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Análise Tática

Raio-X Tático: O Flamengo precisa correr menos e pensar mais? O dilema tático de Leonardo Jardim na reta decisiva

Acompanhe todos os detalhes desta análise do Flamengo hoje, informações exclusivas e fique por dentro das últimas contratações do Flamengo.

Por Redação Fla10 • 05 de setembro de 2026
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Raio-X Tático: O Flamengo precisa correr menos e pensar mais? O dilema tático de Leonardo Jardim na reta decisiva - Raio-X Tático do Flamengo hoje e contrataçõesImagem: Gilvan de Souza/CRF

Rubro-Negro chega às quartas de final da Libertadores com um dos elencos mais qualificados do continente, mas precisa encontrar o equilíbrio entre intensidade, controle e agressividade para superar o Independiente del Valle

A pergunta parece simples, mas envolve uma das decisões mais importantes de qualquer equipe que disputa mata-matas.

O Flamengo tem jogadores para jogar em alta intensidade.

Tem qualidade para pressionar alto, tem capacidade técnica para controlar a posse e tem jogadores capazes de decidir em poucos segundos.

Mas também tem demonstrado que, quando acelera sem organização, abre espaços que podem ser explorados pelo adversário.

E o Independiente del Valle, próximo adversário nas quartas de final da Libertadores, é justamente uma equipe capaz de transformar esses espaços em situações perigosas.

Por isso, o desafio de Leonardo Jardim não será simplesmente fazer o Flamengo jogar mais rápido.

Será fazer o Flamengo escolher quando correr.

A identidade de Jardim começa pela organização

Desde a chegada ao clube, Leonardo Jardim procura construir uma equipe capaz de alternar momentos de pressão, posse e transição.

O Flamengo não precisa necessariamente controlar todas as partidas com uma posse excessiva.

A ideia é ter a bola quando isso for útil, acelerar quando houver espaço e pressionar imediatamente depois da perda.

É uma concepção diferente daquela de uma equipe que simplesmente mantém a posse pela posse.

O objetivo é controlar o comportamento do adversário.

Quando o Flamengo circula a bola com velocidade, consegue deslocar o bloco defensivo. Quando recupera rapidamente após perder, impede o contra-ataque. E, quando encontra espaço, acelera.

O problema aparece quando essas três fases deixam de funcionar juntas.

O Flamengo corre o risco de acelerar demais

Uma das principais armadilhas para o Flamengo nesta reta final é confundir intensidade com velocidade.

São conceitos diferentes.

Intensidade significa executar ações com concentração, agressividade e velocidade de reação.

Jogar rápido significa simplesmente acelerar a circulação ou atacar em poucos segundos.

Uma equipe pode ser extremamente intensa sem jogar de maneira precipitada.

E essa distinção será fundamental contra o Independiente del Valle.

Se o Flamengo acelerar todas as jogadas, poderá transformar o confronto em um jogo de transições.

Esse cenário interessa ao adversário.

Se o Flamengo conseguir controlar o ritmo e escolher os momentos para acelerar, terá maior capacidade de colocar o Del Valle em situações desconfortáveis.

O dilema começa na saída de bola

A primeira decisão de Jardim acontecerá ainda no campo defensivo.

O Flamengo gosta de construir desde trás.

Os zagueiros participam da circulação, os volantes oferecem linhas de passe, os laterais podem avançar.

Os meias procuram espaços entre as linhas adversárias.

Mas contra uma equipe que pressione alto, insistir na saída curta em qualquer circunstância pode ser perigoso.

O Flamengo precisa ter uma segunda opção.

Quando a pressão estiver bem montada, a bola longa também precisa fazer parte do repertório.

Pedro pode funcionar como referência, Bruno Henrique pode atacar a segunda bola, Samuel Lino pode explorar a profundidade.

Os meias podem avançar para disputar a sobra.

Isso não significa abandonar a construção.

Significa não permitir que o adversário determine como o Flamengo deve sair jogando.

Controle começa sem a bola

Existe uma contradição interessante no futebol de Jardim.

Para controlar a partida, o Flamengo não precisa necessariamente ter a bola o tempo inteiro.

Pode controlar o jogo também através da posição que ocupa quando não tem a posse.

Uma equipe compacta reduz espaços, uma equipe desorganizada oferece corredores.

Por isso, a chamada transição defensiva será decisiva.

Quando o Flamengo perder a bola, os jogadores mais próximos precisam reagir imediatamente.

Se não conseguirem recuperar, devem pelo menos retardar o contra-ataque.

Isso permite que os demais jogadores retornem às suas posições.

É o famoso princípio de “perdeu, pressiona; se não recuperar, reorganiza”.

O problema não é perder a bola. É perder a bola mal posicionado.

Essa diferença pode decidir uma eliminatória.

Pulgar, Jorginho e Evertton terão uma função estratégica

O meio-campo será o setor responsável por estabelecer o equilíbrio.

Pulgar, Jorginho e Evertton possuem características diferentes, mas cumprem uma função essencial: impedir que o Flamengo fique partido.

Quando os laterais avançarem, pelo menos um volante precisará proteger a defesa; quando Paquetá subir, outro jogador precisará controlar o espaço deixado; quando Arrascaeta e Carrascal ocuparem posições mais avançadas, a estrutura defensiva terá de continuar funcionando.

O Flamengo não pode atacar com oito jogadores e defender com três.

Essa matemática simplesmente não funciona contra equipes preparadas para contra-atacar.

Paquetá pode ser a peça que muda o ritmo

Lucas Paquetá talvez seja o jogador que melhor representa esse dilema.

O meia tem capacidade para acelerar.

Mas também sabe cadenciar.

Pode conduzir a bola e proteger a posse. Pode fazer o passe vertical e aproximar-se da área.

E também pode pressionar depois da perda.

Por isso, Jardim poderá utilizá-lo como uma espécie de regulador do ataque.

Quando o Flamengo precisar acelerar, Paquetá pode encontrar o passe vertical; quando precisar controlar, pode fazer a equipe respirar.

Essa capacidade de alternar velocidades será extremamente importante contra o Del Valle.

Arrascaeta não precisa tocar na bola o tempo inteiro

O mesmo vale para Arrascaeta.

Existe uma tendência de imaginar que o melhor jogador precisa participar constantemente das jogadas.

Nem sempre.

Em determinados momentos, o maior benefício de Arrascaeta para o Flamengo pode ser estar no lugar certo e esperar o momento certo.

Quando o uruguaio circula entre linhas, obriga os volantes adversários a tomar decisões.

Se um volante sair para acompanhá-lo, abre espaço; se não sair, Arrascaeta recebe.

É uma espécie de ameaça permanente.

Jardim precisa aproveitar isso.

O Flamengo não precisa fazer Arrascaeta participar de todas as construções.

Precisa criar condições para que ele receba em zonas nas quais uma ação sua possa desmontar a defesa.

Carrascal pode ser o acelerador do time

Com a saída de Gonzalo Plata, Carrascal ganha ainda mais importância.

E o colombiano pode exercer justamente uma função que será necessária contra o Del Valle: quebrar linhas individualmente.

Carrascal consegue receber aberto, conduzir para dentro e avançar entre os adversários.

Essa característica permite ao Flamengo mudar a velocidade da jogada sem depender exclusivamente de passes longos.

Ele pode transformar uma posse aparentemente controlada em uma situação de ataque em poucos segundos.

Mas existe um risco.

Quanto mais Carrascal entrar por dentro, maior será a responsabilidade do lateral direito para manter a amplitude.

E quanto mais o Flamengo avançar seus laterais, maior será a necessidade de proteção na transição.

Tudo está conectado.

Samuel Lino pode resolver o problema da profundidade

A presença de Samuel Lino também oferece uma solução.

O português pode atacar o espaço nas costas da defesa.

Isso é fundamental para impedir que o Del Valle jogue confortavelmente adiantado.

Imagine uma situação em que o Flamengo troca passes lentamente no meio.

Se a defesa equatoriana perceber que ninguém ameaça a profundidade, poderá avançar alguns metros.

Isso reduz o espaço entre as linhas.

Mas se Lino começar a atacar constantemente as costas dos defensores, eles terão de recuar.

E, quando a linha defensiva recua, surge espaço para Arrascaeta, Paquetá e Carrascal.

É assim que a profundidade pode criar espaço para o jogo por dentro.

Pedro é mais importante para o sistema do que apenas pelos gols

Pedro também terá uma função estratégica.

O centroavante não precisa participar de todas as jogadas.

Sua principal contribuição pode ser justamente fixar os zagueiros.

Quando Pedro ocupa os defensores, abre espaço para quem chega de trás.

Quando sai da área para participar da construção, pode arrastar um zagueiro e abrir espaço para um ponta atacar.

Esse movimento precisa ser coordenado.

Se todos forem buscar a bola, ninguém atacará a área; se todos permanecerem à frente, a construção ficará previsível.

O equilíbrio entre esses movimentos será fundamental.

O Flamengo precisa atacar com cinco e defender com cinco?

Não existe uma regra fixa.

Mas uma referência pode ajudar.

Quando estiver instalado no campo ofensivo, o Flamengo precisa ter jogadores suficientes para ameaçar a defesa.

Imagem inserida
Foto: Arte Fla10

Ao mesmo tempo, precisa manter jogadores preparados para controlar uma eventual perda.

Imagem inserida
Foto: Arte Fla10

E, dependendo da posição do lance, o lateral do lado oposto.

Essa estrutura permite atacar sem transformar cada perda de bola em uma emergência.

O corredor central será o território mais disputado

Contra o Independiente del Valle, o Flamengo não pode permitir que o meio-campo vire uma zona de passagem.

O time equatoriano gosta de utilizar combinações pelo centro para depois acelerar pelos lados.

O Flamengo precisa fechar esse caminho.

E isso não significa colocar todos os jogadores próximos da própria área.

Significa reduzir as linhas de passe.

Se Arrascaeta e Paquetá pressionarem os volantes adversários, Carrascal fechar uma linha de passe e Pedro orientar a saída para um lado, o Flamengo poderá conduzir o adversário para uma região específica do campo.

Isso é pressão organizada.

Não é simplesmente correr atrás da bola.

Pressionar não significa correr atrás do adversário

Esse talvez seja o ponto mais importante para Jardim.

Uma pressão eficiente começa antes do adversário receber.

O Flamengo precisa controlar a direção do passe.

O atacante pode pressionar o zagueiro.

Mas o objetivo não deve ser necessariamente roubar a bola naquele momento.

Pode ser impedir que o zagueiro encontre o volante.

Pode ser obrigá-lo a tocar para o lateral.

E, quando a bola chega ao lateral, o Flamengo pode fechar o corredor.

Isso reduz as opções.

O adversário fica previsível.

E a pressão se torna muito mais eficiente.

O grande erro seria transformar a partida em um jogo de ida e volta

O Del Valle provavelmente adoraria uma partida caótica.

Bola de um lado para outro.

Transições rápidas.

Espaços entre os setores.

Laterais avançados.

Zagueiros expostos.

Nesse cenário, a diferença técnica individual diminui.

E o Flamengo não precisa aceitar essa condição.

O Rubro-Negro tem jogadores capazes de controlar o jogo.

Tem experiência, qualidade e repertório.

Por isso, a melhor estratégia pode ser justamente tirar velocidade do jogo quando a velocidade favorecer o adversário.

Isso não significa ser defensivo.

Significa ser inteligente.

Quito exigirá uma estratégia ainda mais cuidadosa

No primeiro jogo, em Quito, essa questão ganha uma dimensão adicional.

O Flamengo terá de administrar o desgaste físico provocado pela altitude.

Correr desnecessariamente durante 90 minutos pode cobrar um preço alto na parte final da partida.

Por isso, a posse pode funcionar também como ferramenta física.

Trocar passes.

Fazer o adversário correr.

Controlar o ritmo.

Evitar transições desnecessárias.

Acelerar apenas quando houver vantagem.

É uma estratégia que pode permitir ao Flamengo chegar aos minutos finais em melhores condições.

O jogo de volta será outra história

No Maracanã, o contexto muda, a torcida empurrará o Flamengo.

O adversário provavelmente terá de assumir mais riscos e isso pode abrir espaços.

Nesse cenário, a intensidade poderá ser utilizada de maneira diferente.

O Flamengo pode começar pressionando para tentar marcar cedo, empurrando o Del Valle para perto da própria área.

Mas novamente será necessário equilíbrio.

Uma eventual vantagem no placar não significa que o Flamengo precise continuar acelerando. Pelo contrário.

Quanto mais perto estiver da classificação, mais importante será controlar os riscos.

O Flamengo precisa aprender a administrar vantagens

Essa talvez seja uma das principais características que Jardim precisa consolidar.

Grandes equipes de mata-mata sabem jogar diferentes partidas dentro da mesma partida.

Começam pressionando, depois controlam para preservar o fôlego, aceleram novamente, recuam alguns metros e voltam a pressionar.

Não existe uma única intensidade.

Existe gestão de intensidade.

É isso que o Flamengo precisará fazer contra o Del Valle.

O Fla10 analisa: o Flamengo não precisa correr mais. Precisa correr melhor

O Flamengo tem um dos elencos mais talentosos da Libertadores.

Possui jogadores capazes de decidir individualmente.

Mas o talento não elimina a necessidade de organização.

Na verdade, quanto mais talentoso é um elenco, mais importante se torna encontrar uma estrutura que potencialize suas características.

Leonardo Jardim tem uma escolha diante dele.

Pode transformar o Flamengo em uma equipe que tenta impor intensidade durante os 90 minutos.

Ou pode construir um time capaz de alternar intensidade e controle.

A segunda opção parece mais adequada para o momento.

Contra o Independiente del Valle, o Flamengo não precisa ganhar todas as disputas de velocidade.

Precisa ganhar as disputas de espaço, não precisa ter a bola o tempo inteiro.

Precisa saber o que fazer quando tem a bola, não precisa pressionar sempre.

Precisa pressionar no momento certo e não precisa correr mais que o adversário.

Precisa correr melhor que ele.

Essa pode ser a diferença entre um Flamengo que domina territorialmente a eliminatória e um Flamengo que realmente controla os 180 minutos.

Porque, em uma Libertadores decidida nos detalhes, pensar antes de correr pode ser a maior demonstração de intensidade que Leonardo Jardim pode oferecer ao seu time.

Imagem secundária para Raio-X Tático: O Flamengo precisa correr menos e pensar mais? O dilema tático de Leonardo Jardim na reta decisivaImagem: Arte Fla10
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