Flamengo se aproxima de R$ 1 bilhão em reforços na gestão Bap e Boto; veja o balanço das contratações
Imagem: Marcelo Cortes/CRFInvestimento pesado transformou o elenco rubro-negro desde 2025, mas o desempenho dos reforços é desigual. Samuel Lino e Jorginho despontam como acertos, enquanto nomes como Emerson Royal, Vitão e Saúl ainda buscam justificar o investimento
O Flamengo entrou em uma nova fase de investimento no futebol desde a chegada da gestão de Luiz Eduardo Baptista, o Bap, à presidência do clube. Sob a condução do diretor de futebol José Boto, o Rubro-Negro já ultrapassou a marca de R$ 900 milhões investidos em contratações e pode superar R$ 1 bilhão caso a negociação por Luiz Henrique seja concluída.
O número impressiona, mas precisa ser analisado em conjunto com as receitas obtidas pelo clube no mercado. No mesmo período, o Flamengo arrecadou mais de R$ 595 milhões com vendas de jogadores, o que ajuda a explicar a estratégia de forte investimento adotada pela diretoria.
Mais importante do que o tamanho da conta, porém, é avaliar o que o Flamengo recebeu em campo em troca desse investimento. E o balanço mostra resultados bastante diferentes entre os reforços.
Samuel Lino: investimento que começou a dar retorno
Entre as contratações mais caras, Samuel Lino aparece atualmente como um dos maiores argumentos a favor da estratégia rubro-negra.
O atacante chegou do Atlético de Madrid em uma operação que, somando direitos e luvas, alcançou cerca de R$ 203 milhões. O início no Flamengo foi marcado por oscilações, mas o jogador ganhou protagonismo ao longo de 2026 e se transformou em peça importante no sistema de Leonardo Jardim.
Com 35 partidas, sete gols e dez assistências na temporada, Lino vive seu melhor momento desde que chegou ao clube e passou a oferecer exatamente uma das características de que o elenco mais precisava: capacidade de atacar espaços, velocidade e criação pelos lados do campo.
Jorginho: custo baixo, impacto alto
Se Samuel Lino representa um grande investimento que começou a apresentar retorno esportivo, Jorginho é o exemplo de contratação com excelente relação entre custo e benefício.
O volante chegou sem custos de transferência após deixar o Arsenal, mas a operação envolveu aproximadamente R$ 23,8 milhões em luvas e comissões.
Aos 34 anos, o ítalo-brasileiro rapidamente assumiu protagonismo no meio-campo e se tornou uma das referências técnicas e táticas da equipe.
Sua experiência internacional, capacidade de organização e qualidade na distribuição da bola fizeram dele uma peça fundamental para Leonardo Jardim.
Danilo: liderança que virou história
Outro investimento relativamente baixo que apresentou retorno imediato foi Danilo.
O defensor chegou após mais de uma década no futebol europeu e custou aproximadamente R$ 16,9 milhões em luvas.
Além da liderança no vestiário e da versatilidade para atuar como lateral ou zagueiro, Danilo já colocou seu nome definitivamente na história do Flamengo ao marcar o gol que garantiu o quarto título da Libertadores para o clube, contra o Palmeiras.
É difícil encontrar, até aqui, um investimento com retorno esportivo tão expressivo proporcionalmente ao custo da operação.
Paquetá: o investimento que ainda espera o retorno completo
A contratação mais cara da história do Flamengo também é uma das que mais geram expectativa.
Revelado pelo próprio clube, Lucas Paquetá retornou do West Ham em uma operação de aproximadamente R$ 315,7 milhões.
O valor transformou o meia no maior investimento já realizado pelo Rubro-Negro em um jogador. O problema é que, até agora, sua segunda passagem ainda não conseguiu entregar a sequência esperada.
Em 2026, Paquetá participou de 24 partidas e marcou oito gols, mas passou por períodos de ausência e voltou da Copa do Mundo com uma lesão que interrompeu novamente sua sequência.
Seu retorno é aguardado como um dos grandes acontecimentos da reta final da temporada.
Carrascal: talento sem regularidade
Jorge Carrascal chegou do Dínamo de Moscou por aproximadamente R$ 107,3 milhões e foi contratado para oferecer criatividade ao meio-campo.
O colombiano mostrou capacidade técnica, mas ainda não conseguiu estabelecer uma sequência de atuações no nível esperado.
São 53 jogos, cinco gols e nove assistências pelo Flamengo. Os números mostram participação, mas também evidenciam que o clube ainda espera mais de um jogador contratado por uma quantia significativa.
Além da questão esportiva, episódios extracampo também contribuíram para desgastar sua relação com parte da torcida.
Vitão ainda não justificou o investimento
Na defesa, Vitão representa um dos principais pontos de interrogação.
O zagueiro chegou do Internacional por aproximadamente R$ 81,9 milhões, em uma operação que gerou expectativa por sua qualidade técnica e experiência no futebol brasileiro.
Entretanto, mesmo com a lesão de Léo Ortiz, Vitão ainda não conseguiu conquistar definitivamente uma vaga entre os titulares.
O Flamengo esperava que sua contratação aumentasse a competição no setor defensivo. Até o momento, porém, o retorno esportivo está abaixo do investimento realizado.
Emerson Royal: uma oportunidade que não se consolidou
Emerson Royal chegou do Milan por cerca de R$ 78,8 milhões, inicialmente visto como uma oportunidade de mercado para substituir Wesley após sua transferência para a Europa.
Com passagens pela Seleção Brasileira e pelo Tottenham, o lateral possuía currículo suficiente para assumir a posição.
Na prática, entretanto, nunca conseguiu convencer completamente. Atualmente, aparece entre os jogadores que podem ser negociados, deixando em aberto a possibilidade de uma saída pouco tempo depois de sua contratação.
Saúl: experiência que perdeu espaço
Saúl Ñíguez chegou cercado pela experiência adquirida no futebol europeu, principalmente durante sua longa passagem pelo Atlético de Madrid.
O espanhol foi utilizado com frequência em 2025, mas encontrou dificuldades para manter protagonismo em 2026. Lesões e a concorrência no meio-campo reduziram seu espaço com Leonardo Jardim.
Com contrato até dezembro de 2028, a situação exige atenção da diretoria. Trata-se de um jogador experiente e de salário relevante, mas que atualmente não ocupa o protagonismo imaginado quando foi contratado.
Juninho: passagem curta e retorno abaixo do investimento
Juninho chegou do Qarabag por aproximadamente R$ 40,1 milhões, mas não conseguiu se estabelecer no ataque rubro-negro.
Em 32 partidas pelo Flamengo, marcou apenas quatro gols antes de ser negociado com o Pumas, do México, por cerca de R$ 25,6 milhões.
A operação deixa uma diferença financeira negativa e, principalmente, a sensação de que o clube não encontrou no jogador a solução ofensiva que imaginava.
Andrew: ainda é cedo para avaliar
O goleiro Andrew representa um caso completamente diferente.
Contratado do Gil Vicente por aproximadamente R$ 34,7 milhões, o jovem chegou para ampliar as opções do Flamengo na posição.
Até agora, disputou seis partidas e não sofreu gols em metade delas. Ainda é cedo para determinar se o investimento será um acerto, mas a contratação oferece ao clube uma alternativa para o presente e, potencialmente, para o futuro.
O mercado ainda não acabou
O balanço das contratações também precisa ser analisado em um contexto maior. Leonardo Jardim continua apontando a necessidade de reforçar determinadas posições, especialmente nas pontas e no setor de criação.
É justamente nesse cenário que aparece Luiz Henrique.
O Flamengo aumentou sua proposta pelo atacante do Zenit para aproximadamente 35 milhões de euros, valor que pode chegar a cerca de R$ 207 milhões. Caso a operação seja concluída, o investimento da atual gestão em reforços ultrapassará a marca simbólica de R$ 1 bilhão.
O problema é que o clube russo deseja receber o valor à vista, condição que pode dificultar a conclusão do negócio.
Mais dinheiro significa necessariamente um elenco melhor?
Essa é a principal pergunta que o balanço dos investimentos coloca sobre a mesa.
O Flamengo possui hoje um elenco extremamente qualificado e conquistou títulos importantes desde o início da atual gestão. Entretanto, nem todas as contratações tiveram o mesmo impacto.
Samuel Lino, Jorginho e Danilo aparecem como exemplos de jogadores que entregaram retorno esportivo relevante. Paquetá ainda busca sequência para justificar o investimento histórico, enquanto Carrascal, Vitão, Emerson Royal e Saúl permanecem cercados por questionamentos diferentes.
O desafio de Bap e Boto
O tamanho dos investimentos aumenta também a responsabilidade da diretoria. Gastar mais de R$ 1 bilhão em reforços não representa, por si só, garantia de títulos. A verdadeira avaliação acontecerá quando for possível medir o desempenho esportivo das contratações ao longo dos anos.
O Flamengo tem poder financeiro para disputar jogadores que até pouco tempo pareciam inacessíveis ao futebol brasileiro. A questão agora é transformar esse poder econômico em decisões esportivas cada vez mais precisas.
A possível chegada de Luiz Henrique seria mais um capítulo dessa estratégia. Mas, depois de ultrapassar a barreira dos R$ 900 milhões investidos, o Flamengo entra em uma fase na qual cada contratação será observada não apenas pelo nome ou pelo valor, mas pela capacidade de resolver problemas dentro de campo.
Porque, no fim das contas, o mais importante não é todo o dinheiro gasto. Mas sim, os títulos conquistados.
Publicidade
728x90







