Flamengo renova com Erick Pulgar até 2029 e transforma volante em peça estratégica para a era Leonardo Jardim
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Imagem: Adriano Fontes/CRFValorização do chileno encerra novela que envolveu interesse do exterior e protege o Flamengo de uma saída por baixo valor; aos 32 anos, Pulgar ganha mais tempo para consolidar seu papel como um dos pilares do meio-campo rubro-negro
O Flamengo decidiu transformar em contrato uma relação que, dentro de campo, já havia se tornado praticamente indispensável. O clube oficializou nesta quarta-feira (2) a renovação de Erick Pulgar até o fim de 2029, garantindo a permanência do volante chileno por mais três temporadas e colocando fim às incertezas que cercaram seu futuro durante a janela de transferências.
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Mais do que uma simples extensão de vínculo, a decisão representa uma mudança importante na avaliação interna sobre o jogador. Pulgar chegou a ter uma multa rescisória considerada baixa para o mercado internacional, de aproximadamente US$ 4 milhões, e despertou interesse de clubes do Oriente Médio e dos Estados Unidos. O risco de perder um titular por um valor relativamente pequeno fez o Flamengo acelerar as conversas e buscar uma solução definitiva.
A solução veio com valorização salarial e um novo contrato até 2029. O movimento protege o patrimônio esportivo do clube, mas, principalmente, revela que Pulgar passou a ser enxergado como parte da estrutura que o Flamengo pretende manter nos próximos anos. Aos 32 anos, o chileno não é mais apenas uma opção de elenco: tornou-se uma referência funcional para o modelo de jogo de Leonardo Jardim.
De jogador questionado a peça-chave
A trajetória de Pulgar no Flamengo nunca foi completamente linear. Desde sua chegada, em agosto de 2022, o chileno alternou períodos de protagonismo com momentos em que sua importância para a equipe era colocada em discussão. Lesões, suspensões e oscilações fizeram com que sua posição dentro do elenco variasse ao longo das temporadas.
O cenário mudou especialmente na segunda metade de 2026. Depois de superar problemas físicos e disciplinares, Pulgar recuperou espaço e passou a ocupar novamente uma posição central no meio-campo. Sob o comando de Leonardo Jardim, sua capacidade de proteger a defesa, participar da circulação da bola e oferecer equilíbrio entre os setores ganhou ainda mais relevância.
É justamente esse equilíbrio que ajuda a explicar a renovação. Jardim não precisa necessariamente de um volante que apareça o tempo inteiro na área adversária. Precisa de um jogador capaz de interpretar os espaços, sustentar a estrutura quando os laterais avançam e permitir que os jogadores mais criativos tenham liberdade para atacar.
Nesse aspecto, Pulgar oferece uma característica difícil de encontrar no mercado: entendimento tático aliado à experiência em jogos de alta exigência.
A renovação também é uma resposta ao mercado
O Flamengo poderia ter simplesmente mantido o contrato anterior, válido originalmente até 2027, e avaliado o futuro do jogador posteriormente. Optou por fazer o movimento agora justamente porque a situação de mercado criou um risco concreto.
A redução da multa rescisória para US$ 4 milhões tornou Pulgar acessível para clubes estrangeiros e colocou o Flamengo diante de uma escolha: aceitar o risco de perder o jogador ou reconhecer financeiramente sua importância e aumentar a proteção contratual.

A diretoria escolheu a segunda alternativa
E há um detalhe importante. Pulgar recebeu propostas financeiramente superiores do exterior, mas deu preferência à permanência no Rio de Janeiro. A renovação, portanto, também representa uma decisão do próprio jogador: abrir mão da possibilidade de um contrato mais lucrativo fora do Brasil para continuar vinculado ao Flamengo.
O número que explica a importância de Pulgar
Desde que chegou ao Flamengo, Pulgar disputou 172 partidas, com 107 vitórias, 39 empates e apenas 26 derrotas. São seis gols e nove assistências no período, além de nove títulos conquistados com a camisa rubro-negra.
Os números ofensivos, entretanto, não explicam sua importância. O principal valor do chileno está naquilo que muitas vezes não aparece nas estatísticas tradicionais: cobertura, posicionamento, recuperação de bolas, proteção à linha defensiva e capacidade de oferecer uma saída segura para a equipe.
Em 2026, curiosamente, Pulgar também vive sua temporada mais produtiva em gols pelo Flamengo, com três bolas na rede. Dois deles aconteceram diante do Vitória, em partidas do Campeonato Brasileiro. Contra o Mirassol, na vitória por 2 a 0 no Maracanã, o volante ainda participou diretamente do primeiro gol ao dar a assistência para Carrascal.
É um reflexo de uma evolução interessante: Pulgar continua sendo o jogador responsável pelo equilíbrio, mas ganhou liberdade para participar mais das fases ofensivas quando o contexto da partida permite.
Jardim ganha uma peça que dá liberdade aos outros
Talvez essa seja a principal consequência esportiva da renovação.
O Flamengo de Leonardo Jardim possui jogadores capazes de decidir partidas individualmente. Arrascaeta, Carrascal, Paquetá e outros nomes do setor ofensivo precisam de liberdade para ocupar diferentes zonas do campo. Para que isso aconteça sem transformar o time em uma equipe excessivamente exposta, alguém precisa garantir o equilíbrio.
Pulgar é um dos jogadores que cumprem essa função.
Sua presença permite que o Flamengo alterne momentos de pressão alta com períodos de controle posicional. Também oferece ao treinador uma alternativa para modificar a altura do bloco sem necessariamente alterar toda a estrutura da equipe.
É por isso que sua permanência ganha importância justamente em um momento em que o Flamengo entra na reta decisiva da temporada, disputando simultaneamente Campeonato Brasileiro e Libertadores.
Um contrato longo que exige planejamento
Existe, porém, outro lado da decisão que não pode ser ignorado.
Pulgar terminará o novo vínculo aos 35 anos. Portanto, a renovação até 2029 não pode ser analisada somente pela perspectiva do rendimento atual. O Flamengo está apostando que a experiência e a inteligência tática do chileno continuarão tendo valor mesmo quando sua capacidade física inevitavelmente começar a diminuir.
Isso exigirá planejamento. O clube não pode transformar a permanência de Pulgar em uma justificativa para deixar de procurar alternativas para a posição. Pelo contrário: quanto mais importante ele for para o sistema, maior deve ser a preocupação em preparar seu sucessor.
A renovação não significa que o Flamengo resolveu definitivamente o futuro da posição. Significa que decidiu preservar, por mais alguns anos, um jogador que conhece profundamente o ambiente, o clube e a exigência de disputar títulos pelo Rubro-Negro.
Flamengo escolhe continuidade em vez de reconstrução
A renovação de Erick Pulgar também se encaixa em um movimento mais amplo do Flamengo: preservar a espinha dorsal de um elenco que continua competitivo em todas as frentes.
Em vez de transformar cada janela em uma oportunidade para substituir jogadores importantes, o clube começa a fazer movimentos mais seletivos. Pulgar representa exatamente esse conceito. Não se trata de contratar uma nova promessa para a posição, mas de manter um jogador que já provou sua utilidade e que conhece o funcionamento do time.
Aos 32 anos, o chileno já não representa uma aposta. Representa uma escolha consciente.
E, para Leonardo Jardim, essa escolha pode ser ainda mais importante do que parece. Em um time recheado de talento ofensivo, jogadores como Pulgar são aqueles que permitem que os protagonistas apareçam sem que a equipe perca sua estrutura.
O Flamengo decidiu pagar para manter esse equilíbrio. Agora, cabe ao chileno provar, temporada após temporada, que a aposta até 2029 foi tão acertada quanto parece ser neste momento.
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