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18 de outubro, 202618:30
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Análise Tática

Raio-X Tático: como o Flamengo desmontou o Botafogo e transformou um jogo controlado em vitória contundente

Acompanhe todos os detalhes desta análise do Flamengo hoje, informações exclusivas e fique por dentro das últimas contratações do Flamengo.

Por Robson Corrêa • 30 de agosto de 2026
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Raio-X Tático: como o Flamengo desmontou o Botafogo e transformou um jogo controlado em vitória contundente - Raio-X Tático do Flamengo hoje e contrataçõesImagem: Gilvan de Souza/CRF

Rubro-Negro dominou o clássico a partir da ocupação do campo, explorou a profundidade com Samuel Lino e encontrou em Carrascal a peça que faltava para acelerar o jogo na reta final

O 3 a 0 do Flamengo sobre o Botafogo, neste domingo, no Maracanã, pode ser interpretado de maneira simplista pelo placar. Uma análise mais cuidadosa, entretanto, revela uma partida em que o Rubro-Negro construiu uma superioridade territorial e posicional importante, mas precisou fazer ajustes durante os 90 minutos para transformar controle em resultado.

Leonardo Jardim iniciou o clássico com uma estrutura próxima do 4-3-3, mas o desenho do Flamengo com a bola era bastante diferente. Jorginho recuava para participar da primeira construção, Erick Pulgar oferecia equilíbrio e Arrascaeta ocupava zonas intermediárias, enquanto os laterais avançavam e Samuel Lino procurava constantemente atacar o espaço pelo lado esquerdo.

O Botafogo respondeu com um bloco mais baixo e compacto. A ideia era reduzir os espaços entre as linhas, proteger a região central e obrigar o Flamengo a circular a bola pelos corredores laterais.

O problema para o Alvinegro foi que o Flamengo conseguiu encontrar diferentes maneiras de desmontar essa estrutura.

E quando não conseguiu, criou outro problema para si mesmo: desperdiçou as oportunidades que construiu.

O mapa inicial do jogo

O Flamengo tinha uma missão clara: controlar a posse sem permitir que o Botafogo encontrasse transições rápidas.

Para isso, Jardim organizou sua equipe em três setores muito próximos quando o time atacava.

Na primeira linha, Léo Ortiz e Léo Pereira davam amplitude para a saída, enquanto Jorginho recuava entre os zagueiros ou próximo deles. Os laterais avançavam simultaneamente ou de maneira alternada, dependendo do lado da jogada.

No meio, Pulgar funcionava como o principal elemento de equilíbrio. Sua função era particularmente importante porque permitia que os demais jogadores ocupassem posições mais agressivas.

Na frente, Samuel Lino tinha liberdade para sair da referência lateral e atacar o espaço entre lateral e zagueiro.

Essa movimentação foi fundamental.

O Flamengo não procurava simplesmente chegar à linha de fundo. A intenção era criar dúvidas na última linha do Botafogo.

Quando Lino vinha por dentro, abria espaço para Ayrton Lucas. Quando permanecia aberto, criava um corredor interno para Arrascaeta ou para a aproximação de Pedro.

O Botafogo precisava escolher.

E toda escolha criava um espaço em outro setor.

O Botafogo tentou defender por compactação

Rodrigo Bellão percebeu que não poderia permitir que o Flamengo recebesse livremente entre as linhas.

O Botafogo montou um bloco compacto, procurando diminuir a distância entre defesa e meio-campo.

A estratégia funcionou em alguns momentos.

Quando o Flamengo reduzia a velocidade da circulação, os jogadores alvinegros conseguiam recompor a estrutura e fechar os caminhos para Pedro.

O problema era a profundidade.

Ao concentrar muitos jogadores por dentro, o Botafogo deixava espaço para os atacantes do Flamengo receberem em velocidade pelos lados.

Samuel Lino foi quem mais explorou esse comportamento e o primeiro gol nasceu exatamente dessa leitura.

Jorginho identificou o movimento do atacante e lançou a bola nas costas da defesa. Lino atacou o espaço antes que a linha defensiva pudesse reagir e finalizou rapidamente.

Não foi apenas uma jogada individual.

Foi a consequência direta de um problema estrutural do Botafogo: a distância entre a última linha e os jogadores responsáveis pela proteção do espaço à frente dela.

Samuel Lino foi o jogador que mais desequilibrou o sistema

A atuação de Samuel Lino merece uma análise específica.

O atacante não ficou preso à função de ponta tradicional.

Em diversos momentos, abriu o campo para depois atacar o espaço interior. Em outros, partiu diretamente para cima da última linha.

Essa alternância impediu que o Botafogo estabelecesse um encaixe confortável.

Quando o lateral saía para acompanhá-lo, surgia espaço nas costas, quando permanecia na linha defensiva, Lino recebia com liberdade.

O atacante também foi importante na transição ofensiva.

Em vez de esperar a bola chegar aos seus pés, atacava o espaço antes da recuperação completa do adversário.

Foi exatamente esse comportamento que apareceu novamente no segundo gol.

Carrascal recebeu, acelerou a jogada e encontrou Lino atacando a profundidade. O atacante ganhou a disputa espacial e finalizou com enorme qualidade.

O Flamengo encontrou, portanto, uma das maneiras mais eficientes de atacar um bloco compacto: não tentar desmontá-lo apenas através da circulação, mas obrigá-lo a correr para trás.

O problema do Flamengo: domínio sem agressividade suficiente

O primeiro tempo também expôs uma questão recorrente.

O Flamengo dominava, mas nem sempre era agressivo.

A equipe chegava ao último terço e, em determinados momentos, reduzia a velocidade da jogada justamente quando deveria acelerar.

A consequência era previsível.

O Botafogo conseguia recompor.

Esse fenômeno ajuda a explicar por que o Flamengo produziu menos gols do que o volume ofensivo sugeria.

A equipe tinha superioridade territorial, recuperava a bola rapidamente e encontrava jogadores em boas posições, mas demorava para transformar essas vantagens em finalizações.

Pedro também participou desse problema.

O centroavante frequentemente buscava a jogada mais sofisticada quando a situação pedia uma decisão simples.

Para um atacante central, o principal objetivo dentro da área precisa ser reduzir o número de ações antes da finalização.

Pedro, em alguns momentos, fez o contrário.

O excesso de preciosismo permitiu que o Botafogo ganhasse segundos preciosos para bloquear os caminhos.

Segundo tempo: o Flamengo perde o controle territorial

A principal mudança tática do segundo tempo não veio imediatamente das substituições.

Veio da postura.

O Flamengo diminuiu a intensidade da pressão após a perda da bola e permitiu que o Botafogo avançasse suas linhas.

A equipe de Bellão passou a ocupar mais o campo ofensivo e conseguiu empurrar o Flamengo para trás.

O problema é que o Rubro-Negro passou a defender mais próximo da própria área sem que isso significasse necessariamente uma defesa melhor.

A distância entre o meio-campo e o ataque aumentou; Pedro ficou mais isolado; Arrascaeta passou a receber menos bolas em zonas perigosas; Samuel Lino ficou mais distante da área.

E o Flamengo perdeu sua principal virtude do primeiro tempo: a capacidade de recuperar a bola e atacar imediatamente o espaço.

Foi o período mais preocupante da partida para Leonardo Jardim.

O 1 a 0 continuava sendo uma vantagem mínima, mas o jogo já não estava sob o mesmo controle.

A entrada de Lucas Paquetá: mais presença entre as linhas

Leonardo Jardim percebeu a dificuldade e promoveu uma alteração importante.

Lucas Paquetá entrou no segundo tempo e passou a ocupar zonas mais interiores.

A mudança teve dois efeitos.

Primeiro, aumentou a capacidade do Flamengo de manter a bola sob pressão.

Segundo, ofereceu uma referência técnica para receber entre as linhas.

Paquetá não precisava necessariamente ser o responsável pela assistência ou pelo gol.

Sua função mais importante era fazer a bola passar pelo corredor central.

Isso permitiu que o Flamengo voltasse a aproximar seus setores.

O meio-campo deixou de ser apenas uma zona de circulação e voltou a funcionar como plataforma para atacar.

Mas ainda faltava algo.

Faltava velocidade.

Carrascal entra e muda a rotação do Flamengo

A entrada de Carrascal, aos 29 minutos do segundo tempo, foi a mudança que efetivamente alterou a dinâmica do clássico.

O colombiano trouxe uma característica que o Flamengo havia perdido durante a etapa final: capacidade de conduzir a bola e acelerar a jogada pelo centro.

Carrascal não entrou para simplesmente ocupar o espaço de Arrascaeta. Ele entrou para mudar o ritmo e essa diferença foi fundamental.

Em vez de receber e devolver rapidamente, o colombiano conduziu a bola, atraiu adversários e atacou os espaços que surgiam atrás da primeira linha de pressão.

Isso obrigou o Botafogo a recuar e, quando o Botafogo recuou, Samuel Lino voltou a encontrar espaço.

O segundo gol é o exemplo perfeito.

Carrascal recebe, acelera e encontra Lino em profundidade. A defesa do Botafogo está recuando.

Lino ataca o espaço.

O resultado é 2 a 0.

Poucos minutos depois, Carrascal aparece novamente para completar a jogada e fazer 3 a 0.

Em pouco mais de dez minutos, o colombiano participou diretamente da transformação de um 1 a 0 ameaçado em um 3 a 0 definitivo.

Carrascal resolveu um problema estrutural

O impacto de Carrascal não pode ser medido apenas pelo gol e pela assistência.

Sua entrada solucionou um problema coletivo.

O Flamengo estava tendo dificuldades para progredir pelo corredor central.

Jorginho e Pulgar garantiam circulação e equilíbrio, mas faltava alguém capaz de receber entre as linhas e conduzir a bola para frente.

Arrascaeta havia deixado o campo.

Paquetá oferecia técnica e presença, mas tinha outra função.

Carrascal forneceu justamente a ruptura.

O colombiano conseguiu transportar a bola de uma zona congestionada para uma zona de vantagem.

Isso fez o Botafogo recuar.

E, quando o adversário recuou, o Flamengo recuperou espaço para seus atacantes.

O erro do Botafogo foi tentar ganhar território sem controlar a profundidade

O segundo tempo também expôs um problema importante do Botafogo.

Ao perceber que o Flamengo havia reduzido sua intensidade, o Alvinegro avançou suas linhas.

A decisão era compreensível.

O problema foi não controlar a profundidade.

O Botafogo passou a ter mais presença no campo de ataque, mas deixou muito espaço atrás da defesa.

Contra Samuel Lino, isso já é muito perigoso, porém, contra Samuel Lino e com Carrascal conduzindo a bola, se transforma em um erro fatal.

O Flamengo encontrou um cenário ideal para seu modelo de transição.

Recuperava a bola, Carrascal conduzia, Lino atacava, Pedro ocupava os zagueiros, Paquetá aproximava e a última linha alvinegra precisava correr para trás.

Foi nesse momento que o jogo acabou.

O Flamengo sem a bola: pressão inicial foi determinante

Um dos pontos positivos do primeiro tempo foi o comportamento do Flamengo imediatamente após perder a posse.

A equipe tentou recuperar rapidamente a bola e impedir que o Botafogo levantasse a cabeça para procurar Arthur Cabral.

Pulgar e Jorginho foram importantes nesse mecanismo.

Os dois funcionaram como uma espécie de barreira diante da defesa, reduzindo o espaço para o primeiro passe vertical.

Quando a pressão funcionava, o Flamengo recuperava a bola já no campo ofensivo.

Isso explica parte do domínio territorial.

No segundo tempo, entretanto, essa pressão perdeu intensidade.

O Botafogo passou a encontrar mais saídas e conseguiu levar a bola para o campo ofensivo.

Esse é um dos principais pontos que Jardim terá de trabalhar.

O Flamengo não pode depender exclusivamente da posse para controlar uma partida.

Precisa controlar também onde perde a bola e como reage imediatamente depois da perda.

O duelo entre os laterais

Outro detalhe importante esteve nos corredores laterais.

Ayrton Lucas teve liberdade para avançar, mas precisava controlar cuidadosamente suas subidas porque o Botafogo procurava explorar o espaço às suas costas.

No lado oposto, Emerson Royal ofereceu uma característica diferente, com maior preocupação defensiva e participação mais controlada na construção.

Essa assimetria ajudou o Flamengo a manter uma espécie de equilíbrio estrutural.

Quando um lateral avançava, Pulgar podia proteger o espaço.

Quando o Flamengo atacava pelo lado esquerdo, Samuel Lino podia entrar por dentro e abrir o corredor para Ayrton Lucas.

A dinâmica permitiu que o Rubro-Negro tivesse superioridade numérica em diferentes zonas do campo sem abandonar completamente a proteção defensiva.

Pedro como referência: útil sem bola, menos eficiente com ela

A atuação de Pedro merece uma leitura mais equilibrada.

O centroavante foi importante para fixar os zagueiros e criar espaço para os jogadores que chegavam de trás.

Seu posicionamento também ajudou Samuel Lino a atacar zonas laterais e diagonais.

O problema apareceu na última ação.

Pedro precisa reduzir o número de toques na área.

O Flamengo já possui jogadores capazes de criar.

O que falta, muitas vezes, é transformar a criação em finalização.

Nesse sentido, Pedro pode ser mais eficiente se assumir uma postura mais direta.

Menos tentativa de construir a jogada.

Mais ataque à pequena área.

Menos preocupação em participar de todas as fases.

Mais foco em concluir.

O que o 3 a 0 realmente mostra?

O placar mostra um Flamengo superior.

Mas o Raio-X mostra algo mais interessante.

O Flamengo possui diferentes maneiras de vencer uma partida.

Pode controlar através da posse; pode pressionar alto; pode atacar pelos corredores; pode buscar Samuel Lino em profundidade; pode utilizar Paquetá para ganhar presença entre as linhas e pode recorrer a Carrascal para acelerar a construção.

O problema é que essas armas ainda não aparecem de maneira constante durante os 90 minutos.

O primeiro tempo mostrou um Flamengo dominante, mas pouco eficiente.

O início do segundo tempo mostrou um Flamengo menos intenso e mais vulnerável.

A reta final mostrou um Flamengo vertical, agressivo e letal.

Essa oscilação é justamente o principal ponto de atenção para Leonardo Jardim.

Conclusão: Carrascal mostrou uma nova variável para Jardim

O 3 a 0 sobre o Botafogo foi importante pelo resultado, pela afirmação na disputa pelo título e pela resposta depois da derrota para o Cruzeiro.

Mas, taticamente, a principal notícia talvez tenha sido outra.

Leonardo Jardim descobriu (ou confirmou) uma alternativa importante para mudar partidas.

Carrascal pode funcionar como um acelerador do Flamengo.

Quando o adversário consegue bloquear a circulação e reduzir o ritmo, o colombiano oferece condução, drible, passe vertical e capacidade de atacar espaços.

Samuel Lino, por sua vez, mostrou que é provavelmente o jogador mais preparado do elenco para transformar esse tipo de passe em perigo imediato.

Paquetá acrescentou qualidade entre as linhas.

Jorginho e Pulgar deram sustentação.

E o Flamengo encontrou, na reta final, a combinação que faltou durante boa parte do jogo: controle + verticalidade + profundidade + eficiência.

O desafio agora é fazer essa combinação aparecer durante mais minutos.

Porque o Flamengo de Jardim já demonstrou que consegue dominar.

Já demonstrou que consegue criar e que também consegue marcar.

O próximo passo é transformar esse domínio em uma equipe mais constante, mais objetiva e menos dependente de momentos individuais para matar as partidas.

Contra o Botafogo, a fórmula funcionou.

E o 3 a 0 foi a recompensa.

Imagem secundária para Raio-X Tático: como o Flamengo desmontou o Botafogo e transformou um jogo controlado em vitória contundenteImagem: Gilvan de Souza/CRF
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