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Libertadores - Oitavas de Final - Jogo da volta

19 de agosto, 202621:30
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Carrascal: de vilão a peça importante no esquema de jogo de Leonardo Jardim

Por Redação Fla1017 de agosto de 2026
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Carrascal: de vilão a peça importante no esquema de jogo de Leonardo JardimImagem: Gilvan de Souza/CRF

Depois de uma sequência marcada por expulsões, críticas e desconfiança, meia colombiano reage com gols, participação ofensiva e evolução tática justamente quando o Flamengo mais precisa de opções

Por alguns meses, o nome de Jorge Carrascal esteve muito mais associado aos problemas do Flamengo do que às soluções. Contratado para acrescentar criatividade ao setor ofensivo, o colombiano rapidamente mostrou qualidade técnica, mas também acumulou episódios de indisciplina que comprometeram sua imagem e fizeram crescer a pressão por uma possível saída.

Agora, o cenário começa a mudar.

As últimas atuações do camisa 20 indicam uma transformação importante no papel de Carrascal dentro da equipe de Leonardo Jardim. Mais participativo, mais disciplinado taticamente e aparecendo em zonas do campo nas quais consegue potencializar suas principais características, o colombiano começa a construir uma espécie de redenção no Flamengo.

E a goleada por 5 a 1 sobre o Mirassol, no último domingo, pode ter sido o capítulo mais importante dessa recuperação.

Carrascal abriu o placar no Maião e participou de uma atuação coletiva que colocou o Flamengo novamente em evidência na disputa pelo Campeonato Brasileiro. O Rubro-Negro chegou aos 45 pontos e reduziu para três a diferença para o líder Palmeiras, com um jogo a menos.

DO TALENTO À DESCONFIANÇA

Quando o Flamengo investiu cerca de 12 milhões de euros para contratar Carrascal em 2025, a expectativa era de que o colombiano acrescentasse criatividade, capacidade de condução e imprevisibilidade ao setor ofensivo.

O jogador tinha justamente o perfil que faltava em determinados momentos: alguém capaz de receber entre linhas, carregar a bola, romper a primeira pressão e acelerar o ataque.

O problema foi que a qualidade técnica veio acompanhada de episódios que prejudicaram sua trajetória.

Carrascal acumulou três expulsões em 2026 antes mesmo do meio do ano. A última delas aconteceu na derrota por 3 a 0 para o Palmeiras, no Maracanã, quando recebeu cartão vermelho direto após atingir o rosto de Murilo com o pé em uma disputa de bola. A reincidência pesou na decisão do STJD, que posteriormente o suspendeu por três partidas.

Naquele momento, o colombiano passou a carregar um problema maior do que a própria suspensão.

Era necessário recuperar a confiança.

O EPISÓDIO QUE MUDOU A PERCEPÇÃO SOBRE O JOGADOR

A expulsão contra o Palmeiras tornou-se um divisor de águas.

O Flamengo perdeu um jogador ainda no primeiro tempo e acabou derrotado por 3 a 0. Para Jardim, o cartão vermelho condicionou completamente a partida. O treinador chegou a questionar publicamente o critério da arbitragem.

Para Carrascal, entretanto, o episódio representava mais um capítulo de um problema que já vinha sendo observado.

A reincidência passou a ser tão relevante quanto o desempenho técnico.

O Flamengo precisava do jogador, mas precisava também de um Carrascal mais consciente de suas responsabilidades.

E é justamente nesse ponto que as últimas atuações começam a chamar a atenção.

LEONARDO JARDIM ENCONTROU UMA FUNÇÃO MAIS ADEQUADA

Parte da evolução de Carrascal passa pelo próprio modelo de Leonardo Jardim.

O treinador não trata o colombiano como um meia clássico responsável por organizar sozinho todo o ataque.

A ideia é diferente.

Carrascal funciona melhor quando recebe liberdade para se movimentar entre o meio-campo e o ataque, aproximando-se de Pedro e dos jogadores que atuam pelos lados.

É uma função que reduz sua necessidade de participar constantemente da construção desde muito atrás e aumenta justamente aquilo que ele tem de melhor: receber de frente, conduzir, driblar e acelerar a jogada.

Jardim chegou a pedir ao Flamengo um meia com características intermediárias entre Arrascaeta e Carrascal, mostrando que vê o colombiano como um jogador de perfil bastante específico dentro do elenco.

Esse detalhe é importante.

Carrascal não precisa necessariamente ser o cérebro do Flamengo.

Ele pode ser o jogador que quebra a estrutura adversária.

O COLOMBIANO ENTRE AS LINHAS

Taticamente, o melhor Carrascal aparece quando consegue ocupar o espaço entre a linha de meio-campo e a defesa adversária.

É nesse setor que o colombiano consegue enxergar o jogo de frente.

Quando recebe ali, existem três possibilidades.

Pode conduzir, pode combinar com o centroavante ou pode atacar o espaço vazio criado pela movimentação de outro jogador.

No Flamengo atual, essa liberdade se torna ainda mais importante porque Pedro oferece uma referência física na frente, enquanto Samuel Lino e Luiz Araújo podem ampliar o campo e atacar em profundidade.

Carrascal passa a funcionar como um elo móvel entre esses jogadores.

O GOL CONTRA O MIRASSOL SIMBOLIZA A MUDANÇA

O gol marcado no Maião não pode ser analisado apenas pelo resultado final.

A jogada representa exatamente o tipo de situação em que Carrascal pode ser decisivo.

O colombiano apareceu próximo da área, aproveitou a oportunidade e colocou o Flamengo em vantagem.

A partir dali, o jogo se abriu.

E quando o adversário precisa sair para buscar o resultado, Carrascal ganha ainda mais espaço para explorar.

O Flamengo terminou goleando por 5 a 1, com gols de Carrascal, Luiz Araújo, Pedro, duas vezes, e Samuel Lino.

A participação de diferentes jogadores ofensivos mostra justamente uma das características mais interessantes do atual modelo rubro-negro: o time não depende de uma única fonte de criação.

CONTRA O CRUZEIRO, UMA ATUAÇÃO QUE JÁ HAVIA DADO O ALERTA

A evolução de Carrascal não começou no Mirassol.

Na partida de ida das oitavas de final da Libertadores, contra o Cruzeiro, o colombiano também foi apontado como um dos melhores jogadores do Flamengo.

Mesmo em um jogo equilibrado, Carrascal conseguiu encontrar espaços e foi uma das principais armas ofensivas da equipe.

O Flamengo empatou por 1 a 1 no Mineirão, em uma partida na qual o Cruzeiro teve dificuldades para controlar a movimentação ofensiva rubro-negra.

A atuação chamou a atenção justamente porque ocorreu em um cenário de alta exigência.

Não era um jogo contra um adversário que oferecia grandes espaços. Era uma partida eliminatória, fora de casa, com enorme pressão.

E Carrascal conseguiu competir.

MAIS DO QUE GOLS: A EVOLUÇÃO TÁTICA

O principal sinal de evolução talvez não esteja nos gols.

Está no comportamento.

Carrascal precisa entender que sua qualidade técnica só terá valor máximo se estiver acompanhada de disciplina tática.

Imagem secundária para Carrascal: de vilão a peça importante no esquema de jogo de Leonardo JardimImagem: Gilvan de Souza/CRF
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O Flamengo não pode permitir que um jogador ofensivo abandone completamente suas responsabilidades defensivas. Ao mesmo tempo, não pode limitar excessivamente um atleta criativo.

Jardim parece ter encontrado um equilíbrio.

Carrascal recebe liberdade para atacar, mas precisa respeitar determinadas zonas quando o time perde a bola. Essa combinação é fundamental.

O colombiano pode ser agressivo com a bola e responsável sem ela.

A PRESSÃO PÓS-PERDA TAMBÉM BENEFICIA CARRASCAL

Existe outro aspecto do modelo de Jardim que pode favorecer o colombiano.

O Flamengo procura pressionar rapidamente depois que perde a bola.

Carrascal, por característica, é agressivo no primeiro combate e possui capacidade para acelerar sobre o adversário.

Quando essa pressão é coordenada pelos jogadores próximos, ele não precisa necessariamente vencer o duelo sozinho.

Sua função é fechar uma linha de passe, conduzir o adversário para uma zona determinada ou tentar recuperar a bola.

Quando o Flamengo recupera a bola rapidamente, Carrascal volta a receber perto da área.

É um ciclo que potencializa suas características.

A REDENÇÃO AINDA NÃO ESTÁ COMPLETA

Apesar da evolução, é cedo para afirmar que Carrascal apagou completamente os problemas anteriores.

O histórico de expulsões é significativo.

Foram três cartões vermelhos em 2026, e o STJD levou justamente essa reincidência em consideração ao aplicar a suspensão de três partidas.

Portanto, o desafio agora é transformar essa melhora em padrão.

Não basta Carrascal fazer duas ou três boas partidas.

Ele precisa demonstrar que aprendeu a controlar situações de jogo que anteriormente o colocavam fora das partidas.

Para um jogador de sua importância técnica, permanecer em campo é parte fundamental do desempenho.

O FLAMENGO PRECISA DESTE CARRASCAL

O contexto do elenco também joga a favor do colombiano.

O Flamengo possui Arrascaeta, Paquetá, Samuel Lino, Luiz Araújo e outros jogadores capazes de atuar na criação e no ataque.

Mas cada um oferece características diferentes.

Arrascaeta tem capacidade extraordinária para organizar e decidir.

Paquetá acrescenta força física, chegada e condução.

Samuel Lino oferece potência e mobilidade.

Luiz Araújo acrescenta velocidade e profundidade.

Carrascal oferece algo diferente: imprevisibilidade.

Ele pode receber, girar, carregar a bola e quebrar uma linha defensiva em poucos segundos.

Em partidas nas quais o adversário consegue fechar os espaços, esse tipo de jogador pode ser decisivo.

O PROBLEMA AGORA É DE LEONARDO JARDIM

A evolução do colombiano cria uma questão interessante para o treinador.

Como encaixar Carrascal quando todos os principais jogadores estiverem disponíveis?

A resposta pode estar justamente na flexibilidade.

Jardim não precisa necessariamente definir um titular absoluto para cada posição.

Pode utilizar diferentes combinações de acordo com o adversário.

Contra um bloco baixo, Carrascal pode ser extremamente útil entre linhas.

Contra um adversário que pressione alto, sua capacidade de conduzir pode ajudar o Flamengo a escapar da primeira pressão.

Em uma partida que exija intensidade defensiva, porém, o treinador pode optar por uma configuração diferente.

A concorrência, nesse caso, deixa de ser um problema.

Passa a ser uma vantagem.

DE VILÃO A SOLUÇÃO?

A história de Carrascal no Flamengo ainda está sendo escrita.

O colombiano já viveu momentos de grande futebol.

Também protagonizou episódios que colocaram sua permanência em dúvida: foi suspenso, foi criticado, perdeu espaço e chegou a ser apontado como um dos jogadores que poderiam deixar o clube.

Mas agora, começa a responder dentro de campo.

O gol contra o Mirassol, a boa atuação contra o Cruzeiro e a evolução no entendimento de sua função sob Leonardo Jardim mostram um jogador diferente daquele que saiu de campo expulso contra o Palmeiras.

Não significa que os problemas desapareceram.

Significa que existe uma oportunidade concreta de reconstruir a relação com a torcida.

A verdadeira redenção de Carrascal não será uma grande partida. Será uma sequência de jogos onde ele permaneça em campo, mantenha o nível de concentração e transforme seu talento em regularidade.

E, principalmente, fazer com que o torcedor deixe de olhar para o colombiano esperando o próximo erro e passe a esperar o próximo lance capaz de decidir uma partida.

Se conseguir isso, Carrascal poderá transformar uma temporada que parecia caminhar para a ruptura em uma história completamente diferente.

De problema a solução. De desconfiança a confiança. De possível saída a peça importante.

O Flamengo já viu o talento de Jorge Carrascal.

Agora, começa a descobrir o que esse talento pode produzir quando vem acompanhado de maturidade.

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