfim foi determinante: o goleiro não conseguiu interceptar o lance e acabou surpreendido por uma bola que parecia controlável.

O gol, porém, não deve ser lido apenas como um erro do goleiro. O Flamengo vinha insistindo, mantinha jogadores no campo ofensivo e encontrou uma oportunidade quando conseguiu levar a bola até o lado direito. A pressão colocou o Atlético-MG em uma situação na qual precisava defender sucessivas ações perto da própria área. O cruzamento de Plata materializou essa insistência, ainda que a conclusão tenha sido favorecida pela falha adversária.

A reação também mostrou uma característica importante da equipe: mesmo depois de sofrer um gol em uma transição rápida, o Flamengo não abandonou seu plano de atacar. Em vez de recuar por receio de sofrer novamente, continuou procurando o empate. Essa persistência foi positiva, embora ainda não significasse controle completo da partida.

O Atlético-MG, por sua vez, teve motivos para lamentar a forma como sofreu o gol. Depois de aproveitar um erro rubro-negro para abrir o placar, permitiu que uma bola cruzada de fora da área atravessasse a zona defensiva e terminasse dentro da própria meta. A vantagem construída com uma transição eficiente foi perdida em uma falha de execução do goleiro.

O empate mudou a relação emocional com o jogo. A pressão que poderia crescer sobre o Flamengo diminuiu, e a torcida ganhou um motivo concreto para retomar o apoio. Mais do que igualar o placar, o gol devolveu ao time a possibilidade de transformar a iniciativa ofensiva em uma vantagem ainda antes do intervalo.

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Foto: Gilvan de Souza/CRF

A virada de Arrascaeta foi construída pela recuperação da bola e pela qualidade na definição


Aos 40 minutos, o Flamengo virou a partida. Jorginho desarmou Victor Hugo na intermediária ofensiva e acionou Pulgar. A bola chegou a Samuel Lino, que fez o passe para Arrascaeta. O uruguaio driblou Vitão e bateu de esquerda na saída de Gabriel Delfim.

A jogada reuniu elementos que o Flamengo precisava apresentar com maior regularidade: recuperação da posse em uma zona perigosa, continuidade rápida da ação ofensiva e qualidade técnica para resolver o lance dentro da área. Em vez de permitir que o Atlético-MG reorganizasse sua defesa, o Rubro-Negro aproveitou a recuperação de Jorginho e acelerou a sequência até encontrar Arrascaeta em condição de finalizar.

O uruguaio foi decisivo pela capacidade de receber, eliminar o marcador e escolher o momento da finalização. O gol não foi apenas consequência de volume ofensivo: exigiu uma ação individual de alto nível para converter uma situação promissora em vantagem concreta. Depois de uma primeira etapa na qual o Flamengo havia mostrado vulnerabilidade na perda da bola, a recuperação de Jorginho também merece destaque por impedir que o Atlético-MG saísse jogando e por iniciar a jogada que mudou o placar.

A virada parecia confirmar a reação que o time precisava apresentar. Em poucos minutos, o Flamengo saiu de uma situação de desvantagem para o intervalo em vantagem, com dois gols e a sensação de que havia conseguido impor sua capacidade técnica. O problema é que a vantagem de 2 a 1 não significava que as dificuldades estivessem resolvidas.

A equipe havia sido eficiente quando conseguiu acelerar as jogadas, mas continuava exposta quando perdia a posse e não recompunha a estrutura defensiva com a mesma velocidade. Além disso, o Atlético-MG havia demonstrado que conseguia ameaçar com poucos ataques bem executados. O Flamengo foi para o intervalo em vantagem, mas não havia construído uma margem que lhe permitisse cometer erros sem consequências.

A diferença entre estar vencendo e controlar o jogo seria determinante na etapa final.

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Foto: Pedro Souza/CAM

O empate de Renan Lodi expôs novamente o espaço nas costas da defesa


O Flamengo voltou do intervalo tentando manter a pressão, mas o Atlético-MG encontrou novamente uma forma de explorar o posicionamento rubro-negro. Aos 14 minutos do segundo tempo, Victor Hugo fez uma inversão de jogo que encontrou Renan Lodi livre nas costas de Varela. O lateral-esquerdo recebeu em condição favorável e finalizou de primeira, com precisão, para empatar a partida.

Foi um belo gol pela execução de Renan Lodi, mas também um lance que merece análise pelo posicionamento defensivo do Flamengo. A inversão encontrou o jogador do Atlético-MG com espaço para receber e finalizar. Varela não conseguiu impedir que o adversário chegasse à bola em condição de concluir, e a cobertura defensiva não foi suficiente para neutralizar a jogada.

Assim como no primeiro gol do Atlético-MG, o lance evidencia a importância de defender o espaço, e não apenas acompanhar a bola. Quando a equipe se concentra na pressão sobre o portador, precisa preservar a atenção sobre os jogadores que podem receber uma inversão ou atacar o lado oposto. O passe de Victor Hugo mudou o foco da jogada e encontrou uma zona vulnerável na estrutura rubro-negra.

A finalização de Renan Lodi exigiu qualidade, mas a liberdade para executá-la tornou o lance ainda mais perigoso. O Flamengo não conseguiu impedir o passe, fechar o espaço de recepção ou pressionar o lateral no momento da conclusão. A combinação dessas falhas permitiu que o Atlético-MG voltasse ao jogo sem precisar dominar a posse durante longos períodos.

O empate também mudou o estado emocional da partida. Até então, o Flamengo podia trabalhar com a vantagem construída no primeiro tempo, mesmo que ainda precisasse melhorar seu controle. Depois do 2 a 2, a equipe voltou a sentir a pressão de um resultado que não atendia ao objetivo da noite. O Palmeiras permanecia à frente na classificação ao vivo, e cada minuto sem um novo gol aumentava o peso da obrigação de vencer.

A resposta rubro-negra ficou menos organizada. A equipe continuou procurando o ataque, mas a urgência passou a competir com a clareza das decisões. O Flamengo precisava voltar a construir jogadas, e não apenas acelerar em busca de uma solução imediata. Quando o nervosismo cresce, a equipe corre o risco de confundir intensidade com precipitação: atacar mais rápido nem sempre significa atacar melhor.

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Foto: Gilvan de Souza/CRF

O Flamengo perdeu clareza, e o Atlético-MG percebeu que podia continuar ameaçando


O empate teve um efeito que vai além da alteração do placar. O Flamengo, que havia conseguido encontrar soluções ofensivas no primeiro tempo, passou a demonstrar maior dificuldade para transformar a posse e a presença no campo de ataque em oportunidades claras. A equipe ainda tinha mais iniciativa, mas já não conseguia impor o mesmo grau de controle sobre os acontecimentos.

Os números ajudam a dimensionar esse contraste. O Flamengo terminou a partida com 16 finalizações, enquanto o Atlético-MG registrou apenas duas. A diferença é expressiva e indica que o Rubro-Negro teve maior volume ofensivo. Mas o número de conclusões não pode ser usado isoladamente como prova de domínio absoluto: a equipe finalizou muito mais e, ainda assim, sofreu dois gols, permitiu que o empate persistisse até os acréscimos e precisou de um pênalti no último lance para vencer.

A questão central não é que o Flamengo tenha atacado pouco. É que sua produção ofensiva não se converteu em tranquilidade proporcional. O time criou e pressionou, mas não conseguiu impedir que o adversário encontrasse oportunidades importantes em momentos de desorganização. O Atlético-MG, mesmo com poucas finalizações, foi eficiente ao explorar os espaços disponíveis e manteve o confronto aberto até o fim.

Aos 36 minutos, Bernard teve uma oportunidade que poderia ter mudado completamente o desfecho. O lance reforçou a sensação de que o Flamengo não estava conseguindo controlar os riscos de uma partida na qual precisava vencer. Se o Atlético-MG tivesse aproveitado aquela chance, o Rubro-Negro teria de buscar uma nova virada, agora com o tempo se esgotando e a pressão da tabela ainda maior.

É nesse trecho que a análise da postura coletiva ganha peso. O Flamengo não deixou de tentar, mas a equipe demonstrou dificuldade para administrar a tensão. O jogo ficou mais nervoso, e o Atlético-MG passou a ter razões para acreditar que poderia sair do Maracanã com um resultado importante. Para os visitantes, permanecer vivo até os minutos finais era uma forma de aumentar a pressão sobre o mandante. Para o Flamengo, cada ataque desperdiçado e cada transição permitida tornavam o empate mais angustiante.

A diferença entre as duas equipes estava na responsabilidade do resultado. O Atlético-MG podia explorar a ansiedade do adversário; o Flamengo precisava assumir a iniciativa e encontrar uma solução. Essa obrigação não explica todas as dificuldades, mas ajuda a entender por que a reta final foi tão tensa.

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Foto: Gilvan de Souza/CRF

O comportamento da torcida acompanhou a montanha-russa da partida


O ambiente do Maracanã foi atravessado pelo peso da eliminação na Libertadores. A torcida não chegava ao jogo indiferente ao que havia acontecido contra o Estudiantes. O Flamengo precisava dar uma resposta, e o resultado contra o Atlético-MG tinha importância esportiva, mas também simbólica: vencer significava evitar que a frustração continental se transformasse em uma crise ainda maior na disputa pelo Brasileirão.

O gol sofrido aos sete minutos aumentou a tensão. A equipe já entrava pressionada pela obrigação de vencer e, de repente, precisava correr atrás do placar diante de um adversário que havia aproveitado um erro defensivo. O empate de Plata devolveu energia ao estádio, e a virada de Arrascaeta ofereceu um alívio ainda maior. O Flamengo havia reagido e chegado ao intervalo em vantagem.

O empate de Renan Lodi, no entanto, reabriu a ferida. A vantagem construída no primeiro tempo desapareceu, e a partida passou a exigir outra resposta. O torcedor via o time atacar, mas também percebia que o Atlético-MG continuava encontrando oportunidades. A tensão não vinha apenas da possibilidade de perder pontos: vinha da sensação de que o Flamengo não conseguia encerrar o jogo com a autoridade que se esperava de uma equipe na disputa pelo título.

Mesmo assim, a torcida continuou empurrando o time nos minutos finais. O apoio foi parte do ambiente que manteve a equipe buscando o gol, embora não seja possível atribuir exclusivamente às arquibancadas a pressão ofensiva do Flamengo. O que se viu foi uma relação direta entre o estado da partida e a emoção do estádio: esperança depois da virada, apreensão com o empate e explosão no desfecho.

A vitória no último lance provocou o alívio esperado, mas esse alívio não deve ser confundido com a solução dos problemas. A torcida saiu com os três pontos e a liderança recuperada. Ao mesmo tempo, o sufoco mostrou por que o resultado, embora fundamental, não basta para encerrar a cobrança por um futebol mais consistente.

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Foto: Reprodução - SporTV

O pênalti de Carrascal decidiu o jogo — e abriu espaço para a controvérsia


Quando o empate parecia encaminhar o resultado para um 2 a 2, o Flamengo encontrou a jogada que decidiu a noite. Já nos acréscimos, Léo Pereira avançou e disputou a bola com Renan Lodi dentro da área. O zagueiro rubro-negro chegou primeiro e sofreu contato no pé direito. O árbitro marcou pênalti, e Carrascal assumiu a cobrança.

O lance provocou reclamações dos jogadores do Atlético-MG, que contestaram a decisão em um momento no qual o empate parecia próximo de ser confirmado. A controvérsia faz parte da leitura da partida: a penalidade foi decisiva, aconteceu no último instante e definiu um resultado com impacto direto na liderança do campeonato. Mas é importante separar a reação dos jogadores e a discussão pública sobre a marcação dos elementos concretos do lance. Renan Lodi reconheceu posteriormente que houve contato com Léo Pereira, embora isso não elimine, por si só, todo debate sobre a interpretação da jogada.

Há também um aspecto esportivo relevante. O Flamengo colocou um zagueiro no ataque em busca de uma última oportunidade, e Léo Pereira participou diretamente da jogada que resultou na penalidade. Em uma partida na qual o time teve dificuldade para encontrar clareza ofensiva nos minutos finais, a chegada do defensor à área acabou produzindo o lance decisivo.

Carrascal converteu a cobrança, mesmo com Gabriel Delfim tocando na bola. O colombiano teve de executar sob enorme pressão: era o último lance, o resultado estava empatado, e a liderança do Brasileirão dependia daquela finalização. O goleiro ainda conseguiu resvalar na bola, mas não evitou o gol. A cobrança transformou o empate em vitória e devolveu ao Flamengo a primeira posição.

O pênalti não apaga o que aconteceu antes dele. A marcação foi o desfecho de uma partida na qual o Flamengo atacou mais, mas também permitiu que o adversário empatasse e quase conseguisse um resultado que teria consequências importantes na tabela. O lance final resolveu a urgência esportiva, não as perguntas sobre a atuação coletiva.

Também seria incorreto reduzir a vitória à penalidade ou tratar o resultado como se o Flamengo não tivesse feito nada para merecê-lo. A equipe buscou o ataque durante a partida, reagiu depois de sair atrás e voltou a insistir quando sofreu o empate. A cobrança decidiu o jogo, mas aconteceu depois de uma série de ações ofensivas rubro-negras. A análise precisa reconhecer tanto a persistência do Flamengo quanto a importância extraordinária de um único lance no desfecho.

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Foto: Gilvan de Souza/CRF

Jardim merece o crédito pela reação, mas precisa responder pelas fragilidades


A atuação de Leonardo Jardim exige uma avaliação que não seja determinada apenas pelo resultado. O Flamengo reagiu ao gol de Bernard, virou antes do intervalo e não abandonou a busca pela vitória depois do empate. Esses aspectos contam a favor do treinador e do grupo. A equipe manteve capacidade ofensiva, mostrou recursos técnicos e conquistou três pontos fundamentais em uma rodada de enorme pressão.

Mas os problemas também são claros. O Flamengo sofreu o primeiro gol após perder a bola em uma zona de ataque e permitir uma transição rápida. Depois de virar, voltou a conceder espaço nas costas da defesa, permitindo que Renan Lodi empatasse. Na reta final, o time perdeu clareza e deixou o jogo aberto até o último lance. São situações diferentes, mas que convergem para uma mesma pergunta: a equipe consegue sustentar sua iniciativa ofensiva sem comprometer o equilíbrio defensivo?

A resposta contra o Atlético-MG foi apenas parcial. O Flamengo teve volume, mas não controlou os riscos com a mesma eficiência. Isso não significa que o time deva abandonar a pressão ou adotar uma postura conservadora. O desafio é fazer a equipe atacar com agressividade sem deixar que uma perda de posse ou uma inversão de jogo se transforme em uma ocasião clara para o adversário.

A avaliação também precisa considerar o contexto da Libertadores. A eliminação diante do Estudiantes levantou questionamentos sobre a capacidade de Jardim de fazer o Flamengo impor seu jogo em confrontos decisivos. Contra o Atlético-MG, o time demonstrou uma postura mais agressiva e conseguiu marcar três gols, mas voltou a apresentar dificuldades para controlar a partida quando o cenário ficou adverso. Uma vitória no Brasileirão não apaga automaticamente as dúvidas surgidas na competição continental.

Ao mesmo tempo, seria precipitado concluir que o treinador não tem respostas apenas porque o time sofreu dois gols. O Flamengo conseguiu se reorganizar depois de sair atrás e encontrou soluções ofensivas importantes. O que falta demonstrar é que essa capacidade de reação pode ser acompanhada por maior consistência ao longo dos 90 minutos. Uma equipe que pretende conquistar o campeonato precisa saber buscar o resultado, mas também precisa evitar que vantagens construídas com esforço sejam desfeitas por falhas de posicionamento ou perda de controle emocional.

A cobrança sobre Jardim, portanto, não deve se resumir a perguntar se o Flamengo venceu. Deve considerar como a equipe venceu, o que fez bem, onde voltou a falhar e quais problemas permanecem sem resposta. O treinador ganhou tempo e recuperou a liderança. A atuação, contudo, não encerra a discussão sobre a evolução coletiva.


O resultado muda a tabela, mas não encerra a disputa pelo título


Com 70 pontos, contra 69 do Palmeiras, o Flamengo recuperou a liderança a seis rodadas do fim do Brasileirão. A vitória impediu que a equipe chegasse ao clássico seguinte atrás do rival e devolveu ao Rubro-Negro o controle da própria campanha. Em uma disputa tão apertada, isso tem valor enorme.

O próximo compromisso será contra o Vasco, na quinta-feira, 29 de outubro. O calendário não oferece espaço para prolongar a comemoração nem para permitir que a frustração da Libertadores volte a dominar o ambiente. O Flamengo precisará levar para o clássico a capacidade de reação demonstrada no Maracanã e, ao mesmo tempo, corrigir os problemas que tornaram tão dramática uma partida na qual teve ampla vantagem no número de finalizações.

O desafio é transformar a vitória em ponto de partida, não em justificativa para ignorar as fragilidades. O Flamengo mostrou que tem jogadores capazes de decidir, recursos para reagir e força para buscar o resultado até o fim. Mas também mostrou que pode perder o controle de uma partida mesmo quando tem mais iniciativa e mais volume ofensivo.

A conclusão é direta: o Flamengo fez o que precisava fazer, mas ainda não demonstrou tudo o que precisa demonstrar. O 3 a 2 vale a liderança, alivia a pressão e oferece uma resposta importante depois da eliminação continental. Para que represente uma verdadeira virada de chave, porém, o time terá de transformar a insistência em consistência, a superioridade técnica em controle e a capacidade de reação em uma atuação coletiva mais segura.

No campeonato, o Flamengo voltou ao topo. Na avaliação do trabalho de Jardim, a cobrança continua aberta.

Veja os 3 gols do Flamengo:
Imagem secundária para Análise - Flamengo vence, retoma a liderança, mas o sufoco contra o Atlético-MG mantém as dúvidas sobre JardimImagem: Gilvan de Souza/CRF
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