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20 de setembro, 202618:30
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Libertadores

O Flamengo perdeu o controle contra o Del Valle, mas sobreviveu no Maracanã

Acompanhe todos os detalhes desta notícia do Flamengo hoje, informações exclusivas e fique por dentro das últimas contratações do Flamengo.

Por Redação Fla1018 de setembro de 2026
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O Flamengo perdeu o controle contra o Del Valle, mas sobreviveu no Maracanã - Notícias do Flamengo hoje e contrataçõesImagem: Gilvan de Souza/CRF

Rubro-Negro teve a bola, mas não conseguiu transformar posse em domínio; expulsão de Jorginho agravou um problema que já aparecia desde o primeiro tempo, e as mudanças de Leonardo Jardim foram fundamentais para evitar o colapso

Em resumo: o empate por 1 a 1 com o Independiente del Valle classificou o Flamengo para a semifinal da Libertadores, mas também expôs problemas importantes no funcionamento da equipe. O Rubro-Negro teve mais posse no primeiro tempo, porém criou pouco, errou muitos passes e sofreu com a organização do adversário. Depois da expulsão de Jorginho, aos 19 minutos da segunda etapa, Jardim precisou abandonar definitivamente qualquer tentativa de controlar a partida através da posse e reorganizar o time para sobreviver. As entradas de Arrascaeta, Plata e Saúl mudaram a estrutura rubro-negra, enquanto o gol de Arrascaeta, após lançamento de Rossi e falha do goleiro Quintana, salvou uma noite que poderia ter terminado em grande drama.


A vantagem mudou o jogo — mas não deveria ter mudado tanto o Flamengo

O Flamengo entrou no Maracanã carregando uma vantagem enorme: 2 a 0 conquistados em Quito.

Essa condição naturalmente modificava a estratégia.

O Rubro-Negro não precisava correr riscos desnecessários. Não precisava acelerar todas as posses. E tampouco precisava transformar o jogo em uma disputa aberta.

Mas havia uma diferença entre controlar o ritmo e simplesmente permitir que o adversário permanecesse confortável.

Foi exatamente nessa fronteira que o Flamengo teve dificuldades.

A equipe terminou o primeiro tempo com cerca de 60% de posse de bola e mais passes certos, mas essa superioridade não se transformou em domínio territorial ou em uma sequência consistente de oportunidades. O Del Valle, mesmo com menos bola, conseguiu ser mais ameaçador em momentos importantes.

O problema, portanto, não estava apenas na quantidade de posse.

Estava no que o Flamengo fazia com ela.

O Flamengo ocupava o campo, mas não encontrava os espaços

A estrutura inicial tinha Rossi no gol, Emerson Royal e Ayrton Lucas pelos lados, Léo Ortiz e Léo Pereira por dentro, Pulgar e Jorginho como sustentação do meio e Paquetá mais adiantado ao lado de Carrascal, Samuel Lino e Bruno Henrique.

A ausência de Arrascaeta entre os titulares modificou uma característica importante do meio-campo.

Paquetá tinha capacidade para receber entre as linhas, mas o Flamengo perdeu parte da capacidade de conectar rapidamente a primeira construção com o último terço.

Carrascal também encontrou dificuldades para receber em condições favoráveis.

O resultado foi um Flamengo que circulava a bola, mas frequentemente precisava reiniciar a jogada.

O Del Valle agradecia.

Quanto mais o Rubro-Negro demorava para acelerar, mais tempo a equipe equatoriana tinha para recompor sua estrutura defensiva.

O Del Valle não precisava pressionar o tempo todo

Um dos pontos mais interessantes da partida foi justamente esse.

O Independiente del Valle não precisou transformar o jogo em uma pressão permanente para incomodar o Flamengo.

A equipe de Joaquín Papa conseguiu permanecer organizada e esperar os momentos certos para acelerar.

O gol de Reasco nasceu justamente de uma situação em que a estrutura defensiva rubro-negra ficou exposta. Depois de uma jogada acelerada, o atacante recebeu em condições de finalizar; Rossi defendeu parcialmente e o próprio Reasco aproveitou o rebote.

A vantagem do Flamengo, que parecia confortável antes do jogo, começava a produzir um efeito psicológico contrário.

O Del Valle passou a acreditar.

O Flamengo passou a hesitar.

E essa diferença de comportamento foi fundamental para entender o restante da partida.

Bruno Henrique teve a chance que poderia ter mudado tudo

Existe um lance que ajuda a explicar como a partida poderia ter seguido por outro caminho.

Ainda no primeiro tempo, Bruno Henrique recebeu uma oportunidade clara diante do goleiro e não conseguiu concluir em gol.

Era justamente o tipo de lance que o Flamengo precisava aproveitar.

Com o Del Valle obrigado a marcar pelo menos dois gols para levar a decisão aos pênaltis, abrir o placar significaria praticamente desmontar a eliminatória.

Em vez disso, o Flamengo desperdiçou a oportunidade.

Pouco depois, sofreu o gol.

A diferença entre os dois momentos foi enorme.

O problema central: posse sem progressão

Esse foi talvez o principal problema coletivo do Flamengo durante a primeira etapa.

O time conseguia ficar com a bola, mas tinha dificuldades para progredir de maneira sustentada.

A circulação lateral aparecia com frequência.

Os jogadores ofensivos tinham dificuldade para receber entre as linhas.

E, quando a bola chegava aos extremos, faltava sequência para transformar a jogada em situação clara de gol.

O Del Valle, por sua vez, conseguia manter suas linhas relativamente próximas.

Isso reduzia os espaços internos e obrigava o Flamengo a tentar encontrar soluções pelos lados.

Mas havia outro problema.

Quando o Flamengo perdia a bola, nem sempre conseguia recuperá-la

rapidamente.

E, sem essa recuperação imediata, o Del Valle ganhava metros.

Foi assim que uma partida que deveria estar sob controle começou a adquirir um caráter de confronto aberto.

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Foto: Gilvan de Souza/CRF

Jardim não mexeu no intervalo

Um detalhe importante do ponto de vista da gestão da partida foi a decisão de Leonardo Jardim de voltar para o segundo tempo sem alterações.

A escolha fazia sentido dentro do contexto.

O Flamengo ainda estava classificado.

O problema era que o empate não parecia estar sob controle.

O Del Valle continuava vivo, e o Flamengo precisava encontrar uma maneira de recuperar qualidade ofensiva sem abrir espaços atrás.

Durante os primeiros minutos da segunda etapa, Jardim começou a preparar mudanças.

Arrascaeta e Gonzalo Plata foram chamados.

Aos 13 minutos, os dois entraram nas vagas de Paquetá e Carrascal.

A ideia era clara.

Trazer mais capacidade de decisão para o último terço e aumentar a possibilidade de o Flamengo encontrar uma jogada individual capaz de aliviar a pressão.

Só que, poucos minutos depois, o jogo mudou completamente.

A expulsão de Jorginho desmontou o plano de controle

Aos 19 minutos do segundo tempo, Jorginho recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulso.

Esse foi o momento em que a partida deixou de ser uma disputa de administração de vantagem e passou a ser uma operação de sobrevivência.

Com dez jogadores, o Flamengo perdeu uma peça importante da circulação e precisou reorganizar sua estrutura.

O time já não poderia simplesmente manter a posse como antes.

O Del Valle passou a jogar ainda mais próximo da área rubro-negra.

E Jardim precisou tomar outra decisão.

Saúl entra, e o Flamengo muda de prioridade

Aos 24 minutos aproximadamente, Saúl entrou no lugar de Bruno Henrique.

A substituição é importante para entender a mudança de comportamento do Flamengo.

Com um jogador a menos, manter dois atacantes avançados seria muito mais arriscado.

Jardim retirou profundidade ofensiva para reforçar o meio-campo.

A prioridade passou a ser fechar espaços e impedir que o Del Valle encontrasse superioridade por dentro.

O Flamengo abandonou definitivamente qualquer tentativa de dominar a partida territorialmente.

A partir daquele momento, o objetivo era sobreviver.

O Del Valle empurrou o Flamengo para trás

Com superioridade numérica, o time equatoriano aumentou a presença no campo ofensivo.

Joaquín Papa também percebeu que precisava aumentar o peso dentro da área.

Reasco deixou o campo e Yandri Vásquez entrou para atuar como referência mais física no ataque.

A mudança tinha uma lógica simples: colocar mais presença na área para aproveitar cruzamentos, rebotes e bolas longas.

E quase funcionou.

O Del Valle chegou a marcar novamente, mas o gol foi anulado por impedimento.

Era o aviso mais claro de que o Flamengo estava chegando ao limite.


O Flamengo perdeu o meio-campo — e precisou defender a área

Com um jogador a menos, não havia mais possibilidade de manter a mesma estrutura de pressão.

O Del Valle passou a encontrar mais espaço para circular a bola.

O Flamengo recuou.

E, nesse cenário, os laterais passaram a ter uma função predominantemente defensiva.

A equipe deixou de pressionar a construção adversária de maneira coordenada e passou a proteger a própria área.

Era uma consequência natural da inferioridade numérica.

Mas também mostrava o quanto a expulsão havia alterado completamente o plano original.

A entrada de Arrascaeta ganhou peso decisivo

Se a entrada do uruguaio inicialmente tinha o objetivo de aumentar a criatividade, depois da expulsão ela ganhou outra dimensão.

Arrascaeta passou a ser uma das poucas peças capazes de transformar uma recuperação de bola em uma jogada ofensiva capaz de tirar o Flamengo do sufoco.

E foi exatamente isso que aconteceu.

O uruguaio não precisou criar uma longa sequência de passes.

Precisou apenas estar no lugar certo no momento certo.

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Foto: Gilvan de Souza/CRF

O gol que nasceu do caos

Aos 38 minutos do segundo tempo, Rossi afastou uma bola com um chutão.

O lançamento parecia apenas uma tentativa de aliviar a pressão.

Mas a bola ganhou trajetória inesperada, quicou e surpreendeu Aldair Quintana.

O goleiro saiu da área de maneira equivocada e não conseguiu controlar a jogada.

Arrascaeta apareceu para aproveitar a falha e cabeceou para o gol vazio.

O 1 a 1 não foi resultado de uma longa construção ofensiva.

Foi fruto de uma situação absolutamente improvável.

Mas, taticamente, o lance representa algo importante: o Flamengo finalmente encontrou uma maneira de transformar uma recuperação defensiva em uma ação capaz de mudar o estado emocional da partida.

O que o jogo revela sobre o Flamengo de Jardim

A classificação é extremamente importante.

Mas o desempenho deixa algumas perguntas para o treinador.

O Flamengo mostrou capacidade para controlar partidas quando conseguiu impor sua circulação e recuperar a bola rapidamente.

Contra o Del Valle, porém, quando essas duas características desapareceram, a equipe teve dificuldades para encontrar um plano alternativo.

A expulsão de Jorginho agravou o problema, mas não criou o problema.

Ele já existia.

O Flamengo vinha demonstrando dificuldade para transformar posse em chances claras e para manter o adversário longe de sua área.

Com onze jogadores, isso já era uma preocupação.

Com dez, tornou-se um problema de sobrevivência.

A principal lição: controlar não é recuar

A partida deixa uma lição importante para os próximos mata-matas.

Uma equipe que entra em campo com vantagem pode administrar o resultado.

Mas administrar não significa simplesmente reduzir o ritmo.

É preciso controlar onde o jogo acontece.

Se o adversário passa a jogar perto da área, a vantagem diminui.

Se o adversário é obrigado a correr atrás da bola longe do gol, a vantagem cresce.

Essa diferença ficou evidente no Maracanã.

O Flamengo teve momentos de posse, mas não conseguiu transformar essa posse em controle territorial.

Quando ficou com dez jogadores, a situação ficou ainda mais evidente.

Arrascaeta e Rossi salvam uma noite de alerta

O empate garantiu a classificação.

E, em Libertadores, classificação é o que permanece.

Mas o Raio-X do jogo mostra uma equipe que precisará corrigir alguns pontos antes da semifinal contra o Estudiantes.

O Flamengo precisa recuperar a capacidade de pressionar após a perda, acelerar a circulação quando encontra espaço e, principalmente, encontrar mecanismos para continuar atacando mesmo quando o adversário fecha o centro do campo.

A semifinal exigirá mais.

Contra o Del Valle, a vantagem de Quito permitiu sobreviver.

Contra o Estudiantes, o Flamengo terá novamente dois jogos para construir sua classificação.

E a principal conclusão da noite no Maracanã é justamente essa:

O Flamengo avançou, mas não pode transformar a capacidade de sobreviver em seu principal método de competir.

A classificação foi conquistada.

O alerta também.
Imagem secundária para O Flamengo perdeu o controle contra o Del Valle, mas sobreviveu no MaracanãImagem: Gilvan de Souza/CRF
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