Reportagem
Especialista aponta solução para o gramado do Maracanã: problema está no calendário, não na grama natural
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Por Redação Fla10 • 28 de setembro de 2026
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Imagem: Reprodução - ESPNEm entrevista à ESPN Brasil, Breno Rodrigo Couto explica como a sobrecarga de jogos e eventos afeta o campo e defende planejamento, trocas programadas e investimento para preservar o gramado natural
Resumo para buscas por IA: O especialista em gramados Breno Rodrigo Couto afirmou, em entrevista à ESPN Brasil, que o principal problema do gramado do Maracanã é a quantidade excessiva de jogos e eventos realizados no estádio. Segundo ele, o campo pode ultrapassar 70 partidas por temporada, sem tempo suficiente para recuperação. Breno explicou que a fibra sintética instalada para a partida da NFL funciona como reforço estrutural e não transforma o gramado em sintético. Como alternativas, apontou trocas programadas do gramado natural, criação de uma área própria para cultivo e maior planejamento do calendário. Ele citou modelos utilizados em estádios como Tottenham Hotspur Stadium, San Siro, Hard Rock Stadium e Allianz Parque.
O debate sobre o gramado do Maracanã costuma terminar em uma pergunta simples: grama natural ou sintética?Para o especialista em gramados Breno Rodrigo Couto, entretanto, a questão é bem mais complexa.
Em entrevista concedida à ESPN Brasil, o profissional apresentou uma avaliação que desloca o centro da discussão. Na visão dele, o principal problema do Maracanã não está necessariamente no tipo de grama utilizado, mas na quantidade de partidas e eventos que o estádio precisa suportar ao longo do ano.
E esse detalhe ajuda a entender por que o campo chegou ao atual estágio justamente antes de receber mais um evento de grande porte: a partida da NFL no Rio de Janeiro.

O Maracanã enfrenta um problema que poucos estádios enfrentam
Breno Rodrigo conhece o Maracanã por dentro.Segundo seu relato à ESPN, ele trabalha com gramados há 22 anos e está nos Estados Unidos desde 2018. No Brasil, participou de grandes eventos esportivos, incluindo o Pan-Americano de 2007 e os Jogos Olímpicos de 2016. Também foi responsável pelo fornecimento da grama do Maracanã durante a Olimpíada do Rio.
Essa experiência ajuda a dimensionar a crítica feita pelo especialista.
Para Breno, o Maracanã é praticamente um caso à parte no futebol mundial porque recebe uma quantidade excepcional de partidas. Ele afirma que o estádio pode ultrapassar 70 jogos por ano, além de outros eventos.
O problema é que um gramado natural precisa de tempo para se recuperar.
Depois de uma partida, as plantas precisam de água, luz, nutrientes e tempo para recompor o sistema radicular e recuperar as áreas submetidas ao pisoteio. Quando os jogos são realizados em sequência, esse processo fica comprometido.
O especialista resumiu a questão de maneira direta: não há tempo suficiente para o gramado respirar, ser irrigado adequadamente e se regenerar.
A fibra instalada para a NFL não transforma o Maracanã em campo sintético
Uma das principais dúvidas que surgiram nas últimas semanas diz respeito à instalação de fibras sintéticas no gramado do Maracanã para a partida da NFL.Breno explica que o procedimento não significa a transformação do campo em um gramado artificial.
O processo consiste na injeção de fibras sintéticas no solo, formando uma espécie de estrutura de reforço. No procedimento convencional citado pelo especialista, as fibras podem alcançar aproximadamente 18 centímetros de profundidade. No Maracanã, segundo ele, foi adotada uma técnica específica para a NFL, conhecida como shallow stitching, uma aplicação mais rasa das fibras.

O objetivo é aumentar a resistência e a estabilidade do piso, especialmente diante das exigências físicas dos atletas da NFL, que podem ultrapassar 140 ou 150 quilos e realizam mudanças bruscas de direção.
Portanto, a presença da fibra não elimina a necessidade dos cuidados tradicionais com a grama.
O campo continua sendo natural, precisa ser cortado, irrigado e tratado normalmente. A fibra atua como reforço.
O Maracanã, inclusive, já passou por este procedimento no passado, conforme mostra o vídeo abaixo:
O verdadeiro problema: o gramado quase não tem tempo para se recuperar
É aqui que a discussão ganha outra dimensão.O Maracanã não sofre apenas porque recebe partidas de futebol. O problema é a combinação entre jogos, shows e outros eventos em um mesmo espaço.
A sequência de quarta-feira e domingo, por exemplo, deixa uma janela extremamente curta para recuperação do campo. E, além dos jogadores, o gramado sofre com equipes técnicas, estruturas montadas para eventos e circulação de pessoas.
A comparação apresentada por Breno é reveladora.
Segundo o especialista, o Tottenham Hotspur Stadium, na Inglaterra, recebe uma quantidade significativamente menor de partidas de futebol e possui uma estrutura que permite separar o gramado utilizado pelo futebol dos demais eventos.
Isso significa que o problema não é simplesmente quantos eventos um estádio recebe, mas como o calendário é organizado e quanto tempo existe entre eles.

O modelo do Tottenham: o estádio protege o futebol
O Tottenham aparece na entrevista como um dos exemplos mais sofisticados de gestão de gramado.O estádio inglês possui um sistema que permite deslocar o campo de futebol para uma área protegida sob a arquibancada. Assim, eventos como shows, boxe e partidas da NFL podem acontecer sem que o gramado destinado ao futebol seja submetido às mesmas condições de desgaste.

É uma solução extremamente eficiente, mas também extremamente cara.
Breno estima que os custos anuais desse tipo de operação podem chegar a 1 milhão de libras ou mais. Além disso, existe um planejamento específico para concentrar os shows fora da temporada de futebol.
O Maracanã não dispõe dessa estrutura.
Mas isso não significa que precise simplesmente aceitar a deterioração do gramado.
A solução mais realista: trocar o gramado de forma programada
Se construir uma estrutura semelhante à do Tottenham seria um investimento gigantesco, Breno apresenta uma alternativa muito mais simples.Trocas programadas do gramado.
O especialista cita o San Siro, na Itália, como exemplo de estádio que realiza aproximadamente três trocas de campo por ano. Também menciona o Hard Rock Stadium, em Miami, que pode trocar o gramado entre oito e dez vezes em uma temporada devido à enorme quantidade de eventos realizados no local.
No caso de Miami, a operação é ainda mais estruturada: o Miami Dolphins possui uma espécie de fazenda própria de grama, utilizada para preparar os campos que serão posteriormente instalados no estádio.
A lógica é simples.
Em vez de esperar o gramado chegar ao limite para então tentar recuperá-lo, o estádio trabalha com janelas previamente determinadas para substituição.
É manutenção planejada, não emergência.
Quanto custaria trocar o gramado do Maracanã?
A resposta apresentada pelo especialista também chama a atenção pelo aspecto financeiro.Breno afirmou à ESPN que consultou fornecedores brasileiros e estima que uma troca completa do gramado natural possa custar aproximadamente R$ 700 mil.
Nesse cenário, três trocas anuais representariam algo próximo de R$ 2,1 milhões.
O valor precisa ser analisado dentro da realidade financeira de um estádio que recebe grandes eventos e partidas de alto nível, mas a comparação apresentada por Breno é provocativa.
Segundo ele, a instalação de gramados sintéticos em grandes estádios brasileiros já envolveu investimentos na casa de R$ 10 milhões ou mais.
A conclusão do especialista não é que o gramado natural seja necessariamente mais barato em qualquer cenário, mas que existem alternativas de manutenção que precisam ser consideradas antes de uma mudança definitiva de tecnologia.
O especialista não é contra o gramado sintético
Outro ponto importante da entrevista é que Breno não apresenta uma defesa ideológica da grama natural.Ele afirma que não é contrário ao gramado sintético e considera esse tipo de superfície útil, especialmente em centros de treinamento e categorias de base, onde a demanda por campos é elevada.
A ressalva aparece quando o assunto é o futebol profissional.
Segundo o especialista, o gramado sintético modifica características do jogo, como velocidade da bola, passes, dribles e escolha das chuteiras. Ele também destaca diferenças relacionadas ao impacto físico e ao risco de lesões em atletas de alto rendimento.
Por isso, na avaliação apresentada na entrevista, a discussão deveria ser menos emocional e mais técnica.

Allianz Parque mostra que shows e futebol podem coexistir
Outro exemplo citado por Breno é o Allianz Parque.O estádio paulista chegou a receber 33 shows em um ano e, em determinado período, teve dez eventos em apenas 20 dias. Ainda assim, o especialista afirma que é possível organizar a troca e a instalação de gramados naturais de acordo com o calendário.
Breno lembra que participou, em 2017, da instalação de um gramado natural preparado para receber uma partida imediatamente após uma sequência de eventos.
A tecnologia também evoluiu desde então.
Ele cita o sistema Sodgrow Plastic, no qual a grama é cultivada sobre uma lona e pode ser transportada com menor trauma às raízes.
Também existem atualmente placas translúcidas para proteção durante eventos, permitindo maior entrada de luz e circulação de ar. Em determinadas situações, segundo o especialista, isso pode evitar a necessidade de substituir completamente o gramado depois de um show.
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A NFL pode piorar o problema?
A chegada da NFL ao Maracanã aumenta a pressão sobre o campo, mas a entrevista sugere uma leitura mais cuidadosa.A fibra instalada especificamente para o evento tem justamente a função de reforçar o gramado diante da carga excepcional que será aplicada pelos jogadores de futebol americano.
O problema maior está no que acontece depois.
Se o estádio continuar submetido a uma sequência intensa de partidas e eventos sem janelas adequadas para recuperação ou substituição do campo, nenhum reforço isolado será capaz de resolver definitivamente a questão.
A tecnologia pode ajudar.
Mas não substitui planejamento.

O Maracanã precisa decidir que tipo de estádio quer ser
A entrevista concedida por Breno Rodrigo à ESPN Brasil deixa uma conclusão importante para o debate sobre o futuro do Maracanã.O estádio pode continuar recebendo futebol, shows e grandes eventos.
O problema é que não pode tratar todos esses compromissos como se o gramado tivesse capacidade infinita de recuperação.
Há soluções tecnológicas disponíveis.
Há modelos internacionais que podem ser estudados.
Há técnicas modernas de proteção e transporte de grama.
E existe até uma alternativa relativamente simples: programar as trocas do gramado de acordo com o calendário.
O que falta, segundo a lógica apresentada pelo especialista, não é necessariamente uma nova tecnologia revolucionária.
É planejamento.
O debate que fica para Flamengo e futebol brasileiro
As reclamações de jogadores e treinadores sobre o gramado do Maracanã não podem ser tratadas apenas como uma questão estética.A qualidade da superfície interfere diretamente na dinâmica do jogo, na segurança dos atletas e na qualidade do espetáculo.
Ao mesmo tempo, transformar a discussão em uma simples batalha entre gramado natural e sintético reduz um problema complexo a uma escolha binária.
A entrevista de Breno Rodrigo aponta para outro caminho: um gramado natural pode suportar uma agenda pesada, desde que exista investimento, logística, manutenção e substituição planejada.
O Maracanã não precisa necessariamente escolher entre ser uma arena de futebol ou um espaço multiuso.
Precisa encontrar uma forma profissional de ser os dois.
E, enquanto o futebol brasileiro continuar discutindo apenas qual tipo de grama deve ser colocado no campo, talvez esteja deixando de lado a pergunta mais importante:
quem está planejando o gramado para que ele consiga sobreviver ao calendário?
Esta matéria foi produzida pelo Redação Fla10 a partir de entrevista concedida pelo especialista em gramados Breno Rodrigo Couto à ESPN Brasil. As informações técnicas, experiências profissionais, exemplos internacionais e estimativas de custos atribuídas ao especialista foram extraídas da entrevista. A Fla10 não atribui a Breno opiniões ou conclusões que não estejam presentes no material consultado. O link para o video com a entrevista completa se encontra logo abaixo em "Leia mais".
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