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Bruno Henrique: o gol contra o Vitória e a história de um dos maiores ídolos da era moderna do Flamengo

Por Mariana Costa11 de agosto de 2026
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Bruno Henrique: o gol contra o Vitória e a história de um dos maiores ídolos da era moderna do FlamengoImagem: Gilvan de Souza/CRF

O tempo passa, os elencos mudam, os treinadores chegam e vão embora, mas Bruno Henrique continua encontrando maneiras de deixar sua marca no Flamengo

Aos 35 anos, o atacante já não precisa provar sua importância para a história rubro-negra. Ela está escrita em títulos, gols decisivos, grandes atuações e momentos que ficaram definitivamente associados à memória da torcida.

Mesmo assim, o gol marcado contra o Vitória, na vitória por 2 a 0 no Maracanã, teve um significado especial. Depois de um período de jejum no Campeonato Brasileiro, Bruno Henrique recebeu de Carrascal, arrancou em velocidade e finalizou de canhota para fechar o placar. Foi um gol com a assinatura do camisa 27: força, velocidade, ataque ao espaço e capacidade de aparecer no momento certo.

Mais do que o segundo gol da partida, foi uma demonstração de que Bruno Henrique continua tendo algo que poucos jogadores conseguem preservar durante tantos anos: capacidade de decidir jogos importantes.

Do desembarque em 2019 ao status de ídolo

Quando chegou ao Flamengo, em janeiro de 2019, Bruno Henrique ainda era um atacante buscando consolidar seu espaço entre os grandes nomes do futebol brasileiro.

Poucos poderiam imaginar a dimensão que sua passagem pelo clube alcançaria.

Na estreia, diante do Botafogo, marcou duas vezes. Era o primeiro sinal de uma relação que rapidamente se transformaria em uma das mais importantes da história recente do Flamengo. Desde então, o atacante construiu uma trajetória marcada por gols em clássicos, decisões e competições continentais.

A temporada de 2019, naturalmente, ocupa um capítulo especial nessa história.

Bruno Henrique foi um dos protagonistas do time que conquistou a Libertadores e o Campeonato Brasileiro. Na competição continental, terminou como líder de assistências e foi eleito o melhor jogador do torneio. No Brasileirão, também recebeu o prêmio de melhor jogador da competição.

Naquele ano, deixou de ser simplesmente um reforço importante e passou a ser um dos rostos da geração que recolocou o Flamengo no topo do futebol sul-americano.

O atacante dos jogos grandes

A história de Bruno Henrique no Flamengo não pode ser contada apenas através dos números.

Existe uma característica que explica melhor sua relação com a torcida: a capacidade de aparecer justamente quando o jogo exige algo diferente.

Foi assim em clássicos. Foi assim na Libertadores. Foi assim em decisões nacionais. E foi assim em diferentes momentos nos quais o Flamengo precisava de um jogador capaz de transformar uma jogada aparentemente comum em uma oportunidade de gol.

Sua velocidade sempre foi uma das principais armas. Mas reduzir Bruno Henrique à velocidade seria ignorar uma evolução importante ao longo dos anos.

O atacante passou a compreender melhor os espaços, aperfeiçoou seus movimentos sem bola e desenvolveu uma capacidade cada vez maior de atacar as costas da defesa adversária.

Isso explica por que continua sendo útil mesmo depois de ultrapassar a faixa dos 30 anos.

17 títulos e um lugar entre os maiores vencedores

A dimensão da trajetória também aparece na quantidade de troféus.

Bruno Henrique acumula 17 títulos pelo Flamengo, número que o coloca entre os jogadores mais vencedores da história do clube. A coleção inclui três Libertadores, três Campeonatos Brasileiros, duas Copas do Brasil, seis Campeonatos Cariocas, três Supercopas do Brasil, além de Recopa Sul-Americana e títulos internacionais conquistados pelo clube.

É uma lista que ajuda a compreender por que o atacante ultrapassou há algum tempo a condição de jogador importante.

Bruno Henrique é parte da identidade de uma geração do Flamengo.

Ao lado de nomes como Arrascaeta, Gabigol e outros protagonistas daquele período, participou diretamente de uma das fases mais vitoriosas da história rubro-negra.

O gol que virou marca registrada

Existe também uma característica quase cinematográfica na trajetória do atacante.

Bruno Henrique parece ter desenvolvido uma relação especial com os momentos de pressão.

Quando o Flamengo precisa acelerar, ele oferece profundidade. Quando precisa atacar espaços, ele oferece velocidade. Quando o adversário adianta a defesa, ele se transforma em uma ameaça permanente.

Foi exatamente esse tipo de jogada que apareceu contra o Vitória.

Carrascal encontrou Bruno Henrique em velocidade. O atacante ganhou espaço, carregou a bola e finalizou de esquerda. Não houve necessidade de uma construção longa ou de uma sequência de passes: bastaram poucos segundos para que o camisa 27 transformasse uma transição em gol.

É o tipo de lance que explica por que sua presença continua sendo tão valiosa para Leonardo Jardim.

Mais do que um titular: uma ferramenta tática

O Bruno Henrique de 2026 talvez não seja exatamente o mesmo jogador de 2019.

E isso não precisa ser encarado como um problema.

Aos 35 anos, administrar seus minutos e escolher os momentos adequados para utilizá-lo pode ser justamente a maneira de prolongar sua importância.

Leonardo Jardim tem à disposição jogadores com características diferentes para o setor ofensivo. Samuel Lino oferece mobilidade e capacidade de jogar por dentro. Plata acrescenta velocidade e amplitude. Pedro proporciona referência dentro da área. Arrascaeta e Paquetá aumentam a qualidade da criação.

Bruno Henrique, por sua vez, oferece algo que poucos no elenco conseguem reproduzir da mesma maneira: profundidade e explosão para atacar a última linha.

Isso o transforma em uma arma especialmente interessante durante os segundos tempos.

Contra uma defesa já desgastada, sua velocidade pode ser ainda mais determinante.

O banco pode ser o novo território de Bruno Henrique

Existe uma mudança de perspectiva importante na utilização do atacante.

Imagem secundária para Bruno Henrique: o gol contra o Vitória e a história de um dos maiores ídolos da era moderna do FlamengoImagem: Gilvan de Souza/CRF
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Ser reserva em determinadas partidas não significa necessariamente perder importância.

Pelo contrário.

Um jogador com a experiência de Bruno Henrique pode ser extremamente valioso entrando aos 60 ou 65 minutos, quando o adversário já não possui a mesma capacidade física para acompanhar seus movimentos.

Foi o que aconteceu contra o Vitória.

Jardim colocou Bruno Henrique em campo no segundo tempo e recebeu exatamente aquilo que precisava: intensidade, profundidade e gol.

Essa pode ser uma das grandes armas do Flamengo na reta decisiva da temporada.

O atacante que também representa uma cultura

Mas existe ainda uma dimensão que os números não conseguem medir.

Bruno Henrique representa uma ligação entre diferentes gerações do elenco.

Ele esteve presente nos momentos mais importantes da transformação do Flamengo em uma potência continental e permaneceu no clube enquanto novos jogadores chegaram, diferentes treinadores assumiram e o elenco foi completamente remodelado.

Hoje, jogadores mais jovens convivem diariamente com alguém que conhece por dentro o peso de jogar uma final pelo Flamengo, disputar uma Libertadores, entrar em campo no Maracanã lotado e enfrentar a pressão de uma torcida que exige títulos todos os anos.

Essa experiência também tem valor.

O gol contra o Vitória veio depois de um período difícil

Por isso, o gol contra o Vitória merece ser analisado também pelo contexto.

Bruno Henrique ainda não havia marcado no Campeonato Brasileiro de 2026 e vinha de uma sequência de 16 partidas sem balançar as redes na competição. Seu último gol pelo torneio havia sido na 36ª rodada do Brasileirão de 2025, contra o Atlético-MG.

O jejum poderia aumentar a pressão sobre um jogador que já convive naturalmente com expectativas enormes.

Mas a resposta veio da maneira que Bruno Henrique conhece melhor: dentro de campo.

Um gol, três pontos e mais uma demonstração de que sua história no Flamengo ainda não terminou.

113 gols e uma marca que continua crescendo

Os números ajudam a dimensionar a longevidade de sua passagem.

Em abril de 2026, o Flamengo registrava 355 jogos, 113 gols e 55 assistências de Bruno Henrique desde sua chegada ao clube.

No Campeonato Brasileiro, o gol contra o Vitória foi o seu 59º pelo Flamengo na competição. Na lista histórica de artilheiros rubro-negros no torneio, ele aparece atrás apenas de Zico, Pedro e Gabigol.

Não são números de uma passagem comum.

São números de um jogador que já construiu uma carreira inteira dentro do Flamengo.

O futuro ainda pode reservar novos capítulos

Em maio de 2026, o Flamengo renovou o contrato de Bruno Henrique até dezembro de 2027. A decisão mostra que o clube também entende que sua importância vai além do momento atual.

O atacante continuará sendo uma peça do elenco durante a reta final desta temporada e também terá a oportunidade de ampliar ainda mais suas marcas no clube.

Não é necessário que Bruno Henrique seja titular em todas as partidas para continuar sendo decisivo.

Não é necessário que marque todos os jogos para continuar sendo importante.

O Flamengo precisa apenas saber utilizar aquilo que ele ainda tem de melhor.

Bruno Henrique não precisa mais provar quem é

A carreira de Bruno Henrique no Flamengo já pertence à história.

Ele participou de conquistas que marcaram uma geração, tornou-se um dos jogadores mais vencedores do clube, ultrapassou a marca dos 100 gols, decidiu partidas importantes e construiu uma identificação rara com a torcida.

Agora, sua função é diferente.

É usar experiência, inteligência e aquilo que ainda existe de explosão física para continuar sendo decisivo quando o Flamengo mais precisar.

O gol contra o Vitória foi apenas mais um capítulo.

Mas talvez seja justamente esse o maior mérito de Bruno Henrique: depois de tantos anos e tantos títulos, ele ainda consegue fazer um gol que parece familiar.

Receber em velocidade. Atacar o espaço. Deixar o marcador para trás. Finalizar. E comemorar diante da Nação.

A história já está escrita.

Mas Bruno Henrique ainda não parece disposto a colocar o ponto final.

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