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Libertadores

Pré-jogo: Flamengo x Del Valle - vantagem é grande, mas Jardim precisa evitar armadilha no Maracanã

Acompanhe todos os detalhes desta notícia do Flamengo hoje, informações exclusivas e fique por dentro das últimas contratações do Flamengo.

Por Robson Corrêa17 de setembro de 2026
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Pré-jogo: Flamengo x Del Valle - vantagem é grande, mas Jardim precisa evitar armadilha no Maracanã - Notícias do Flamengo hoje e contrataçõesImagem: Gilvan de Souza/CRF

Rubro-Negro recebe o Independiente del Valle nesta quinta-feira com 2 a 0 de vantagem e pode até perder por um gol, mas precisa controlar a pressão inicial dos equatorianos para confirmar a vaga na semifinal da Libertadores

O Flamengo entra no Maracanã nesta quinta-feira diante de uma situação que todo time gostaria de ter em um mata-mata: dois gols de vantagem construídos fora de casa.

A vitória por 2 a 0 sobre o Independiente del Valle, em Quito, colocou o Rubro-Negro em uma posição extremamente confortável para decidir a vaga na semifinal da Libertadores diante da própria torcida. Bruno Henrique e Léo Pereira marcaram os gols que mudaram completamente o cenário da eliminatória.

Mas existe uma armadilha escondida justamente nessa vantagem.

O Flamengo não pode confundir controle do confronto com acomodação.

O Del Valle chega ao Rio de Janeiro sabendo que precisa atacar. Um gol muda completamente a atmosfera do Maracanã. Dois gols levam a decisão para os pênaltis. Três classificam os equatorianos.

Por isso, a primeira batalha da noite será psicológica e tática.

Em resumo: o Flamengo enfrenta o Independiente del Valle nesta quinta-feira, às 21h30, no Maracanã, pelo jogo de volta das quartas de final da Libertadores. Depois de vencer por 2 a 0 em Quito, o time de Leonardo Jardim pode avançar mesmo com uma derrota por um gol de diferença. O cenário favorece o Rubro-Negro, mas também cria um desafio: administrar a vantagem sem recuar excessivamente e permitir que o adversário transforme os primeiros minutos em uma pressão constante. O Del Valle precisa vencer por dois gols para levar a decisão aos pênaltis ou por três para se classificar diretamente.





Flamengo pode até perder e ainda avançar

A matemática é favorável ao time de Leonardo Jardim.

Depois do 2 a 0 em Quito, o Flamengo avança à semifinal com vitória, empate ou derrota por um gol de diferença. Se perder por dois, a decisão vai para os pênaltis. Apenas uma derrota por três ou mais gols elimina o Rubro-Negro no tempo normal.

Isso significa que o Del Valle será obrigado a assumir riscos.

E essa pode ser justamente a maior oportunidade do Flamengo.

Quanto mais o time equatoriano precisar avançar suas linhas, mais espaços poderão aparecer para jogadores como Samuel Lino, Arrascaeta, Carrascal e Bruno Henrique atacarem a última linha.

O Flamengo, portanto, não precisa sair desesperadamente em busca do gol.

Mas também não pode entregar o campo ao adversário.

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Foto: Gilvan de Souza/CRF

A armadilha de Jardim: recuar demais

O maior risco para o Flamengo talvez não esteja no ataque do Del Valle, mas na própria postura rubro-negra.

Uma equipe que entra em campo pensando exclusivamente em proteger uma vantagem pode acabar convidando o adversário para jogar perto de sua área.

E esse cenário seria perigoso.

O Del Valle precisa marcar, mas também sabe que um gol cedo pode transformar completamente a partida. Se o Flamengo permitir que os equatorianos tenham posse, cruzamentos, escanteios e segundas bolas próximos à área de Rossi, a vantagem conquistada em Quito pode diminuir rapidamente.

Leonardo Jardim terá de encontrar o equilíbrio entre baixar o risco e continuar ameaçando.

O ideal para o Flamengo não é necessariamente dominar a posse durante os 90 minutos.

É manter o Del Valle desconfortável.

O gol do Flamengo pode valer mais do que parece

Existe uma diferença enorme entre administrar um 2 a 0 e administrar um 3 a 0.

Se o Flamengo marcar primeiro, o Del Valle precisará fazer quatro gols para se classificar diretamente.

Isso praticamente encerraria a disputa.

Por isso, embora o Rubro-Negro não precise se lançar ao ataque, buscar o gol em momentos favoráveis pode ser uma estratégia de proteção, e não de exposição.

A própria partida de ida mostrou isso.

O Flamengo passou o primeiro tempo sem finalizar no alvo, sofreu com a dificuldade de encontrar espaços e melhorou depois do intervalo. Na segunda etapa, marcou nas duas primeiras finalizações certas: Bruno Henrique abriu o placar e Léo Pereira ampliou.

A eficiência ofensiva voltou a ser uma das principais armas da equipe.

O que o Del Valle deve tentar fazer para virar o confronto

O Independiente del Valle não poderá simplesmente repetir no Maracanã o roteiro da partida de ida. Em Quito, os equatorianos tiveram 63% de posse de bola e 18 finalizações, mas acertaram o alvo apenas três vezes. O Flamengo, por outro lado, foi extremamente eficiente: marcou nas duas grandes oportunidades que teve na segunda etapa.

O dado ajuda a explicar o que pode acontecer no Maracanã.

Com dois gols de desvantagem, o Del Valle precisará transformar posse em volume ofensivo real. E isso deve obrigar Joaquín Papa a empurrar sua equipe alguns metros para frente, principalmente através dos laterais e dos meias.

Na partida de ida, o Del Valle apresentou uma estrutura que podia ser lida como um 4-5-1, com Jordy Alcívar e Hugo Quintana trabalhando por dentro e Júnior Sornoza responsável por oferecer qualidade na construção. Carlos González funcionava como referência mais avançada.

No Maracanã, a tendência é que essa estrutura fique mais agressiva.

Sornoza deverá ter participação ainda maior entre as linhas, enquanto os jogadores dos lados precisarão atacar posições mais avançadas. A ideia será empurrar o Flamengo para perto da própria área e criar uma sequência de ataques, cruzamentos e segundas bolas.

O problema é que quanto mais o Del Valle avançar seus laterais e seus meio-campistas, maior será o espaço deixado nas costas.

E é exatamente aí que o Flamengo pode encontrar o jogo que deseja.

O corredor que pode decidir a partida

Uma das principais armas do Del Valle será tentar criar superioridade pelos lados.

Com a equipe brasileira defendendo mais próxima, os equatorianos podem buscar a combinação entre lateral, ponta e meia para chegar ao fundo e cruzar. A ausência de Carlos González, entretanto, altera essa equação: o atacante, que deixou o jogo de ida lesionado e está fora da decisão, era uma referência importante para transformar esses cruzamentos em finalizações.

Djorkaeff Reasco deve ocupar a vaga no ataque.

Isso pode fazer o Del Valle buscar mais movimentação e trocas de posição na frente, em vez de depender exclusivamente de um centroavante fixo.

Para o Flamengo, a resposta será fundamental: os laterais não podem ser atraídos simultaneamente para fora, deixando espaços entre os zagueiros.

A pressão que o Del Valle precisará fazer

Outro ponto decisivo será o comportamento sem a bola.

O Del Valle não pode atacar durante 90 minutos sem pressionar a saída do Flamengo. Se permitir que Jorginho, Arrascaeta e Carrascal recebam de frente, o Rubro-Negro terá condições de acelerar a transição e explorar a defesa equatoriana desorganizada.

Por isso, é provável que o Del Valle tente pressionar mais alto em determinados momentos.

Essa escolha, porém, carrega um risco enorme.

Bruno Henrique, Samuel Lino e Carrascal são justamente jogadores que podem atacar o espaço deixado por uma linha defensiva adiantada.

Foi algo que apareceu na própria partida de Quito: depois de um primeiro tempo no qual o Flamengo teve dificuldades para criar, a equipe encontrou mais espaços na segunda etapa e marcou duas vezes. Bruno Henrique abriu o placar após assistência de Samuel Lino, enquanto Léo Pereira ampliou de cabeça após cruzamento de Emerson Royal.





O dilema de Joaquín Papa

O treinador argentino terá, portanto, um problema difícil de resolver.

Se colocar o time muito atrás, o Del Valle perde tempo e não consegue produzir os três gols de que precisa para se classificar diretamente.

Se adiantar demais as linhas, poderá entregar ao Flamengo justamente o espaço necessário para matar a eliminatória em uma transição.

É por isso que o início da partida será tão importante.

O Del Valle provavelmente tentará pressionar, mas sem transformar os primeiros minutos em um ataque desorganizado. Um gol cedo recoloca o confronto emocionalmente em outro patamar. Ao mesmo tempo, sofrer um gol praticamente obriga os equatorianos a marcar quatro vezes para avançar.

O Flamengo sabe disso.

E pode usar essa pressão contra o próprio adversário.

O que o Flamengo deve procurar

Leonardo Jardim não precisa disputar posse pela posse.

O plano mais inteligente pode ser permitir que o Del Valle tenha a bola em zonas menos perigosas e fechar os espaços centrais. A defesa rubro-negra teve atuação de destaque em Quito e conseguiu algo que o Flamengo ainda não havia feito contra o adversário na altitude: terminou o jogo sem sofrer gols.

A partir daí, a recuperação da bola pode virar uma arma ofensiva.

Primeiro passe vertical. Arrascaeta entre as linhas. Samuel Lino atacando um lado. Bruno Henrique ou Pedro ocupando a última linha. E Carrascal aparecendo no espaço criado.

Não será necessário que o Flamengo ataque dez vezes.

Uma ou duas transições bem executadas podem ser suficientes para transformar a obrigação do Del Valle em desespero.






A batalha pelo meio-campo

Talvez seja aqui que esteja a principal chave tática da partida.

Se Jorginho e Pulgar conseguirem proteger a frente da defesa e impedir que Sornoza receba com liberdade, o Del Valle terá de construir suas jogadas por fora.

Isso facilita a vida da defesa rubro-negra.

Por outro lado, se Sornoza conseguir receber entre as linhas e encontrar os atacantes de frente para o gol, o Del Valle poderá acelerar o jogo e colocar a defesa do Flamengo sob pressão.

O papel de Arrascaeta também será importante.

O uruguaio não terá apenas função ofensiva. Em determinados momentos, poderá ajudar a fechar o corredor central e impedir que o Del Valle consiga superioridade numérica por dentro.

É uma partida na qual defender bem não significa simplesmente recuar.

Significa controlar os espaços que o adversário precisa utilizar para construir a reação.

E esse é justamente o ponto que pode definir a noite do Maracanã.

A ausência de Carlos González pesa

O Del Valle ainda chega ao Maracanã sem seu principal artilheiro.

Carlos González sofreu uma lesão muscular no jogo de ida e está fora da partida de volta. O atacante é um dos principais goleadores da equipe equatoriana na temporada e marcou sete vezes na Libertadores.

A tendência é que Djorkaeff Reasco seja utilizado como referência ofensiva.

A ausência de González reduz uma das principais opções do treinador Joaquín Papa justamente em uma partida na qual sua equipe precisa produzir volume ofensivo.

Isso não significa que o Flamengo terá uma noite tranquila.

Mas representa uma perda importante para um adversário que precisa marcar pelo menos duas vezes para levar a decisão aos pênaltis.

Jardim ganha opções importantes

Do lado rubro-negro, Leonardo Jardim poderá recuperar jogadores importantes.

Léo Pereira, preservado na vitória sobre o Corinthians por causa de um desconforto muscular, treinou e aparece novamente como opção para a defesa. Danilo foi o titular contra o Corinthians.

Jorginho também tende a retornar ao time depois de começar a partida contra o Corinthians no banco.

No ataque, existe uma disputa interessante entre Pedro e Bruno Henrique.

Bruno Henrique foi titular no jogo de ida e marcou o primeiro gol do Flamengo. A escolha tem também uma justificativa tática: sua capacidade de pressionar a saída adversária é considerada uma das razões para sua utilização frequente nos jogos da Libertadores.

Pedro, por outro lado, oferece características diferentes, especialmente como referência, pivô e presença dentro da área.

A escolha de Jardim pode indicar o tipo de jogo que o treinador espera encontrar.

Provável Flamengo

A tendência indicada pela imprensa é que Jardim mantenha a base utilizada na vitória em Quito.

Rossi; Emerson Royal, Léo Pereira, Léo Ortiz e Ayrton Lucas; Erick Pulgar, Jorginho e Arrascaeta; Carrascal, Samuel Lino e Bruno Henrique. Pedro aparece como alternativa importante no setor ofensivo, enquanto Plata também disputa espaço com Carrascal.

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Foto: Gilvan de Souza/CRF

A questão do gramado

Existe ainda uma variável que pode interferir diretamente no plano de jogo.

O estado do gramado do Maracanã virou preocupação antes da partida. Leonardo Jardim já havia criticado as condições do campo, afirmando que o gramado não está no nível que considera adequado para o Flamengo e seus jogadores. Samuel Lino também se manifestou sobre o assunto.

O problema ganha importância porque o Flamengo depende de circulação de bola, aceleração das jogadas e movimentações coordenadas.

Um gramado irregular pode prejudicar justamente a equipe que pretende controlar a partida através da posse e da qualidade técnica.

O Maracanã pode decidir

O Flamengo terá novamente a força de sua torcida ao lado.

A equipe conquistou a melhor campanha geral da Libertadores e, por isso, tem o direito de decidir em casa as eliminatórias até a semifinal.

Agora, o Maracanã será o palco da decisão.

E existe uma diferença importante em relação ao jogo de Quito.

No Equador, o Flamengo precisou lidar com altitude, viagem e um adversário jogando em casa.

No Rio, terá sua torcida, seu ambiente e uma vantagem de dois gols.

Isso coloca sobre o Del Valle uma pressão enorme.

A noite em que o Flamengo precisa ser inteligente

O Flamengo não precisa ganhar.

Não precisa fazer uma grande apresentação ofensiva.

Não precisa controlar a bola durante os 90 minutos.

Precisa apenas jogar uma partida suficientemente inteligente para não transformar uma vantagem construída com autoridade em um problema.

A chave será entender o momento de acelerar e o momento de controlar.

Se o Del Valle pressionar, o Flamengo terá espaço para contra-atacar.

Se os equatorianos recuarem, o Rubro-Negro poderá trabalhar a bola e procurar o gol com paciência.

O que Jardim não pode permitir é que o adversário encontre o cenário perfeito: um Flamengo recuado, sem capacidade de sair da pressão e sofrendo sucessivas bolas dentro da área.

A vantagem de 2 a 0 é preciosa.

Mas, em Libertadores, vantagem só vira classificação quando o time sabe jogar com ela.

Nesta quinta-feira, o Flamengo terá 90 minutos para provar que aprendeu essa lição.
Imagem secundária para Pré-jogo: Flamengo x Del Valle - vantagem é grande, mas Jardim precisa evitar armadilha no MaracanãImagem: Gilvan de Souza/CRF
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