Bap adota discurso realista sobre estádio do Flamengo: "Talvez meus filhos vejam isso"
Imagem: Adriano Fontes/CRFPresidente rubro-negro afirma que a construção da arena própria não foi abandonada, mas admite que o projeto pode levar entre 15 e 20 anos para se tornar financeiramente viável. Declaração marca uma mudança de estratégia em relação ao cronograma apresentado pela gestão anterior
O sonho do estádio próprio continua vivo no Flamengo, mas deixou de ser tratado como uma meta de curto prazo.
Em entrevista ao podcast Sports Market Makers, o presidente Luiz Eduardo Baptista (Bap) fez a declaração mais sincera desde que assumiu o comando do clube ao admitir que a construção da futura arena no terreno do Gasômetro poderá demorar entre 15 e 20 anos. Em tom bem-humorado, o dirigente resumiu a dimensão do desafio: "Talvez meus filhos vejam isso. Eu não sei se eu vou ver."
A fala representa uma mudança significativa no discurso institucional do Flamengo. Se a gestão anterior trabalhava com a expectativa de inaugurar o estádio ainda nesta década, a atual diretoria prefere adotar um planejamento de longo prazo, priorizando a saúde financeira do clube e a manutenção da competitividade do futebol profissional.
Maracanã continua sendo prioridade
Durante a entrevista, Bap deixou claro que o Flamengo não vê necessidade de acelerar o projeto a qualquer custo.
Segundo o presidente, o clube possui uma concessão de aproximadamente 18 anos e meio para utilização do Maracanã, o que oferece tempo suficiente para planejar a futura arena sem comprometer investimentos no elenco ou na estrutura esportiva.
Na avaliação do dirigente, o maior patrimônio do Flamengo continua sendo sua capacidade de formar equipes competitivas, responsáveis por gerar receitas bilionárias. Construir um estádio sem preservar essa capacidade seria, segundo ele, um erro estratégico.
O desafio é financeiro
A principal justificativa apresentada por Bap está nas contas.
O presidente explicou que o Flamengo pretende construir seu estádio com recursos próprios, sem colocar em risco a estabilidade financeira conquistada nos últimos anos. Pela lógica apresentada, parte do superávit anual precisaria ser reservada durante muitos anos para formar um fundo destinado exclusivamente à obra.
Segundo os estudos citados pelo clube, o projeto foi inicialmente estimado em cerca de R$ 2,66 bilhões, embora a atual gestão trabalhe para reduzir esse custo para aproximadamente R$ 2,2 bilhões por meio de revisões técnicas e de engenharia.
Entraves vão além do dinheiro
O aspecto financeiro não é o único obstáculo para o início das obras.
Bap lembrou que o terreno do Gasômetro ainda depende da remoção de estruturas da Naturgy, concessionária responsável pela distribuição de gás natural no Rio de Janeiro. A transferência dessa infraestrutura é considerada complexa e pode levar anos até ser concluída.
Enquanto essas intervenções não forem realizadas, o início efetivo da construção permanece inviável, independentemente da disponibilidade de recursos financeiros.
O cronograma mudou oficialmente
Outro ponto importante revelado recentemente é que o Flamengo já renegociou com a Prefeitura do Rio de Janeiro os prazos previstos para o empreendimento.
A previsão de inauguração, anteriormente projetada para 2029, foi adiada para 2036, refletindo a nova estratégia da diretoria de trabalhar com metas mais realistas e compatíveis com a capacidade de investimento do clube.
Uma mudança de filosofia administrativa
As declarações de Bap também evidenciam uma diferença de gestão em relação ao projeto do estádio.
Enquanto a administração anterior priorizava acelerar o cronograma da obra, a atual diretoria coloca o equilíbrio financeiro como condição indispensável para qualquer avanço. A ideia central é que o estádio seja consequência da prosperidade econômica do clube, e não um fator que comprometa sua capacidade de investimento no futebol.
Essa visão está alinhada ao modelo adotado por grandes clubes europeus, que frequentemente estruturam fundos de longo prazo antes de iniciar projetos bilionários de infraestrutura.
O debate entre sonho e realidade
As declarações do presidente inevitavelmente dividiram opiniões entre os torcedores.
Parte da torcida entende que um clube do tamanho do Flamengo deveria acelerar a construção de uma arena própria para ampliar receitas e reduzir a dependência do Maracanã. Outros enxergam com bons olhos a cautela da diretoria, argumentando que o maior patrimônio esportivo do clube é justamente sua estabilidade financeira e sua capacidade de investir continuamente em equipes competitivas.
O estádio continua nos planos
Apesar do novo prazo, Bap fez questão de reforçar que o projeto não foi abandonado.
Segundo o dirigente, o objetivo continua sendo entregar ao Flamengo uma arena moderna, financeiramente sustentável e capaz de atender às necessidades do clube pelas próximas décadas. A diferença é que esse objetivo será perseguido dentro de um planejamento que preserve a solidez econômica construída nos últimos anos.
Mais importante que a velocidade é a sustentabilidade
O pronunciamento de Bap marca uma inflexão na forma como o Flamengo trata um dos maiores sonhos de sua torcida. Em vez de estabelecer datas ambiciosas, a atual gestão prefere trabalhar com um horizonte mais longo, priorizando investimentos no futebol, a manutenção do Maracanã como casa rubro-negra e a formação de reservas financeiras suficientes para que a futura arena nasça sem comprometer a competitividade do clube.
O estádio próprio permanece como um objetivo estratégico do Flamengo. A diferença é que, para a atual diretoria, ele não será construído a qualquer custo, mas apenas quando o clube tiver condições de transformar esse sonho em realidade sem abrir mão daquilo que o tornou uma potência: um futebol forte e uma gestão financeiramente responsável.
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