Flamengo encara Corinthians com desgaste no limite após batalha em Quito
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Imagem: Gilvan de Souza/CRFRubro-Negro terá menos de três dias entre a vitória sobre o Independiente del Valle e o duelo pelo Brasileirão; viagem, altitude de 2.850 metros e esforço físico pesam no planejamento de Leonardo Jardim
O Flamengo deixou Quito com uma vitória que vale muito mais do que os dois gols de vantagem nas quartas de final da Libertadores. O triunfo por 2 a 0 sobre o Independiente del Valle, na noite de quinta-feira, colocou o Rubro-Negro em situação privilegiada na competição continental. Mas também deixou uma conta física que Leonardo Jardim precisará administrar imediatamente.
Menos de três dias separam a batalha no Olímpico Atahualpa do próximo compromisso pelo Campeonato Brasileiro. No domingo, às 17h30, o Flamengo recebe o Corinthians no Maracanã pela 27ª rodada, em um cenário completamente diferente daquele encontrado no Equador, mas com uma dificuldade em comum: o tempo praticamente inexistente para recuperar os jogadores. O horário e o confronto foram confirmados pelo Corinthians.
Entre Quito e o Maracanã, o Flamengo precisa recuperar um elenco que enfrentou 90 minutos de forte exigência física a aproximadamente 2.850 metros de altitude, encarou uma partida de alta intensidade e ainda terá pela frente uma longa viagem de retorno ao Rio de Janeiro.
Jardim admite mudanças para domingo
A preocupação não é apenas uma avaliação externa. Depois da vitória sobre o Del Valle, Leonardo Jardim foi direto ao falar sobre a situação física do grupo e indicou que deverá preservar jogadores que tiveram maior carga de minutos em Quito.
O treinador classificou o desgaste como efetivo e destacou que o Flamengo terá somente dois dias de recuperação, além das muitas horas de viagem. Jardim também afirmou que pretende aproveitar jogadores que tiveram menos minutos no Equador para montar a equipe diante do Corinthians.
A decisão tem lógica dentro do planejamento da temporada. O Flamengo não precisa apenas pensar no Corinthians. Na próxima quinta-feira, dia 17, o time terá novamente o Independiente del Valle pela frente, desta vez no Maracanã, para confirmar a classificação à semifinal da Libertadores.
O calendário, portanto, colocou três partidas de enorme importância em um intervalo mínimo: Del Valle na quinta (10), Corinthians no domingo (13) e novamente Del Valle na quinta (17) seguinte.
Quem mais sofreu em Quito?
A escalação utilizada por Jardim ajuda a entender a dimensão do problema. Léo Pereira, Léo Ortiz, Emerson Royal, Jorginho, Erick Pulgar e Bruno Henrique permaneceram em campo durante praticamente toda a partida. Ayrton Lucas deixou o gramado apenas aos 40 minutos do segundo tempo.
São justamente alguns dos jogadores mais importantes da estrutura rubro-negra. A dupla de zaga sustentou a pressão do Del Valle no primeiro tempo, Jorginho e Pulgar precisaram trabalhar intensamente para proteger a região central e Bruno Henrique foi responsável pelo primeiro gol da vitória.
A exigência foi ainda maior porque o Flamengo passou boa parte da etapa inicial sem conseguir controlar a posse de bola. O Del Valle terminou o primeiro tempo com ampla vantagem territorial, obrigando os brasileiros a defenderem durante longos períodos e a realizarem esforços repetidos sem a bola.
No segundo tempo, o cenário mudou. O Flamengo cresceu, marcou duas vezes e conseguiu administrar a vantagem. Isso, porém, não significa que os jogadores tenham saído de campo fisicamente intactos. A própria necessidade de sobreviver ao primeiro período e reagir depois aumenta a importância da recuperação nas horas seguintes.
A altitude deixa uma conta física
Jogar em Quito exige uma preparação específica. A 2.850 metros acima do nível do mar, a menor disponibilidade de oxigênio aumenta a dificuldade para atletas que não estão habituados às condições locais, especialmente quando o jogo exige esforços repetidos.
O Flamengo tentou minimizar esse problema com uma estratégia logística específica. Depois da partida contra o Remo, em Belém, o clube permaneceu na cidade e viajou diretamente para Quito, evitando retornar ao Rio antes do compromisso continental. A equipe ainda teve dias de preparação no Equador antes da partida.
A estratégia funcionou para o jogo da Libertadores. O Flamengo resistiu ao período mais difícil, cresceu depois do intervalo e saiu de Quito com uma vitória por 2 a 0. Agora, entretanto, existe uma diferença importante: o benefício da aclimatação ficou para trás e o tempo de recuperação é extremamente curto.
A viagem de retorno, portanto, faz parte do problema. O elenco precisa deixar o Equador, chegar ao Rio, recuperar-se do deslocamento e ainda realizar a preparação mínima para um jogo de Campeonato Brasileiro em poucas horas.
O elenco será colocado à prova
É justamente nesse momento que a profundidade do elenco ganha valor. Jardim já havia destacado ao longo da temporada que o Flamengo não poderia depender de apenas 11 jogadores, e a sequência atual coloca essa ideia diante de seu maior teste.
O treinador indicou que pretende utilizar jogadores que tiveram menor participação contra o Del Valle. Pedro, por exemplo, entrou no segundo tempo em Quito. Lucas Paquetá também teve minutos na etapa final, enquanto Gonzalo Plata foi utilizado após o intervalo e voltou a participar diretamente de um gol poucos dias depois de ser reintegrado ao grupo.
Outros jogadores que não tiveram uma carga elevada no Equador também podem ganhar espaço diante do Corinthians. A estratégia não significa necessariamente abrir mão do resultado no Brasileirão, mas encontrar uma formação capaz de competir sem comprometer fisicamente os titulares para a decisão da Libertadores.
Essa é a equação mais delicada para Jardim.
Corinthians aparece no pior momento para o desgaste
O adversário também aumenta a dificuldade do planejamento. O Corinthians chega ao Maracanã sabendo que enfrentará um Flamengo desgastado, mas que estará pressionado pela necessidade de manter o ritmo no Campeonato Brasileiro.
O duelo vale pela 27ª rodada e será disputado às 17h30 de domingo. O Flamengo chega ao confronto na liderança do Brasileirão, enquanto o Corinthians tenta melhorar sua situação na competição.
Além disso, existe um componente psicológico importante. Uma vitória em Quito aumenta a confiança do elenco e da torcida, mas também cria o risco de uma equipe entrar no domingo emocionalmente satisfeita depois de cumprir uma missão continental extremamente difícil.
Jardim terá de equilibrar os dois lados: preservar energia sem perder competitividade.

Bruno Henrique é um dos casos mais delicados
Bruno Henrique é um exemplo claro da dificuldade. O atacante foi escolhido para começar contra o Del Valle por causa de sua capacidade de pressionar e atacar a profundidade, marcou o primeiro gol e permaneceu em campo durante praticamente toda a partida.
A tendência é que seja um dos jogadores avaliados com maior cuidado pela comissão técnica. Não apenas pelo desgaste acumulado em Quito, mas também porque o Flamengo ainda terá a partida de volta contra o Del Valle quatro dias depois do compromisso com o Corinthians.
Pedro, por outro lado, pode representar uma alternativa natural para o ataque. O camisa 9 entrou em Quito e chega ao domingo com uma carga menor de minutos, o que pode favorecer sua utilização diante de uma equipe que exigirá outro tipo de jogo.
Maracanã pode favorecer uma equipe mais descansada
Apesar do desgaste, existe uma vantagem importante para o Flamengo: o jogo será no Maracanã. O time não precisará realizar uma nova viagem para disputar a partida e poderá contar com a torcida em um ambiente conhecido.
Também existe uma diferença tática significativa. Contra o Del Valle, Jardim precisou montar uma equipe preparada para resistir à pressão, administrar a altitude e explorar os espaços em transição. Contra o Corinthians, a tendência é de um Flamengo com mais iniciativa e maior volume de posse, principalmente atuando em casa.
Esse cenário pode favorecer jogadores que atuaram menos em Quito e que possuem características mais adequadas para controlar o jogo com a bola.
O risco é gastar energia onde não precisa
A grande preocupação de Jardim será evitar que o Flamengo transforme o jogo contra o Corinthians em uma batalha física semelhante à de Quito.
Com pouco tempo de recuperação, o Rubro-Negro precisa escolher onde acelerar e onde controlar. Pressionar o adversário durante 90 minutos, tentar recuperar todas as bolas imediatamente e manter uma intensidade máxima desde o início pode cobrar uma conta pesada no segundo tempo.
A alternativa passa por um Flamengo mais paciente, que faça a bola correr e utilize a qualidade técnica do elenco para controlar o ritmo. É justamente o tipo de partida em que jogadores descansados podem assumir maior responsabilidade enquanto os atletas que vieram de Quito recebem um período adicional de recuperação.
A Libertadores continua sendo o horizonte
O planejamento para Corinthians não pode ser separado da Libertadores. A vitória por 2 a 0 em Quito colocou o Flamengo em uma situação excelente: uma derrota por um gol no Maracanã ainda garante a classificação para a semifinal.
Isso dá a Jardim alguma margem para administrar a carga física do elenco durante o fim de semana. O Campeonato Brasileiro continua importante, mas o treinador não precisa colocar seus principais jogadores no limite para defender uma vantagem que será decidida apenas quatro dias depois.
O desafio é encontrar o equilíbrio. Um time excessivamente modificado pode perder competitividade no Brasileirão; uma equipe carregada de titulares pode chegar ao jogo de volta contra o Del Valle sem a mesma condição física.
O Flamengo chega ao domingo em modo de gestão
O cenário é diferente do habitual. Depois de uma grande vitória continental, o Flamengo não terá tempo para comemorar. A prioridade agora é recuperar o corpo, reorganizar a equipe e escolher quem está em melhores condições para enfrentar o Corinthians.
A declaração de Leonardo Jardim deixa claro que o treinador não pretende ignorar o desgaste. A tendência é preservar parte dos jogadores que suportaram os 90 minutos em Quito e dar espaço a atletas que chegam ao domingo com maior disponibilidade física.
Essa decisão não representa falta de ambição no Brasileirão. Pelo contrário. É uma tentativa de administrar uma temporada em que o Flamengo está envolvido simultaneamente na disputa pela liderança nacional e na defesa do título continental.
Em Quito, o Flamengo venceu o jogo que precisava vencer. Agora, terá de vencer outro desafio que não aparece no placar: recuperar um elenco que atravessou altitude, pressão, viagem e uma batalha de Libertadores em menos de 72 horas.
Contra o Corinthians, talvez a principal qualidade do Flamengo não seja a intensidade. Será a capacidade de jogar com inteligência, utilizar a força do elenco e gastar energia apenas quando for realmente necessário.
Porque, nesta altura da temporada, administrar o próprio desgaste também faz parte da disputa por títulos.
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