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Brasileirão - 4 rodada

02 de setembro, 202619:30
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Flamengo domina o clássico, sofre com desperdícios e vence o Botafogo por 3 a 0 no Maracanã

Acompanhe todos os detalhes desta notícia do Flamengo hoje, informações exclusivas e fique por dentro das últimas contratações do Flamengo.

Por Robson Corrêa30 de agosto de 2026
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Flamengo domina o clássico, sofre com desperdícios e vence o Botafogo por 3 a 0 no Maracanã - Notícias do Flamengo hoje e contrataçõesImagem: Reprodução - X Flamengo ES

Rubro-Negro controla primeiro tempo, volta a cair de rendimento na etapa final, mas entrada de Carrascal e atuação decisiva de Samuel Lino garantem vitória que mantém equipe na perseguição ao Palmeiras

O Flamengo venceu o Botafogo por 3 a 0 neste domingo (30), no Maracanã, pela 25ª rodada do Campeonato Brasileiro, em uma partida que apresentou duas faces bastante distintas do time de Leonardo Jardim. O Rubro-Negro dominou amplamente o primeiro tempo, criou oportunidades para construir uma vantagem muito maior, voltou a apresentar queda de intensidade na etapa final, mas encontrou nos minutos derradeiros a solução que faltava para transformar superioridade em goleada.

Samuel Lino foi o grande nome da partida, marcando os dois primeiros gols do Flamengo, enquanto Carrascal entrou no segundo tempo, modificou a dinâmica do meio-campo e participou diretamente da construção do segundo gol antes de marcar o terceiro. O resultado levou o Flamengo aos 48 pontos e manteve o time na segunda colocação, ainda na perseguição ao líder Palmeiras.

Mais do que os três pontos, entretanto, o clássico deixou material importante para a análise do trabalho de Leonardo Jardim. O Flamengo mostrou capacidade para controlar o adversário, encontrar espaços e produzir situações de gol. Ao mesmo tempo, repetiu um problema que acompanha a equipe há algum tempo: a dificuldade de transformar volume ofensivo em vantagem proporcional no placar.

Primeiro tempo: Flamengo domina, mas novamente deixa o jogo aberto

A proposta inicial de Leonardo Jardim foi bastante clara. O Flamengo manteve o 4-3-3, com Pulgar e Jorginho oferecendo sustentação para Arrascaeta, enquanto Luiz Araújo e Samuel Lino procuravam atacar os corredores e Pedro funcionava como referência central. O Botafogo, por sua vez, montou uma estrutura mais baixa, com cinco jogadores na linha defensiva e quatro no meio-campo, tentando fechar o corredor central e encontrar Arthur Cabral em transições rápidas.

A estratégia rubro-negra funcionou durante boa parte da primeira etapa. O Flamengo teve mais posse, empurrou o Botafogo para perto da própria área e conseguiu recuperar a bola rapidamente após perder a posse. O problema foi a conclusão das jogadas.

E esse é um ponto que merece atenção especial: o Flamengo poderia ter praticamente decidido o clássico ainda no primeiro tempo.

A equipe criou espaços, chegou com frequência ao último terço e encontrou jogadores em boas condições para finalizar. Mas novamente apareceu o velho problema do excesso de toques, da tentativa de escolher a jogada perfeita e da demora para finalizar.

O gol de Samuel Lino, aos 12 minutos, foi justamente o contraponto. Jorginho encontrou o atacante com um lançamento preciso, Lino dominou dentro da área e finalizou rapidamente na saída de Gabriel Batista. Foi uma jogada simples, vertical e objetiva.

O contraste é importante. Quando o Flamengo acelerou, encontrou o gol. Quando tentou elaborar demais, perdeu tempo e permitiu que o Botafogo recompusesse sua estrutura.

O desperdício que mantém o adversário vivo

O problema crônico voltou a aparecer justamente depois da vantagem.

O Flamengo teve condições para ampliar durante o primeiro tempo, mas Gabriel Batista realizou intervenções importantes e o ataque desperdiçou chances claras de gol chutando para fora ou finalizando de forma muito fraca. Lucas Paquetá, que entrou no segundo tempo, também teve oportunidade clara posteriormente e parou no goleiro alvinegro.

Além das defesas do goleiro adversário, houve situações em que o próprio Flamengo complicou jogadas que poderiam ter terminado em finalização. É um comportamento recorrente: a equipe domina, chega à área, mas muitas vezes procura o passe adicional em vez do chute.

Contra adversários de maior capacidade de punição, esse comportamento pode custar caro. Um 1 a 0 mantém o rival emocionalmente dentro da partida e deixa qualquer erro defensivo capaz de mudar completamente o roteiro.

O próprio Botafogo teve um gol anulado ainda no primeiro tempo. Arthur Cabral marcou após jogada construída por Montoro, mas a arbitragem anulou o lance por toque de mão do centroavante.

Ou seja: mesmo dominando, o Flamengo não poderia tratar a vantagem mínima como suficiente.

Samuel Lino: velocidade, profundidade e eficiência[

Se existe um jogador que conseguiu escapar desse problema, foi Samuel Lino.

O atacante fez uma partida excelente e foi, com sobras, o jogador mais perigoso do Flamengo. Seu comportamento foi diferente do de boa parte da equipe: Lino atacou espaços, acelerou quando recebeu a bola e buscou constantemente a profundidade.

O primeiro gol resume essa característica. Em vez de receber no pé e esperar a aproximação dos companheiros, ele atacou o espaço às costas da defesa e aproveitou a precisão do lançamento de Jorginho.

No segundo gol, a história se repetiu de outra maneira. Já no final da partida, Lino recebeu de Carrascal em velocidade e utilizou uma cavadinha para vencer Gabriel Batista. A finalização demonstrou não apenas técnica, mas também tranquilidade para decidir diante do goleiro.

Os dois gols mostram por que Lino foi tão importante: ele não precisou de um enorme volume de oportunidades para decidir. Atacou os espaços e foi eficiente quando teve a oportunidade.

Pedro e o excesso de preciosismo

Se Samuel Lino representou objetividade, Pedro foi quase o contraponto.

O centroavante teve participação importante na estrutura ofensiva, principalmente como referência para prender os zagueiros e permitir a movimentação dos jogadores que vinham de trás. Entretanto, novamente apareceu um comportamento que precisa ser corrigido: o excesso de preciosismo na definição das jogadas.

Pedro muitas vezes tentou encontrar a solução mais elaborada quando a jogada pedia uma conclusão mais rápida. Em um time que já produz bastante volume, cada toque adicional dentro da área representa uma oportunidade da defesa adversária se reorganizar.

Isso não significa que Pedro tenha feito uma partida ruim. O problema é diferente: o Flamengo precisa que seu centroavante seja mais agressivo na zona de definição.

Em partidas equilibradas, a diferença entre finalizar imediatamente e tentar mais um drible ou passe pode significar a diferença entre o 1 x 0 e o 2 x 0.

Segundo tempo: a queda de rendimento que voltou a preocupar

O Flamengo voltou para o segundo tempo em uma rotação abaixo daquela apresentada na primeira etapa.

O Botafogo percebeu o recuo das linhas rubro-negras e passou a ocupar mais o campo ofensivo. Rodrigo Bellão também aumentou o número de jogadores de características ofensivas, buscando empurrar o Flamengo para trás.

O cenário produziu uma mudança importante no jogo.

O Flamengo deixou de pressionar a saída do Botafogo com a mesma intensidade, perdeu algumas segundas bolas e passou a depender mais das transições. O time continuava perigoso quando encontrava espaço, mas já não controlava a partida da mesma maneira.

Esse comportamento merece atenção de Leonardo Jardim porque não é a primeira vez que o Flamengo diminui sua intensidade depois do intervalo. A equipe consegue dominar determinados períodos, mas apresenta uma queda de agressividade quando o adversário aumenta a pressão.

A diferença desta vez foi que o Botafogo não conseguiu transformar seu crescimento territorial em chances suficientemente claras para empatar.

Rossi, por exemplo, foi pouco exigido durante boa parte da partida, enquanto Gabriel Batista acabou sendo muito mais importante para evitar que o Flamengo ampliasse antes do momento decisivo.

Paquetá entra e oferece outra característica ao meio-campo

A entrada de Lucas Paquetá aos 11 minutos do segundo tempo também merece destaque.

Leonardo Jardim retirou Luiz Araújo e colocou Paquetá em campo, procurando acrescentar qualidade técnica entre as linhas. O movimento modificou a configuração ofensiva do Flamengo e deu ao time uma opção adicional para carregar a bola por dentro.

Paquetá passou a aparecer em zonas mais centrais, aproximando-se de Pedro e Samuel Lino e tentando aproveitar o espaço entre a linha de meio-campo e a defesa do Botafogo.

A alteração foi importante principalmente porque o Flamengo precisava recuperar o controle do corredor central. Com o Botafogo avançando suas linhas, havia espaço para um jogador tecnicamente capaz de receber entre os setores e acelerar a jogada.

Paquetá quase marcou quando recebeu em boa posição e finalizou, mas Gabriel Batista fez a defesa.

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Foto: Reprodução - Ge TV

Carrascal muda o jogo

Mas a alteração que realmente mudou a partida foi a entrada de Jorge Carrascal.

O colombiano substituiu Arrascaeta aos 29 minutos do segundo tempo e, em poucos minutos, passou a desempenhar uma função fundamental para o Flamengo: conectar o meio-campo ao ataque.

Carrascal trouxe exatamente aquilo que estava faltando naquele momento: verticalidade.

Enquanto o Flamengo vinha encontrando dificuldades para transformar posse em progressão, o colombiano passou a conduzir a bola, atacar espaços e procurar passes entre os defensores. Em vez de simplesmente manter a posse, Carrascal procurou fazê-la avançar.

O efeito foi imediato.

O Flamengo voltou a encontrar espaços nas costas da defesa do Botafogo e passou a chegar ao ataque com menos passes. A equipe deixou de circular a bola apenas horizontalmente e começou novamente a atacar a última linha adversária.

Foi assim que nasceu o segundo gol.

Carrascal recebeu a bola na intermediária, conduziu em velocidade até o campo do adversário e encontrou Samuel Lino em profundidade. O atacante, com enorme categoria, tocou por cobertura para fazer 2 a 0 aos 40 minutos.

Três minutos depois, o próprio Carrascal apareceu para fechar o placar. Em uma jogada coletiva rápida, com participação de Everton Cebolinha, o colombiano desarmou uma construção do Botafogo no meio de campo, tocou para Cebolinha e apareceu para receber a bola na entrada da área e concluiu para fazer 3 a 0.

O impacto de Carrascal, portanto, foi maior do que simplesmente marcar um gol.

Ele mudou a velocidade do Flamengo.

O detalhe tático que decidiu o clássico

O Botafogo conseguiu competir melhor no segundo tempo porque passou a jogar mais adiantado. O problema foi que, ao buscar o empate, abriu exatamente o espaço que o Flamengo precisava para explorar sua maior qualidade: a velocidade dos atacantes.

O primeiro tempo mostrou um Botafogo excessivamente baixo. O segundo apresentou o efeito contrário: ao avançar suas linhas, o time de Rodrigo Bellão deixou espaços para transições.

Leonardo Jardim soube aproveitar esse cenário.

A entrada de Carrascal foi importante porque o colombiano é capaz de transportar a bola por dentro e encontrar o atacante antes que a defesa adversária consiga recompor. Com Samuel Lino atacando a profundidade, o Flamengo encontrou uma combinação perfeita para explorar o Botafogo desorganizado.

O segundo gol é praticamente um manual dessa situação: recuperação, aceleração, passe vertical, ataque ao espaço e definição individual de altíssimo nível.

O terceiro gol veio na mesma lógica, embora com uma construção coletiva ainda mais elaborada.

O Botafogo: boa intenção, pouca capacidade de transformar volume em perigo

Rodrigo Bellão tentou modificar a partida no intervalo. O Botafogo voltou mais agressivo e aumentou o número de jogadores próximos à área rubro-negra.

O problema foi que o Alvinegro não conseguiu estabelecer uma posse suficientemente organizada para transformar essa postura em chances claras. O time passou a ter mais presença territorial, mas não necessariamente mais controle do jogo.

A estratégia também produziu um efeito colateral: quanto mais o Botafogo avançava, maior ficava o espaço para Samuel Lino, Carrascal e os demais jogadores ofensivos do Flamengo atacarem.

No final, o Botafogo terminou exposto e sofreu dois gols em quatro minutos, entre os 40 e os 44 da etapa final.

O 3 a 0 não elimina os sinais de alerta

O placar é excelente para o Flamengo. A atuação, entretanto, merece uma leitura mais cuidadosa.

Leonardo Jardim pode comemorar uma vitória dominante sobre um rival direto, dois gols de Samuel Lino, a ótima entrada de Carrascal e uma resposta imediata depois da derrota para o Cruzeiro.

Mas o treinador também precisa trabalhar sobre três pontos que continuam aparecendo:

Primeiro: o Flamengo desperdiça oportunidades demais quando domina o adversário. A equipe produz o suficiente para matar partidas antes, mas frequentemente mantém o placar aberto.

Segundo: a queda de intensidade no segundo tempo voltou a aparecer. Contra um adversário mais eficiente, uma vantagem mínima pode desaparecer rapidamente.

Terceiro: a equipe ainda depende muito da inspiração individual para transformar domínio em gol. Quando jogadores como Samuel Lino e Carrascal conseguem acelerar o jogo, o Flamengo se torna muito mais perigoso. Quando a equipe reduz a velocidade e tenta elaborar excessivamente, sua superioridade fica menos produtiva.

Uma vitória que também oferece respostas para Jardim

O clássico deixou algumas respostas importantes para Leonardo Jardim.

Samuel Lino mostrou que está atravessando um momento excelente e pode ser uma das principais armas ofensivas do Flamengo na reta decisiva da temporada. Carrascal mostrou que pode ser muito mais do que uma alternativa de elenco: sua capacidade de acelerar o jogo pode ser fundamental em partidas nas quais o Flamengo encontra dificuldades para romper blocos defensivos.

Paquetá, por sua vez, mostrou que sua presença acrescenta qualidade entre as linhas e oferece uma alternativa para modificar o desenho ofensivo durante os jogos.

E Pedro precisa recuperar a objetividade na área. Não é necessário que o centroavante participe de todas as construções. Em determinados momentos, a melhor contribuição que pode oferecer é finalizar a jogada.

No fim, o Flamengo venceu por 3 a 0 porque conseguiu corrigir, nos minutos finais, aquilo que havia faltado durante boa parte da partida: velocidade, verticalidade e eficiência.

A equipe dominou o clássico, mas precisou esperar até a reta final para transformar domínio em tranquilidade.

E talvez essa seja a principal lição deixada pelo jogo: o Flamengo tem futebol para controlar seus adversários, mas precisa aprender a matar os jogos quando tem a oportunidade. Contra o Botafogo, Samuel Lino, Carrascal e a velocidade das transições fizeram a diferença. Em desafios maiores, esse desperdício pode custar muito mais caro.

Ficha técnica

Flamengo 3 x 0 Botafogo

Competição: Campeonato Brasileiro – 25ª rodada

Data: 30 de agosto de 2026

Local: Maracanã, Rio de Janeiro

Gols: Samuel Lino, aos 12 minutos do primeiro tempo; Samuel Lino, aos 40, e Carrascal, aos 43 do segundo tempo.

Flamengo: Rossi; Emerson Royal, Léo Ortiz, Léo Pereira e Ayrton Lucas; Erick Pulgar, Jorginho e Arrascaeta (Carrascal); Luiz Araújo (Lucas Paquetá), Pedro (Everton Cebolinha) e Samuel Lino. Técnico: Leonardo Jardim.

Botafogo: Gabriel Batista; Vitinho (Lucas Villalba), Ferraresi, Justino, Marçal e Alex Telles (Lucas Monzón); Huguinho, Edenílson (Medina), Danilo e Montoro (Danilo Pereira); Arthur Cabral (Júnior Santos). Técnico: Rodrigo Bellão.

Com 48 pontos, o Flamengo permanece na segunda colocação e segue na perseguição ao Palmeiras. O Rubro-Negro volta a campo na quarta-feira (2), contra o Mirassol, no Maracanã, em partida atrasada do Brasileirão.

Imagem secundária para Flamengo domina o clássico, sofre com desperdícios e vence o Botafogo por 3 a 0 no MaracanãImagem: Divulgação- CRF
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