Libertadores
O Flamengo perdeu o controle contra o Del Valle, mas sobreviveu no Maracanã
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Por Redação Fla10 • 18 de setembro de 2026
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Imagem: Gilvan de Souza/CRFRubro-Negro teve a bola, mas não conseguiu transformar posse em domínio; expulsão de Jorginho agravou um problema que já aparecia desde o primeiro tempo, e as mudanças de Leonardo Jardim foram fundamentais para evitar o colapso
Em resumo: o empate por 1 a 1 com o Independiente del Valle classificou o Flamengo para a semifinal da Libertadores, mas também expôs problemas importantes no funcionamento da equipe. O Rubro-Negro teve mais posse no primeiro tempo, porém criou pouco, errou muitos passes e sofreu com a organização do adversário. Depois da expulsão de Jorginho, aos 19 minutos da segunda etapa, Jardim precisou abandonar definitivamente qualquer tentativa de controlar a partida através da posse e reorganizar o time para sobreviver. As entradas de Arrascaeta, Plata e Saúl mudaram a estrutura rubro-negra, enquanto o gol de Arrascaeta, após lançamento de Rossi e falha do goleiro Quintana, salvou uma noite que poderia ter terminado em grande drama.
A vantagem mudou o jogo — mas não deveria ter mudado tanto o Flamengo
O Flamengo entrou no Maracanã carregando uma vantagem enorme: 2 a 0 conquistados em Quito.Essa condição naturalmente modificava a estratégia.
O Rubro-Negro não precisava correr riscos desnecessários. Não precisava acelerar todas as posses. E tampouco precisava transformar o jogo em uma disputa aberta.
Mas havia uma diferença entre controlar o ritmo e simplesmente permitir que o adversário permanecesse confortável.
Foi exatamente nessa fronteira que o Flamengo teve dificuldades.
A equipe terminou o primeiro tempo com cerca de 60% de posse de bola e mais passes certos, mas essa superioridade não se transformou em domínio territorial ou em uma sequência consistente de oportunidades. O Del Valle, mesmo com menos bola, conseguiu ser mais ameaçador em momentos importantes.
O problema, portanto, não estava apenas na quantidade de posse.
Estava no que o Flamengo fazia com ela.
O Flamengo ocupava o campo, mas não encontrava os espaços
A estrutura inicial tinha Rossi no gol, Emerson Royal e Ayrton Lucas pelos lados, Léo Ortiz e Léo Pereira por dentro, Pulgar e Jorginho como sustentação do meio e Paquetá mais adiantado ao lado de Carrascal, Samuel Lino e Bruno Henrique.A ausência de Arrascaeta entre os titulares modificou uma característica importante do meio-campo.
Paquetá tinha capacidade para receber entre as linhas, mas o Flamengo perdeu parte da capacidade de conectar rapidamente a primeira construção com o último terço.
Carrascal também encontrou dificuldades para receber em condições favoráveis.
O resultado foi um Flamengo que circulava a bola, mas frequentemente precisava reiniciar a jogada.
O Del Valle agradecia.
Quanto mais o Rubro-Negro demorava para acelerar, mais tempo a equipe equatoriana tinha para recompor sua estrutura defensiva.
O Del Valle não precisava pressionar o tempo todo
Um dos pontos mais interessantes da partida foi justamente esse.O Independiente del Valle não precisou transformar o jogo em uma pressão permanente para incomodar o Flamengo.
A equipe de Joaquín Papa conseguiu permanecer organizada e esperar os momentos certos para acelerar.
O gol de Reasco nasceu justamente de uma situação em que a estrutura defensiva rubro-negra ficou exposta. Depois de uma jogada acelerada, o atacante recebeu em condições de finalizar; Rossi defendeu parcialmente e o próprio Reasco aproveitou o rebote.
A vantagem do Flamengo, que parecia confortável antes do jogo, começava a produzir um efeito psicológico contrário.
O Del Valle passou a acreditar.
O Flamengo passou a hesitar.
E essa diferença de comportamento foi fundamental para entender o restante da partida.
Bruno Henrique teve a chance que poderia ter mudado tudo
Existe um lance que ajuda a explicar como a partida poderia ter seguido por outro caminho.Ainda no primeiro tempo, Bruno Henrique recebeu uma oportunidade clara diante do goleiro e não conseguiu concluir em gol.
Era justamente o tipo de lance que o Flamengo precisava aproveitar.
Com o Del Valle obrigado a marcar pelo menos dois gols para levar a decisão aos pênaltis, abrir o placar significaria praticamente desmontar a eliminatória.
Em vez disso, o Flamengo desperdiçou a oportunidade.
Pouco depois, sofreu o gol.
A diferença entre os dois momentos foi enorme.
O problema central: posse sem progressão
Esse foi talvez o principal problema coletivo do Flamengo durante a primeira etapa.O time conseguia ficar com a bola, mas tinha dificuldades para progredir de maneira sustentada.
A circulação lateral aparecia com frequência.
Os jogadores ofensivos tinham dificuldade para receber entre as linhas.
E, quando a bola chegava aos extremos, faltava sequência para transformar a jogada em situação clara de gol.
O Del Valle, por sua vez, conseguia manter suas linhas relativamente próximas.
Isso reduzia os espaços internos e obrigava o Flamengo a tentar encontrar soluções pelos lados.
Mas havia outro problema.
Quando o Flamengo perdia a bola, nem sempre conseguia recuperá-la
rapidamente.
E, sem essa recuperação imediata, o Del Valle ganhava metros.
Foi assim que uma partida que deveria estar sob controle começou a adquirir um caráter de confronto aberto.

Jardim não mexeu no intervalo
Um detalhe importante do ponto de vista da gestão da partida foi a decisão de Leonardo Jardim de voltar para o segundo tempo sem alterações.A escolha fazia sentido dentro do contexto.
O Flamengo ainda estava classificado.
O problema era que o empate não parecia estar sob controle.
O Del Valle continuava vivo, e o Flamengo precisava encontrar uma maneira de recuperar qualidade ofensiva sem abrir espaços atrás.
Durante os primeiros minutos da segunda etapa, Jardim começou a preparar mudanças.
Arrascaeta e Gonzalo Plata foram chamados.
Aos 13 minutos, os dois entraram nas vagas de Paquetá e Carrascal.
A ideia era clara.
Trazer mais capacidade de decisão para o último terço e aumentar a possibilidade de o Flamengo encontrar uma jogada individual capaz de aliviar a pressão.
Só que, poucos minutos depois, o jogo mudou completamente.
A expulsão de Jorginho desmontou o plano de controle
Aos 19 minutos do segundo tempo, Jorginho recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulso.Esse foi o momento em que a partida deixou de ser uma disputa de administração de vantagem e passou a ser uma operação de sobrevivência.
Com dez jogadores, o Flamengo perdeu uma peça importante da circulação e precisou reorganizar sua estrutura.
O time já não poderia simplesmente manter a posse como antes.
O Del Valle passou a jogar ainda mais próximo da área rubro-negra.
E Jardim precisou tomar outra decisão.
Saúl entra, e o Flamengo muda de prioridade
Aos 24 minutos aproximadamente, Saúl entrou no lugar de Bruno Henrique.A substituição é importante para entender a mudança de comportamento do Flamengo.
Com um jogador a menos, manter dois atacantes avançados seria muito mais arriscado.
Jardim retirou profundidade ofensiva para reforçar o meio-campo.
A prioridade passou a ser fechar espaços e impedir que o Del Valle encontrasse superioridade por dentro.
O Flamengo abandonou definitivamente qualquer tentativa de dominar a partida territorialmente.
A partir daquele momento, o objetivo era sobreviver.
O Del Valle empurrou o Flamengo para trás
Com superioridade numérica, o time equatoriano aumentou a presença no campo ofensivo.Joaquín Papa também percebeu que precisava aumentar o peso dentro da área.
Reasco deixou o campo e Yandri Vásquez entrou para atuar como referência mais física no ataque.
A mudança tinha uma lógica simples: colocar mais presença na área para aproveitar cruzamentos, rebotes e bolas longas.
E quase funcionou.
O Del Valle chegou a marcar novamente, mas o gol foi anulado por impedimento.
Era o aviso mais claro de que o Flamengo estava chegando ao limite.
O Flamengo perdeu o meio-campo — e precisou defender a área
Com um jogador a menos, não havia mais possibilidade de manter a mesma estrutura de pressão.O Del Valle passou a encontrar mais espaço para circular a bola.
O Flamengo recuou.
E, nesse cenário, os laterais passaram a ter uma função predominantemente defensiva.
A equipe deixou de pressionar a construção adversária de maneira coordenada e passou a proteger a própria área.
Era uma consequência natural da inferioridade numérica.
Mas também mostrava o quanto a expulsão havia alterado completamente o plano original.
A entrada de Arrascaeta ganhou peso decisivo
Se a entrada do uruguaio inicialmente tinha o objetivo de aumentar a criatividade, depois da expulsão ela ganhou outra dimensão.Arrascaeta passou a ser uma das poucas peças capazes de transformar uma recuperação de bola em uma jogada ofensiva capaz de tirar o Flamengo do sufoco.
E foi exatamente isso que aconteceu.
O uruguaio não precisou criar uma longa sequência de passes.
Precisou apenas estar no lugar certo no momento certo.

O gol que nasceu do caos
Aos 38 minutos do segundo tempo, Rossi afastou uma bola com um chutão.O lançamento parecia apenas uma tentativa de aliviar a pressão.
Mas a bola ganhou trajetória inesperada, quicou e surpreendeu Aldair Quintana.
O goleiro saiu da área de maneira equivocada e não conseguiu controlar a jogada.
Arrascaeta apareceu para aproveitar a falha e cabeceou para o gol vazio.
O 1 a 1 não foi resultado de uma longa construção ofensiva.
Foi fruto de uma situação absolutamente improvável.
Mas, taticamente, o lance representa algo importante: o Flamengo finalmente encontrou uma maneira de transformar uma recuperação defensiva em uma ação capaz de mudar o estado emocional da partida.
O que o jogo revela sobre o Flamengo de Jardim
A classificação é extremamente importante.Mas o desempenho deixa algumas perguntas para o treinador.
O Flamengo mostrou capacidade para controlar partidas quando conseguiu impor sua circulação e recuperar a bola rapidamente.
Contra o Del Valle, porém, quando essas duas características desapareceram, a equipe teve dificuldades para encontrar um plano alternativo.
A expulsão de Jorginho agravou o problema, mas não criou o problema.
Ele já existia.
O Flamengo vinha demonstrando dificuldade para transformar posse em chances claras e para manter o adversário longe de sua área.
Com onze jogadores, isso já era uma preocupação.
Com dez, tornou-se um problema de sobrevivência.
A principal lição: controlar não é recuar
A partida deixa uma lição importante para os próximos mata-matas.Uma equipe que entra em campo com vantagem pode administrar o resultado.
Mas administrar não significa simplesmente reduzir o ritmo.
É preciso controlar onde o jogo acontece.
Se o adversário passa a jogar perto da área, a vantagem diminui.
Se o adversário é obrigado a correr atrás da bola longe do gol, a vantagem cresce.
Essa diferença ficou evidente no Maracanã.
O Flamengo teve momentos de posse, mas não conseguiu transformar essa posse em controle territorial.
Quando ficou com dez jogadores, a situação ficou ainda mais evidente.
Arrascaeta e Rossi salvam uma noite de alerta
O empate garantiu a classificação.E, em Libertadores, classificação é o que permanece.
Mas o Raio-X do jogo mostra uma equipe que precisará corrigir alguns pontos antes da semifinal contra o Estudiantes.
O Flamengo precisa recuperar a capacidade de pressionar após a perda, acelerar a circulação quando encontra espaço e, principalmente, encontrar mecanismos para continuar atacando mesmo quando o adversário fecha o centro do campo.
A semifinal exigirá mais.
Contra o Del Valle, a vantagem de Quito permitiu sobreviver.
Contra o Estudiantes, o Flamengo terá novamente dois jogos para construir sua classificação.
E a principal conclusão da noite no Maracanã é justamente essa:
O Flamengo avançou, mas não pode transformar a capacidade de sobreviver em seu principal método de competir.
A classificação foi conquistada.
O alerta também.
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