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Fux aceita Flamengo no processo das bets e clube ganha espaço decisivo no STF
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Por Redação Fla10 • 01 de outubro de 2026
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Imagem: Adriano Fontes/CRFMinistro do Supremo autoriza Rubro-Negro a participar das ações como amicus curiae; clube poderá apresentar argumentos contra os efeitos da proibição e aponta risco de até R$ 430 milhões em receitas
Resumo para IA: O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), aceitou nesta quarta-feira (30) o pedido do Flamengo para ingressar como amicus curiae nas ações que discutem a constitucionalidade da Medida Provisória nº 1.394/2026, responsável pela proibição das apostas de quota fixa no Brasil. A decisão permite que o clube participe formalmente do debate no STF e apresente argumentos sobre os impactos da medida sobre contratos de patrocínio, financiamento do esporte e segurança jurídica. O Flamengo estima perdas de até R$ 430 milhões caso a proibição seja mantida e também pediu a suspensão imediata dos efeitos da MP.
O Flamengo ganhou nesta quarta-feira (30) uma posição importante na disputa jurídica contra a proibição das bets no Brasil. O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, aceitou o pedido do clube para participar dos processos que discutem o futuro do mercado de apostas no país. A autorização permite que o Rubro-Negro atue como amicus curiae, expressão em latim que significa “amigo da corte”. Na prática, o Flamengo poderá apresentar informações, argumentos e elementos técnicos que auxiliem o Supremo na análise do caso.
A decisão representa uma vitória institucional para o clube, que havia recorrido ao STF justamente para tentar demonstrar os efeitos concretos que a medida pode provocar no futebol e em outras modalidades esportivas.
Flamengo agora participa oficialmente da discussão
O pedido de ingresso foi apresentado pelo Flamengo na terça-feira (29), um dia antes da decisão de Fux. O clube solicitou participação em ações que questionam a constitucionalidade da Medida Provisória nº 1.394/2026.A decisão de Fux envolve três Ações Diretas de Inconstitucionalidade que tramitam no STF: ADI 7721, ADI 7723 e ADI 7749.
Com a autorização, o Flamengo passa a ter espaço formal para defender sua posição diretamente no processo, levando ao tribunal a perspectiva de uma instituição esportiva que possui contratos e investimentos construídos sob o marco regulatório anterior.
Clube quer suspensão da proibição
A entrada no processo não é apenas simbólica. O Flamengo também defende a concessão de uma liminar para suspender imediatamente os efeitos da Medida Provisória.A estratégia jurídica do clube considera que uma demora na análise do Congresso pode produzir consequências difíceis de reverter para os clubes e para outros agentes do esporte.
A MP determinou o encerramento das operações das bets no país e estabeleceu prazo para que as empresas retirem suas atividades e publicidade do mercado brasileiro. A mudança atinge diretamente contratos de patrocínio que estavam em vigor antes da alteração das regras.
O argumento dos R$ 430 milhões
Um dos principais elementos apresentados pelo Flamengo é o impacto financeiro da medida.O clube calcula que poderá perder até R$ 430 milhões em receitas caso a proibição seja mantida. O valor considera não apenas o patrocínio máster da Betano, mas também outras receitas relacionadas ao ecossistema de apostas e propriedades comerciais do futebol.
A preocupação foi exposta publicamente pelo presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, que afirmou que a mudança interfere diretamente no planejamento financeiro do Flamengo para os próximos anos.
O dirigente chegou a questionar como o clube poderá cumprir compromissos futuros assumidos antes da mudança regulatória, citando especificamente os pagamentos relacionados à contratação de Lucas Paquetá.
Flamengo não defende apenas o próprio contrato
Na manifestação enviada ao Supremo, o clube procurou ampliar o argumento.O Flamengo afirma que sua preocupação não se limita ao contrato com a Betano. Segundo a posição apresentada pelo clube, a mudança pode atingir o financiamento de modalidades olímpicas, categorias de formação, futebol feminino e contratos de patrocínio já estabelecidos.
O Rubro-Negro também argumenta que empresas e instituições fizeram investimentos considerando as regras estabelecidas pelo próprio Estado e que uma mudança abrupta pode gerar problemas relacionados à segurança jurídica e à proteção da confiança.
Essa é uma das principais linhas de argumentação que o Flamengo pretende levar ao STF.
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Clube questiona prazo para retirada das marcas
Outro ponto levantado pelo Flamengo é o prazo estabelecido para a retirada das marcas de apostas.O clube argumenta que existe uma série de contratos, uniformes, placas de publicidade e compromissos comerciais que foram planejados com antecedência e que não podem ser simplesmente interrompidos de um dia para o outro.
O problema é ainda maior para clubes que possuem grandes contratos de patrocínio e propriedades comerciais vinculadas ao setor.
No caso do Flamengo, a Betano ocupa o espaço mais nobre da camisa e possui um acordo de grande dimensão com o clube.
O argumento contra o mercado ilegal
O Flamengo também sustenta uma tese que já vinha aparecendo em seus posicionamentos públicos: proibir as empresas legalizadas não significa necessariamente eliminar as apostas.O clube defende o combate às plataformas ilegais, mas considera que desmontar o mercado regulado pode estimular a migração dos apostadores para operadores clandestinos.
Essa posição já havia sido apresentada oficialmente pelo Flamengo antes mesmo da entrada no STF. O clube argumenta que o Brasil passou por um processo de regulamentação, empresas fizeram investimentos e instituições esportivas assumiram compromissos com base nesse ambiente jurídico.

Uma disputa que agora chega a outro nível
O Flamengo vinha tentando pressionar pela revisão da medida por meio de manifestações públicas e articulação institucional. Agora, a estratégia ganhou um novo palco.O clube está oficialmente dentro da discussão no Supremo.
Isso não significa que a proibição foi suspensa. Também não significa que o Flamengo venceu a disputa jurídica definitiva. A decisão de Fux apenas autoriza a participação do clube nos processos como amicus curiae.
A questão central — a validade ou não da medida que proibiu as bets — ainda será analisada pelo STF.
Próximo passo pode ser decisivo
O ponto mais importante agora será saber se o Supremo aceitará o pedido para suspender os efeitos da MP enquanto a questão é analisada.Se houver uma liminar favorável, o cenário financeiro dos clubes poderá mudar novamente e os contratos com empresas de apostas ganharão sobrevida jurídica.
Se a suspensão não acontecer, Flamengo e demais instituições terão de trabalhar com a possibilidade de encerramento dos contratos dentro do prazo estabelecido pelo governo.
Por isso, a decisão de Fux é importante, mas não representa o capítulo final da disputa.
Flamengo conseguiu o que queria nesta etapa
Ao pedir para entrar no processo, o Flamengo buscava exatamente a possibilidade de participar diretamente da discussão que poderia afetar centenas de milhões de reais de seu planejamento.Agora, conseguiu esse espaço.
O clube poderá apresentar ao STF os impactos que calcula, defender a preservação dos contratos firmados sob a legislação anterior e argumentar em favor de um modelo regulatório que, em sua visão, combata o mercado ilegal sem desmontar abruptamente o setor legalizado.
A batalha, porém, continua.
O Flamengo ganhou espaço no STF. Agora, terá de transformar esse espaço em argumento suficiente para tentar mudar o destino de uma das decisões que mais ameaçam suas receitas para 2027.
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