Justiça do Rio mantém Taça das Bolinhas com o São Paulo e impõe nova derrota ao Flamengo na disputa judicial
Imagem: ReproduçãoTribunal de Justiça do Rio de Janeiro rejeita recurso do Rubro-Negro e reafirma que o troféu pertence ao São Paulo. Decisão volta a colocar em evidência a histórica controvérsia envolvendo o Campeonato Brasileiro de 1987 e o reconhecimento oficial do Sport como campeão.
Uma das maiores disputas jurídicas da história do futebol brasileiro ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (5).
O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) negou o recurso apresentado pelo Flamengo e manteve o entendimento de que a tradicional Taça das Bolinhas pertence ao São Paulo. Na decisão, o desembargador relator entendeu que a questão já foi solucionada em instâncias anteriores e não pode ser reaberta pela Justiça fluminense.
Com isso, o clube paulista volta a ter respaldo judicial para requerer a posse definitiva do troféu, que permanece sob guarda da Caixa Econômica Federal enquanto os procedimentos judiciais são concluídos.
O que é a Taça das Bolinhas?
Criada em 1975 pela então CBD (Confederação Brasileira de Desportos), a Taça das Bolinhas foi oferecida pela Caixa Econômica Federal para premiar o primeiro clube a conquistar o Campeonato Brasileiro três vezes consecutivas ou cinco vezes alternadas a partir daquele ano. O troféu tornou-se um dos símbolos mais tradicionais do futebol nacional e acabou sendo envolvido em uma longa disputa judicial por causa da polêmica em torno do Brasileirão de 1987.
Por que Flamengo e São Paulo disputam o troféu?
A origem da disputa está diretamente ligada ao Campeonato Brasileiro de 1987.
O Flamengo sempre sustentou que o título da Copa União — o chamado Módulo Verde — deveria ser considerado suficiente para reconhecê-lo como campeão brasileiro daquele ano. Já a Justiça brasileira, em decisões transitadas em julgado, reconheceu o Sport como o único campeão da competição organizada pela CBF, entendimento que foi posteriormente adotado também para definir a destinação da Taça das Bolinhas.
Como consequência desse entendimento, a CBF reconheceu o São Paulo como o primeiro clube a atingir o requisito de cinco títulos brasileiros alternados, legitimando sua condição de destinatário do troféu.
O novo entendimento da Justiça
Na decisão divulgada nesta quarta-feira, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro concluiu que não há fundamento para rediscutir uma controvérsia que já foi apreciada pelo Poder Judiciário em outras oportunidades.
O desembargador Fábio Uchoa Pinto de Miranda Montenegro, relator do caso, reafirmou que o reconhecimento do Sport como campeão brasileiro de 1987 continua produzindo efeitos jurídicos e, por consequência, mantém o direito do São Paulo sobre a Taça das Bolinhas.
A decisão também contraria uma expectativa criada pelo Flamengo na semana anterior, quando o clube informou que havia obtido uma reconsideração favorável na Justiça Federal de São Paulo sobre aspectos processuais relacionados ao destino do troféu. O novo julgamento no Rio, porém, restabeleceu o entendimento que favorece o São Paulo.
Uma polêmica que atravessa gerações
Poucos temas permanecem tão presentes na história do futebol brasileiro quanto a discussão sobre o Campeonato Brasileiro de 1987.
Ao longo das últimas décadas, diferentes decisões administrativas e judiciais produziram interpretações distintas em determinados momentos. Em 2011, por exemplo, a CBF chegou a reconhecer dois campeões daquele campeonato, mas posteriormente voltou a cumprir as decisões judiciais que reconhecem o Sport como único vencedor da competição.
Desde então, Flamengo, Sport e São Paulo permaneceram envolvidos, direta ou indiretamente, em discussões sobre o destino da Taça das Bolinhas.
O impacto para o Flamengo
Na prática, a decisão não altera a galeria de títulos do Flamengo nem modifica o reconhecimento esportivo que a torcida rubro-negra atribui à conquista da Copa União de 1987.
O julgamento, entretanto, representa mais uma derrota jurídica para o clube na tentativa de vincular aquela conquista ao direito de receber a Taça das Bolinhas, um tema que há décadas mobiliza dirigentes, juristas e torcedores.
O caso ainda pode ter novos desdobramentos?
Embora o Tribunal de Justiça do Rio tenha reafirmado seu entendimento, a longa história dessa controvérsia mostra que novas medidas processuais ainda podem ser tentadas pelas partes, desde que existam fundamentos jurídicos para isso. No momento, porém, a decisão fortalece a posição do São Paulo para requerer a entrega definitiva do troféu que permanece sob custódia da Caixa Econômica Federal.
Um símbolo que ultrapassou o futebol
Mais de quatro décadas depois da criação da Taça das Bolinhas, o troféu tornou-se muito mais do que um prêmio destinado ao primeiro pentacampeão brasileiro. Ele passou a representar uma das disputas institucionais mais emblemáticas da história do esporte nacional, envolvendo interpretações de regulamentos, decisões judiciais, posicionamentos da CBF e diferentes leituras sobre o campeonato de 1987.
A nova decisão da Justiça não encerra o debate histórico entre torcedores, mas reforça, no campo jurídico, o entendimento atualmente vigente: para a Justiça brasileira, a Taça das Bolinhas continua pertencendo ao São Paulo.
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