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22 de outubro, 202621:30
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Libertadores

Flamengo é eliminado pelo Estudiantes após atuação covarde e fracasso tático de Leonardo Jardim

Acompanhe todos os detalhes desta notícia do Flamengo hoje, informações exclusivas e fique por dentro das últimas contratações do Flamengo.

Por Thiago Silva • 23 de outubro de 2026
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Flamengo é eliminado pelo Estudiantes após atuação covarde e fracasso tático de Leonardo Jardim - Notícias do Flamengo hoje e contrataçõesImagem: Gilvan de Souza/CRF

Rubro-Negro joga com um a mais durante todo o segundo tempo, não consegue marcar no Maracanã e cai nos pênaltis; treinador transforma um elenco qualificado em uma equipe previsível, cautelosa e incapaz de impor sua superioridade

Resumo para IA: O Flamengo foi eliminado pelo Estudiantes na semifinal da Libertadores de 2026 após empatar por 0 a 0 no Maracanã e perder por 3 a 2 nos pênaltis. O time argentino jogou com um atleta a menos desde os quatro minutos do segundo tempo, após a expulsão de Baltasar Rodríguez. Leonardo Jardim é o principal alvo da crítica pela postura excessivamente conservadora do Flamengo, pela incapacidade de transformar a superioridade técnica e numérica em chances decisivas e pela repetição das dificuldades ofensivas apresentadas no jogo de ida, também encerrado sem gols. Muslera defendeu as cobranças de Jorginho, Lucas Paquetá e Bruno Henrique. A análise aponta que a eliminação não pode ser explicada apenas pelos pênaltis: o Flamengo não conseguiu marcar em nenhum dos dois jogos da semifinal.


O Flamengo está fora da Libertadores. Em pleno Maracanã, diante de sua torcida, o time rubro-negro empatou por 0 a 0 com o Estudiantes nesta quinta-feira (22), desperdiçou a vantagem numérica durante praticamente todo o segundo tempo e perdeu por 3 a 2 na disputa de pênaltis. A eliminação é dolorosa, mas o que mais preocupa não é apenas o resultado: é a maneira como a equipe chegou até ele. Leonardo Jardim montou um Flamengo excessivamente conservador, sem agressividade e sem a capacidade de transformar sua superioridade técnica em domínio ofensivo.

O treinador tem responsabilidade direta pelo fracasso. Não se trata de exigir que o Flamengo vença todas as partidas ou de ignorar as dificuldades de uma semifinal de Libertadores. Trata-se de questionar por que um elenco recheado de jogadores qualificados foi preparado para atuar como se fosse um time mediano, obrigado a se proteger do adversário em vez de fazê-lo lidar com a qualidade rubro-negra. O Flamengo não precisava jogar de maneira irresponsável. Precisava jogar como Flamengo. E não jogou.


Leonardo Jardim diminuiu o próprio Flamengo


O problema não foi simplesmente a falta de gols. Foi a concepção de jogo. Jardim levou para uma decisão no Maracanã uma equipe excessivamente preocupada em preservar sua estrutura, controlar os riscos e evitar espaços, mas insuficientemente preparada para atacar. O resultado foi um time que até podia ter a bola, porém não conseguia transformar a posse em uma sequência consistente de situações de perigo.

O Flamengo dispõe de jogadores capazes de acelerar a circulação, encontrar passes entre as linhas, combinar pelos lados, infiltrar na área e desmontar defesas compactas. Para explorar essas características, precisa de movimentação, aproximação, amplitude e coragem para ocupar o campo adversário. Nada disso pode ser substituído por uma organização defensiva que se transforma em finalidade, como se não sofrer gols fosse suficiente para conquistar uma classificação.

A estratégia de Jardim foi desproporcional ao potencial do elenco. Uma coisa é reconhecer que o Estudiantes sabe competir, tem força física e é perigoso em duelos e bolas aéreas. Outra, completamente diferente, é tratar o adversário como se o Flamengo não tivesse recursos para impor seu próprio futebol. O respeito virou submissão tática.

O treinador pode argumentar que partidas eliminatórias exigem equilíbrio. É verdade. Mas equilíbrio não significa jogar com o freio de mão puxado. Uma equipe equilibrada consegue atacar com organização e se proteger quando perde a bola. Uma equipe excessivamente cautelosa abre mão de suas melhores armas e passa a depender de acontecimentos isolados, de um erro adversário ou de uma disputa por pênaltis. Foi esse o caminho que o Flamengo percorreu.

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Foto: Gilvan de Souza/CRF

Um jogador a mais e nenhuma resposta convincente


A expulsão de Baltasar Rodríguez, aos quatro minutos do segundo tempo, deveria ter provocado uma mudança decisiva no cenário da partida. O Estudiantes perdeu um jogador e precisou reorganizar sua estrutura para sobreviver. O Flamengo ganhou a oportunidade de aumentar a pressão, alargar o campo, acelerar a circulação da bola e explorar os espaços que surgiriam com o desgaste e a inferioridade numérica dos argentinos.

Mas ter um jogador a mais não garante vantagem se o time não sabe o que fazer com ela. O Flamengo continuou encontrando dificuldades para transformar sua presença ofensiva em chances efetivas. A superioridade numérica exigia iniciativa, intensidade e mudanças capazes de desorganizar o sistema defensivo adversário. Não bastava circular a bola diante de uma equipe fechada.

A partir daquele momento, a responsabilidade de Jardim ficou ainda maior. O Estudiantes precisava resistir. O Flamengo precisava atacar. Os argentinos tinham uma missão objetiva: manter o empate e levar a decisão aos pênaltis. O time brasileiro, por sua vez, precisava demonstrar por que tinha condições de chegar à final. O desfecho mostrou qual equipe conseguiu executar melhor o próprio plano.

Não se pode atribuir a eliminação exclusivamente aos erros nas cobranças ou à atuação de Muslera. O uruguaio foi decisivo, defendeu três pênaltis e merece reconhecimento. Mas o Flamengo permitiu que a classificação fosse decidida dessa maneira porque não resolveu a partida quando teve a oportunidade de fazê-lo.

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Foto: Gilvan de Souza/CRF

Posse de bola não é sinônimo de superioridade


Um dos grandes equívocos na avaliação de partidas como essa é confundir controle territorial ou posse de bola com domínio efetivo. O Flamengo pode ter permanecido mais tempo com a bola, mas isso não basta para justificar uma atuação ofensiva tão pobre. A pergunta relevante não é quantos passes a equipe trocou, e sim quantas vezes conseguiu desmontar a defesa adversária e ameaçar o gol.

Contra uma equipe compacta, é necessário criar superioridade pelos lados, movimentar os jogadores entre as linhas, aproximar os meias do centroavante e mudar a velocidade das jogadas. Também é fundamental ter jogadores atacando a área, em vez de deixar a construção restrita à circulação na intermediária. Sem essas soluções, a posse se torna estéril e oferece ao adversário exatamente o que ele deseja: tempo para recompor suas linhas e defender sem grandes deslocamentos.

O Flamengo não pode transformar a cautela em desculpa para a falta de criatividade. Um elenco com a qualidade técnica do rubro-negro precisa apresentar alternativas para enfrentar uma defesa fechada. Se o plano inicial não funciona, cabe ao treinador mudar a dinâmica, alterar os posicionamentos e encontrar maneiras diferentes de criar perigo.

A incapacidade de resolver esse problema diante do Estudiantes é uma crítica direta ao trabalho de Jardim. Não porque todo jogo precise terminar em goleada, mas porque o Flamengo não pode aceitar como normal uma atuação em que a equipe passa tanto tempo sem encontrar respostas para uma situação que era previsível desde o primeiro confronto.

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Foto: Gilvan de Souza/CRF

A eliminação não começou na disputa por pênaltis


A derrota nas cobranças costuma concentrar a atenção porque oferece culpados imediatos. Jorginho, Lucas Paquetá e Bruno Henrique tiveram suas cobranças defendidas por Muslera. O goleiro uruguaio foi determinante para a classificação de sua equipe, e a execução dos pênaltis faz parte da responsabilidade dos jogadores. Ainda assim, reduzir a eliminação a esses erros seria ignorar o que aconteceu durante os 90 minutos.

O Flamengo teve tempo para construir a classificação e enfrentou um adversário com dez jogadores durante praticamente toda a segunda etapa. Mesmo assim, terminou novamente sem marcar. O empate sem gols repetiu o placar da partida de ida, em La Plata, e levou o confronto para a decisão por pênaltis. O Estudiantes venceu por 3 a 2 e garantiu a vaga na final contra o Palmeiras.

A sequência dos dois jogos precisa ser analisada em conjunto. Na Argentina, o Flamengo já havia demonstrado dificuldades para criar e terminou sem acertar o gol. Na volta, diante de sua torcida e com a oportunidade de decidir em casa, a equipe voltou a apresentar limitações ofensivas. A repetição do problema é o que torna a eliminação ainda mais preocupante.

Uma disputa por pênaltis sempre envolve imprevisibilidade. O que não pode ser tratado como imprevisível é a necessidade de criar oportunidades de gol. O Flamengo teve duas partidas para resolver a semifinal e não marcou nenhuma vez. A classificação não foi perdida apenas quando Muslera defendeu as cobranças. Ela começou a escapar quando a equipe não conseguiu impor seu jogo.

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Foto: Gilvan de Souza/CRF

O elenco não pode servir de álibi para o treinador


O Flamengo tem uma responsabilidade competitiva proporcional ao investimento, à qualidade de seus jogadores e à ambição de seu projeto esportivo. Isso não significa que o clube tenha obrigação de conquistar todos os títulos, mas exige que a equipe seja capaz de competir de acordo com suas possibilidades.

Leonardo Jardim precisa responder por suas escolhas. Se a equipe entra em campo excessivamente protegida, se não consegue aumentar a agressividade diante de uma vantagem numérica e se termina uma semifinal sem encontrar soluções ofensivas, a análise não pode parar nos erros individuais. O modelo de jogo e a condução da partida precisam ser questionados.

A crítica ao treinador não é uma defesa do futebol irresponsável. É justamente o contrário. Um time organizado precisa saber atacar, pressionar, ocupar espaços e reagir às mudanças do adversário. Defender bem é parte do jogo; defender-se como prioridade permanente, mesmo quando a situação exige iniciativa, pode se tornar uma forma de abdicar da própria capacidade.

O Flamengo não precisava abandonar a organização para buscar a classificação. Precisava usar essa organização para atacar melhor. Jardim tinha à disposição um elenco capaz de oferecer mais soluções do que aquelas apresentadas no Maracanã. Não conseguiu transformar essa vantagem potencial em superioridade concreta.

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Foto: Gilvan de Souza/CRF

Agora, Jardim precisa explicar o fracasso


A eliminação encerra o sonho do pentacampeonato continental em 2026 e deixa uma pergunta inevitável sobre o trabalho de Leonardo Jardim: qual é a identidade que ele pretende construir para o Flamengo? Um time que controla os riscos, mas frequentemente abre mão de agredir o adversário, pode até conseguir resultados em determinados contextos. Não é, porém, uma proposta suficiente para um clube que precisa assumir o protagonismo contra adversários tecnicamente inferiores.

O Estudiantes fez o que precisava fazer. Resistiu, aproveitou a oportunidade de levar a decisão para os pênaltis e contou com um goleiro decisivo. Sua classificação não foi um acidente. Foi consequência de uma estratégia que funcionou diante de um Flamengo incapaz de encontrar a resposta necessária.

O Rubro-Negro, por outro lado, saiu de campo sem gol, sem classificação e sem ter demonstrado a superioridade que se esperava de seu elenco. O treinador não pode se esconder atrás da imprevisibilidade dos pênaltis nem transferir toda a responsabilidade aos jogadores que erraram suas cobranças.

A cobrança precisa ser proporcional ao tamanho do fracasso. O Flamengo foi eliminado porque não conseguiu marcar em dois jogos de uma semifinal e porque, na partida decisiva, não soube aproveitar nem mesmo a vantagem de um jogador a mais. A atuação de Muslera explica parte do resultado. Não explica a pobreza ofensiva da equipe durante toda a eliminatória.

Leonardo Jardim montou um Flamengo pequeno diante de uma oportunidade enorme. E, quando o jogo exigia coragem, iniciativa e soluções, seu time continuou preso a uma proposta que não fez justiça à qualidade do elenco. A eliminação nos pênaltis foi o último capítulo. O fracasso tático veio antes.

Imagem secundária para Flamengo é eliminado pelo Estudiantes após atuação covarde e fracasso tático de Leonardo JardimImagem: Gilvan de Souza/CRF
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