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Libertadores - oitavas - Jogo de ida

12 de agosto, 202621:30
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Flamengo recupera peças importantes e Jardim ganha um novo desafio: encontrar o melhor encaixe para o elenco

Por Thiago Silva11 de agosto de 2026
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Flamengo recupera peças importantes e Jardim ganha um novo desafio: encontrar o melhor encaixe para o elencoImagem: Gilvan de Souza/CRF

Com a temporada entrando em sua fase mais decisiva, Leonardo Jardim começa a receber uma notícia que pode ser tão importante quanto qualquer contratação: o Flamengo está recuperando jogadores e, consequentemente, ampliando suas possibilidades dentro de campo

A vitória por 2 a 0 sobre o Vitória, no Maracanã, marcou não apenas o retorno do Rubro-Negro às vitórias no Brasileirão, mas também o início de uma nova etapa para um elenco que passou boa parte da temporada convivendo com lesões, desgaste físico e ausência de jogadores importantes.

Lucas Paquetá voltou a atuar. Arrascaeta recuperou espaço depois do período de preparação. Bruno Henrique voltou a ser decisivo. Plata ganhou minutos. Outros jogadores passaram a oferecer alternativas para modificar o comportamento da equipe durante as partidas.

O problema de Jardim, portanto, começa a mudar de natureza.

Agora, o treinador precisa decidir como utilizar as opções que tem.

Paquetá muda o desenho do meio-campo

A principal novidade é Lucas Paquetá.

Contratado como um dos grandes investimentos da temporada, o meia passou por um período de recuperação física e ainda precisa recuperar completamente o ritmo competitivo. Mesmo assim, sua entrada contra o Vitória já mostrou o tamanho da alternativa que Jardim ganha para o setor de criação.

Paquetá é capaz de atuar como meia mais avançado, aproximar-se dos atacantes, conduzir a bola pelo corredor central e atacar a área. Ao contrário de um meio-campista exclusivamente associativo, também oferece força física para pressionar e disputar espaços.

Sua presença pode permitir que Jardim alterne entre uma estrutura mais próxima do 4-3-3 e um desenho no qual Paquetá atue atrás de Pedro, transformando o sistema em determinados momentos em um 4-2-3-1.

Isso significa que o Flamengo ganha uma possibilidade que não existia com a mesma qualidade: mudar a estrutura ofensiva sem necessariamente realizar uma substituição.

Arrascaeta continua sendo o cérebro

A recuperação de Arrascaeta também é fundamental.

O uruguaio não precisa necessariamente atuar durante os 90 minutos para modificar o comportamento do Flamengo. Sua capacidade de receber entre as linhas, acelerar a circulação e encontrar passes verticais faz dele uma peça capaz de desmontar defesas compactadas.

O desafio de Jardim será administrar seus minutos enquanto recupera completamente o jogador, sem abrir mão da qualidade que ele oferece.

E existe uma possibilidade interessante: Paquetá e Arrascaeta podem atuar juntos em determinadas partidas.

Nesse cenário, o Flamengo poderia ter dois jogadores capazes de ocupar o espaço entre meio-campo e defesa adversários, dificultando a marcação e aumentando a quantidade de alternativas para a saída de bola.

A questão seria encontrar o equilíbrio defensivo necessário para sustentar essa formação.

Jorginho e Pulgar podem dar liberdade aos criadores

É justamente nesse ponto que Jorginho e Erick Pulgar ganham importância.

A dupla oferece ao Jardim a possibilidade de montar um meio-campo mais protegido enquanto libera os jogadores criativos para ocupar posições ofensivas.

Jorginho pode funcionar como primeiro organizador, oferecendo qualidade na saída de bola e controle do ritmo. Pulgar, por sua vez, tem maior capacidade para proteger a frente da defesa, disputar duelos e também avançar quando encontra espaço.

O gol marcado contra o Vitória mostrou exatamente essa última característica.

Com uma estrutura que lhe permitiu avançar, Pulgar apareceu próximo da área e marcou um golaço de longa distância.

Isso revela uma alternativa importante: quanto mais equilibrado estiver o meio-campo, maior será a liberdade dos jogadores que chegam de trás.

Bruno Henrique continua sendo uma arma diferente

Se Paquetá e Arrascaeta representam criatividade, Bruno Henrique oferece algo diferente: profundidade.

O atacante continua sendo especialmente útil quando o Flamengo enfrenta equipes que defendem mais adiantadas ou quando o adversário precisa abandonar o bloco defensivo para buscar o resultado.

Contra o Vitória, isso ficou evidente.

Depois de entrar na segunda etapa, Bruno Henrique encontrou espaço para atacar a defesa adversária e marcou o segundo gol rubro-negro.

Sua presença também muda o comportamento dos zagueiros. Com Bruno em campo, a última linha adversária precisa respeitar a velocidade do atacante e não pode simplesmente avançar suas linhas sem correr riscos.

É uma arma que Jardim pode utilizar de maneira estratégica.

Pedro oferece outra solução

A presença de Pedro, por outro lado, muda completamente a maneira de atacar.

Com o centroavante como referência, o Flamengo ganha capacidade para jogar contra defesas fechadas, utilizar cruzamentos e construir ataques com aproximações ao redor da área.

Pedro prende os zagueiros, oferece apoio de costas e cria espaços para a chegada dos meias.

Isso faz com que a escolha entre Pedro e Bruno Henrique não precise ser tratada simplesmente como uma disputa por posição.

Dependendo do adversário, Jardim pode utilizar características diferentes para solucionar problemas diferentes.

Samuel Lino é a peça que conecta os dois cenários

Samuel Lino talvez seja uma das peças mais interessantes desse novo Flamengo.

O atacante pode atuar aberto, atacar em profundidade ou aparecer por dentro. Essa versatilidade permite que Jardim altere a posição de outros jogadores sem necessariamente desmontar a estrutura.

Lino também pode ser utilizado para atacar o espaço entre lateral e zagueiro, especialmente quando Arrascaeta ou Paquetá atraem a marcação pelo corredor central.

A combinação pode ser especialmente perigosa contra equipes que defendem em bloco baixo.

Carrascal ainda pode ser a peça de ruptura

Imagem secundária para Flamengo recupera peças importantes e Jardim ganha um novo desafio: encontrar o melhor encaixe para o elencoImagem: Adriano Fontes/CRF
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Carrascal também oferece uma característica diferente.

O colombiano é capaz de conduzir a bola e quebrar linhas individualmente. Quando o Flamengo encontra um adversário muito compacto, esse tipo de jogador pode ser importante para produzir uma situação de superioridade que a circulação de bola, sozinha, não consegue criar.

O desafio é encontrar sua melhor zona de atuação.

Mais aberto, Carrascal pode participar da construção pelos lados. Centralizado, ganha condições para receber de frente e acelerar contra a última linha.

Jardim terá que definir em quais partidas vale explorar cada uma dessas características.

Plata e Lorran ampliam o banco de soluções

As opções não terminam nos titulares.

Plata pode oferecer velocidade e amplitude durante o segundo tempo, principalmente quando o adversário começa a demonstrar desgaste físico. É o tipo de jogador capaz de transformar uma partida mais cadenciada em um confronto de maior velocidade.

Lorran, por sua vez, pode atuar como alternativa para aumentar a capacidade técnica no meio e aproximar-se dos jogadores de ataque.

Já Evertton Araújo pode cumprir função diferente: dar equilíbrio quando o Flamengo precisa proteger uma vantagem ou aumentar a intensidade na recuperação da bola.

Essa diversidade pode se tornar decisiva em um calendário no qual Jardim terá de administrar Brasileirão e Libertadores simultaneamente.

O banco deixa de ser apenas reposição

Talvez essa seja a principal mudança que Jardim começa a experimentar.

Um banco forte não serve apenas para substituir um jogador cansado. Ele permite mudar a característica da equipe.

Se o Flamengo precisar de profundidade, Bruno Henrique e Plata podem entrar.

Se precisar de criatividade, Paquetá ou Lorran podem aumentar a qualidade pelo centro.

Se precisar controlar o meio-campo, Evertton Araújo pode oferecer maior proteção.

Se precisar atacar uma defesa fechada, Pedro oferece uma referência diferente.

E se precisar aumentar a qualidade entre as linhas, Arrascaeta continua sendo uma das principais armas do elenco.

O grande desafio de Jardim

É justamente aqui que começa o verdadeiro trabalho do treinador.

Ter opções é uma vantagem. Saber combiná-las é outra coisa.

Jardim precisa encontrar um modelo que permita ao Flamengo manter equilíbrio defensivo sem limitar a criatividade de seus principais jogadores.

Não existe necessariamente uma formação ideal para todos os adversários.

Contra um time fechado, pode ser necessário colocar mais jogadores próximos da área. Contra um adversário agressivo, a velocidade de Bruno Henrique e Samuel Lino pode ser mais importante. Em jogos nos quais o Flamengo precisar controlar a posse, Jorginho e Paquetá podem ganhar protagonismo.

O melhor Flamengo pode não ser uma escalação — mas um repertório

Essa talvez seja a conclusão mais importante neste momento da temporada.

O Flamengo não precisa encontrar apenas os onze melhores jogadores. Precisa encontrar as melhores combinações para cada tipo de partida.

A recuperação física de Paquetá, Arrascaeta e outros jogadores aumenta significativamente o repertório de Leonardo Jardim. O treinador passa a ter condições de modificar o ritmo, a altura da pressão, a forma de atacar e até a estrutura tática durante os 90 minutos.

É uma diferença enorme em relação a um elenco limitado por lesões e ausências.

Agora, Jardim precisa transformar a quantidade de opções em qualidade de decisões.

A Libertadores será o primeiro grande laboratório

O confronto com o Cruzeiro, pelas oitavas de final da Libertadores, chega no momento ideal para testar esse novo repertório.

O Flamengo terá pela frente um adversário mais exigente, que deverá reduzir espaços e exigir maior precisão nas decisões ofensivas.

Será nesse cenário que Jardim poderá descobrir quais combinações realmente funcionam quando o nível de dificuldade aumenta.

A questão já não é apenas quem deve ser titular.

É saber quem deve começar, quem deve entrar e qual problema cada jogador precisa resolver.

O Flamengo ganhou um problema — e é um problema dos bons

Durante boa parte da temporada, a discussão era sobre quem estava disponível para jogar.

Agora, pouco a pouco, a pergunta começa a ser outra: como colocar todos esses jogadores importantes em um time funcional?

Para Leonardo Jardim, esse é um desafio consideravelmente melhor do que trabalhar com um elenco desfalcado.

O Flamengo começa a recuperar suas peças justamente quando entra na parte mais importante da temporada.

E, se o treinador conseguir transformar essas opções em um repertório tático consistente, o Rubro-Negro poderá ganhar algo que vai muito além de bons reservas: a capacidade de mudar uma partida sem perder sua identidade.

É esse Flamengo, mais completo, versátil e imprevisível, que Jardim terá a missão de construir.

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