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Seleção Brasileira

Jornalista do The Times provoca debate mundial ao questionar o futuro do futebol brasileiro: "Onde estão os superastros?"

Por Robson Corrêa13 de julho de 2026
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Jornalista do The Times provoca debate mundial ao questionar o futuro do futebol brasileiro: "Onde estão os superastros?"

Correspondente britânico Stephen Gibbs analisou a eliminação do Brasil para a Noruega e levantou discussões sobre identidade, formação e o lugar do país no futebol moderno

A eliminação da Seleção Brasileira para a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 não encerrou apenas a participação do Brasil no torneio.

Ela abriu também um dos debates mais profundos sobre o futuro do futebol brasileiro desde o traumático 7 a 1 diante da Alemanha, em 2014.

Em artigo publicado pelo tradicional jornal britânico The Times, o jornalista Stephen Gibbs questionou se o Brasil ainda ocupa o lugar de protagonista absoluto do futebol mundial e levantou uma pergunta que durante décadas pareceu impensável para qualquer brasileiro:

Onde estão os novos superastros do futebol brasileiro?

Para o correspondente, o problema vai muito além da eliminação diante dos noruegueses e representa o reflexo de mudanças estruturais que vêm se acumulando há anos no futebol nacional.

De potência absoluta a coadjuvante entre os favoritos

Durante grande parte do século XX, o Brasil chegava às Copas do Mundo carregando uma responsabilidade diferente das demais seleções.

Não era apenas um dos favoritos.

Era o favorito natural.

Pelé, Garrincha, Jairzinho, Zico, Romário, Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho e Kaká construíram uma linha sucessória de talentos que parecia infinita.

Nos últimos anos, entretanto, a percepção internacional mudou.

A Seleção continua sendo respeitada, continua produzindo jogadores em quantidade e continua movimentando o mercado mundial de transferências, mas deixou de ser encarada como a referência técnica absoluta do esporte.

A derrota para a Noruega apenas tornou visível uma discussão que já vinha crescendo silenciosamente nos bastidores do futebol internacional.

O Brasil exporta jogadores, mas exporta identidade junto com eles

Um dos pontos centrais do artigo de Gibbs envolve a transformação do processo de formação dos atletas brasileiros.

O Brasil continua sendo o maior exportador de jogadores do planeta, mas muitos desses atletas deixam o país ainda muito jovens, antes mesmo de consolidarem características tradicionalmente associadas ao futebol brasileiro.

Na prática, os jovens brasileiros chegam cada vez mais cedo aos centros de treinamento europeus e passam a se desenvolver dentro de modelos táticos, físicos e culturais completamente diferentes daqueles que marcaram a história do futebol nacional.

O resultado, segundo parte dos analistas europeus, é um jogador tecnicamente mais disciplinado e taticamente mais preparado, mas muitas vezes menos criativo, menos improvisador e menos associado ao chamado futebol-arte que transformou o Brasil em referência mundial.

A crítica à estrutura do futebol brasileiro

O jornalista britânico também direciona críticas à estrutura administrativa do futebol nacional.

Enquanto países como França, Inglaterra e Alemanha investiram pesadamente em centros de formação, desenvolvimento de treinadores, ciência do esporte e modernização de processos, o Brasil permaneceu durante muito tempo apoiado na crença de que o talento natural continuaria resolvendo seus problemas competitivos.

A chegada de Carlo Ancelotti ao comando da Seleção foi apontada pelo texto como uma tentativa importante de romper esse ciclo, mas insuficiente para resolver problemas que, na visão dos analistas, são estruturais e não apenas técnicos.

O trecho mais polêmico do artigo

A parte que mais repercutiu no Brasil, entretanto, foi a discussão sociocultural apresentada pelo correspondente britânico.

Imagem secundária para Jornalista do The Times provoca debate mundial ao questionar o futuro do futebol brasileiro: "Onde estão os superastros?"
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Stephen Gibbs mencionou o debate surgido nas redes sociais que relacionava mudanças culturais e religiosas ocorridas no país ao desaparecimento do chamado "futebol moleque" que marcou gerações anteriores da Seleção Brasileira.

A discussão rapidamente se espalhou pelas redes sociais brasileiras e dividiu opiniões entre jornalistas, torcedores e analistas.

Enquanto alguns classificaram a abordagem como uma provocação cultural interessante, outros consideraram a relação simplista e injusta diante da complexidade dos problemas enfrentados pelo futebol brasileiro atualmente.

O Brasil realmente deixou de produzir craques?

Talvez essa seja a pergunta mais difícil de responder.

Vinícius Júnior, Rodrygo, Endrick, Estevão, João Pedro e diversos outros talentos brasileiros continuam ocupando espaço nos maiores clubes do planeta.

O problema talvez não esteja necessariamente na ausência de grandes jogadores.

Talvez esteja na ausência de gerações inteiras de craques surgindo simultaneamente, como aconteceu em outros momentos da história brasileira.

Entre 1998 e 2006, por exemplo, o Brasil possuía Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho, Kaká, Roberto Carlos, Cafu, Adriano e diversos outros atletas entre os melhores do mundo ao mesmo tempo.

Hoje, essa concentração de talento parece menor do que em décadas anteriores.

Uma crítica dura, mas que encontra eco dentro do próprio Brasil

Embora parte dos torcedores tenha reagido negativamente ao texto do jornalista britânico, muitas das questões levantadas por ele já vinham sendo discutidas há anos dentro do próprio futebol brasileiro.

A dependência excessiva da venda precoce de jogadores, os problemas estruturais da CBF, a formação de treinadores e a dificuldade de adaptação às transformações do futebol moderno são temas recorrentes entre dirigentes, jornalistas e profissionais da área.

Talvez a diferença tenha sido apenas a origem da crítica.

Ouvir esses questionamentos vindos de fora do país parece ter causado um impacto muito maior do que quando eles surgem internamente.

O futebol brasileiro está em crise ou em transformação?

A resposta provavelmente está em algum ponto entre os dois extremos.

O Brasil continua sendo um dos maiores produtores de talento do planeta e dificilmente deixará de ser uma potência do futebol mundial.

Mas também parece evidente que o país já não ocupa sozinho o topo da cadeia alimentar do esporte como aconteceu durante boa parte do século passado.

França, Inglaterra, Espanha e Alemanha modernizaram seus processos, profissionalizaram suas estruturas e reduziram drasticamente a distância que antes separava o Brasil do restante do mundo.

A provocação feita por Stephen Gibbs talvez incomode justamente porque toca em uma questão sensível para o torcedor brasileiro.

O mundo do futebol mudou.

E talvez a pergunta mais importante não seja se o Brasil deixou de ser o país do futebol.

Talvez seja descobrir o que o país precisa fazer para voltar a liderar esse esporte novamente

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