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Libertadores - Oitavas de Final - Jogo da volta

19 de agosto, 202621:30
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O ataque voltou, mas a defesa ainda preocupa: o problema que o 5 a 1 escondeu

Por Thiago Silva19 de agosto de 2026
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O ataque voltou, mas a defesa ainda preocupa: o problema que o 5 a 1 escondeuImagem: Gilvan de Souza/CRF

Goleada sobre o Mirassol mostrou a força ofensiva do Flamengo de Leonardo Jardim, mas também deixou sinais de alerta que podem ser decisivos contra adversários mais fortes na Libertadores

O placar de 5 a 1 costuma produzir uma sensação imediata de perfeição.

Cinco gols marcados, três pontos conquistados, uma atuação dominante e um Flamengo que parecia ter encontrado novamente o caminho do bom futebol.

Mas existe uma segunda leitura possível — e necessária.

A goleada sobre o Mirassol confirmou que o ataque rubro-negro recuperou força, confiança e eficiência. Pedro marcou duas vezes, Carrascal voltou a balançar as redes, Samuel Lino participou da construção ofensiva e o time conseguiu transformar superioridade territorial em gols.

Ao mesmo tempo, porém, a partida deixou uma questão que Leonardo Jardim não pode ignorar:

o Flamengo ainda oferece espaços demais quando perde a bola.

Contra o Mirassol, esse problema não foi suficiente para impedir a goleada.

Contra um adversário de maior qualidade técnica, pode ser exatamente o detalhe que decide uma classificação.

O 5 A 1 NÃO FOI UMA ATUAÇÃO DEFENSIVA PERFEITA

O primeiro erro seria analisar o placar e concluir que o Flamengo controlou completamente todos os aspectos da partida.

Não foi exatamente isso que aconteceu.

O Rubro-Negro controlou o jogo principalmente através da posse, da pressão territorial e da capacidade ofensiva.

Mas controle ofensivo não significa necessariamente controle defensivo.

Em determinados momentos, quando perdia a bola com muitos jogadores à frente, o Flamengo demorava a reorganizar sua estrutura.

Os laterais estavam avançados, os meias ocupavam posições ofensivas, os pontas permaneciam próximos da área adversária e, quando a primeira pressão não funcionava, surgia espaço para o adversário acelerar.

Essa é uma característica natural de equipes agressivas.

O problema aparece quando a distância entre a perda da bola e a recuperação da estrutura defensiva fica grande demais.

O PROBLEMA ESTÁ NA TRANSIÇÃO DEFENSIVA

O ponto mais preocupante do Flamengo neste momento não está necessariamente na defesa posicionada.

Está no momento imediatamente posterior à perda da posse.

É a chamada transição defensiva.

Quando o Flamengo perde a bola no campo ofensivo, existem duas possibilidades.

A primeira é recuperar rapidamente.

A segunda é não conseguir pressionar o portador e precisar correr para trás.

É justamente na segunda situação que o time pode sofrer.

Leonardo Jardim quer um Flamengo agressivo, capaz de pressionar alto e manter o adversário encurralado.

Mas esse modelo exige enorme coordenação.

Se um jogador pressiona e os demais não acompanham, abre-se uma linha de passe.

Se a primeira pressão é quebrada, o adversário pode encontrar muito campo para atacar.

PULGAR É FUNDAMENTAL PARA EVITAR ESSE PROBLEMA

É nesse contexto que Erick Pulgar ganha ainda mais importância.

O chileno não é apenas o responsável por proteger a defesa. Ele funciona como uma espécie de seguro tático do Flamengo.

Quando os laterais avançam, precisa ocupar os espaços deixados.

Quando os meias sobem, é preciso controlar a região central.

Quando o time perde a bola, muitas vezes é o primeiro jogador responsável por retardar a transição adversária.

Isso explica por que a presença de Pulgar muda tanto o comportamento coletivo.

Quanto melhor ele estiver posicionado, maior a liberdade para os jogadores ofensivos.

Mas existe um problema. Um único volante não consegue proteger sozinho toda a largura do campo.

Se a equipe perde a bola com seus dois laterais avançados e os meias muito altos, Pulgar pode ficar diante de dois ou três adversários em campo aberto.

É uma situação extremamente perigosa.

OS ESPAÇOS NAS COSTAS DOS LATERAIS

Outro ponto que merece atenção é o posicionamento dos laterais.

O modelo de Jardim utiliza os corredores para ampliar o campo e criar superioridade ofensiva.

É uma arma importante. Mas existe um preço.

Quando o lateral sobe, alguém precisa proteger o espaço deixado atrás. Se a cobertura demora, o adversário pode atacar justamente aquele setor.

Isso é especialmente perigoso contra equipes que possuem pontas rápidos.

Um lançamento simples pode transformar uma perda de bola no campo ofensivo em uma situação de dois contra dois perto da área rubro-negra.

A LINHA DE ZAGA TAMBÉM É TESTADA PELO ESPAÇO

Léo Pereira, Léo Ortiz, Danilo e Vitão possuem características diferentes, mas todos enfrentam o mesmo desafio quando o Flamengo joga com a defesa muito exposta.

Não se trata apenas de defender cruzamentos ou duelos físicos. É necessário defender grandes espaços.

Quanto mais alta a linha defensiva, maior a responsabilidade dos zagueiros para controlar a profundidade.

Se o adversário consegue escapar da pressão inicial, os defensores precisam correr para trás.

E esse é um dos cenários mais difíceis para qualquer sistema defensivo.

A questão não é necessariamente a qualidade individual dos zagueiros.

É a proteção coletiva que existe à frente deles.

O FLAMENGO PRECISA DEFENDER MELHOR COM A BOLA

Existe um conceito moderno no futebol que se encaixa perfeitamente na discussão: defender com a bola.

Quando uma equipe domina a posse e mantém o adversário preso em seu campo, também está se defendendo.

O problema aparece quando a circulação fica lenta ou quando a equipe força uma jogada sem estar preparada para a perda.

O Flamengo precisa entender que atacar melhor também significa preparar melhor a próxima transição defensiva.

Antes de avançar, os jogadores precisam ocupar posições que permitam reagir imediatamente caso a bola seja perdida.

É o chamado equilíbrio ofensivo. E esse equilíbrio ainda pode melhorar.

POR QUE O MIRASSOL NÃO CONSEGUIU EXPLORAR COMPLETAMENTE?

Imagem secundária para O ataque voltou, mas a defesa ainda preocupa: o problema que o 5 a 1 escondeuImagem: Gilvan de Souza/CRF
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O adversário também explica parte da história.

O Mirassol encontrou alguns espaços, mas não teve capacidade técnica e velocidade suficientes para transformar todas as oportunidades de transição em situações realmente perigosas.

Contra uma equipe mais qualificada, a história pode ser diferente.

É exatamente por isso que o resultado de 5 a 1 precisa ser analisado com cuidado.

O Flamengo mostrou que consegue criar muito.

Mas não pode assumir que todos os adversários terão a mesma dificuldade para aproveitar seus momentos de desorganização.

CRUZEIRO É UM TESTE COMPLETAMENTE DIFERENTE

A partida contra o Cruzeiro, pela Libertadores, oferece justamente o cenário que pode revelar se o problema foi corrigido.

O time mineiro possui capacidade para acelerar a transição e atacar os espaços.

Além disso, o contexto de mata-mata muda completamente a dinâmica.

Não existe margem para erros repetidos.

Um passe errado no meio-campo.

Um lateral avançado sem cobertura.

Uma pressão mal executada.

Um volante fora de posição.

Qualquer desses detalhes pode produzir uma oportunidade clara.

E, em uma eliminatória equilibrada, uma oportunidade clara pode significar a classificação.

JARDIM PRECISA ESCOLHER ONDE QUER CORRER RISCOS

Leonardo Jardim não deve abandonar a proposta ofensiva. Seria contraditório.

O Flamengo possui jogadores capazes de dominar partidas e precisa utilizar essa qualidade.

O objetivo não deve ser transformar o time em uma equipe defensiva.

O caminho é outro:

reduzir os riscos sem diminuir a agressividade.

Para isso, Jardim pode trabalhar três aspectos.

Primeiro, melhorar a reação imediata após a perda.

Segundo, aumentar a cobertura dos laterais.

Terceiro, reduzir a distância entre Pulgar e os demais jogadores do meio-campo.

São ajustes aparentemente pequenos, mas que podem transformar completamente a segurança do sistema.

O ATAQUE PODE SER O MELHOR ESCUDO

Existe uma ironia na discussão.

A melhor maneira de proteger a defesa do Flamengo pode ser justamente manter o ataque funcionando.

Se Pedro conseguir segurar a bola, se Carrascal encontrar espaços, se Samuel Lino e Luiz Araújo conseguirem acelerar e se Arrascaeta controlar o ritmo. O adversário passará mais tempo preocupado em defender.

E quanto menos tempo o rival tem com a bola, menor a quantidade de situações defensivas que o Flamengo precisa enfrentar.

Por isso, o objetivo não é diminuir a intensidade ofensiva, mas sim, torná-la mais inteligente e efetiva.

PEDRO, CARRASCAL E SAMUEL LINO MUDARAM O EQUILÍBRIO

O crescimento ofensivo das últimas partidas também pode ajudar Jardim a resolver o problema defensivo.

Pedro oferece uma referência.

Carrascal consegue reter a bola e conduzir.

Samuel Lino pode atacar em profundidade.

Luiz Araújo consegue acelerar pelo lado.

Isso permite que o Flamengo escolha melhor os momentos para atacar.

Nem toda posse precisa terminar em aceleração. Nem toda bola recuperada precisa virar ataque imediato.

Às vezes, a melhor transição ofensiva é simplesmente manter a posse. É assim que o Flamengo pode começar a controlar também o risco.

A GOLEADA FOI UM ALERTA, NÃO APENAS UMA COMEMORAÇÃO

O 5 a 1 sobre o Mirassol deve ser comemorado, porque o Flamengo precisava recuperar confiança e voltar a marcar.

Precisava devolver ao elenco a sensação de que o modelo de Jardim pode funcionar.

Mas a goleada também precisa ser utilizada como material de estudo.

Porque grandes equipes não analisam apenas os gols que marcaram. Analisam também os gols que poderiam ter sofrido.

E é exatamente aí que Leonardo Jardim terá trabalho.

O FLAMENGO ESTÁ MAIS FORTE. MAS AINDA NÃO ESTÁ PRONTO.

O ataque recuperou confiança.

Pedro voltou a marcar.

Carrascal ganhou protagonismo.

Samuel Lino mostrou novamente sua capacidade de desequilibrar.

O meio-campo está encontrando maior equilíbrio.

Mas a defesa ainda depende de uma organização mais precisa para acompanhar a agressividade do restante da equipe.

Esse talvez seja o próximo passo do trabalho de Leonardo Jardim.

Não fazer o Flamengo atacar menos.

Fazer o Flamengo atacar melhor preparado para defender.

Porque contra adversários de menor resistência, os erros podem passar despercebidos.

Na Libertadores, eles costumam custar caro.

E se o Flamengo realmente pretende disputar títulos nesta temporada, precisará transformar a goleada sobre o Mirassol em ponto de partida.

Não em ponto final.

O ataque voltou. Agora, Jardim precisa fazer a defesa acompanhar.

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