Egito elimina a Austrália nos pênaltis e faz história na Copa do Mundo; Salah lidera classificação inédita
Imagem: FIFAFaraós vencem disputa por 4 a 2 após empate em 1 a 1, avançam pela primeira vez ao mata-mata de um Mundial e agora terão a Argentina pela frente
O Egito escreveu um dos capítulos mais importantes de sua história no futebol nesta sexta-feira (3). Após empatar por 1 a 1 com a Austrália no tempo regulamentar e na prorrogação, os Faraós levaram a melhor na disputa por pênaltis, venceram por 4 a 2 e garantiram, pela primeira vez, uma classificação às oitavas de final da Copa do Mundo. Liderados por Mohamed Salah, os africanos agora terão pela frente a Argentina de Lionel Messi na próxima fase.
A vitória representa um marco para o futebol egípcio. Depois de décadas acumulando eliminações precoces e participações discretas em Mundiais, a geração comandada por Salah conseguiu quebrar a barreira do mata-mata e colocar o país entre as 16 melhores seleções do planeta.
Egito começou melhor e abriu o placar cedo
A seleção africana iniciou a partida impondo intensidade e aproveitando a velocidade de seus homens de frente. Logo aos 13 minutos, Emam Ashour apareceu livre na área para completar de cabeça uma cobrança de falta ensaiada e abrir o placar para os egípcios.
A Austrália encontrou dificuldades para construir jogadas durante praticamente todo o primeiro tempo. A forte marcação egípcia neutralizou os principais articuladores australianos e obrigou a equipe da Oceania a apostar em bolas longas e cruzamentos para a área.
Austrália reage com ajuda do azar egípcio
O empate veio apenas na segunda etapa. Em uma bola levantada na área, o lateral Mohamed Hany tentou afastar o perigo, mas acabou desviando contra o próprio patrimônio, marcando um gol contra que recolocou a Austrália na partida.
O gol deu novo fôlego aos australianos, que passaram a equilibrar o confronto. Ainda assim, o Egito voltou a crescer nos minutos finais do tempo regulamentar e criou as melhores oportunidades, obrigando o goleiro Patrick Beach a realizar importantes intervenções para manter o empate.
Salah cresce na prorrogação
Recuperado de um problema muscular que colocou sua participação em dúvida durante a semana, Mohamed Salah voltou a demonstrar sua importância para a equipe justamente nos momentos decisivos.
Embora tenha sido bastante marcado durante boa parte da partida, o camisa 10 passou a encontrar mais espaços na prorrogação. Participou das principais jogadas ofensivas, levou perigo em finalizações e comandou o setor ofensivo egípcio enquanto a Austrália demonstrava sinais claros de desgaste físico.
Apesar da pressão africana, nenhuma das equipes conseguiu encontrar o gol da classificação, levando a decisão para os pênaltis.
Imagem: FIFAPublicidade
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Troca de goleiro australiana surpreende e acaba fracassando
O momento mais curioso da partida aconteceu instantes antes da disputa por pênaltis. O técnico australiano Tony Popovic surpreendeu ao substituir o jovem goleiro Patrick Beach, um dos destaques do jogo, pelo experiente Mat Ryan exclusivamente para a decisão nas cobranças. A mudança tinha como objetivo aproveitar a maior experiência internacional do veterano arqueiro, conhecido pelo bom desempenho em disputas eliminatórias.
A estratégia, entretanto, não funcionou. Ryan não conseguiu defender nenhuma cobrança egípcia, enquanto os australianos desperdiçaram duas batidas fundamentais, comprometendo a classificação. A decisão do treinador rapidamente passou a ser um dos assuntos mais comentados após a partida e dividiu opiniões entre analistas e torcedores.
Frieza egípcia decide classificação
Nas penalidades, o Egito mostrou personalidade. Mahmoud Saber, Ramy Rabia e Mohamed Salah converteram suas cobranças com extrema tranquilidade. O camisa 10, inclusive, cobrou utilizando uma cavadinha, demonstrando enorme confiança em um dos momentos mais tensos da partida.
Do lado australiano, Harry Souttar desperdiçou a primeira cobrança ao isolar a bola sobre o travessão. Depois, Lucas Herrington também errou sua batida ao acertar o travessão, deixando a classificação praticamente encaminhada para os africanos. Coube a Hossam Abdelmaguid converter o pênalti decisivo e confirmar o triunfo egípcio por 4 a 2.
Análise tática: Egito foi mais organizado durante toda a partida
Taticamente, a classificação foi merecida. O Egito apresentou maior organização coletiva durante praticamente todo o confronto. Hossam Hassan abandonou a postura excessivamente defensiva utilizada em outras competições e montou uma equipe mais equilibrada, utilizando uma linha de três defensores que oferecia liberdade aos alas para apoiar o ataque sem comprometer a recomposição defensiva.
A Austrália, por sua vez, apostou em um jogo mais físico, buscando principalmente bolas paradas e cruzamentos. A estratégia até produziu o empate, mas a equipe teve enormes dificuldades para controlar o meio-campo e praticamente não conseguiu criar oportunidades em jogadas trabalhadas.
Durante a prorrogação, a superioridade egípcia ficou ainda mais evidente. A equipe manteve maior controle da posse de bola, pressionou o adversário e esteve mais próxima da vitória antes mesmo da disputa por pênaltis.
Duelo de gigantes nas oitavas
Com a classificação histórica, o Egito agora poderá ter seu maior desafio na competição. Os Faraós poderão enfrentar a Argentina nas oitavas de final, em um duelo que colocará frente a frente dois dos maiores astros do futebol mundial: Mohamed Salah e Lionel Messi.
A campanha já representa o melhor desempenho egípcio em uma Copa do Mundo, mas a confiança da equipe aumentou significativamente após eliminar uma seleção tradicional como a Austrália. Agora, o país inteiro sonha em prolongar ainda mais essa campanha histórica no Mundial.
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