Os cinco nomes da goleada: Pedro decide, Rossi salva, Jorginho e Pulgar comandam o meio, e Lorran mostra oportunismo em Chapecó
Imagem: Adriano Fontes/CRFGoleada por 4 a 0 sobre a Chapecoense teve protagonistas em todos os setores do campo. Enquanto Pedro voltou a ser decisivo no ataque, Rossi apareceu quando foi exigido, Jorginho e Erick Pulgar controlaram completamente o meio-campo, e Lorran confirmou seu faro de gol mesmo em uma atuação discreta no restante do jogo
A goleada do Flamengo sobre a Chapecoense por 4 a 0, na Arena Condá, foi construída por um coletivo muito sólido. No entanto, alguns jogadores tiveram papéis determinantes para que a superioridade rubro-negra se transformasse em um placar elástico.
Pedro voltou a ser decisivo dentro da área, Rossi mostrou segurança nas poucas vezes em que foi exigido, Jorginho e Erick Pulgar dominaram o setor de meio-campo com inteligência e precisão na troca de passes, enquanto Lorran aproveitou a oportunidade que teve para deixar sua marca. As estatísticas da partida ajudam a explicar por que esses cinco atletas foram fundamentais para mais uma grande atuação da equipe comandada por Leonardo Jardim.
Pedro alia eficiência e participação coletiva
Autor de dois gols, Pedro recebeu nota 8,3 no SofaScore e confirmou mais uma vez que vive um dos melhores momentos da temporada. Mais do que balançar as redes, o camisa 9 foi um dos jogadores mais participativos do setor ofensivo rubro-negro.
O atacante finalizou cinco vezes durante a partida, acertando o alvo em três oportunidades e convertendo duas delas em gols. O dado mais interessante, porém, está na qualidade de sua atuação coletiva. Além de marcar, Pedro criou uma grande chance para um companheiro, registrou um passe decisivo e terminou a partida com 87% de aproveitamento nos passes, índice bastante elevado para um centroavante que atua constantemente pressionado pelos zagueiros adversários.
Outro aspecto que chama a atenção é sua eficiência com a bola nos pés. Dos três dribles que tentou, acertou todos, além de perder a posse apenas sete vezes em 38 ações com bola. Os números mostram um atacante que deixou de ser apenas um finalizador para participar ativamente da construção ofensiva do Flamengo, funcionando como referência, pivô e articulador em diferentes momentos da partida.
Rossi mostrou por que continua sendo um dos goleiros mais seguros do país
Embora o placar possa sugerir uma noite tranquila, Agustín Rossi teve participação decisiva quando a Chapecoense conseguiu criar suas melhores oportunidades.
O argentino terminou a partida com nota 8,3 e realizou apenas três defesas, mas todas aconteceram em finalizações de alta dificuldade, realizadas dentro da área. O indicador mais impressionante de sua atuação foi o índice de Gols Evitados, que atingiu 0,93.
Na prática, esse número indica que, pelas características das finalizações sofridas, a Chapecoense tinha expectativa estatística de marcar praticamente um gol. Rossi impediu que isso acontecesse com intervenções precisas e excelente posicionamento, preservando o zero no placar e garantindo tranquilidade para que o Flamengo construísse a goleada.
Mais uma vez, o camisa 1 mostrou segurança, concentração e capacidade de decidir partidas mesmo quando participa pouco do jogo.
Jorginho foi o cérebro da construção rubro-negra
Se Pedro decidiu no ataque, Jorginho comandou o jogo a partir do meio-campo. O volante recebeu nota 7,4 após uma atuação marcada pela inteligência na distribuição da posse e pelo controle do ritmo da partida.
Foram 94 passes tentados, com impressionantes 85 acertos, alcançando 90% de precisão. O volume de participação chama ainda mais atenção quando se observa que ele distribuiu passes praticamente em todas as zonas do campo: acertou 49 dos 51 passes realizados no campo defensivo e 36 dos 43 executados no setor ofensivo.
Mesmo sem registrar passes decisivos, Jorginho foi o principal responsável por organizar a circulação da bola, oferecendo constantemente linhas de passe para os companheiros e acelerando ou desacelerando o jogo conforme a necessidade da equipe. Sua atuação demonstra a importância de um volante que, muitas vezes, influencia diretamente o desempenho coletivo sem necessariamente aparecer nas estatísticas ofensivas.
Erick Pulgar foi o ponto de equilíbrio do Flamengo
Ao lado de Jorginho, Erick Pulgar voltou a apresentar um desempenho de alto nível. O chileno recebeu nota 7,2 e teve papel determinante tanto na saída de bola quanto na proteção ao sistema defensivo.
Com 83 passes certos em 90 tentativas, alcançou excelente índice de 92% de aproveitamento. Assim como Jorginho, participou intensamente da construção das jogadas, acertando 53 dos 56 passes realizados no campo defensivo e 30 dos 34 no campo de ataque.
Os números refletem exatamente sua função dentro do esquema de Leonardo Jardim. Enquanto Jorginho organizava o ritmo da partida, Pulgar oferecia sustentação, garantindo segurança na circulação da bola e protegendo a defesa durante as transições. A dupla praticamente anulou qualquer tentativa da Chapecoense de pressionar a saída rubro-negra.
Lorran decidiu quando apareceu, mas teve participação discreta no restante da partida
Apesar de ter marcado um dos gols da goleada, Lorran recebeu nota 6,7, a menor entre os jogadores analisados. À primeira vista, a avaliação pode causar estranheza, mas os números ajudam a explicar esse cenário.
O jovem meia foi extremamente eficiente na conclusão das jogadas. Finalizou duas vezes, ambas na direção do gol, e balançou as redes uma vez. Seu índice de qualidade na finalização foi superior à expectativa estatística do lance, demonstrando boa capacidade de definição.
No restante da partida, porém, sua participação foi mais discreta. Não registrou passes decisivos, não tentou dribles e criou pouco para os companheiros. Além disso, perdeu a posse de bola dez vezes e desperdiçou uma grande oportunidade de ampliar o placar.
Ainda assim, sua movimentação sem bola e o oportunismo para aparecer na área mostram evolução importante em relação ao início da temporada. Mesmo quando não participa intensamente da construção, Lorran demonstra capacidade de decidir partidas em poucos toques na bola.
O coletivo potencializou as individualidades
As atuações individuais ajudam a explicar a goleada, mas também evidenciam algo maior: o Flamengo de Leonardo Jardim começa a apresentar um modelo de jogo em que cada jogador entende claramente sua função dentro da equipe.
Rossi garantiu segurança quando foi exigido. Pulgar sustentou a saída de bola e protegeu a defesa. Jorginho controlou o ritmo da partida e organizou a circulação da posse. Pedro transformou o domínio territorial em gols. Lorran apareceu no momento certo para ampliar a vantagem e confirmar a superioridade rubro-negra.
Mais do que os quatro gols marcados na Arena Condá, a atuação mostrou um Flamengo coletivamente maduro, capaz de controlar diferentes fases do jogo sem depender exclusivamente do brilho individual de um único atleta. Quando organização tática e talento caminham juntos, as atuações individuais aparecem naturalmente — e foi exatamente isso que aconteceu na vitória sobre a Chapecoense.
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