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Brasileirão Série A - Rodada 22

09 de agosto, 202619:30
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O que mudou depois dos dez dias de treinamento e o que ainda falta para o time de Leonardo Jardim atingir o nível necessário para a Libertadores

Por Thiago Silva10 de agosto de 2026
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O que mudou depois dos dez dias de treinamento e o que ainda falta para o time de Leonardo Jardim atingir o nível necessário para a LibertadoresImagem: Gilvan de Souza/CRF

Vitória sobre o Vitória mostra sinais de evolução no trabalho de Leonardo Jardim, mas Rubro-Negro ainda desperdiça oportunidades e precisa dar um passo adiante antes da decisão contra o Cruzeiro

Dez dias sem jogos fizeram diferença no Flamengo.

Depois de uma sequência de atuações abaixo do esperado, o Rubro-Negro voltou a campo diante do Vitória apresentando sinais claros de evolução. A vitória por 2 a 0, no Maracanã, pela 22ª rodada do Brasileirão, não foi apenas importante pelos três pontos: ela mostrou um Flamengo mais intenso, mais próximo entre os setores e com uma ideia de jogo mais clara.

O resultado, entretanto, também deixou evidente que Leonardo Jardim ainda tem um problema para resolver: o Flamengo consegue chegar, controla o adversário e cria situações, mas ainda não transforma todo esse domínio em gols na mesma proporção.

É uma diferença importante. O problema deixou de ser simplesmente fazer o time jogar. Agora, a questão é fazer o time jogar bem durante mais tempo e, principalmente, ser mais letal quando as oportunidades aparecerem.

Dez dias de trabalho começaram a aparecer

A pausa no calendário proporcionou algo que o Flamengo vinha tendo pouco ao longo da temporada: tempo para treinar.

Leonardo Jardim recebeu dez dias sem partidas oficiais para trabalhar aspectos táticos, corrigir problemas de posicionamento e recuperar jogadores. O resultado apareceu desde os primeiros minutos contra o Vitória.

O Flamengo começou a partida ocupando o campo ofensivo, aproximando meio-campo e ataque e pressionando o adversário desde a saída. A equipe recuperava rapidamente a bola e mantinha o Vitória praticamente confinado ao seu campo defensivo.

A intensidade também foi diferente daquela apresentada em algumas das partidas anteriores. O time parecia mais disposto a pressionar, os jogadores estavam mais próximos e a circulação da bola encontrou maior fluidez.

Um Flamengo mais adiantado e agressivo

Taticamente, Jardim montou um Flamengo bastante adiantado. A equipe partiu do 4-3-3, mas apresentou movimentações que alteravam a estrutura durante a posse de bola.

Léo Ortiz assumiu uma função mais recuada na proteção, enquanto Pulgar, Jorginho e Léo Pereira participavam da construção e ajudavam a equipe a ocupar o meio-campo. Os laterais equilibravam a ocupação dos corredores e davam liberdade para os jogadores mais ofensivos se movimentarem.

O resultado foi um Flamengo capaz de empurrar o Vitória para trás sem precisar recorrer a bolas longas de maneira constante.

A equipe buscava encontrar os jogadores entre as linhas, utilizar os corredores e, quando recuperava a bola, acelerar rapidamente.

A esquerda virou o principal corredor de ataque

Um dos elementos mais interessantes da partida foi a utilização do lado esquerdo.

Ayrton Lucas teve participação importante na construção ofensiva, enquanto Samuel Lino circulou pelo setor e Carrascal também apareceu por aquele lado em determinados momentos. A movimentação provocou superioridade numérica e criou diferentes possibilidades para a equipe chegar à área adversária.

Lino e Arrascaeta também inverteram posições em alguns momentos, permitindo que o uruguaio aparecesse mais próximo da área ou recebesse aberto pelo corredor.

Esse tipo de movimentação é importante porque impede que o ataque fique preso a posições estáticas. O Flamengo passa a ter jogadores ocupando diferentes zonas e dificulta a definição das referências defensivas adversárias.

Pulgar foi mais do que o autor de um golaço

O primeiro gol, marcado por Erick Pulgar aos 13 minutos, naturalmente chamou a atenção pela distância e pela execução. Mas a participação do chileno na estrutura da equipe merece uma leitura mais ampla.

Pulgar teve liberdade para avançar e participar da construção, sem abandonar completamente sua função de proteção. A presença de Jorginho ao lado e a participação de outros jogadores na saída permitiram que o camisa 5 ocupasse zonas mais avançadas em determinados momentos.

Foi justamente de uma dessas situações que nasceu o gol que abriu a partida.

Mais importante do que o chute espetacular foi a demonstração de que o Flamengo conseguiu colocar mais jogadores em condições de finalizar.

O velho problema: falta de eficiência

Se existe uma conclusão que permanece depois da vitória, é que o Flamengo ainda precisa melhorar sua eficiência ofensiva.

A equipe criou situações suficientes para resolver a partida muito antes dos minutos finais. No primeiro tempo, por exemplo, Carrascal teve oportunidade dentro da área, enquanto Léo Pereira também levou perigo em finalização de fora. No segundo tempo, Samuel Lino acertou a trave após uma jogada construída com participação de Lucas Paquetá.

A sensação deixada pelo jogo foi justamente essa: o Flamengo produziu futebol suficiente para vencer com uma margem maior, mas demorou a transformar superioridade em segurança no placar.

Contra adversários mais fortes, esse desperdício pode custar caro.

O segundo tempo mostrou que ainda existe um ponto a corrigir

O Flamengo apresentou uma queda de intensidade depois do intervalo.

Imagem secundária para O que mudou depois dos dez dias de treinamento e o que ainda falta para o time de Leonardo Jardim atingir o nível necessário para a LibertadoresImagem: Adriano Fontes/CRF
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A equipe continuou controlando a partida, mas passou a jogar em ritmo mais baixo e permitiu que o Vitória tivesse mais posse e encontrasse alguns espaços para contra-atacar. O cenário exigiu uma mudança de comportamento do banco de reservas.

Esse é um ponto que merece atenção de Jardim.

O Flamengo não pode depender exclusivamente da intensidade inicial para controlar os adversários. Uma equipe que pretende disputar títulos importantes precisa saber alternar pressão, posse, controle territorial e momentos de aceleração ao longo dos 90 minutos.

Paquetá mostrou por que pode ser importante

O retorno de Lucas Paquetá foi outra notícia positiva.

Recuperado de lesão, o meia entrou no lugar de Arrascaeta e conseguiu melhorar a dinâmica do Flamengo. Além de ganhar ritmo, Paquetá participou diretamente de uma das melhores jogadas da equipe no segundo tempo, em uma triangulação que terminou com Carrascal encontrando Samuel Lino, que acertou a trave.

A entrada do camisa 20 também abre uma nova questão para Jardim: como encaixar Paquetá na equipe considerada ideal?

A resposta pode ser determinante para o funcionamento do Flamengo nas partidas mais importantes.

As substituições mudaram novamente o jogo

Se o time perdeu intensidade no início do segundo tempo, as substituições ajudaram a recuperá-la.

Plata, Bruno Henrique e Evertton Araújo entraram e deram novo fôlego à equipe. A alteração mais evidente foi no ataque: Bruno Henrique acrescentou velocidade, profundidade e agressividade aos espaços.

Foi justamente o atacante quem decidiu a partida aos 34 minutos da segunda etapa, aproveitando uma transição puxada por Carrascal.

A jogada é significativa porque mostra outra característica que pode ser importante para Jardim: o Flamengo não precisa atacar apenas através da posse prolongada.

Quando o adversário se expõe, acelerar pode ser tão importante quanto controlar.

Um elenco que começa a oferecer mais alternativas

A atuação contra o Vitória também mostrou que Jardim começa a ter mais opções para modificar a equipe durante as partidas.

Paquetá voltou. Plata retornou às opções. Bruno Henrique mostrou novamente seu poder de decisão. Evertton Araújo completou 100 partidas como profissional do Flamengo.

Isso aumenta a capacidade do treinador de mudar características sem necessariamente alterar completamente a estrutura da equipe.

Para uma temporada longa, com Brasileirão e Libertadores em disputa, essa profundidade pode ser decisiva.

O próximo teste será muito mais difícil

O Vitória serviu como uma espécie de laboratório para verificar se o trabalho realizado durante os dez dias de pausa produziu efeitos. E a resposta inicial foi positiva.

Mas o verdadeiro teste começa agora.

O Flamengo volta a campo na quarta-feira (12), contra o Cruzeiro, no Mineirão, pelo jogo de ida das oitavas de final da Libertadores.

Será diante de um adversário mais qualificado e em um ambiente muito mais exigente que Jardim precisará comprovar se a evolução observada no Maracanã representa uma mudança consistente ou apenas uma boa atuação diante de um adversário que passou grande parte do jogo defendendo.

O Flamengo está melhor — mas ainda não está pronto

A vitória sobre o Vitória deixa uma mensagem positiva para a torcida. O trabalho de Leonardo Jardim começa a produzir sinais mais claros: a equipe está mais compacta, pressiona melhor, aproxima seus jogadores e consegue controlar o adversário durante longos períodos.

Mas o Flamengo ainda precisa dar um passo fundamental: transformar superioridade em eficiência.

Contra o Vitória, o time teve condições de matar o jogo muito antes do segundo gol. Não conseguiu.

Na Libertadores, provavelmente terá menos oportunidades para corrigir esse tipo de erro.

O período de dez dias serviu para recuperar jogadores e ajustar conceitos. O Flamengo voltou melhor. Agora, precisa provar que também voltou mais preparado para os grandes jogos.

Porque, a partir de quarta-feira, não será apenas uma questão de jogar melhor.

Será necessário jogar melhor e aproveitar cada oportunidade.

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