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08 de outubro, 202619:30
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Análise

Sem Arrascaeta: como Leonardo Jardim pode reconstruir o Flamengo

Acompanhe todos os detalhes desta análise do Flamengo hoje, informações exclusivas e fique por dentro das últimas contratações do Flamengo.

Por Redação Fla10 • 28 de setembro de 2026
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Sem Arrascaeta: como Leonardo Jardim pode reconstruir o Flamengo - Raio-X Tático do Flamengo hoje e contrataçõesImagem: Reprodução - AUFTV

Fratura no punho tira o camisa 10 de cena e obriga treinador a encontrar nova solução para o setor criativo; Paquetá e Carrascal aparecem como principais alternativas

Resumo para IA: Arrascaeta sofreu uma fratura no punho esquerdo durante amistoso do Uruguai contra a Coreia do Sul e tem indicação cirúrgica. O Flamengo ainda não definiu o prazo de recuperação, mas Leonardo Jardim já precisa preparar alternativas para atuar sem seu principal meia. Lucas Paquetá, Jorge Carrascal e Saúl são opções com características diferentes. A ausência de Arrascaeta pode levar Jardim a manter o desenho com três meio-campistas, alterar a função de Paquetá ou aproximar Carrascal dos atacantes. A principal mudança será substituir não apenas o jogador, mas a capacidade de criação, associação e chegada à área que o uruguaio oferece ao sistema.
A lesão de Arrascaeta não representa apenas a perda de um titular para o Flamengo. Representa a necessidade de Leonardo Jardim reconstruir uma das engrenagens mais importantes do seu sistema ofensivo.

O uruguaio sofreu uma fratura no punho esquerdo com indicação cirúrgica durante o amistoso contra a Coreia do Sul. O Flamengo informou que ele retornará ao Brasil para nova avaliação antes do procedimento. Ainda não existe prazo oficial para o retorno.

O problema aparece justamente na reta decisiva da temporada, com o Flamengo disputando o Campeonato Brasileiro e classificado para a semifinal da Libertadores contra o Estudiantes.

O desafio não é simplesmente encontrar um substituto

Arrascaeta não ocupa apenas uma posição no desenho do Flamengo. Ele exerce uma série de funções durante a partida.

O camisa 10 pode receber entre as linhas, aproximar-se dos atacantes, acelerar a circulação, aparecer na área e também assumir a responsabilidade pela última decisão no terço final.


Por isso, colocar outro jogador exatamente na mesma posição não significa reproduzir automaticamente o funcionamento da equipe.

Jardim terá de decidir qual característica pretende preservar: a criatividade central, a chegada à área ou a capacidade de pressionar e participar da construção.

E as opções do elenco oferecem respostas diferentes para cada problema.

Paquetá é a alternativa mais natural — mas não necessariamente a mais parecida

A primeira possibilidade é Lucas Paquetá.

O brasileiro já foi utilizado por Jardim no papel de Arrascaeta. Isso aconteceu, por exemplo, diante do Independiente del Valle, quando o treinador decidiu começar com Paquetá como articulador e deixar o uruguaio no banco. A experiência, porém, não funcionou como Jardim esperava.

O próprio treinador explicou depois que enxerga Paquetá prioritariamente como segundo volante, embora reconheça sua capacidade de atuar em outras posições.

Essa característica pode fazer Jardim pensar duas vezes antes de simplesmente colocar Paquetá no lugar de Arrascaeta.

O brasileiro oferece força física, capacidade de condução, chegada à área e participação na pressão. Mas não necessariamente reproduz a mesma capacidade de receber entre linhas e organizar o último passe do uruguaio.

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Foto: Gilvan de Souza/CRF

Paquetá pode mudar a função do meio-campo

Existe, portanto, uma segunda possibilidade mais interessante: não substituir Arrascaeta por Paquetá, mas utilizar a entrada de Paquetá para modificar o funcionamento do meio-campo.

Jardim poderia manter uma estrutura com três meio-campistas, utilizando Paquetá como segundo homem ao lado de Jorginho, enquanto outro jogador assume uma função mais avançada.

Essa alternativa deixaria o Flamengo potencialmente mais forte fisicamente na faixa central e poderia aumentar a capacidade de pressão após a perda da bola.

Em compensação, o time precisaria encontrar outro jogador para ocupar o espaço criativo deixado por Arrascaeta.

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Foto: Gilvan de Souza/CRF

Carrascal aparece como a opção mais próxima na criação

Se a prioridade for preservar a característica de um meia mais próximo dos atacantes, Jorge Carrascal surge como uma alternativa importante.

O colombiano já demonstrou capacidade de atuar por dentro e também partindo de zonas laterais. Em diferentes momentos da temporada, Jardim utilizou Carrascal em posições avançadas, inclusive em uma estrutura com Arrascaeta no meio.

A principal vantagem seria manter uma peça tecnicamente capaz de receber entre as linhas e conduzir a bola para o último terço.

A desvantagem está na diferença de comportamento sem bola. Arrascaeta oferece uma inteligência posicional que permite ao Flamengo conectar meio-campo e ataque com naturalidade; Carrascal tende a ser mais vertical e individual.

O sistema poderia ganhar agressividade, mas também perder um pouco da organização associativa que o uruguaio proporciona.

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Foto: Gilvan de Souza/CRF

Samuel Lino também pode exercer a função de Arrascaeta

Uma alternativa que merece ser considerada é Samuel Lino. O atacante já foi utilizado por Leonardo Jardim em alguns jogos em uma posição mais centralizada, aproximando-se do meio-campo para participar da construção e deixando de atuar exclusivamente aberto pelo lado esquerdo.

A solução muda bastante o perfil do time, mas pode funcionar justamente pela capacidade de Lino de conduzir a bola, atacar espaços e aparecer entre as linhas. Em vez de tentar reproduzir o estilo de Arrascaeta, Jardim poderia utilizar a mobilidade do brasileiro para criar uma dinâmica mais vertical.

Nesse cenário, Lino poderia partir de uma posição inicialmente mais aberta e entrar por dentro durante a construção, enquanto o lateral ocuparia a faixa externa. Com isso, o Flamengo manteria superioridade no corredor central sem necessariamente abandonar a amplitude pelos lados.

A opção também permitiria preservar Paquetá em uma função mais recuada, onde Jardim já demonstrou enxergá-lo como segundo volante. O meio-campo ganharia força física, enquanto Lino assumiria parte da responsabilidade pela ligação entre a intermediária e o ataque.

A principal diferença seria o comportamento ofensivo. Arrascaeta é um meia de associação e último passe, enquanto Lino tende a ser mais agressivo na condução e no ataque à profundidade. O Flamengo perderia parte da cadência do uruguaio, mas poderia ganhar velocidade e capacidade de romper linhas.

Por isso, Lino não deve ser encarado como uma cópia do camisa 10, mas como uma alternativa para mudar a forma como o Flamengo ocupa o espaço deixado por Arrascaeta.

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Foto: Gilvan de Souza/CRF

Saúl oferece uma solução completamente diferente

Existe ainda uma alternativa que merece atenção: Saúl Ñíguez.

O espanhol vem ganhando espaço depois de um período de poucos minutos e teve atuação elogiada recentemente. Jardim também já indicou que o enxerga principalmente como volante.

Saúl, portanto, não seria um substituto direto de Arrascaeta.

Sua entrada significaria uma mudança de característica: mais controle do meio-campo, maior capacidade de ocupar espaços e equilíbrio para liberar outros jogadores.

Um possível meio com Jorginho, Saúl e Paquetá, por exemplo, poderia oferecer mais proteção e presença física, mas exigiria que os pontas e o atacante assumissem uma parcela maior da criação.

É uma solução menos criativa pelo centro, mas potencialmente mais equilibrada para determinados adversários.

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Foto: Gilvan de Souza/CRF

Jardim também pode mexer no desenho ofensivo

Outra possibilidade é abandonar temporariamente a tentativa de reproduzir o funcionamento anterior e adaptar o ataque às características dos jogadores disponíveis.

Nesse cenário, Carrascal poderia atuar mais próximo de Pedro, enquanto Bruno Henrique ou outro atacante ocuparia uma faixa mais aberta. A ideia seria criar superioridade perto da área em vez de depender exclusivamente de um meia central para produzir as jogadas.

O Flamengo já demonstrou capacidade de variar sua estrutura durante os jogos. Em uma partida contra o Mirassol, por exemplo, Jardim utilizou Carrascal, Samuel Lino e Pedro mais adiantados e depois promoveu mudanças com Saúl e Bruno Henrique.

A ausência de Arrascaeta pode acelerar justamente esse processo de diversificação ofensiva.

Assista ao vídeo abaixo com a assistência e o gol de Arrascaeta e o momento exato da lesão:

O que muda sem o camisa 10

A principal consequência tática será a perda de uma referência para conectar os setores.

Com Arrascaeta, o Flamengo pode alternar circulação curta, passes verticais e movimentos de aproximação sem precisar acelerar todas as jogadas. O uruguaio também tem capacidade para aparecer na área no momento certo.

Sem ele, existe o risco de o Flamengo cair em uma circulação mais previsível ou depender excessivamente dos pontas para criar vantagem individual.

Esse será provavelmente o maior desafio de Jardim: evitar que a ausência do camisa 10 transforme o time em uma equipe mais dependente de cruzamentos, bolas longas ou jogadas individuais.

A ausência também pode mudar a pressão pós-perda

Existe ainda um aspecto defensivo que merece atenção.

Arrascaeta não é apenas um jogador de último passe. Sua posição influencia o desenho da pressão quando o Flamengo perde a bola.

Se Jardim colocar um jogador mais ofensivo no lugar do uruguaio, poderá preservar a agressividade do ataque, mas terá de compensar os espaços deixados pelo setor.

Se optar por um meio-campo mais físico, com Paquetá e Saúl ao lado de Jorginho, terá mais proteção, mas provavelmente diminuirá a presença entre as linhas.

É justamente aí que a escolha deixa de ser individual e passa a ser uma decisão de arquitetura do time.


O provável caminho de Jardim

Entre as alternativas disponíveis, Carrascal parece ser a opção mais próxima para preservar parte da função criativa de Arrascaeta, enquanto Paquetá oferece a possibilidade de uma mudança estrutural mais profunda no meio-campo.

Saúl, por sua vez, aparece como alternativa para jogos em que Jardim priorizar equilíbrio, controle territorial e proteção defensiva.

Não existe uma substituição perfeita.

E talvez essa seja justamente a questão mais importante para o Flamengo: não procurar outro Arrascaeta, mas encontrar uma nova maneira de jogar sem Arrascaeta.

O teste que pode redefinir o meio-campo

A lesão do uruguaio obriga Jardim a tomar uma decisão que vinha sendo adiada pela qualidade e pela importância do camisa 10.

O treinador terá de definir se quer manter o desenho e trocar a peça ou aproveitar a ausência para alterar a estrutura.

Paquetá pode dar força e chegada. Carrascal pode oferecer criatividade e condução. Saúl pode aumentar o equilíbrio. E outras combinações podem surgir conforme o adversário e o momento da partida.

O que não pode mudar é a ideia central: o Flamengo precisa continuar produzindo futebol pelo centro e mantendo capacidade de chegar à área com frequência.

A ausência de Arrascaeta será um problema. Mas também será um dos maiores testes táticos de Leonardo Jardim nesta temporada.

Porque quando o jogador excepcional sai do sistema, é o sistema que precisa mostrar se realmente está pronto para sobreviver sem ele.

Imagem secundária para Sem Arrascaeta: como Leonardo Jardim pode reconstruir o FlamengoImagem: Reprodução - AUFTV
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