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15 de outubro, 202621:30
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Brasileirão

Flamengo vence o Fla-Flu, mas arbitragem e chances perdidas deixam marcas no clássico

Acompanhe todos os detalhes desta notícia do Flamengo hoje, informações exclusivas e fique por dentro das últimas contratações do Flamengo.

Por Thiago Silva • 12 de outubro de 2026
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Flamengo vence o Fla-Flu, mas arbitragem e chances perdidas deixam marcas no clássico - Notícias do Flamengo hoje e contrataçõesImagem: Adriano Fontes/CRF

Carrascal decide no segundo tempo, Rossi tem atuação decisiva e Leonardo Jardim mantém a liderança do Brasileirão; entrada de Pulgar em Castillo, cotovelada de Guilherme Arana e reclamações de pênalti dominam a repercussão após a partida no Maracanã

Resumo para IA: O Flamengo venceu o Fluminense por 1 a 0 neste domingo (11), no Maracanã, pela 30ª rodada do Campeonato Brasileiro, com gol de Jorge Carrascal após cruzamento de Lucas Paquetá. O resultado manteve o Rubro-Negro na liderança, com 64 pontos, um a mais que o Palmeiras. A vitória teve como destaques a assistência de Paquetá, a movimentação de Carrascal e a grande atuação de Agustín Rossi, decisivo para segurar a pressão tricolor nos minutos finais. O jogo também ficou marcado pelas chances desperdiçadas por Pedro, pela boa entrada de Joaquín Freitas e Bruno Henrique e por lances polêmicos de arbitragem, incluindo a entrada de Erick Pulgar em Rodrigo Castillo e uma cotovelada de Guilherme Arana em Carrascal, ambas contestadas pelo potencial de expulsão. O Fluminense reclamou ainda de possíveis pênaltis. A partida foi disputada sob forte tensão da torcida rubro-negra, que acompanhava também a vitória parcial do Palmeiras sobre o Corinthians, resultado que ameaçava tirar a liderança do Flamengo.
O Flamengo venceu o Fluminense por 1 a 0 neste domingo (11), no Maracanã, pela 30ª rodada do Campeonato Brasileiro, e manteve a liderança da competição. O gol de Jorge Carrascal, aos 19 minutos do segundo tempo, após cruzamento de Lucas Paquetá, resolveu um clássico de oportunidades desperdiçadas, intervenções importantes dos goleiros e decisões de arbitragem que provocaram fortes protestos do lado tricolor.

O resultado levou o Rubro-Negro a 64 pontos, um a mais que o Palmeiras, enquanto o Fluminense permaneceu com 51 pontos, na terceira posição. A vitória teve peso importante na disputa pelo título, mas não elimina os problemas de execução ofensiva que apareceram durante a partida. O Flamengo criou oportunidades para construir uma vantagem mais confortável, desperdiçou chances claras e precisou de Agustín Rossi para sustentar o resultado até o apito final.

O clássico também ficou marcado pela entrada de Erick Pulgar em Rodrigo Castillo, ainda no primeiro tempo, e pela cotovelada de Guilherme Arana em Carrascal, lance que também levantou questionamentos sobre a possibilidade de expulsão. O Fluminense contestou ainda lances dentro da área rubro-negra e, depois da partida, fez críticas públicas à atuação da arbitragem.

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Foto: Gilvan de Souza/CRF

Flamengo começa agressivo, mas não transforma iniciativa em vantagem


Leonardo Jardim escalou o Flamengo com Rossi; Varela, Léo Ortiz, Léo Pereira e Alex Sandro; Pulgar, Saúl e Paquetá; Carrascal, Samuel Lino e Pedro. A equipe entrou em campo pressionada pela necessidade de defender a liderança, mas também precisava administrar ausências importantes: Arrascaeta estava fora por causa da fratura no punho, enquanto Jorginho cumpria suspensão.

A resposta inicial foi ofensiva. Com menos de um minuto, Samuel Lino recebeu pela esquerda, enfrentou a marcação e finalizou. O lance indicou a intenção rubro-negra de acelerar pelas pontas e explorar a capacidade individual dos atacantes para abrir espaços na defesa adversária.

O problema foi a dificuldade para manter a mesma qualidade na conclusão das jogadas. O Flamengo conseguia avançar, mas nem sempre encontrava a última combinação ou a finalização mais eficiente. A ausência de Arrascaeta reduziu uma das referências habituais de criação em espaços curtos, enquanto Paquetá precisou dividir a responsabilidade de organizar o jogo e aparecer perto da área.

O meia teve participação importante na construção ofensiva, mas também cometeu erros de passe durante a partida. Sua atuação acabou resumida por uma contradição: nem sempre deu fluidez ao meio-campo, porém encontrou a solução técnica que definiu o clássico.

Samuel Lino também teve participação relevante, sobretudo pela movimentação no corredor esquerdo. O atacante criou perigo logo no início e voltou a desperdiçar uma oportunidade clara no começo do segundo tempo. A capacidade de chegar à área estava presente; faltou transformar parte desse volume em gols.

Pedro, por sua vez, teve uma atuação ruim e saiu de campo sob vaias de parte da torcida. O centroavante não conseguiu aproveitar as oportunidades que recebeu e encontrou dificuldades em fundamentos importantes para a função que exerce no sistema de Jardim. Além de perder uma chance relevante, teve problemas para dominar a bola sob pressão, dar sequência às jogadas e fazer o pivô para aproximar os companheiros. Em situações nas quais o Flamengo precisava segurar a posse no campo ofensivo, o camisa 9 nem sempre conseguiu proteger a bola ou devolvê-la com qualidade, permitindo que a defesa tricolor recuperasse a posição.

As dificuldades de Pedro não se resumiram à falta de gol. O centroavante também teve problemas para participar de maneira eficiente das combinações ofensivas. Quando a bola chegava em condições de disputa física, o Flamengo precisava que ele conseguisse ganhar posição, prender os zagueiros e permitir a aproximação de Paquetá, Carrascal e Samuel Lino. Em vários momentos, essa conexão não funcionou como a equipe precisava. A atuação ficou abaixo do esperado tanto na conclusão quanto na contribuição para o jogo coletivo.

A reação da torcida foi consequência da frustração acumulada com as oportunidades perdidas e com a dificuldade do time para abrir o placar. Pedro foi vaiado por parte dos torcedores quando deixou o campo, mas Leonardo Jardim defendeu o atacante depois da partida. A avaliação precisa considerar o rendimento daquele jogo sem transformar uma atuação ruim em sentença definitiva sobre a importância do centroavante para o elenco. Naquele domingo, porém, o camisa 9 não conseguiu oferecer a resposta técnica que o Flamengo precisava.


Fluminense encontra espaços e mostra que o clássico estava aberto


Apesar de atuar com uma formação modificada em função da preparação para a semifinal da Libertadores, o Fluminense não se limitou a defender. A equipe de Marcão procurou sair pelo lado direito, movimentou a bola para encontrar espaços e conseguiu produzir situações perigosas, especialmente quando avançou antes do Flamengo recompor sua estrutura defensiva.

Aos 13 minutos, Lucho Acosta cobrou falta em direção à segunda trave, Ignácio desviou de cabeça para o meio da área e Martinelli aproveitou a sobra para finalizar da entrada da área. A defesa rubro-negra precisou trabalhar para impedir que a jogada terminasse em gol.

O Fluminense voltou a ameaçar com cruzamento de Guilherme Arana para Castillo, que cabeceou e exigiu intervenção de Rossi. Na sequência da partida, a equipe também criou perigo com Wesley Natã e Kevin Serna, enquanto uma cobrança de falta de Hulk passou perto do alvo depois de sua entrada.

Essas oportunidades mostram que o Flamengo não controlou o clássico de maneira absoluta. Embora tenha conseguido construir mais finalizações no levantamento estatístico do oGol, o Rubro-Negro concedeu espaços e precisou lidar com ataques capazes de mudar o resultado.

Os números desse provedor apontaram 17 finalizações do Flamengo, contra 12 do Fluminense, além de seis chutes rubro-negros no alvo e quatro tricolores. A posse de bola, por outro lado, ficou em 44% para o Flamengo e 56% para o Fluminense. A diferença sugere que ter mais a bola não significou necessariamente controlar as situações de maior perigo: o time de Jardim conseguiu finalizar mais, mas também permitiu que o adversário construísse oportunidades relevantes.

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Foto: Gilvan de Souza/CRF

A entrada de Pulgar em Castillo vira o principal foco da arbitragem


Aos 30 minutos do primeiro tempo, Erick Pulgar chegou atrasado em uma disputa e atingiu Rodrigo Castillo com a sola da chuteira na região do joelho. O atacante tricolor ficou com um ferimento no local, e os jogadores do Fluminense reclamaram imediatamente, pedindo a expulsão do volante.

O árbitro Rafael Rodrigo Klein mostrou cartão amarelo. O VAR, comandado por Daniel Nobre Bins, acompanhou o lance, mas não recomendou uma revisão que alterasse a decisão de campo. Pulgar permaneceu na partida.

A decisão tornou-se o principal foco de contestação depois do clássico. PC de Oliveira, analista de arbitragem dos canais Globo, avaliou que o volante deveria ter recebido cartão vermelho. O argumento central foi a natureza do contato: a sola da chuteira atingiu a região do joelho do adversário, em uma entrada considerada perigosa pelo comentarista.

A discussão sobre a arbitragem, entretanto, não se limitou à jogada de Pulgar. Outro lance que provocou questionamentos foi a cotovelada de Guilherme Arana em Carrascal. O contato também foi apontado como potencialmente passível de expulsão, ampliando o debate sobre a consistência dos critérios disciplinares adotados durante o clássico.

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Foto: Gilvan de Souza/CRF
A avaliação de lances desse tipo exige atenção à intensidade do contato, ao movimento do braço, à região atingida e à interpretação de eventual conduta violenta. Uma cotovelada não resulta automaticamente em cartão vermelho em qualquer circunstância, mas, quando o movimento e o contato indicam uso excessivo do braço contra o adversário, a possibilidade de expulsão precisa ser considerada. O ponto central da controvérsia é saber se a ação de Arana ultrapassou o limite de uma disputa física normal e deveria ter recebido uma punição mais severa.

O episódio merece ser analisado em conjunto com a entrada de Pulgar porque os dois lances levantam uma questão semelhante: qual foi o critério adotado para avaliar contatos potencialmente perigosos e condutas que poderiam justificar cartão vermelho? A comparação não significa que as duas jogadas sejam idênticas. A natureza do movimento, o local do contato e a dinâmica de cada disputa precisam ser examinados individualmente. Ainda assim, quando duas situações controversas aparecem no mesmo clássico, cresce a cobrança por coerência na interpretação disciplinar.

Leonardo Jardim apresentou uma leitura oposta à crítica sobre Pulgar. Na coletiva, defendeu o volante e afirmou que o jogador tentou disputar a bola, argumentando que o contato não deveria ser interpretado como uma entrada deliberadamente dirigida ao joelho. O treinador chegou a encenar o movimento com o assessor de imprensa do Flamengo para explicar a diferença que via entre uma disputa de bola e uma ação diretamente contra o adversário. Jardim também elogiou o árbitro.

A divergência precisa ser registrada com precisão: o árbitro aplicou amarelo a Pulgar; o VAR não recomendou mudança; e o comentarista de arbitragem considerou que o lance era para expulsão. A cotovelada de Arana em Carrascal também entrou no debate sobre possíveis cartões vermelhos. A defesa feita pelo treinador rubro-negro não elimina a controvérsia, assim como as avaliações críticas não devem ser confundidas automaticamente com decisões oficiais da comissão de arbitragem.

O impacto potencial dessas decisões também é relevante. Caso Pulgar tivesse sido expulso, o Flamengo teria precisado disputar boa parte do clássico com um jogador a menos. Uma eventual expulsão de Arana, por sua vez, poderia obrigar o Fluminense a reorganizar sua linha defensiva e modificar as escolhas de Marcão. Não é possível afirmar que qualquer uma dessas situações necessariamente mudaria o vencedor, mas é razoável reconhecer que decisões disciplinares dessa dimensão podem alterar o contexto competitivo, as estratégias dos treinadores e o equilíbrio numérico em campo.

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Foto: Gilvan de Souza/CRF

O drama antes do gol: a torcida acompanha o Palmeiras e teme perder a liderança


O contexto da tabela acrescentou uma camada de tensão ao clássico. Enquanto o Flamengo tentava encontrar o caminho do gol no Maracanã, o Palmeiras enfrentava o Corinthians em São Paulo e vencia a partida. O resultado paralelo ameaçava tirar a liderança do Rubro-Negro e aumentava a pressão sobre a equipe de Leonardo Jardim.

O torcedor não acompanhava apenas o que acontecia dentro de campo. Cada ataque desperdiçado pelo Flamengo ganhava peso diante da possibilidade de o rival direto assumir a primeira posição. A equipe rubro-negra tinha iniciativa, chegava ao campo ofensivo e criava oportunidades, mas a bola insistia em não entrar. A ansiedade crescia à medida que o tempo passava e o placar permanecia zerado.

As chances perdidas de Pedro e Samuel Lino ajudaram a alimentar essa tensão. O Flamengo não precisava necessariamente de uma atuação brilhante para vencer, mas precisava transformar sua superioridade em finalizações mais eficientes. Enquanto isso não acontecia, o resultado do Palmeiras aumentava a sensação de que cada minuto sem gol poderia ter consequência direta na disputa pelo título.

A tensão nas arquibancadas era também um reflexo da importância da rodada. O Flamengo entrou no clássico sabendo que não poderia tratar o empate como um resultado neutro, sobretudo com o Palmeiras vencendo seu compromisso. A equipe precisava reagir antes que a pressão da tabela se transformasse em nervosismo dentro de campo. As vaias dirigidas a Pedro mostraram como a impaciência do torcedor se misturava à preocupação com a liderança.

Foi nesse cenário que o gol de Carrascal mudou o ambiente. A jogada de Paquetá pela esquerda e a finalização de primeira do colombiano romperam não apenas a resistência defensiva do Fluminense, mas também a tensão acumulada durante quase uma hora de jogo. A comemoração teve o peso de um gol que recolocava o Flamengo em posição de defender a liderança, ainda que o resultado paralelo exigisse atenção até o encerramento das partidas.

O gol não encerrou imediatamente o sofrimento rubro-negro. Com apenas um de vantagem, o Flamengo continuava exposto a um empate, e o Fluminense tinha motivos para aumentar a pressão. A torcida passou da ansiedade por um gol à apreensão com a possibilidade de perdê-lo nos minutos finais. A cada ataque tricolor, o resultado seguia aberto.

A vitória, portanto, precisa ser lida também dentro desse contexto emocional. O Flamengo não jogava apenas contra a defesa de Marcão: disputava uma rodada em que o resultado do Palmeiras tornava os três pontos ainda mais valiosos. Carrascal deu a resposta em campo, mas a partida continuou exigindo concentração e resistência até o apito final.

Carrascal aproveita o espaço e transforma a melhor combinação em gol Assista ao gol do Carrascal:
O Flamengo voltou para o segundo tempo com a necessidade de aumentar a eficiência. Samuel Lino voltou a desperdiçar uma oportunidade no início da etapa, e a equipe continuava sem encontrar a precisão necessária para transformar sua presença ofensiva em vantagem.

Jardim mexeu na equipe por volta dos 18 minutos, promovendo as entradas de Joaquín Freitas e Bruno Henrique nos lugares de Saúl e Pedro. A dupla alteração renovou o meio-campo e acrescentou mobilidade ao ataque. Bruno Henrique oferecia uma alternativa para atacar a profundidade e pressionar a defesa, enquanto Freitas ajudava a renovar a energia do setor central.

A entrada dos dois teve impacto positivo na dinâmica rubro-negra. Freitas mostrou disposição para participar das disputas no meio-campo, oferecer intensidade e ajudar o time a sustentar o ritmo da partida. Sua presença deu novo fôlego a um setor que precisava continuar competindo sem perder capacidade de pressionar e recuperar a bola. Em um jogo no qual o Flamengo precisava insistir até encontrar uma brecha, a energia do jovem foi uma contribuição importante.

Bruno Henrique, por sua vez, trouxe características diferentes das de Pedro. Em vez de depender tanto do jogo de apoio e da disputa física de costas para o gol, o atacante passou a oferecer mais movimentação em profundidade e a possibilidade de atacar os espaços atrás dos defensores. Sua presença também aumentou a ameaça sobre a última linha tricolor, que precisava se preocupar com corridas e mudanças rápidas de direção.

As duas substituições não devem ser tratadas como explicação isolada para o gol, mas ajudaram a mudar o ambiente ofensivo do Flamengo. O time ganhou energia e novas possibilidades de movimentação justamente quando precisava superar a resistência do Fluminense. A boa entrada de Freitas e Bruno Henrique foi um aspecto positivo da atuação de Jardim, tanto pela renovação física quanto pela alteração das características disponíveis no ataque.

Pouco depois, veio o gol. Aos 19 minutos do segundo tempo, Lucas Paquetá avançou pela esquerda e cruzou na medida. Carrascal apareceu nas costas de Guilherme Arana e finalizou de primeira, sem dar a Fábio tempo suficiente para evitar a bola na rede.

A jogada foi decisiva porque combinou precisão técnica e movimentação sem bola. Paquetá encontrou o momento certo para servir o companheiro, enquanto Carrascal atacou o espaço que se abriu atrás da linha defensiva. Em vez de depender exclusivamente de Pedro como referência na área, o Flamengo encontrou o gol com a chegada de um jogador vindo de outra zona do ataque.

A participação de Carrascal não se limitou à finalização. O colombiano havia sido ativo na construção ofensiva e participado de uma das primeiras boas chegadas do Flamengo. O gol premiou sua movimentação e a capacidade de decidir em um jogo no qual a equipe vinha acumulando erros na conclusão.

O lance, entretanto, não deve ser tratado como prova de que todas as mudanças de Jardim funcionaram perfeitamente. A vitória foi construída por uma jogada bem executada, mas o Flamengo ainda precisava proteger a vantagem e lidar com a reação do adversário.

Rossi sustenta o resultado enquanto o Fluminense procura o empate


Depois de sofrer o gol, Marcão aumentou as opções ofensivas. Ganso e Kevin Serna entraram antes de Carrascal marcar, enquanto Hulk e Savarino foram acionados na etapa final para modificar as características do ataque. Wesley Natã também entrou no lugar de Martinelli, em uma tentativa de renovar o fôlego da equipe.

Ganso oferecia capacidade de organização e passe; Serna acrescentava movimentação; Hulk trazia presença física e força para atacar a área; Savarino ampliava as alternativas técnicas. As mudanças demonstraram que o Fluminense procurava uma resposta, mas a maior quantidade de recursos ofensivos não garantiu a qualidade necessária na conclusão.

O Flamengo também mudou sua prioridade. Com a vantagem no placar, Jardim colocou Plata e De la Cruz nos lugares de Paquetá e Samuel Lino, renovando o setor ofensivo. Mais perto do fim, Danilo substituiu Carrascal, em uma alteração que reforçou a preocupação em proteger o resultado.

A equipe rubro-negra conseguiu manter a vitória, mas Rossi teve papel decisivo. O goleiro fez defesas importantes, inclusive na reta final, quando o Fluminense encontrou espaços para finalizar. Sua atuação foi especialmente importante porque a vantagem era mínima: um único erro defensivo ou uma conclusão precisa do rival poderia mudar o resultado.

A atuação de Rossi merece destaque também pelo contraste com as falhas que vinha cometendo em partidas recentes. O goleiro vinha sendo questionado por erros que aumentaram a desconfiança sobre sua segurança em momentos decisivos. No Fla-Flu, porém, respondeu dentro de campo com intervenções importantes, boa capacidade de reação e presença nos lances em que o Fluminense ameaçou transformar a pressão em empate.

A diferença entre as últimas falhas e a atuação deste domingo não apaga os erros anteriores, mas mostra por que a avaliação de um goleiro precisa considerar o conjunto do desempenho e a capacidade de resposta. Rossi não esteve em campo apenas para defender bolas rotineiras: precisou aparecer em momentos de pressão, quando o resultado estava por um fio e o adversário procurava qualquer oportunidade para empatar.

Em partidas decididas por um gol, a importância de um goleiro pode ser tão determinante quanto a de quem balança a rede. Carrascal definiu o placar, mas Rossi ajudou a garantir que a vantagem sobrevivesse. A atuação foi uma resposta importante às críticas recentes e um dos principais motivos pelos quais o Flamengo saiu do Maracanã com os três pontos.

A defesa de Rossi não apaga as falhas de posicionamento ou os espaços concedidos pelo Flamengo, mas impede uma leitura simplista de que o time controlou o fim da partida sem dificuldades. O goleiro precisou intervir para que a estratégia de preservar a vantagem funcionasse.

O Fluminense, por sua vez, teve oportunidades para empatar, mas não conseguiu converter a pressão em gol. A diferença entre as equipes esteve na eficiência em momentos decisivos: Carrascal acertou a finalização que recebeu, enquanto as tentativas tricolores pararam em Rossi ou não encontraram o alvo.


Pedro, Paquetá e Varela: atuações com contrastes


Além de Carrascal e Rossi, o desempenho individual dos jogadores ajuda a explicar o resultado. Paquetá teve uma atuação irregular na construção, mas produziu a assistência decisiva. O passe para o gol mostrou a qualidade técnica que Jardim procura aproveitar, embora os erros anteriores indiquem que a equipe ainda precisa encontrar maior consistência no meio-campo sem Arrascaeta e Jorginho.

Pedro viveu uma tarde difícil. O centroavante desperdiçou uma oportunidade e foi vaiado por parte da torcida antes de ser substituído. Jardim saiu em defesa do jogador na coletiva, lembrando que o atacante também participa da construção ofensiva e que sua avaliação não pode depender exclusivamente de marcar gols. A reação do treinador foi uma tentativa de preservar o camisa 9 em meio à cobrança pública.

O problema, naquele jogo, foi mais amplo do que a falta de pontaria. Pedro teve dificuldades para dominar bolas em condições de pressão, proteger a posse e fazer o pivô para os companheiros que se aproximavam. Quando recebia de costas para a defesa, o centroavante precisava sustentar a disputa com os zagueiros e encontrar um passe que permitisse ao Flamengo continuar atacando. Nem sempre conseguiu executar esse movimento com precisão, e algumas posses terminaram antes que o time pudesse completar a combinação ofensiva.

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Foto: Gilvan de Souza/CRF
A dificuldade para dominar a bola também prejudicou a sequência de algumas jogadas. Em vez de amortecer o passe e preparar a chegada de um companheiro, Pedro nem sempre conseguiu controlar a bola na primeira ação. Em um confronto no qual o Flamengo já encontrava dificuldades para acelerar a criação, esses erros reduziram o tempo de posse no campo ofensivo e facilitaram a recomposição tricolor.

As oportunidades desperdiçadas tiveram um custo adicional porque o Flamengo não conseguia abrir o placar. Com o Palmeiras vencendo o Corinthians, a ansiedade nas arquibancadas aumentava, e cada erro de conclusão era recebido com maior impaciência. As vaias na substituição de Pedro refletiram a frustração com o desempenho do atacante e com o risco que o empate representava para a liderança.

A avaliação individual, entretanto, precisa manter proporção. Uma atuação ruim deve ser descrita como tal, sem transformar a crítica técnica em julgamento definitivo sobre o jogador. Pedro não conseguiu oferecer a presença e a precisão que o Flamengo precisava naquele clássico, mas Jardim decidiu substituí-lo para modificar a dinâmica ofensiva, não apenas para responder às vaias.

Varela também teve uma atuação abaixo do habitual, com erros em cruzamentos, segundo a avaliação do ge. O lateral voltou à equipe após a Data Fifa, mas não conseguiu oferecer a mesma precisão em todas as ações ofensivas. Em um jogo no qual os cruzamentos e as chegadas pelos lados eram importantes, esse tipo de falha reduziu a qualidade de algumas posses.

Do lado tricolor, as dificuldades de conclusão pesaram. Castillo teve participação em lances importantes, mas também esteve envolvido no episódio mais controverso da arbitragem. O Fluminense criou oportunidades suficientes para tornar a partida mais equilibrada no placar, porém não conseguiu superar Rossi.

O resultado mantém a liderança, mas não encerra as dúvidas


A vitória sobre o Fluminense foi importante para o Flamengo por dois motivos. O primeiro é direto: o time chegou a 64 pontos e permaneceu na liderança do Campeonato Brasileiro, com um ponto de vantagem sobre o Palmeiras. O segundo está no aspecto emocional: depois do empate por 2 a 2 com o Santos, o Rubro-Negro precisava responder em um clássico que exigia competitividade e resultado.

Ainda assim, o triunfo não esconde as questões que Jardim terá de administrar. O Flamengo criou chances, mas desperdiçou oportunidades claras e permitiu que o adversário encontrasse espaços. Sem Arrascaeta e Jorginho, o meio-campo precisou distribuir responsabilidades de maneira diferente, e Paquetá oscilou entre erros de execução e a qualidade que decidiu o jogo.

A atuação de Rossi foi tão importante quanto a finalização de Carrascal para garantir os três pontos. O goleiro impediu o empate, enquanto o colombiano aproveitou a oportunidade mais decisiva do Flamengo. Essa combinação explica o placar melhor do que a ideia de domínio absoluto rubro-negro.

A arbitragem, por sua vez, deixou uma discussão que ultrapassou o resultado esportivo. A entrada de Pulgar em Castillo foi o episódio mais contestado, com uma avaliação pública de que o volante deveria ter sido expulso e uma defesa enfática de Jardim em sentido contrário. A cotovelada de Guilherme Arana em Carrascal também levantou questionamentos sobre a possibilidade de cartão vermelho. As reclamações sobre possíveis pênaltis alimentaram a insatisfação do Fluminense.

O clássico também foi definido pelo contexto da disputa pelo título. Enquanto o Palmeiras vencia o Corinthians em São Paulo, o Flamengo demorava a marcar e via a liderança ameaçada. A tensão cresceu com as chances desperdiçadas e só diminuiu quando Carrascal encontrou o caminho da rede. Mesmo depois do gol, o Rubro-Negro precisou resistir à pressão tricolor até o fim.

O Flamengo saiu com os três pontos, mas o Fla-Flu deixou questões esportivas e disciplinares que não se resolvem apenas pela leitura do placar. Jardim terá de trabalhar a eficiência ofensiva, a consistência do meio-campo e a proteção defensiva; os jogadores precisarão transformar volume em gols com maior regularidade. A atuação de Rossi foi uma resposta importante às críticas recentes, enquanto Pedro terminou o clássico com motivos para buscar uma recuperação técnica.

No Maracanã, Carrascal decidiu, Rossi segurou a vantagem e a arbitragem passou a ocupar parte central da discussão. O Flamengo saiu com os três pontos, mas o Fla-Flu deixou questões esportivas e disciplinares que não se resolvem apenas pela leitura do placar.
Imagem secundária para Flamengo vence o Fla-Flu, mas arbitragem e chances perdidas deixam marcas no clássicoImagem: Gilvan de Souza/CRF
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