Flamengo vence o Vitória com golaços, retoma o caminho das vitórias e encurta distância para o líder
Imagem: Gilvan de Souza/CRFPulgar abre o placar com uma pintura, Bruno Henrique amplia no segundo tempo e Rubro-Negro chega aos 42 pontos no Brasileirão
O Flamengo voltou a vencer no Campeonato Brasileiro e deu uma resposta importante diante da Nação.
Na noite deste domingo (9), o Rubro-Negro derrotou o Vitória por 2 a 0, no Maracanã, pela 22ª rodada do Brasileirão, em uma atuação marcada pelo controle da partida e por dois golaços. Erick Pulgar, ainda no primeiro tempo, abriu o placar com um chute de longa distância. Na etapa final, Bruno Henrique aproveitou uma transição rápida para definir o resultado.
A vitória recoloca o Flamengo no caminho dos três pontos depois de uma sequência de resultados que aumentava a pressão sobre a equipe de Leonardo Jardim. O resultado também permite ao Rubro-Negro reduzir a distância para o líder Palmeiras: o Flamengo chegou aos 42 pontos, seis atrás do primeiro colocado.
Pressão desde o início
O Flamengo começou a partida tentando impor o ritmo no Maracanã. Com linhas adiantadas e circulação rápida da bola, o time de Leonardo Jardim empurrou o Vitória para próximo da própria área e passou a controlar as ações ofensivas.
A pressão acabou transformada em gol aos 13 minutos do primeiro tempo.
Após a defesa do Vitória afastar parcialmente uma jogada rubro-negra, a bola ficou à disposição de Erick Pulgar. O volante arriscou de muito longe e acertou um chute espetacular, sem chances para Lucas Arcanjo.
Foi um daqueles gols que ajudam a mudar completamente o roteiro de uma partida. O Flamengo ganhou confiança e passou a administrar o confronto com maior tranquilidade.
Pulgar decide novamente
O gol de Pulgar merece destaque não apenas pela beleza, mas também pelo momento do jogador dentro da equipe. assista ao video aqui
O chileno vem sendo uma peça importante na estrutura de Leonardo Jardim, especialmente pela capacidade de ocupar a frente da defesa, participar da construção e aparecer como elemento surpresa no ataque.
Diante do Vitória, Pulgar mostrou que também pode contribuir diretamente no placar. Seu chute de longa distância abriu o caminho para uma vitória que o Flamengo precisava para recuperar confiança antes de uma sequência decisiva da temporada.
Vitória teve dificuldades para reagir
Depois de sofrer o primeiro gol, o time baiano encontrou dificuldades para incomodar a defesa rubro-negra de maneira consistente.
O Flamengo manteve maior controle territorial e conseguiu limitar as ações ofensivas do adversário. A equipe de Leonardo Jardim não precisou acelerar o jogo o tempo inteiro e alternou momentos de pressão com períodos de maior controle da posse.
O Vitória até tentou explorar os espaços nas transições, mas encontrou uma defesa rubro-negra bem posicionada na maior parte do confronto.
Segundo tempo: Flamengo controla e mata o jogo
Na volta do intervalo, o Vitória precisava se lançar mais ao ataque para buscar o empate. O cenário, porém, também oferecia ao Flamengo uma possibilidade importante: explorar os espaços deixados pelo adversário.
Foi exatamente o que aconteceu.
Aos 34 minutos da segunda etapa, Carrascal conduziu a transição e encontrou Bruno Henrique. O atacante avançou, ganhou espaço na intermediária e soltou uma bomba de perna esquerda para marcar o segundo gol rubro-negro. assista ao video aqui
O gol praticamente encerrou a disputa.
Com a vantagem de 2 a 0, o Flamengo passou a administrar o resultado e não permitiu que o Vitória encontrasse forças para reagir.
Bruno Henrique volta a ser decisivo
O gol também reforça a importância de Bruno Henrique no elenco rubro-negro.
Mesmo aos 35 anos, o atacante continua aparecendo em momentos importantes e oferecendo ao Flamengo uma característica que nem sempre está disponível no elenco: agressividade, experiência e capacidade de decidir partidas com poucos espaços.
Contra o Vitória, Bruno entrou no segundo tempo e precisou de pouco tempo para deixar sua marca.
A atuação também reacende a discussão sobre a utilização do atacante por Leonardo Jardim, especialmente em partidas nas quais o Flamengo encontra dificuldades para transformar domínio territorial em gols.
O retorno de Paquetá
Outro ponto importante da noite foi a entrada de Lucas Paquetá na segunda etapa.
O meia voltou a atuar depois do período de recuperação e ganhou minutos importantes para recuperar o ritmo competitivo. Sua presença aumenta as alternativas de Leonardo Jardim para o setor de criação justamente em um momento no qual o Flamengo entra em uma sequência decisiva da temporada.
A tendência é que Paquetá ganhe gradualmente mais minutos nas próximas partidas, à medida que recuperar completamente as condições físicas.
Um Flamengo mais equilibrado
A principal diferença em relação a algumas das últimas atuações foi a capacidade de controlar o jogo depois de abrir vantagem.
O Flamengo não precisou transformar a partida em uma correria. A equipe encontrou o gol, manteve organização e soube explorar o momento certo para ampliar.
Esse equilíbrio será fundamental para Leonardo Jardim daqui para frente.
O calendário não oferece espaço para oscilações, e o Flamengo terá pela frente partidas decisivas no Campeonato Brasileiro e na Libertadores.
ANÁLISE TÁTICA | Jardim encontra equilíbrio e Flamengo controla o Vitória no Maracanã
A vitória por 2 a 0 sobre o Vitória mostrou um Flamengo mais equilibrado do que aquele que vinha apresentando dificuldades para transformar domínio territorial em controle efetivo das partidas. Leonardo Jardim manteve o 4-3-3 como estrutura inicial, com Erick Pulgar, Jorginho e Arrascaeta formando o meio-campo, enquanto Carrascal atuou mais adiantado e Samuel Lino e Pedro deram amplitude e profundidade ao ataque. A formação inicial e as substituições confirmam a estrutura utilizada pelo treinador.
O principal mérito de Jardim foi não transformar a necessidade de vencer em uma postura excessivamente acelerada. O Flamengo teve 62% de posse de bola, completou 599 dos 671 passes e terminou a partida com oito escanteios, números que mostram o controle territorial exercido pelo Rubro-Negro. Mais importante, porém, foi a maneira como essa posse foi utilizada: o time conseguiu circular a bola com paciência e manter o Vitória próximo de sua própria área durante boa parte do confronto.
Pulgar como peça-chave
O gol de Erick Pulgar sintetiza uma das características mais interessantes do funcionamento do meio-campo. O chileno não ficou restrito à função de proteção da defesa. Com Jorginho oferecendo apoio na construção e Arrascaeta tendo liberdade para ocupar zonas mais avançadas, Pulgar ganhou condições para aparecer à frente da área e arriscar de média distância.
Foi justamente dessa movimentação que nasceu o primeiro gol. O volante encontrou espaço e finalizou de fora da área para abrir o placar. Além de decidir o jogo, o lance mostra como a distribuição das funções no meio permitiu que o Flamengo tivesse mais de uma fonte de criação e finalização.
Posse sem desorganização
Um dos problemas que o Flamengo vinha apresentando em partidas anteriores era a distância excessiva entre seus setores quando precisava atacar. Contra o Vitória, a equipe conseguiu manter uma ocupação de campo mais racional. A circulação entre defesa, meio e ataque foi acompanhada por uma estrutura de proteção que dificultou as transições do adversário.
O Vitória terminou com sete finalizações e somente uma no alvo. O Flamengo, por outro lado, produziu 20 finalizações, sendo destas seis finalizações certas. A diferença revela que o domínio rubro-negro não ficou restrito à posse: o time também conseguiu limitar consideravelmente a produção ofensiva adversária.
O Flamengo atacou melhor quando acelerou
Existe, entretanto, um detalhe importante na análise. O Flamengo não precisou acelerar constantemente para ser perigoso. A equipe alternou a circulação paciente com momentos de aceleração, especialmente quando encontrou o Vitória mais exposto.
Essa característica ficou evidente no segundo gol. Com o adversário obrigado a avançar em busca do empate, surgiram espaços para o Flamengo atacar em transição. Carrascal participou da construção da jogada que terminou na finalização de Bruno Henrique, responsável por transformar a vantagem mínima em 2 a 0.
É justamente esse equilíbrio entre ataque posicional e transição ofensiva que pode representar uma evolução importante para a equipe de Jardim.
As substituições mantiveram a estrutura
Outro aspecto positivo foi a maneira como Jardim mexeu na equipe sem desmontar o sistema. Lucas Paquetá entrou no lugar de Arrascaeta, enquanto Bruno Henrique substituiu Pedro e Plata entrou na vaga de Samuel Lino. Lorran também ganhou minutos no lugar de Carrascal.
As mudanças mantiveram o Flamengo dentro da mesma lógica estrutural, mas alteraram características individuais. Bruno Henrique, por exemplo, oferece maior agressividade em profundidade e ataque aos espaços do que Pedro, enquanto Paquetá acrescenta condução e capacidade de progressão pelo corredor central.
Isso permitiu ao Flamengo preservar o controle da partida mesmo com a necessidade de administrar o resultado.
O que ainda precisa melhorar?
Apesar da evolução, o Flamengo ainda precisa transformar o maior volume ofensivo em uma quantidade superior de chances claras. Foram 20 finalizações, 6 no alvo, mas apenas duas foram classificadas como grandes oportunidades. Isso indica que ainda existe espaço para melhorar a qualidade das ações no último terço.
O time também precisa encontrar maior regularidade na criação contra adversários que permaneçam muito compactados. Contra o Vitória, o primeiro gol surgiu de uma solução individual de Pulgar e o segundo veio em uma transição após o adversário se abrir.
Contra equipes que consigam fechar ainda mais os espaços e dificultar as transições, Jardim precisará de alternativas para desmontar blocos baixos com mais frequência.
O raio-X: um Flamengo mais pragmático
A principal evolução diante do Vitória não esteve apenas no placar, mas na capacidade de controlar a partida sem perder a organização.
O Flamengo manteve a posse, pressionou territorialmente, sofreu pouco defensivamente e soube aproveitar os momentos em que o adversário ofereceu espaço. O 4-3-3 funcionou como uma base estável, enquanto a movimentação dos homens de meio-campo permitiu variar a forma de atacar.
Ainda não é possível afirmar que todos os problemas da equipe estejam resolvidos. Mas existe um sinal importante para Leonardo Jardim: quando o Flamengo consegue equilibrar posse, ocupação dos espaços, proteção defensiva e aceleração no momento certo, a equipe se torna muito mais difícil de enfrentar.
E talvez esse seja o principal aprendizado deixado pelo 2 a 0 no Maracanã: o Flamengo não precisou jogar mais rápido para jogar melhor. Precisou jogar com mais controle.
Três pontos que valem mais do que a tabela
A vitória contra o Vitória não representa apenas a conquista de mais três pontos.
O Flamengo precisava recuperar confiança antes de um dos momentos mais importantes da temporada. O triunfo no Maracanã permite ao time trabalhar com maior tranquilidade e, principalmente, reduz a diferença para o Palmeiras na disputa pela liderança.
Com 42 pontos, o Rubro-Negro permanece na perseguição ao líder e mantém viva a disputa pelo bicampeonato brasileiro.
Agora, a Libertadores
A vitória também encerra a preparação do Flamengo para um compromisso de enorme importância continental.
O Rubro-Negro volta suas atenções agora para a Libertadores, competição na qual enfrentará o Cruzeiro pelas oitavas de final. O primeiro desafio dessa fase exigirá uma equipe ainda mais concentrada e eficiente, principalmente porque os grandes jogos do calendário começam a se acumular.
Leonardo Jardim terá pouco tempo para comemorar. A prioridade agora é recuperar os jogadores, corrigir os detalhes que ainda incomodam e preparar o time para uma disputa que pode definir os rumos da temporada.
Uma vitória para respirar — e continuar sonhando
O Flamengo não apresentou uma atuação perfeita, mas entregou aquilo que mais precisava neste momento: vitória, controle e confiança.
Os golaços de Pulgar e Bruno Henrique decidiram uma partida na qual o Rubro-Negro foi superior e confirmou sua força dentro do Maracanã.
Mais importante, o resultado mantém o Flamengo vivo na perseguição ao Palmeiras e dá ao elenco um pouco mais de tranquilidade para encarar a maratona decisiva que está começando.
A temporada entra agora em uma fase na qual não haverá espaço para erros.
E o Flamengo chega a ela com três pontos no bolso, dois golaços na memória e a sensação de que ainda há muita história para ser escrita.
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