FLAMENGO E A JANELA DE TRANSFERÊNCIAS: ENTRE AS APOSTAS, AS PERDAS E A NECESSIDADE DE EQUILÍBRIO
A janela de transferências está chegando à reta final e o Flamengo, mais uma vez, mostra que fazer mercado no futebol brasileiro deixou de ser simplesmente contratar jogadores de nome. É preciso planejamento, análise e, principalmente, equilíbrio entre o presente e o futuro.
Depois de um primeiro semestre marcado por um grande investimento (Lucas Paquetá), o Rubro-Negro adotou uma postura diferente nesta janela. Em vez de buscar apenas nomes consagrados, o clube passou a olhar com mais atenção para jogadores jovens e com potencial de valorização.
Anthony Valencia é um exemplo claro dessa estratégia. O atacante equatoriano, de 23 anos, foi anunciado oficialmente pelo Flamengo e assinou contrato até 2031. Joaquín Freitas, também jovem, aparece como outra aposta para o setor ofensivo.
Mas será que isso é suficiente para um Flamengo que briga por títulos importantes?
Essa é a pergunta a ser feita.
O torcedor está acostumado a ver o Flamengo contratar jogadores prontos, capazes de chegar ao Maracanã e assumir imediatamente a responsabilidade. Só que a atual estratégia parece caminhar para outro modelo: contratar antes que o jogador esteja valorizado, desenvolver dentro do clube e, quem sabe, colher frutos esportivos e financeiros no futuro.
É uma mudança interessante. Mas exige paciência.
E paciência não costuma ser uma palavra muito presente no vocabulário da torcida do Flamengo.
O caso Plata
Se a chegada de novos jogadores representa planejamento, a situação de Gonzalo Plata mostra como o futebol pode mudar de direção em questão de dias.
A negociação com o Dínamo de Moscou, que poderia render cerca de R$ 72 milhões ao Flamengo, não foi concluída após o clube russo alegar problemas nos exames médicos. O jogador retornou ao elenco e, diante disso, Leonardo Jardim passou a enxergá-lo novamente como uma opção para a sequência da temporada.
E aqui existe uma situação curiosa.
O jogador que até pouco tempo estava praticamente fora dos planos pode acabar sendo, justamente agora, uma peça importante para o treinador.
Com um calendário pesado e decisões pela frente, ter Plata novamente à disposição pode ser uma espécie de “reforço inesperado”. Jardim já deixou claro que pretende utilizar um elenco competitivo e ter mais opções ofensivas pode fazer diferença na reta final da temporada.
Reforçar ou apenas repor?
Essa é outra discussão importante.
O Flamengo perdeu jogadores e precisou buscar alternativas. Portanto, não basta olhar apenas para quem chegou. É necessário avaliar se o elenco ficou mais forte.
Anthony Valencia e Joaquín Freitas podem se tornar grandes jogadores? Podem.
Mas ainda existe uma diferença entre potencial e realidade.
O Flamengo está disputando títulos agora. E, quando pensamos em Libertadores e Campeonato Brasileiro, não basta contratar pensando somente em 2027 ou 2028. É preciso encontrar jogadores capazes de ajudar também no presente.
Ao mesmo tempo, o clube não pode simplesmente sair gastando sem critério. A própria negociação frustrada de Plata mostrou como as contas e o planejamento financeiro fazem parte dessa equação. O Flamengo tinha uma expectativa de receita importante com a venda do equatoriano e agora terá de lidar com essa mudança de cenário.
Minha opinião
Eu vejo a estratégia do Flamengo com bons olhos, mas faço uma ressalva: aposta não pode significar falta de reposição imediata.
O clube tem uma das melhores estruturas do futebol sul-americano, um departamento de futebol cada vez mais profissional e capacidade financeira para montar um elenco competitivo.
Portanto, apostar em jovens é correto.
Buscar jogadores com potencial de valorização é correto.
Mas o Flamengo precisa continuar olhando para o presente.
Por que o torcedor não quer apenas ouvir falar no Flamengo que poderá existir daqui a três anos. Ele quer saber se o time está preparado para ganhar agora.
E esse é o grande desafio de Leonardo Jardim e da diretoria: transformar essas novas apostas em soluções reais e manter o nível de competitividade de um elenco que tem obrigação de disputar todos os títulos.
A janela pode não ter sido aquela que muitos torcedores imaginavam.
Mas talvez esteja mostrando um Flamengo diferente no mercado.
Menos preocupado com o impacto da contratação no anúncio e mais preocupado com o que esse jogador pode representar dentro de campo e também nos cofres do clube no futuro.
Agora é esperar a bola rolar.
Porque, no fim das contas, contratação só vira reforço quando começa a jogar.
E no Flamengo, como todos sabemos, a cobrança começa antes mesmo da apresentação.
Sobre Marcelo Canela
Canela é aquele cara que respira futebol e transforma cada detalhe do jogo em pauta. Dono de uma mente criativa e estratégica, ele comanda o canal “Canela na Rede” com um olhar cirúrgico, onde outros veem lances, ele enxerga padrões táticos, histórias não contadas e debates que inflamam a resenha.
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