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Brasileirão Série A - Rodada 21

29 de Julho, 202619:30
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Os erros táticos de Leonardo Jardim no empate com o Internacional

Por Robson Corrêa30 de julho de 2026
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Os erros táticos de Leonardo Jardim no empate com o InternacionalImagem: Gilvan de Souza/CRF

Sem controlar o meio-campo, vulnerável às transições defensivas e previsível na construção ofensiva, o Flamengo fez um primeiro tempo muito abaixo do esperado. A reação após o intervalo evitou a derrota, mas o empate em Porto Alegre revelou aspectos do modelo de jogo de Leonardo Jardim que precisam evoluir para que o Rubro-Negro mantenha força na disputa pelos títulos da temporada

O empate por 1 a 1 contra o Internacional, no Beira-Rio, deixou uma sensação diferente daquela vivida no empate diante do São Paulo.

No Maracanã, o Flamengo dominou territorialmente a partida, mas encontrou dificuldades para romper um adversário extremamente compacto. Em Porto Alegre, o cenário foi outro. Durante boa parte do primeiro tempo, o Internacional foi superior taticamente, venceu praticamente todos os duelos do meio-campo e obrigou Leonardo Jardim a corrigir sua equipe no intervalo.

Embora o Flamengo tenha conseguido buscar o empate na etapa final, o jogo expôs problemas que vêm aparecendo contra adversários que conseguem pressionar a saída de bola e acelerar as transições ofensivas.

Leonardo Jardim perdeu o duelo do primeiro tempo

O principal mérito de Paulo Pezzolano foi perceber que a construção rubro-negra depende muito da qualidade de seus primeiros passes.

O Internacional pressionou alto nos minutos iniciais, dificultando a saída de Rossi e impedindo que Pulgar e Jorginho recebessem a bola com liberdade. Sempre que um dos dois volantes dominava, já havia um jogador colorado pressionando pelas costas, enquanto outro fechava a linha de passe seguinte.

Essa pressão fez o Flamengo acelerar jogadas antes do momento ideal, aumentando o número de erros técnicos e diminuindo a qualidade da circulação da bola.

O meio-campo perdeu o controle da partida

Um dos pilares do modelo de Leonardo Jardim é controlar o jogo através da posse de bola.

Contra o Internacional isso praticamente não aconteceu durante os primeiros 45 minutos.

Pulgar foi constantemente obrigado a recuar entre os zagueiros para iniciar a construção, deixando um vazio à frente da defesa. Jorginho ficou isolado na organização e Arrascaeta recebeu poucas bolas em condições de acelerar as jogadas.

Na prática, o Flamengo ficou dividido em dois blocos: defesa e ataque. O setor responsável por conectar essas duas partes praticamente desapareceu durante boa parte do primeiro tempo.

Samuel Lino ficou muito distante da bola

Outro problema importante foi o posicionamento do ataque.

Samuel Lino permaneceu durante muitos minutos aberto pela esquerda esperando inversões de jogo que raramente aconteciam com qualidade.

Quando finalmente recebia a bola, já encontrava o Internacional completamente recomposto defensivamente, sendo obrigado a tentar jogadas individuais contra dois marcadores.

A consequência foi uma equipe excessivamente dependente de ações individuais para criar perigo.

Pedro voltou a ficar isolado

Assim como ocorreu diante do São Paulo, Pedro sofreu com a falta de aproximação.

O centroavante participou pouco da partida porque a bola simplesmente não chegava em boas condições.

Sem infiltrações pelo corredor central e com poucos passes verticais, o camisa 9 passou boa parte do tempo disputando bolas aéreas contra os zagueiros colorados ou saindo da área para tentar participar da construção.

Quando um atacante precisa abandonar constantemente sua zona de finalização, normalmente há um problema estrutural na criação da equipe.

Os laterais ofereceram pouca profundidade

Outro aspecto que limitou o Flamengo foi a participação dos laterais.

Emerson Royal e Alex Sandro tiveram dificuldades para oferecer amplitude e, principalmente, para vencer os duelos individuais contra os alas do Internacional.

Sem superioridade pelos corredores, o Flamengo também deixou de gerar cruzamentos em condições favoráveis para Pedro.

Isso tornou o ataque rubro-negro ainda mais previsível.

O maior erro: vulnerabilidade nas transições defensivas

Imagem secundária para Os erros táticos de Leonardo Jardim no empate com o InternacionalImagem: Gilvan de Souza/CRF
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Talvez o principal problema apresentado pelo Flamengo tenha acontecido quando perdeu a posse.

O Internacional encontrou muito espaço para atacar logo após recuperar a bola.

Em diversos momentos, Pulgar e Jorginho ficaram atrás da linha da bola enquanto Carbonero e Vitinho aceleravam pelos lados.

Foi justamente explorando essas transições rápidas que o Colorado construiu suas melhores oportunidades e chegou ao gol da vantagem.

Essa vulnerabilidade não apareceu pela primeira vez. Ela já havia sido observada em outras partidas nas quais o Flamengo enfrentou equipes que atacam rapidamente pelos corredores.

As correções do intervalo funcionaram

Se Leonardo Jardim perdeu o duelo tático no primeiro tempo, merece reconhecimento pela forma como ajustou sua equipe após o intervalo.

O treinador aproximou Arrascaeta de Pedro, aumentou a liberdade de Samuel Lino para atacar por dentro e permitiu que Jorginho avançasse alguns metros na construção.

Com isso, o Flamengo passou a recuperar a bola mais próximo da área adversária e conseguiu empurrar o Internacional para trás.

O empate surgiu justamente quando o Rubro-Negro já exercia maior pressão ofensiva.

O gol nasceu de um erro, não de uma construção coletiva

Apesar da melhora, é importante destacar que o gol rubro-negro não foi consequência direta de uma jogada trabalhada.

A igualdade nasceu de uma falha individual da defesa colorada, aproveitada com inteligência por Arrascaeta e finalizada por Samuel Lino.

Até aquele momento, o Flamengo ainda criava poucas oportunidades realmente claras através de seu jogo posicional.

Isso reforça que a equipe evoluiu na etapa final, mas ainda não conseguiu solucionar completamente seus problemas ofensivos.

Leonardo Jardim ainda busca alternativas contra pressão alta

Uma tendência começa a aparecer nas últimas rodadas.

Quando enfrenta equipes que esperam em bloco baixo, como o São Paulo, o Flamengo encontra dificuldades para infiltrar pelo corredor central.

Quando enfrenta adversários que pressionam alto, como o Internacional, a equipe sofre para sair jogando e perde o controle do meio-campo.

Isso indica que o modelo ainda precisa desenvolver mecanismos diferentes para responder a cenários distintos de partida.

O que precisa evoluir?

Alguns ajustes parecem fundamentais para a sequência da temporada.

O primeiro deles é oferecer mais linhas de passe durante a saída de bola. Em vários momentos, Rossi não tinha alternativas curtas e era obrigado a acelerar lançamentos longos.

Também será importante aumentar a mobilidade entre os homens de frente. Pedro, Arrascaeta, Samuel Lino e Bruno Henrique ainda alternam pouco suas posições durante a construção ofensiva, facilitando a marcação adversária.

Outro ponto passa pela ocupação dos espaços após a perda da posse. Contra equipes que atacam em velocidade, o Flamengo precisa melhorar sua organização preventiva para impedir contra-ataques em igualdade numérica.

Mais um alerta para um Flamengo candidato ao título

O empate no Beira-Rio não compromete a campanha do Flamengo, mas serve como um importante sinal de alerta. O trabalho de Leonardo Jardim continua apresentando evolução, principalmente na organização coletiva e na capacidade de reação durante as partidas. No entanto, os dois últimos compromissos pelo Campeonato Brasileiro mostraram que os adversários começam a encontrar caminhos para neutralizar o modelo rubro-negro.

A boa notícia para o treinador português é que os problemas identificados parecem estar mais relacionados ao refinamento do sistema do que à falta de qualidade do elenco. A equipe demonstrou força para reagir, mas, se pretende disputar o título até as últimas rodadas e competir em alto nível nas copas, precisará ampliar seu repertório tático. Contra adversários cada vez mais preparados para enfrentar o Flamengo, apenas dominar a posse de bola já não basta: será necessário transformar esse domínio em superioridade estrutural e criar mecanismos para controlar também os momentos sem a bola.

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