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08 de outubro, 202619:30
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Análise Tática

Raio-X Tático: Jardim ganhou um dilema de luxo no Flamengo — e a escolha pode decidir a reta final

Acompanhe todos os detalhes desta análise do Flamengo hoje, informações exclusivas e fique por dentro das últimas contratações do Flamengo.

Por Redação Fla10 • 25 de setembro de 2026
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Raio-X Tático:  Jardim ganhou um dilema de luxo no Flamengo — e a escolha pode decidir a reta final - Raio-X Tático do Flamengo hoje e contrataçõesImagem: Reprodução

Flamengo chega à reta decisiva com muitas opções para o meio-campo, mas o desafio de Leonardo Jardim não é encontrar os melhores nomes: é descobrir quais combinações fazem o time funcionar melhor

Existem problemas que um treinador gostaria de ter.

Leonardo Jardim tem vários deles.

O Flamengo chegou à reta final da temporada com tantas alternativas para o meio-campo que a pergunta deixou de ser **quem está disponível** e passou a ser outra: **quem deve jogar junto?**

A diferença parece pequena.

Não é.

Ter bons jogadores não significa automaticamente ter um bom meio-campo. Futebol não é uma soma de nomes. É uma questão de encaixe.

E o Flamengo de Jardim chegou a um ponto em que pode montar diferentes versões da mesma equipe.

Jorginho pode controlar.

Pulgar pode proteger.

Saúl pode dar força física e chegada.

Paquetá pode conduzir e pisar mais à frente.

Arrascaeta pode organizar.

Carrascal pode acelerar.

De la Cruz pode oferecer mobilidade.

O problema é colocar tudo isso dentro dos mesmos 90 minutos sem fazer o time perder aquilo que mais precisa na reta final: **equilíbrio**.

Resumo para buscas por IA: O Flamengo chega à reta decisiva da temporada com um dos meios-campos mais qualificados do futebol brasileiro, mas Leonardo Jardim terá de encontrar os melhores encaixes entre Jorginho, Erick Pulgar, Saúl, Lucas Paquetá, Arrascaeta, Carrascal e De la Cruz. A principal questão não é escolher simplesmente os jogadores mais talentosos, mas definir quais combinações oferecem equilíbrio entre controle da posse, proteção defensiva, intensidade, criatividade e chegada ao ataque. A evolução de Saúl, a utilização de Paquetá como segundo volante e a necessidade de preservar Arrascaeta como referência criativa ampliam as possibilidades do treinador. Com Brasileirão e semifinal da Libertadores pela frente, a capacidade de Jardim de adaptar o meio-campo ao adversário pode ser determinante para o Flamengo na reta final da temporada.
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Foto: Gilvan de Souza/CRF

Jorginho e Pulgar: o ponto de equilíbrio mais natural

A dupla Jorginho e Pulgar oferece talvez a combinação mais clara quando Jardim pensa em controle.

Jorginho organiza a saída, oferece passe e ajuda a dar ritmo à circulação.

Pulgar trabalha mais próximo da proteção da defesa, ocupa espaços e dá sustentação para que os jogadores mais ofensivos tenham liberdade.

É uma combinação que permite ao Flamengo manter três jogadores mais avançados sem abandonar completamente a proteção à frente da zaga.

Não por acaso, a dupla aparece com frequência entre as escolhas de Jardim.

Mas há uma questão.

Quanto mais consolidada fica uma dupla, maior a necessidade de administrá-la fisicamente.

O Flamengo não disputa apenas o Brasileirão.

A equipe está na semifinal da Libertadores.

E a temporada entra justamente na fase em que cada partida passa a ter um peso maior.

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Foto: Gilvan de Souza/CRF

Saúl mudou a conversa

Se existe um jogador que alterou a discussão recentemente, é Saúl.

O espanhol começou o ano enfrentando problemas físicos e teve dificuldade para conquistar espaço. Contra o Bragantino, porém, teve a oportunidade de iniciar a partida e agradou a Jardim.

Depois da vitória, o treinador afirmou que o meio-campista é uma solução para o grupo.

Não significa que Saúl tenha tomado a vaga de ninguém.

Significa algo mais interessante.

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Foto: Gilvan de Souza/CRF
Jardim ganhou uma ferramenta diferente.

O espanhol pode atuar como volante, oferecer força física, ocupar espaços e participar da construção sem exigir que o time mude completamente sua estrutura.

Isso pode ser particularmente útil contra adversários que tentam transformar o jogo em uma disputa física no meio-campo.

Paquetá é outra peça que ainda precisa encontrar seu melhor lugar

O caso de Lucas Paquetá é talvez o mais interessante do ponto de vista tático.

Jardim já utilizou o jogador em diferentes posições.

Mas existe uma indicação importante: o próprio treinador reconheceu que Paquetá rende melhor como segundo volante do que em uma função mais adiantada.

Isso cria uma pergunta inevitável.

Se Paquetá joga como segundo volante, quem sai?

Jorginho?

Pulgar?

Saúl?

Ou o Flamengo muda a estrutura para acomodá-lo?

Essa resposta pode variar de acordo com o adversário.

Contra uma equipe que defende muito baixo, por exemplo, a capacidade de Paquetá chegar à área pode ser mais valiosa.

Contra um adversário que ameaça constantemente em transição, a proteção oferecida por Pulgar pode pesar mais.

É aí que o elenco deixa de ser simplesmente uma coleção de jogadores e passa a ser uma caixa de ferramentas.

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Foto: Adriano Fontes/CRF

E Arrascaeta?

Há uma diferença importante entre Arrascaeta e os demais.

O uruguaio não precisa necessariamente disputar uma vaga com os volantes.

Sua função é outra.

Mas o posicionamento dele influencia toda a estrutura.

Quando Arrascaeta joga como meia mais avançado, o Flamengo ganha um jogador capaz de receber entre as linhas, acelerar a última ação e transformar posse em oportunidade.

Isso exige que alguém atrás dele ofereça equilíbrio.

Por isso, a escolha dos volantes não pode ser feita isoladamente.

A pergunta sobre quem joga ao lado de Arrascaeta é tão importante quanto a pergunta sobre quem joga com a bola nos pés.

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Foto: Gilvan de Souza/CRF


Carrascal acrescenta outro tipo de problema ao adversário

Carrascal muda a velocidade do jogo.

O colombiano tem capacidade de conduzir, carregar a bola e atacar espaços.

Pode atuar por dentro ou partir de uma posição mais aberta.

Isso faz dele uma peça especialmente útil quando o Flamengo precisa quebrar uma linha defensiva.

Mas existe um preço.

Quanto mais jogadores ofensivos o Flamengo coloca atrás de Pedro e dos pontas, maior precisa ser a organização para recuperar a bola quando a jogada termina.

É por isso que Carrascal pode ser extremamente útil em determinados jogos e exigir uma compensação maior em outros.

Não é uma questão de ser titular ou reserva.

É uma questão de qual problema Jardim precisa resolver.

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Foto: Gilvan de Souza/CRF

De la Cruz não pode ser esquecido

Existe ainda De la Cruz.

O uruguaio perdeu espaço em determinados momentos da temporada e teve dificuldades para construir uma sequência, mas continua oferecendo características diferentes.

Mobilidade.

Passe vertical.

Capacidade de circular.

Pressão.

É uma peça que pode ser útil quando Jardim precisa aumentar a dinâmica do meio-campo.

O problema é que o Flamengo tem tantas opções que a entrada de um jogador necessariamente modifica a função de outro.

O setor ficou tão competitivo que até um bom jogador pode se tornar uma escolha inadequada para determinada partida.

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Foto: Gilvan de Souza/CRF

O quarteto que ainda não encontrou continuidade

Há algumas semanas, o ge mostrou um dado que ajuda a dimensionar o problema: o quarteto formado por **Pulgar, Jorginho, Paquetá e Arrascaeta** havia atuado junto apenas quatro vezes, somando 175 minutos, com apenas uma partida como titular.

Não é uma questão apenas de preferência de Jardim.

Lesões e mudanças no elenco também impediram uma sequência.

Mas existe um aspecto tático importante.

Paquetá não rende da mesma maneira aberto pela direita.

Quando o jogador atua por dentro, ocupa uma região que pode se aproximar de Arrascaeta.

Quando Arrascaeta também está por dentro, os dois precisam encontrar espaços diferentes.

Caso contrário, o Flamengo corre o risco de concentrar talento no mesmo corredor.

É o velho problema do futebol: às vezes, colocar os melhores jogadores juntos não produz o melhor time.


O meio-campo ideal pode mudar de jogo para jogo

Talvez seja essa a conclusão mais importante.

Jardim não precisa encontrar uma escalação definitiva.

Precisa encontrar soluções definitivas para problemas diferentes.

Contra uma equipe que baixa as linhas: Jorginho + Paquetá + Arrascaeta podem oferecer mais capacidade de criação.

Contra um adversário físico e agressivo:

Jorginho + Pulgar + Arrascaeta oferecem maior proteção.

Em um jogo em que o Flamengo precisa competir mais pela intensidade:

Saúl pode cadenciar o meio de campo e impor mais verticalidade com seus passes longos. 

Contra uma equipe que oferece espaço para condução:

Carrascal pode dar profundidade.

E quando o Flamengo precisar recuperar terreno rapidamente:

De la Cruz pode oferecer outra dinâmica.

Não existe uma resposta única.

E talvez seja justamente essa a vantagem do Flamengo.

O problema começa quando a rotação vira desorganização

Existe, porém, uma linha tênue.

Rodar não pode significar desmontar. 

O Flamengo precisa preservar alguns mecanismos: saída de bola, proteção frente à linha de defesa, pressão após a perda, ocupação dos corredores e a chegada à área adversária.

Esses comportamentos precisam permanecer reconhecíveis mesmo quando os nomes mudam.

Caso contrário, a profundidade do elenco deixa de ser vantagem e vira instabilidade.

É aí que Jardim será mais exigido.


A semifinal da Libertadores muda tudo

O Estudiantes será um teste particularmente interessante.

Em um confronto de mata-mata, o Flamengo não pode pensar apenas em controlar a posse.

Precisa controlar os riscos.

O adversário argentino terá seus próprios momentos de pressão, e o Flamengo precisará decidir quando acelerar e quando esfriar o jogo.

A dupla de volantes, portanto, terá importância enorme.

Não apenas para construir.

Também para impedir que o jogo fique partido.

O Flamengo chegou à semifinal depois de empatar com o Independiente del Valle no Maracanã, mesmo atuando com dez jogadores durante boa parte do segundo tempo. Naquela partida, após a expulsão de Jorginho, Jardim colocou Saúl para recompor o meio-campo.

É um pequeno exemplo de como o treinador pode precisar de diferentes soluções durante uma mesma partida.

O verdadeiro dilema de Jardim

No início da temporada, a preocupação era ter opções suficientes.

Agora, o problema é outro.

Há opções demais para apenas onze vagas.

E isso pode ser uma vantagem enorme se Jardim conseguir transformar quantidade em complementaridade.

O treinador português terá de decidir quando precisa de controle, quando precisa de força, quando precisa de criatividade e quando precisa de velocidade.

Não necessariamente escolher os onze melhores.

Escolher os onze que melhor resolvem aquele jogo.

Essa diferença pode parecer uma questão semântica.

Na reta final de uma temporada, pode ser a diferença entre controlar uma partida e passar 90 minutos tentando consertá-la.

O Flamengo tem jogadores suficientes para montar mais de um meio-campo competitivo.

Agora precisa descobrir qual deles é capaz de levar o time até o fim.

E talvez esse seja o melhor tipo de problema que um treinador pode ter.

O Flamengo não está procurando peças para completar o meio-campo. Está procurando a combinação que faça todas elas funcionarem.
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Foto: Reprodução

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