Pedro responde em campo, assume a artilharia do Brasileirão e reacende debate: afinal, o camisa 9 do Flamengo é hoje o melhor centroavante do Brasil?
Imagem: Adriano Fontes/CRFAtuação de gala contra a Chapecoense recoloca Pedro no centro das discussões do futebol brasileiro. Artilheiro isolado da Série A, atacante recebe elogios de analistas, fortalece sua candidatura à Seleção Brasileira e vive uma nova fase sob o comando de Leonardo Jardim.
Há jogadores que respondem às críticas com entrevistas. Pedro prefere responder dentro de campo.
A vitória do Flamengo por 4 a 0 sobre a Chapecoense, na Arena Condá, marcou mais um capítulo da excelente fase vivida pelo camisa 9. Autor de dois gols — incluindo uma pintura no primeiro tempo —, Pedro chegou aos 12 gols no Campeonato Brasileiro, ultrapassou Kevin Viveros, do Athletico-PR, e assumiu isoladamente a artilharia da competição.
Mais do que os números, a atuação recolocou o atacante no centro de um debate que ganha força a cada rodada: Pedro é atualmente o melhor centroavante em atividade no futebol brasileiro? A resposta, para boa parte da imprensa especializada, parece cada vez mais clara.
Um centroavante cada vez mais completo
Durante muito tempo, Pedro foi rotulado apenas como um finalizador de excelência. Um atacante de área, letal quando recebia a bola próxima ao gol. Sob o comando de Leonardo Jardim, porém, seu repertório ganhou novas dimensões.
Contra a Chapecoense, além dos dois gols, o camisa 9 participou ativamente da construção ofensiva, saindo da área para fazer o pivô, abrir espaços, distribuir passes e aproximar os companheiros. O próprio atacante revelou após a partida que essa movimentação é uma orientação direta do treinador português.
"O Jardim me pede muito isso, para sair da área, flutuar. É um jogo que eu gosto, de sair da área, fazer o pivô, girar e criar a jogada", afirmou Pedro após a goleada.
Essa evolução torna o atacante ainda mais difícil de ser marcado. Hoje, ele não apenas conclui as jogadas: participa da origem delas.
O golaço que simboliza sua fase
O primeiro gol contra a Chapecoense resume bem o momento vivido pelo atacante. Recebendo dentro da área, Pedro dominou com tranquilidade, driblou dois marcadores com extrema categoria e finalizou colocado, sem oferecer qualquer chance ao goleiro adversário.(ASSISTA AO VÍDEO AQUI)
Foi um lance de rara qualidade técnica, daqueles que normalmente aparecem em compilações dos melhores gols da temporada. A jogada chamou a atenção justamente pela calma com que o camisa 9 resolveu uma situação de alta pressão, demonstrando confiança, refinamento técnico e inteligência para escolher o momento exato da finalização.
Os números confirmam: Pedro vive uma temporada de elite no Campeonato Brasileiro
Se a impressão em campo já é de que Pedro voltou ao seu melhor nível, os números do Brasileirão 2026 reforçam essa percepção. Em 18 partidas disputadas, sendo 17 como titular, o camisa 9 soma 12 gols e quatro assistências, participando diretamente de 16 gols do Flamengo na competição. Trata-se de uma média de 0,89 participação em gols por jogo, índice que o coloca entre os jogadores mais decisivos da Série A.
A eficiência nas finalizações também chama a atenção. O atacante registra um índice de conversão de 32% dos chutes, marca muito acima da média para centroavantes da competição. Outro dado relevante é a comparação entre seus gols marcados e o índice de gols esperados (xG). Enquanto o modelo estatístico aponta que Pedro deveria ter marcado 7,73 gols pelas chances criadas, ele balançou as redes 12 vezes. Isso significa que o atacante marcou aproximadamente quatro gols a mais do que o esperado, evidenciando uma capacidade de finalização acima da média e uma qualidade técnica que poucos jogadores conseguem manter ao longo de uma temporada.
O repertório ofensivo do camisa 9 também impressiona. Dos 12 gols anotados, 11 foram marcados dentro da área e um de fora, demonstrando presença constante na zona de definição sem abrir mão da capacidade de surpreender em finalizações de média distância. Além disso, Pedro distribuiu seus gols utilizando praticamente todos os fundamentos: marcou duas vezes de cabeça, três com a perna esquerda e seis com a direita, comprovando ser um atacante completo e difícil de ser neutralizado pelos sistemas defensivos adversários.
Engana-se, porém, quem acredita que Pedro contribui apenas com gols. O atacante também soma quatro assistências, sete grandes chances criadas e um índice de 1,0 passe decisivo por partida, além de um xA (assistências esperadas) de 1,99. Esses números revelam uma evolução importante em seu jogo coletivo, mostrando um atleta que participa ativamente da construção ofensiva, faz o pivô, aproxima os meias e potencializa o rendimento dos companheiros, característica que tem sido amplamente explorada por Leonardo Jardim.
Outro aspecto que evidencia sua evolução é a eficiência com a bola nos pés. Pedro apresenta 78% de aproveitamento nos passes, índice elevado para um centroavante que atua constantemente pressionado pelos zagueiros adversários. No campo defensivo, seu aproveitamento chega a impressionantes 99%, enquanto no setor ofensivo mantém 68% de precisão, demonstrando segurança para participar das trocas de passes sem comprometer a fluidez ofensiva da equipe.
Mesmo sem ter como principal característica o drible, Pedro também mostra eficiência nesse fundamento. O camisa 9 completa 75% das tentativas de drible, vence 54% dos duelos disputados e perde, em média, apenas 7,4 posses de bola por partida — números bastante positivos para um atacante que frequentemente recebe a bola de costas para o gol e cercado por marcadores.
Até mesmo sem a posse, Pedro tem desempenhado um papel importante no modelo de jogo rubro-negro. O atacante percorre, em média, oito quilômetros por jogo, realiza quase oito sprints por partida e alcança velocidade máxima de 33 km/h, indicadores que evidenciam sua intensa movimentação para pressionar a saída adversária, atacar os espaços e oferecer constantemente opções de passe aos companheiros.
A combinação entre eficiência nas finalizações, participação na construção ofensiva e elevado rendimento físico ajuda a explicar por que Pedro não apenas lidera a artilharia do Campeonato Brasileiro, mas também vive uma das temporadas mais completas de sua carreira. Mais do que um goleador, o camisa 9 transformou-se em uma peça central do funcionamento ofensivo do Flamengo de Leonardo Jardim, reunindo características de finalizador, articulador e referência técnica em um único jogador.
A ausência na Copa aumenta o debate sobre a Seleção
A excelente fase inevitavelmente reacendeu outro assunto: a Seleção Brasileira.
Fora da lista final para a Copa do Mundo de 2026, Pedro voltou a ser questionado sobre uma possível convocação para o novo ciclo visando o Mundial de 2030. O atacante adotou um discurso sereno, afirmando que seu foco permanece no Flamengo e que uma oportunidade com a camisa amarelinha será consequência do trabalho realizado no clube.
Leonardo Jardim também evitou alimentar qualquer tipo de polêmica. O treinador preferiu respeitar as decisões da comissão técnica da Seleção, mas demonstrou confiança de que, mantendo o atual nível de desempenho, Pedro naturalmente voltará a ser observado nas próximas convocações.
Os números reforçam o protagonismo
Os dois gols marcados em Chapecó fizeram Pedro alcançar 12 gols no Campeonato Brasileiro, superando Kevin Viveros e assumindo isoladamente a liderança da artilharia da competição. Além disso, o atacante soma cinco participações diretas em gols nas últimas cinco partidas do Flamengo, evidenciando sua regularidade mesmo após a pausa para a Copa do Mundo.
A evolução também aparece na forma como participa do jogo. Pedro deixou de ser apenas um finalizador para se tornar um atacante muito mais completo, contribuindo na construção das jogadas, na retenção da posse e na criação de espaços para os companheiros.
O Flamengo colhe os frutos da evolução de seu camisa 9
A nova versão de Pedro representa um ganho importante para Leonardo Jardim. Quanto mais o centroavante participa da construção ofensiva, mais imprevisível o Flamengo se torna. A equipe deixa de depender exclusivamente das jogadas pelos lados do campo e passa a explorar também associações pelo corredor central, aumentando seu repertório ofensivo.
Essa transformação beneficia não apenas o camisa 9, mas todo o sistema ofensivo rubro-negro. Meias encontram mais espaços para infiltrar, pontas recebem a bola em melhores condições e os laterais conseguem atacar com maior liberdade.
Mais do que um artilheiro, um líder técnico
Se no início da temporada havia dúvidas sobre quem assumiria o protagonismo ofensivo do Flamengo após as mudanças no comando técnico, Pedro parece ter dado a resposta dentro das quatro linhas.
Artilheiro isolado do Brasileirão, dono de uma fase técnica exuberante e cada vez mais completo taticamente, o camisa 9 volta a ocupar o posto de principal referência ofensiva do Rubro-Negro. A discussão sobre ser ou não o melhor centroavante do país continuará aberta, mas as atuações recentes tornam essa tese cada vez mais difícil de contestar. Para o Flamengo, isso significa contar com um atacante decisivo justamente no momento em que a temporada entra em sua fase mais importante.
Publicidade
728x90







