Léo Ortiz abre o jogo sobre chegada ao Flamengo, bastidores da Libertadores e transformação como zagueiro
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Imagem: Reprodução - Flamengo TVEm entrevista à Flamengo TV, defensor relembra trajetória, explica por que escolheu o Rubro-Negro, revela bastidores da final da Libertadores e fala sobre a expectativa pelo nascimento da filha
A entrevista mostra um jogador que enxerga a passagem pelo Flamengo não apenas como mais uma etapa profissional, mas como o ponto de consolidação de uma carreira construída desde as categorias de base. Para Ortiz, defender o clube era um passo necessário para provar seu potencial no mais alto nível do futebol sul-americano.
Do futsal à zaga: a origem do “10 da defesa”
A relação de Ortiz com a bola começou antes mesmo do futebol de campo. No futsal, atuava como fixo, posição que ajudou a desenvolver características que posteriormente se tornariam marcas do seu estilo como zagueiro.
Na base do Internacional, porém, ele passou boa parte do tempo como volante. A experiência no meio-campo acabou sendo determinante para a maneira como interpreta o jogo atualmente. O defensor explica que a formação lhe deu confiança para conduzir a bola, jogar sob pressão e encontrar espaços para participar da construção ofensiva.
A mudança definitiva para a zaga aconteceu a partir de oportunidades que surgiram na base. Ortiz percebeu que se sentia confortável jogando de frente para o campo e que sua capacidade de leitura das jogadas poderia ser ainda mais aproveitada como defensor.
É justamente essa origem que ajuda a explicar o apelido de “10 da zaga”. Ortiz inicialmente teve receio de que a alcunha destacasse apenas sua contribuição ofensiva, mas passou a abraçá-la, especialmente depois de receber a aprovação de Zico.
Para o zagueiro, o apelido representa uma característica mais ampla: defender recuperando a bola de maneira limpa e, imediatamente, transformar a recuperação em início de ataque.
Bragantino foi o clube que abriu caminho para o Flamengo
Antes de chegar ao Rio, Ortiz precisou atravessar períodos de incerteza. O empréstimo ao Sport, por exemplo, não saiu como imaginava em termos de minutos em campo, mas teve importância no amadurecimento pessoal do jogador, que deixou a casa dos pais e passou a lidar com uma rotina de maior independência.
A grande virada aconteceu no Red Bull Bragantino. Inicialmente emprestado, Ortiz encontrou um ambiente disposto a apostar em seu desenvolvimento como zagueiro. A indicação de Zago, que já o conhecia do Internacional, também foi importante para que a oportunidade surgisse.
O jogador reconhece que o Bragantino teve papel fundamental na sua evolução, dando tempo e espaço para que ele se consolidasse antes de ser contratado em definitivo.
Quatro meses de negociação até vestir a camisa do Flamengo
A chegada ao Flamengo não aconteceu rapidamente. Ortiz revelou que as conversas se estenderam por aproximadamente quatro meses, em uma negociação que começou a ganhar força depois de uma boa atuação justamente contra o Rubro-Negro, no fim de 2023.
O desejo de jogar no Flamengo estava diretamente ligado à dimensão do clube, à possibilidade de disputar títulos e também ao estilo de futebol. Ortiz enxergava no modelo propositivo rubro-negro um ambiente compatível com suas características de zagueiro construtor.
A espera terminou apenas em março de 2024, quando finalmente se apresentou ao clube.
E a adaptação revelou outra dimensão do desafio. Segundo Ortiz, a pressão no Flamengo não se compara à vivida em outros clubes. A quantidade de torcedores, a exposição e a cobrança fazem com que até resultados considerados modestos ganhem proporções muito maiores.
“Ministro da Defesa” e uma dupla que funcionou
Com a chegada de Filipe Luís, Ortiz passou a atuar de maneira mais fixa na zaga e encontrou em Léo Pereira um parceiro com características complementares.
A dupla funcionou também por questões técnicas. Um é destro, o outro canhoto, e os estilos pessoais são diferentes: Ortiz se define como mais calmo e centrado, enquanto descreve Léo Pereira como mais intenso e enérgico.
A amizade fora de campo ajudou, mas o zagueiro faz uma ressalva importante: boas duplas não dependem necessariamente de uma relação pessoal próxima. Para ele, o fundamental é a capacidade técnica e a complementaridade dentro de campo.
O sacrifício contra o Racing e a decisão de colocar o Flamengo acima de tudo
Um dos momentos mais fortes da entrevista aparece quando Ortiz relembra a campanha da Libertadores de 2025.
Depois de se lesionar contra o Palmeiras, o zagueiro passou os dias seguintes tentando reunir condições para disputar a semifinal contra o Racing. Mesmo com dores e necessidade de tratamento e medicação, conseguiu entrar em campo na partida de volta e ajudou o Flamengo a chegar à decisão.
O esforço, porém, agravou o problema e deixou Ortiz sem condições ideais para a final.
No dia da decisão, o defensor conversou com Filipe Luís e deixou clara sua vontade de jogar, mas também tomou uma decisão que diz muito sobre sua mentalidade: pediu que o treinador escalasse quem estivesse em melhores condições físicas.
Danilo foi o escolhido e acabou marcando o gol do título.
Ortiz conta que foi um dos primeiros a abraçar o companheiro. Para ele, a conquista coletiva estava acima da frustração individual de não disputar a final em campo.

Maracanã, Libertadores e a força da torcida
A entrevista também revelou o tamanho que as noites de Libertadores ganharam na percepção de Ortiz.
O zagueiro descreve a competição continental como uma experiência diferente desde a fase de grupos, com mais tensão, intensidade e atmosfera de decisão. E coloca a torcida do Flamengo como um elemento capaz de mudar o comportamento da equipe.
Para Ortiz, quando o time encontra dificuldades durante um mata-mata, a energia das arquibancadas do Maracanã ajuda os jogadores a recuperar concentração, intensidade e controle emocional.
Altitude não é “frescura”: Ortiz explica o desafio de Quito
Outro assunto relevante foi a altitude, especialmente diante dos desafios que o Flamengo terá contra o Independiente del Valle.
Ortiz rejeita a ideia de que atuar em altitude seja apenas uma questão psicológica. Na visão do zagueiro, o desgaste físico é real e altera elementos do próprio jogo.
Em Quito, ele destaca mudanças na velocidade da bola e a vantagem dos adversários locais, acostumados às condições e ao comportamento da bola em chutes de longa distância. Por isso, defende uma atuação mais inteligente, com melhor administração física e decisões calculadas.
Entre a Seleção e a vontade de continuar crescendo no Flamengo
Apesar de admitir que a Seleção Brasileira faz parte de seus objetivos, Ortiz demonstra uma postura pragmática. Para o defensor, a melhor maneira de aumentar suas chances de convocação é manter alto nível físico, técnico e tático pelo Flamengo.
A convocação, segundo ele, depende de uma escolha do treinador. O que está sob seu controle é continuar jogando bem, evoluindo e mantendo consistência.
A declaração resume uma filosofia que aparece ao longo de toda a entrevista: menos preocupação com aquilo que não pode controlar e mais atenção às oportunidades que surgem no caminho.
Serena e uma nova fase fora de campo
Se dentro das quatro linhas Ortiz fala em títulos e evolução, fora delas o jogador vive uma expectativa ainda maior: o nascimento da filha, Serena.
O zagueiro conta que a paternidade já mudou sua maneira de pensar sobre responsabilidade, educação e valores. Também imagina o momento em que poderá entrar no Maracanã ao lado da filha e mostrar a ela, de perto, a experiência de defender o Flamengo.
É um novo capítulo para um jogador que, na própria entrevista, demonstra ter consciência de que sua carreira é formada não apenas pelos jogos e títulos, mas também pelas decisões tomadas ao longo do caminho.
O conselho que acompanha Léo Ortiz desde o início
No fim da conversa, Ortiz resgata um conselho recebido do pai que ajuda a explicar boa parte de sua trajetória: não deixar oportunidades passarem pelo medo de se arrepender depois.
Foi assim quando precisou escolher entre o futsal e o futebol de campo. Foi assim ao aceitar mudar de posição. Foi assim quando deixou o Internacional para buscar espaço no Sport e, posteriormente, no Bragantino. E foi assim quando decidiu que queria vestir a camisa do Flamengo.
A história de Léo Ortiz, portanto, é menos sobre uma mudança de posição e mais sobre a capacidade de aproveitar cada oportunidade para construir a próxima etapa.
Hoje, o “10 da zaga” vive justamente essa fase. Um zagueiro formado no futsal, lapidado como volante, consolidado como defensor e transformado pelo Flamengo em um dos jogadores que melhor representam a ideia de um futebol em que defender e construir fazem parte da mesma função.
E, como ele próprio deixou claro na entrevista, a história ainda está longe de terminar.
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