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Everton Cebolinha deixa o Flamengo após quatro anos marcados por títulos, lesões e uma promessa que nunca se completou

Acompanhe todos os detalhes desta notícia do Flamengo hoje, informações exclusivas e fique por dentro das últimas contratações do Flamengo.

Por Mariana Costa09 de setembro de 2026
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Everton Cebolinha deixa o Flamengo após quatro anos marcados por títulos, lesões e uma promessa que nunca se completou  - Notícias do Flamengo hoje e contrataçõesImagem: FIFA

Atacante encerra passagem pelo Rubro-Negro com 193 jogos, 21 gols e 26 assistências; apesar de ter participado de uma das eras mais vitoriosas da história recente do clube, jamais conseguiu transformar o enorme investimento em protagonismo

Everton Cebolinha está deixando o Flamengo. Depois de pouco mais de quatro anos no clube, o atacante encerra uma passagem que começou cercada de expectativa e termina com uma sensação difícil de ignorar: a de que poderia ter sido muito mais.

Contratado em junho de 2022 por uma operação que chegou a aproximadamente R$ 94,5 milhões, Cebolinha chegou ao Rio de Janeiro como uma das maiores contratações da história do Flamengo. Era jogador de Seleção Brasileira, campeão da Copa América de 2019 e protagonista de uma das melhores fases da carreira no Grêmio.

No Flamengo, porém, a história foi diferente. O atacante conquistou títulos importantes, teve momentos de bom futebol e chegou a recuperar protagonismo em determinados períodos. Mas uma combinação de lesões, concorrência, mudanças de treinador e dificuldade para manter regularidade impediu que ele se transformasse no titular incontestável que o investimento e a expectativa sugeriam.

Ao todo, foram 193 partidas, 21 gols e 26 assistências com a camisa rubro-negra. A saída acontece sem custos para outro clube, antecipando o fim de um contrato que terminaria em dezembro.

Uma contratação de peso em 2022

Cebolinha chegou ao Flamengo no meio da temporada de 2022, vindo do Benfica. O clube pagou cerca de € 13,5 milhões fixos pela contratação, em uma operação que posteriormente alcançou aproximadamente R$ 94,5 milhões considerando outros custos envolvidos.

A expectativa era enorme. O Flamengo buscava um atacante capaz de atuar pelos lados do campo, acelerar as jogadas e oferecer uma alternativa diferente para um elenco que já contava com nomes como Gabigol e Pedro.

O problema é que Cebolinha chegou justamente quando Dorival Júnior havia encontrado uma formação extremamente eficiente sem depender de pontas tradicionais. A dupla Gabigol e Pedro funcionava, e o time caminhava para conquistar a Libertadores e a Copa do Brasil.

Mesmo assim, Cebolinha encontrou seu espaço. Em sua primeira temporada, foram 31 jogos, três gols e cinco assistências, além das conquistas da Libertadores e da Copa do Brasil de 2022. Um dos seus momentos mais marcantes naquele ano aconteceu na semifinal da Copa do Brasil, quando marcou contra o São Paulo no Morumbi.

2023: muitos jogos, pouca regularidade

O ano de 2023 foi aquele em que Cebolinha mais entrou em campo pelo Flamengo. Foram 64 partidas, dez assistências e seis gols, seus melhores números de participação ofensiva em uma temporada pelo clube.

Mas quantidade de jogos não significou consolidação. O Flamengo atravessou uma temporada turbulenta, com as passagens de Vítor Pereira e Jorge Sampaoli, e nunca encontrou estabilidade suficiente para que Cebolinha pudesse construir uma sequência consistente como protagonista.

Foi justamente na reta final daquele ano, com a chegada de Tite, que o atacante viveu o período em que mais se aproximou daquilo que o Flamengo esperava quando decidiu contratá-lo.

Com Tite, Cebolinha finalmente parecia ter encontrado seu lugar

A relação com Tite carregava um componente especial. Foi o treinador quem levou Cebolinha à Seleção Brasileira e apostou nele durante a campanha vitoriosa da Copa América de 2019.

No Flamengo, a chegada do técnico voltou a abrir espaço para o atacante. Cebolinha ganhou confiança, passou a participar mais das ações ofensivas e viveu sua melhor sequência desde que desembarcou no Rio.

Parecia, enfim, que a contratação começava a fazer sentido.

Mas quando a trajetória começava a ganhar outra direção, veio o golpe mais duro de sua passagem pelo clube.

A ruptura do tendão de Aquiles que mudou tudo

Em agosto de 2024, Cebolinha sofreu uma ruptura do tendão de Aquiles, uma das lesões mais graves de sua carreira. O problema o afastou dos gramados por meses e interrompeu justamente o período em que começava a recuperar protagonismo.

Quando voltou, o cenário no Flamengo havia mudado completamente.

Tite já não comandava a equipe. Filipe Luís assumira o trabalho e passou a implementar suas próprias ideias, enquanto o elenco ganhava novas opções para o setor ofensivo.

Cebolinha precisava novamente começar quase do zero.

Filipe Luís, a concorrência e a perda de espaço

A concorrência também aumentou. Bruno Henrique, Luiz Araújo e outros jogadores disputavam espaço no setor, enquanto o Flamengo seguia ativo no mercado.

A chegada de Samuel Lino em 2026 tornou ainda mais difícil a recuperação do espaço que Cebolinha havia perdido. O novo atacante passou a ocupar justamente uma das áreas do campo em que o camisa 11 buscava recuperar protagonismo.

Mesmo quando estava fisicamente disponível, Cebolinha passou a ser mais uma alternativa de rotação do que uma peça indispensável.

Com Leonardo Jardim, a situação não mudou. O português utilizou o atacante em alguns momentos, mas Cebolinha nunca conseguiu transformar as oportunidades em uma sequência que alterasse sua condição dentro do elenco.

Imagem inserida
Foto: Gilvan de Souza/CRF

Os números mostram o tamanho do problema

A produção ofensiva ajuda a explicar por que a passagem ficou abaixo das expectativas.

Em 2022, foram três gols. Em 2023, seis. Em 2024, cinco. Em 2025, quatro. Em 2026, três gols antes da saída. Ao todo, 21 gols em 193 partidas.

Não são números insignificantes. Cebolinha participou de momentos importantes e contribuiu para títulos. Mas estão distantes do desempenho esperado de um jogador que chegou ao clube como contratação de aproximadamente R$ 100 milhões e com status de estrela.

O maior problema, portanto, não foi simplesmente marcar poucos gols. Foi a dificuldade de construir uma sequência longa de partidas em alto nível e se tornar uma referência ofensiva da equipe.

Uma coleção de títulos importante

Se individualmente a passagem ficou abaixo da expectativa, coletivamente Cebolinha deixa o Flamengo com uma coleção de troféus que poucos jogadores conseguem alcançar.

O atacante fez parte dos elencos campeões da Libertadores e da Copa do Brasil em 2022. Depois, conquistou novamente a Copa do Brasil e o Campeonato Carioca em 2024.

Em 2025, participou de uma temporada histórica do clube, com conquistas do Campeonato Carioca, Supercopa do Brasil, Campeonato Brasileiro e Libertadores, além dos títulos internacionais conquistados pelo Flamengo naquele ano.

Em 2026, também integrou o elenco campeão do Campeonato Carioca. A lista de títulos registrada pelo próprio Flamengo inclui duas Libertadores, duas Copas do Brasil e três Campeonatos Cariocas, além das conquistas nacionais e internacionais de 2025.

É uma marca relevante e que não pode ser apagada pela frustração com seu desempenho individual.

O jogador que poderia ter sido

Talvez essa seja a melhor maneira de definir a passagem de Cebolinha pelo Flamengo.

Ele não foi um fracasso absoluto. Conquistou títulos, entregou assistências, marcou gols importantes e teve períodos em que mostrou o futebol que o transformou em ídolo no Grêmio e jogador de Seleção Brasileira.

Também não conseguiu ser aquilo que o Flamengo imaginava quando investiu uma fortuna em sua contratação.

A sequência de lesões foi determinante. A ruptura do tendão de Aquiles representou o episódio mais grave, mas a trajetória também foi marcada por outros períodos de indisponibilidade e pela dificuldade de manter uma sequência física e técnica consistente.

Quando recuperava espaço, surgia uma mudança no comando. Quando encontrava um treinador que confiava em seu futebol, o cenário do elenco se modificava. Quando voltava de lesão, novos concorrentes apareciam.

Uma saída que acabou sendo natural

Aos 30 anos, Cebolinha também já havia sinalizado que não pretendia renovar seu contrato com o Flamengo. O clube, por sua vez, entendeu que não havia sentido em prolongar uma relação que havia perdido espaço dentro do planejamento esportivo.

A saída acabou sendo antecipada e sem custos para o Flamengo. O atacante recebeu autorização para buscar um novo destino antes do encerramento do vínculo, enquanto o clube passou a contar com outras opções para o setor ofensivo.

O Santos avançou para contratar o jogador, enquanto o Grêmio também tentou seu retorno, mas não conseguiu chegar aos valores pretendidos pelo atleta.

O legado de Cebolinha no Flamengo

Everton Cebolinha deixa o Flamengo como campeão. Isso é incontestável. Também deixa o clube como parte de uma das gerações mais vencedoras da história recente rubro-negra.

Mas sua passagem será lembrada principalmente pela distância entre aquilo que poderia ter sido e aquilo que efetivamente aconteceu.

Foram quatro anos, 193 partidas, 21 gols, 26 assistências e muitos troféus. Houve momentos de bom futebol, houve a tentativa de reconstrução com Tite, houve a grave lesão, a perda de espaço e a concorrência cada vez maior.

No fim, Cebolinha não conseguiu transformar seu talento em protagonismo duradouro no Flamengo. E talvez essa seja a parte mais frustrante de sua história no clube: ele nunca esteve completamente distante do jogador que o Flamengo esperava, mas também nunca conseguiu permanecer tempo suficiente naquele nível para se tornar indispensável.

A despedida, portanto, não é a de um jogador que fracassou. É a de um jogador que, apesar de não ter conseguido ser importante para o clube, fez parte de um elenco que ganhou muitos títulos e viveu uma era histórica em que o Flamengo levantou várias taças, mas que deixa na torcida a sensação de que poderia ter deixado uma marca individual muito maior na história do clube.

Imagem secundária para Everton Cebolinha deixa o Flamengo após quatro anos marcados por títulos, lesões e uma promessa que nunca se completou Imagem: Gilvan de Souza/CRF
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