De protagonista a preocupação: lesões transformam passagem de De la Cruz pelo Flamengo em um desafio para o clube
Imagem: CRFUm ano após a crise que culminou na reformulação do departamento médico rubro-negro, uruguaio segue convivendo com problemas físicos, acumula baixa minutagem e mantém em evidência um dos temas mais sensíveis do Ninho do Urubu
Um dos maiores investimentos da história recente do Flamengo ainda busca continuidade.
Contratado para ser o motor do meio-campo rubro-negro, Nicolás De la Cruz segue enfrentando dificuldades para consolidar uma sequência de jogos desde sua chegada ao clube. Um ano após a crise envolvendo o departamento médico do Flamengo, que provocou mudanças internas e intenso debate nos bastidores, a condição física do uruguaio continua sendo motivo de preocupação para a comissão técnica, dirigentes e torcedores.
Embora tenha demonstrado toda a sua qualidade técnica sempre que esteve em campo, a falta de regularidade causada por sucessivos problemas físicos impede que o camisa 18 atinja o protagonismo esperado quando foi contratado junto ao River Plate por cerca de 16 milhões de dólares.
Uma crise que mudou o departamento médico
Há exatamente um ano, o Flamengo vivia um dos momentos mais delicados de sua estrutura médica. Divergências internas sobre protocolos de recuperação, controle de carga e retorno de atletas culminaram em uma profunda reformulação do departamento médico do clube, após um ambiente de desgaste que ganhou repercussão pública.
Naquele contexto, De la Cruz tornou-se um dos principais símbolos do problema. O meia convivia com limitações físicas constantes e alternava períodos de recuperação com retornos breves aos gramados, sem conseguir estabelecer uma sequência duradoura.
Mesmo com as mudanças implementadas pelo Flamengo desde então, o uruguaio continua convivendo com um rígido controle físico.
Os números preocupam
Ao se observar os números do uruguaio vestindo a camisa do Flamengo, o tempo efetivamente jogado por De la Cruz ao longo dos últimos doze meses ficou muito abaixo do esperado para um atleta considerado peça importante do elenco. As frequentes ausências impediram que o meia participasse de maneira consistente das principais competições disputadas pelo Flamengo, obrigando diferentes comissões técnicas a reorganizarem constantemente o setor de meio-campo.
A limitação física também interfere diretamente no planejamento esportivo. Sempre que o uruguaio demonstra evolução, um novo problema clínico acaba interrompendo sua sequência de partidas.
Qualidade técnica nunca foi colocada em dúvida
Se existe um consenso dentro do Flamengo, ele diz respeito ao talento de De la Cruz.
Desde os tempos de River Plate, o uruguaio construiu sua reputação como um meio-campista extremamente moderno, capaz de atuar como segundo volante, meia central ou armador mais avançado. Sua intensidade sem a bola, capacidade de acelerar transições e qualidade na construção ofensiva fizeram dele um dos jogadores mais desejados do mercado sul-americano antes da transferência para o Rubro-Negro.
Nos momentos em que esteve plenamente disponível, o camisa 18 demonstrou exatamente essas características, tornando o meio-campo flamenguista mais dinâmico e competitivo.
Leonardo Jardim também precisou administrar a situação
Desde sua chegada ao comando técnico, Leonardo Jardim adotou uma postura cautelosa em relação ao uruguaio.
O treinador português tem priorizado um controle rigoroso da minutagem do atleta, evitando utilizá-lo em sequência de partidas ou por longos períodos sempre que há qualquer risco de sobrecarga muscular. A estratégia busca preservar um jogador considerado importante para os momentos decisivos da temporada, mas acaba limitando sua participação no dia a dia da equipe.
Mesmo assim, recentemente De la Cruz voltou a apresentar novo problema físico, reforçando a dificuldade do clube em encontrar uma solução definitiva para a situação clínica do meio-campista.
Impacto direto no planejamento do elenco
A dificuldade em contar regularmente com De la Cruz influenciou diretamente a montagem do elenco rubro-negro.
Durante boa parte da temporada, Leonardo Jardim precisou recorrer a diferentes alternativas no setor de criação. Arrascaeta, Jorginho, Lucas Paquetá, Jorge Carrascal e outros jogadores passaram a dividir responsabilidades na construção ofensiva justamente pela impossibilidade de contar continuamente com o uruguaio.
Essa rotatividade acabou oferecendo mais opções ao treinador, mas também evidenciou como o Flamengo ainda não conseguiu aproveitar plenamente um dos atletas mais caros de seu plantel.
O desafio passa a ser físico, não técnico
Internamente, a avaliação segue sendo positiva em relação ao futebol apresentado por De la Cruz. O problema deixou de ser rendimento e passou a ser disponibilidade.
Quando está em condições ideais, o uruguaio oferece características raras dentro do elenco: intensidade na marcação, capacidade de romper linhas com condução de bola, qualidade no passe vertical e participação ativa tanto na fase defensiva quanto na ofensiva.
O grande desafio do Flamengo, portanto, não é recuperar o jogador tecnicamente, mas encontrar uma maneira de mantê-lo saudável durante longos períodos da temporada.
O Flamengo mantém confiança no uruguaio
Apesar das frequentes lesões e das sondagens recebidas recentemente, o Flamengo continua tratando Nicolás De la Cruz como parte importante de seu planejamento esportivo. A diretoria não demonstra intenção de negociar o atleta e acredita que, com um controle físico adequado, ele ainda pode desempenhar um papel decisivo nas próximas temporadas.
A história do uruguaio no clube ainda está longe de ser definida. O talento jamais esteve em discussão; o que falta é transformar qualidade em continuidade. Se conseguir superar definitivamente os obstáculos físicos, De la Cruz ainda reúne todas as condições para justificar o investimento feito pelo Flamengo e assumir o protagonismo que dele se esperava desde o primeiro dia no Ninho do Urubu.
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