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Análise Tática

Raio-X Tático: Por que Erick Pulgar virou peça estratégica para Leonardo Jardim no Flamengo

Acompanhe todos os detalhes desta análise do Flamengo hoje, informações exclusivas e fique por dentro das últimas contratações do Flamengo.

Por Redação Fla10 • 03 de setembro de 2026
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Raio-X Tático: Por que Erick Pulgar virou peça estratégica para Leonardo Jardim no Flamengo - Raio-X Tático do Flamengo hoje e contrataçõesImagem: Gilvan de Souza/CRF

A renovação até 2029 não protege apenas um jogador; preserva uma engrenagem tática que permite ao Flamengo atacar com mais liberdade sem perder completamente o equilíbrio

A renovação de Erick Pulgar até 2029 pode ser interpretada, à primeira vista, como uma decisão administrativa para manter um jogador experiente no elenco. Sob a perspectiva do campo, porém, o movimento revela algo mais importante: o Flamengo identificou no chileno uma peça capaz de sustentar algumas das principais ideias do modelo de Leonardo Jardim.

LEIA A MATÉRIA SOBRE A RENOVAÇÃO AQUI

Em um elenco repleto de jogadores ofensivos e de meio-campistas que gostam de ocupar zonas avançadas, Pulgar exerce uma função que nem sempre aparece nos números mais chamativos. Ele é, sobretudo, um organizador do equilíbrio.

E essa característica explica por que sua permanência pode ter impacto muito maior do que seus gols, assistências ou participações diretas nas jogadas ofensivas.

O volante que protege o espaço atrás dos criadores

Uma das principais características do Flamengo de Jardim é a possibilidade de atacar com muitos jogadores.

Laterais podem avançar, os meias têm liberdade para trocar de posição e os jogadores mais criativos podem abandonar suas posições iniciais para encontrar espaços entre as linhas adversárias.

Existe, entretanto, uma consequência inevitável: quanto mais jogadores avançam, maior é o espaço potencialmente deixado atrás da bola.

É justamente nesse ponto que Pulgar se torna importante.

O chileno funciona como uma espécie de âncora posicional. Enquanto os companheiros se movimentam, ele precisa interpretar quando permanecer, quando avançar alguns metros para encurtar o espaço e quando deslocar-se lateralmente para compensar a saída de um companheiro.

Não é simplesmente "ficar na frente da zaga".

É entender onde a jogada pode terminar antes mesmo de ela acontecer.

O mapa invisível de Pulgar

Imagine o Flamengo atacando pelo lado esquerdo.

O lateral sobe. Um meia aproxima-se da área. O ponta corta para dentro. Outro meio-campista aparece entre as linhas.

A estrutura ofensiva ganha superioridade numérica, mas também pode produzir um enorme problema: quem protege a região central caso o adversário recupere a bola?

Pulgar é frequentemente o jogador encarregado de responder a essa pergunta.

Ele pode recuar para formar uma primeira proteção diante dos zagueiros ou deslocar-se para o setor onde existe maior risco de transição.

Essa movimentação cria um mecanismo de compensação:

um jogador avança → Pulgar cobre → a equipe mantém uma estrutura mínima de segurança.

É uma função extremamente importante em uma equipe que pretende controlar o adversário através da posse e da pressão após a perda.

Pulgar e a pressão pós-perda

Outro aspecto importante está relacionado ao momento imediatamente posterior à perda da bola.

O Flamengo de Jardim não pode depender apenas da velocidade dos zagueiros para impedir contra-ataques. A melhor defesa muitas vezes começa alguns metros à frente.

Quando a equipe perde a bola no campo ofensivo, Pulgar pode funcionar como o primeiro jogador responsável por bloquear a linha de passe mais perigosa ou atrasar a progressão adversária.

Isso produz um efeito tático valioso.

Se Pulgar consegue retardar o contra-ataque por dois ou três segundos, os demais jogadores têm tempo para recompor suas posições.

O objetivo não é necessariamente recuperar a bola imediatamente.

Às vezes, a função do volante é simplesmente comprar tempo para que o sistema defensivo volte a existir.

A saída de bola também passa por ele

Pulgar também possui importância na primeira fase de construção.

Quando os zagueiros recebem a bola, o volante pode aproximar-se para oferecer uma linha de passe segura. Dependendo da pressão adversária, pode aparecer entre os zagueiros ou à frente deles, criando uma estrutura de saída que facilita a circulação.

Esse movimento tem uma consequência direta: reduz a necessidade dos defensores procurarem passes verticais de alto risco.

O Flamengo pode começar a construção com mais paciência, atrair o adversário e posteriormente encontrar os jogadores criativos em posições mais favoráveis.

É uma característica especialmente importante contra equipes que pressionam alto.

Por que Pulgar combina com Arrascaeta e Carrascal

Existe uma relação interessante entre Pulgar e os jogadores mais criativos do Flamengo.

Arrascaeta e Carrascal não precisam necessariamente de outro meio-campista que ocupe exatamente os mesmos espaços que eles.

Precisam de alguém que libere esses espaços.

Quando Pulgar permanece atrás da linha da bola, os jogadores mais ofensivos podem receber autorização tática para correr riscos.

É quase uma relação de causa e efeito:

Pulgar garante → os criadores arriscam.

Quanto mais confiável for a cobertura atrás deles, maior pode ser a liberdade para os meias atacarem espaços, receberem entre as linhas e aproximarem-se de Pedro.

Por isso, avaliar Pulgar apenas pela quantidade de passes progressivos ou participações em gols seria ignorar justamente aquilo que o torna importante.

O chileno também permite mudar a estrutura durante o jogo

Outro benefício para Jardim é a capacidade de Pulgar funcionar em diferentes desenhos.

O Flamengo pode iniciar uma partida com uma estrutura mais próxima do 4-3-3 e, durante a construção, transformar-se momentaneamente em uma espécie de 3-2-5.

Nesse cenário, um lateral pode entrar por dentro, o outro avançar, e Pulgar permanecer como referência de equilíbrio.

Também existe a possibilidade de o volante baixar entre os zagueiros, permitindo que os laterais avancem simultaneamente.

Essa capacidade de alterar a forma sem necessariamente realizar substituições oferece ao treinador uma ferramenta importante para manipular o posicionamento adversário.

O desenho oficial da equipe pode continuar sendo o mesmo no papel.

Dentro do campo, entretanto, a estrutura muda constantemente.

O que acontece quando Pulgar não joga?

É justamente aqui que sua importância fica mais evidente.

Sem Pulgar, Jardim precisa encontrar outra maneira de proteger a região central.

Existem algumas possibilidades.

Uma delas é utilizar outro volante de características mais posicionais. Nesse caso, o Flamengo mantém a estrutura, mas pode perder parte da capacidade de circulação e leitura defensiva.

Outra alternativa é colocar um meio-campista mais dinâmico, aumentando a intensidade da pressão, mas assumindo maior risco na proteção diante dos zagueiros.

Também é possível utilizar dois jogadores na base da construção, criando uma estrutura mais segura na saída de bola.

O problema é que cada solução altera alguma característica do time.

Pulgar oferece justamente uma combinação difícil de substituir: posicionamento, experiência, capacidade de cobertura e qualidade suficiente para participar da construção.

O dilema para Jardim: intensidade ou controle?

Existe ainda uma questão estratégica.

Em partidas nas quais o Flamengo precisa pressionar constantemente, Jardim pode preferir um meio-campo mais agressivo, com jogadores capazes de atacar a bola e pressionar imediatamente após a perda.

Em jogos nos quais o adversário ameaça principalmente através de transições rápidas, a presença de Pulgar ganha ainda mais peso.

Isso porque o chileno oferece algo diferente da simples intensidade física: oferece controle espacial.

Ele não precisa estar correndo o tempo inteiro para estar participando defensivamente da partida.

Às vezes, estar no lugar certo é mais importante do que chegar correndo ao lugar errado.

O problema que a renovação não resolve

A renovação até 2029 é positiva para o modelo atual, mas cria uma obrigação para o Flamengo.

Pulgar completará 35 anos ao final do vínculo. Isso significa que o clube não pode confundir a manutenção do titular com a solução definitiva para a posição.

O próximo passo precisa ser preparar a sucessão.

O Flamengo deve procurar, dentro do próprio elenco ou no mercado, um jogador capaz de aprender gradualmente as mesmas funções: proteger a defesa, oferecer saída, interpretar as coberturas e permitir que os jogadores ofensivos tenham liberdade.

O ideal não é encontrar imediatamente um "novo Pulgar".

É construir uma estrutura na qual o Flamengo não fique dependente de um único jogador para funcionar.

A renovação vista pelo Raio-X Tático

A decisão de manter Erick Pulgar até 2029 revela, portanto, uma avaliação muito específica do Flamengo.

O clube não está renovando apenas com um volante.

Está preservando uma peça de conexão entre defesa, meio-campo e ataque.

Pulgar é o jogador que muitas vezes aparece longe da bola justamente para que outros estejam perto dela.

É aquele que pode tocar menos na bola do que um meia criativo, mas cujo posicionamento influencia diretamente a liberdade dos companheiros.

No futebol de Leonardo Jardim, essa característica ganha ainda mais valor.

O treinador pode colocar mais jogadores no ataque porque sabe que existe alguém capaz de interpretar o espaço deixado para trás.

E essa talvez seja a melhor definição para explicar a renovação:

Erick Pulgar não é necessariamente o jogador que faz o Flamengo atacar melhor. É o jogador que ajuda o Flamengo a atacar sem deixar de ser uma equipe.

Por isso, sua permanência até 2029 deve ser entendida menos como uma aposta no passado e mais como uma aposta na estrutura tática do futuro.

LEIA A MATÉRIA SOBRE A RENOVAÇÃO AQUI

Imagem inserida
Foto: Gilvan de Souza/CRF
Imagem secundária para Raio-X Tático: Por que Erick Pulgar virou peça estratégica para Leonardo Jardim no FlamengoImagem: Arte Fla10
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