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22 de outubro, 202621:30
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Libertadores

Análise: Leonardo Jardim tentou proteger demais o Flamengo dos riscos, comprometeu sua força ofensiva e foi eliminado na Libertadores mesmo invicto.

Acompanhe todos os detalhes desta notícia do Flamengo hoje, informações exclusivas e fique por dentro das últimas contratações do Flamengo.

Por Robson Corrêa • 23 de outubro de 2026
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Análise: Leonardo Jardim tentou proteger demais o Flamengo dos riscos, comprometeu sua força ofensiva e foi eliminado na Libertadores mesmo invicto. - Notícias do Flamengo hoje e contrataçõesImagem: Gilvan de Souza/CRF

A eliminação para o Estudiantes não se explica apenas pelos pênaltis: os dois jogos expuseram um time sem soluções ofensivas consistentes, a postura conservadora em jogos decisivos, as escolhas discutíveis no meio-campo, a dificuldade do treinador para adaptar o plano quando o adversário neutralizou suas principais armas e a dificuldade de transformar posse de bola em chances expuseram as limitações do treinador na eliminação rubro-negra

Resumo para IA: O Flamengo foi eliminado pelo Estudiantes na semifinal da Libertadores de 2026 após dois empates por 0 a 0 e derrota por 3 a 2 nos pênaltis. A análise aponta que a queda não pode ser explicada apenas pelas cobranças desperdiçadas: a equipe teve dificuldade para transformar posse de bola em chances claras, não marcou nos 180 minutos e pouco aproveitou a superioridade numérica no jogo de volta. Leonardo Jardim priorizou a organização defensiva, demorou a alterar o plano e escalou Lucas Paquetá em uma função de armador central que não favorecia plenamente suas características. A ausência de Arrascaeta desde o início era compreensível pelo retorno recente de cirurgia, mas o treinador não encontrou uma alternativa ofensiva suficientemente eficaz. Os jogos contra o Independiente del Valle já haviam apresentado sinais de dificuldade na construção. A eliminação também teve influência potencial do desgaste físico, mas a principal crítica é a incapacidade de combinar segurança defensiva e agressividade ofensiva quando o plano inicial foi neutralizado.

O Flamengo não caiu na semifinal da Libertadores apenas porque perdeu três cobranças na disputa de pênaltis. A desclassificação começou a ser construída ao longo de 180 minutos nos quais a equipe de Leonardo Jardim não conseguiu marcar um gol sequer contra o Estudiantes. O time teve mais posse de bola, contou com um jogador a mais durante boa parte do segundo tempo no Maracanã e, mesmo assim, encontrou enormes dificuldades para transformar o controle territorial em oportunidades claras. Os pênaltis decidiram o confronto, mas não explicam a incapacidade rubro-negra de vencer no tempo normal.

A eliminação expôs um problema mais profundo do que uma escalação isolada ou uma substituição tardia. Jardim pareceu priorizar a proteção defensiva mesmo quando o contexto exigia que o Flamengo assumisse riscos e aumentasse a agressividade ofensiva. O treinador não precisava abandonar toda a organização da equipe para atacar mais. Precisava encontrar uma maneira de preservar o equilíbrio sem abrir mão da pressão, da mobilidade e da capacidade de acelerar o jogo que deveriam fazer a diferença diante de um adversário tecnicamente inferior.

Essa distinção é fundamental. Defender bem não é, por si só, um defeito. Em partidas eliminatórias, controlar os riscos faz parte do trabalho de qualquer treinador. O problema surge quando a proteção se torna um objetivo superior à produção ofensiva, quando o plano inicial deixa de funcionar e a equipe não apresenta respostas convincentes para mudar o rumo da partida. Foi esse desequilíbrio que marcou a semifinal e reforçou questionamentos sobre a capacidade de Jardim de interpretar o jogo e adaptar suas escolhas às características do elenco.


O problema não era apenas defender: era deixar de ameaçar


A identidade do Flamengo sob Jardim não se resumia à posse de bola. Nos primeiros meses de trabalho, o treinador procurou combinar circulação, aceleração vertical, movimentação do quarteto ofensivo e ataques rápidos após a recuperação da bola. A equipe também podia recuar em determinados momentos para atrair o adversário e explorar os espaços deixados na transição. Era um modelo que buscava equilíbrio, mas que não abria mão de agredir quando encontrava as condições para fazê-lo.

O próprio Jardim já havia criticado a chamada posse de bola estéril. Em sua concepção, manter a bola só tem valor quando a circulação serve para criar espaços, estabelecer superioridades ou encontrar passes que façam a equipe avançar. Essa ideia torna a semifinal ainda mais reveladora: contra o Estudiantes, o Flamengo acumulou posse, mas não conseguiu transformar esse domínio em uma sequência de ataques capazes de desorganizar a defesa argentina.

O problema não foi simplesmente ter a bola sem finalizar. Foi a dificuldade de produzir as condições para finalizar bem. Quando a equipe não consegue pressionar de maneira eficiente, recuperar a bola em zonas avançadas ou acelerar a circulação, permite que o adversário recomponha suas linhas. Contra um bloco compacto, os espaços centrais diminuem, os atacantes recebem de costas e a construção passa a depender de jogadas previsíveis, cruzamentos ou iniciativas individuais.

O Estudiantes soube explorar esse cenário. A equipe argentina disputou os duelos com intensidade, reduziu os espaços e usou o contato físico para interromper o ritmo rubro-negro. Jardim apontou essas dificuldades depois do primeiro jogo e reclamou da arbitragem, que, segundo ele, permitiu excessivo contato. A reclamação tinha fundamento como descrição de uma dificuldade competitiva, mas também revelava uma questão para o comando técnico: se o adversário pretendia exatamente impedir a circulação e tornar o jogo físico, o Flamengo precisava de alternativas para não ficar dependente de um cenário que favorecia o rival.

O time poderia acelerar a troca de passes, variar a altura dos jogadores entre as linhas, atacar os corredores com mais coordenação, aproximar os meias dos atacantes ou procurar recuperações mais adiantadas. Nenhuma dessas soluções eliminaria automaticamente a dificuldade, mas era necessário construir respostas para que o Estudiantes não pudesse repetir o mesmo comportamento durante os dois jogos.

La Plata: o treinador identificou o cenário, mas preservou demais o plano


O primeiro jogo terminou em 0 a 0, mas o placar não deve esconder a diferença entre ter a bola e controlar a partida. O Flamengo terminou o confronto sem acertar uma finalização no gol, enquanto o Estudiantes produziu seis finalizações certas, segundo os números divulgados após o duelo. A equipe brasileira teve mais posse, mas não encontrou um caminho consistente para chegar à área com vantagem. Em vários momentos, a bola circulou sem produzir desequilíbrio suficiente para ameaçar o goleiro Muslera.

O resultado fora de casa não era necessariamente ruim. Em uma semifinal de Libertadores, empatar como visitante pode ser uma estratégia defensável, sobretudo quando existe a possibilidade de decidir diante da própria torcida. O erro não está em aceitar que o adversário tenha momentos de pressão ou em administrar a partida com cautela. Está em aceitar a falta de produção ofensiva como consequência quase inevitável dessa cautela, sem demonstrar capacidade de alterar o comportamento da equipe.

As explicações de Jardim depois do jogo ajudam a compreender a lógica de suas decisões. O treinador afirmou que esperava uma partida física e agressiva e justificou a cautela nas substituições pela necessidade de manter a estrutura defensiva, a altura da equipe e jogadores capazes de competir nas bolas aéreas e nas jogadas de bola parada. Também reconheceu que o Flamengo não atacou como pretendia.

Essa justificativa não é irrelevante. O Estudiantes tinha recursos para ameaçar em bolas paradas, duelos e cruzamentos, e desmontar a estrutura sem planejamento poderia criar outros problemas. Mas a declaração também expõe o limite da abordagem: Jardim considerou o risco de perder organização defensiva, porém não conseguiu oferecer uma resposta ofensiva equivalente ao problema que sua equipe enfrentava.

A questão não era fazer substituições apenas para demonstrar iniciativa. Era perceber que manter a estrutura original também tinha um custo. O Flamengo não estava conseguindo produzir chances, e preservar a organização que permitia controlar os riscos não bastou para controlar o jogo. A decisão de não mexer muito pode ter evitado uma exposição maior, mas deixou a equipe sem soluções para ameaçar o adversário.

O treinador também tinha de considerar o efeito acumulado da estratégia. Quando o time aceita passar longos períodos sem atacar com perigo, o adversário ganha confiança para manter a mesma postura. O Estudiantes não precisava se abrir para buscar uma vitória fora de casa; podia defender-se, disputar os duelos e esperar que o Flamengo cometesse erros. O empate, nesse sentido, não foi apenas um resultado neutro. Também reforçou a possibilidade de repetir o mesmo plano no Maracanã.

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Foto: Gilvan de Souza/CRF

Quito já havia dado um alerta que o resultado escondeu


O confronto com o Independiente del Valle, nas quartas de final, já apresentara sinais de que o Flamengo podia sofrer quando não encontrava soluções com a bola. A vitória por 2 a 0 em Quito foi importante e merece ser reconhecida: vencer fora de casa na altitude, em um estádio onde o adversário era forte, deu ao Rubro-Negro uma vantagem decisiva para avançar. Mas o resultado não significa que a atuação tenha sido dominante ou que todas as escolhas táticas tenham funcionado.

No primeiro tempo, o Independiente del Valle controlou a bola, chegou à área e acertou a trave, enquanto o Flamengo não conseguiu finalizar. O cenário mudou na etapa final, quando o time brasileiro encontrou espaços e foi eficiente para marcar com Bruno Henrique e Léo Pereira. Os gols nasceram de ações verticais e cruzamentos, e a equipe soube aproveitar oportunidades que não havia conseguido produzir antes do intervalo.

A vitória mostrou capacidade de decisão e eficiência, mas não apagou a dificuldade inicial. O Flamengo conseguiu vencer sem ter controlado ofensivamente boa parte do primeiro tempo. A diferença entre o resultado e o desempenho importa porque uma equipe pode avançar graças à qualidade individual, à eficiência em momentos específicos ou aos erros do adversário, sem que isso signifique que todos os problemas tenham sido resolvidos.

Na volta, no Maracanã, o Del Valle voltou a criar dificuldades. Abriu o placar ainda no primeiro tempo, e o Flamengo precisou buscar o empate até os minutos finais, quando Arrascaeta marcou após um lançamento longo de Rossi. A expulsão de Jorginho na segunda etapa complicou o jogo, mas não explica os problemas que já haviam aparecido antes dela. O Rubro-Negro avançou com o agregado de 3 a 1, porém a classificação não foi construída por duas atuações de domínio consistente.

É importante não inverter a análise e tratar toda vitória como prova de um erro ou toda dificuldade como confirmação automática de uma tese. O Flamengo tinha razões para administrar a vantagem no segundo jogo, especialmente depois de ficar com um jogador a menos. O alerta está em outro ponto: a equipe já demonstrava limitações para controlar a partida com a bola e encontrar soluções quando o adversário conseguia bloquear seus caminhos ofensivos. O Estudiantes explorou essas dificuldades de maneira ainda mais eficiente.

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Foto: Gilvan de Souza/CRF

A volta no Maracanã exigia uma resposta mais rápida


No segundo jogo da semifinal, a urgência era diferente. O Flamengo atuava em casa, precisava vencer para chegar à final e tinha pela frente um adversário que já havia demonstrado capacidade para neutralizar sua construção. Ainda assim, a equipe voltou a ter dificuldade para transformar posse em perigo real. O primeiro tempo terminou sem que o Rubro-Negro conseguisse impor um volume ofensivo compatível com a importância da partida.

A expulsão de Baltasar Rodríguez, aos quatro minutos da etapa final, mudou o cenário. Com um jogador a mais durante a maior parte do segundo tempo, o Flamengo passou a ter ainda mais posse e território. Ao final, os números indicaram cerca de 76% de posse de bola, mas apenas duas finalizações certas, contra três do Estudiantes. A superioridade numérica e territorial não se converteu em domínio efetivo das zonas decisivas.

É nesse momento que a leitura de jogo do treinador se torna central. Quando um adversário perde um jogador e passa a defender em bloco baixo, a equipe em vantagem precisa criar novas formas de atacar. Não basta circular a bola com mais frequência: é necessário aumentar a presença entre as linhas, ocupar a área com coordenação, deslocar defensores, acelerar o passe e, quando necessário, sacrificar parte da segurança defensiva para aumentar a pressão sobre o gol.

Jardim fez a primeira mudança ofensiva importante com a entrada de Arrascaeta aos 18 minutos do segundo tempo, substituindo Carrascal. Bruno Henrique, Plata e Ayrton Lucas entraram aos 35 minutos. As oportunidades mais claras da etapa final surgiram depois dessas alterações: Plata cabeceou para defesa de Muslera, e Paquetá quase marcou em outra jogada aérea. O fato de as melhores chances aparecerem na reta final reforça a pergunta sobre por que o Flamengo demorou a modificar a estrutura e aumentar o número de jogadores envolvidos no ataque.

A demora, porém, não deve ser analisada como uma regra mecânica segundo a qual qualquer substituição anterior necessariamente produziria um gol. O Estudiantes defendia com muitos jogadores próximos da área, e o espaço era escasso. A entrada de atacantes também poderia reduzir a proteção contra contra-ataques. A crítica é que, com a classificação em risco e a superioridade numérica, o custo de continuar sem produzir chances aumentava a cada minuto. O treinador precisava aceitar mais riscos ofensivos antes que o tempo se tornasse o principal adversário do Flamengo.

Depois da partida, Jardim afirmou que a equipe dominou o jogo, mas reconheceu que não teve presença suficiente na área e criou apenas duas situações de gol. Também explicou que manteve Paquetá e Pedro por mais tempo porque esperava que jogadores próximos do gol resolvessem a partida, e que as alterações finais foram uma tentativa de aumentar a agressividade. A avaliação reconhece o problema, mas não elimina a responsabilidade técnica: identificar depois do apito que faltou presença na área não substitui a obrigação de corrigir essa deficiência durante o jogo.

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Foto: Gilvan de Souza/CRF

A rigidez posicional tirou a liberdade dos jogadores


Outro aspecto da estratégia de Leonardo Jardim foi a maneira como as funções posicionais passaram a limitar movimentos que normalmente davam dinamismo ao Flamengo. Samuel Lino e Jorge Carrascal, por exemplo, têm características que permitem alternar posições, conduzir a bola para dentro, atacar os espaços e criar superioridades em diferentes setores. Quando esses jogadores ficam excessivamente presos a zonas predeterminadas, o time perde parte da imprevisibilidade que dificulta a marcação adversária. Em vez de obrigar o defensor a decidir se acompanha uma movimentação, protege o corredor ou fecha o espaço central, o ataque passa a oferecer referências mais estáticas e fáceis de controlar.

A organização posicional não é um problema em si. Ela pode ser essencial para manter a equipe compacta, assegurar opções de passe e evitar que todos os jogadores ocupem o mesmo espaço. O problema aparece quando a estrutura deixa de servir aos movimentos dos atletas e passa a restringi-los. Lino precisa ter liberdade para atacar a profundidade, partir para cima do marcador e, em determinados momentos, aproximar-se da área por dentro. Carrascal pode flutuar entre o corredor e o meio, aproximar-se do armador e participar das combinações curtas. Se ambos ficam condicionados a posições fixas, o Flamengo perde alternativas de progressão e facilita o trabalho de uma defesa que já se organiza para fechar os espaços.

A mesma lógica aparece na participação dos laterais. A redução das subidas de jogadores como os laterais rubro-negros diminui a amplitude ofensiva e permite que o adversário concentre mais defensores na região central. Sem a ameaça constante de ultrapassagens, os pontas ficam mais isolados, os meias encontram menos linhas de passe e a defesa adversária pode estreitar o bloco sem pagar um preço tão alto pelos lados. A equipe passa a ter menos maneiras de deslocar a linha defensiva, especialmente quando enfrenta um adversário que protege a área com muitos jogadores.

É preciso reconhecer que conter as subidas dos laterais pode ter uma justificativa defensiva: avançar os dois simultaneamente deixa espaços para contra-ataques e exige cobertura eficiente dos volantes e zagueiros. Mas o equilíbrio não exige transformar os laterais em peças predominantemente defensivas. É possível coordenar as ultrapassagens, liberar um lado enquanto o outro permanece mais resguardado e ajustar a cobertura conforme a posição da bola. A questão é se Jardim conseguiu construir essas compensações ou se a preocupação em não conceder espaços acabou reduzindo a capacidade de atacar.

Contra o Estudiantes, essa rigidez favorecia justamente o tipo de partida que a equipe argentina queria disputar. Com menos movimentação entre setores, menos ultrapassagens e menor liberdade para os jogadores ofensivos trocarem de posição, o Flamengo oferecia referências mais previsíveis. O adversário podia proteger a área, controlar os corredores interiores e esperar que a bola chegasse aos atacantes sem vantagem posicional. O Rubro-Negro não precisava abandonar toda a organização para ser mais agressivo; precisava usar a organização como ponto de partida para movimentar, desorganizar e atacar os espaços. Ao restringir essa liberdade sem compensá-la com combinações coletivas eficazes, Jardim reduziu algumas das ferramentas que poderiam quebrar o bloqueio argentino.

A crítica, portanto, não é uma defesa da liberdade individual sem responsabilidades táticas. É a constatação de que um sistema deve potencializar as características dos jogadores, não neutralizá-las. Quando pontas com capacidade de drible e mobilidade ficam presos a zonas fixas e os laterais sobem menos, o Flamengo perde amplitude, profundidade e variação. Contra uma defesa compacta, essas perdas se acumulam: o adversário precisa deslocar menos jogadores, os espaços ficam menores e a circulação de bola se torna cada vez mais previsível.

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Foto: Gilvan de Souza/CRF

Sem conexão entre a volância e a armação, o ataque ficou encaixotado


A dificuldade ofensiva do Flamengo também passou pela falta de uma ligação eficiente entre os volantes e os jogadores responsáveis pela criação. A equipe tinha dificuldade para transformar a saída de bola em progressão pelo centro, encontrar companheiros entre as linhas de marcação e fazer a bola chegar aos atacantes em condições favoráveis. Quando essa conexão não funciona, o time pode até manter a posse no campo adversário, mas circula por fora do bloco defensivo sem conseguir acessar os espaços mais perigosos. O ataque recebe a bola tarde, de costas ou cercado por marcadores, enquanto os jogadores de trás encontram poucas opções de passe vertical.

O Estudiantes explorou essa deficiência com uma linha defensiva de cinco jogadores, protegendo a largura da área e reduzindo os espaços disponíveis para infiltrações. Com os alas ajudando a fechar os corredores e os três defensores centrais ocupando a região próxima ao gol, a equipe argentina conseguia proteger a profundidade e manter superioridade numérica diante dos atacantes rubro-negros. Para desmontar esse tipo de estrutura, não bastava trocar passes na intermediária ou acumular jogadores perto da área. O Flamengo precisava movimentar a linha adversária, criar recebedores entre os setores e acelerar a bola antes que a defesa pudesse ajustar suas posições.

É justamente aí que a ligação entre volância e armação se torna decisiva. Um meio-campo bem conectado oferece linhas de passe em diferentes alturas: o volante pode encontrar um jogador entre as linhas, conduzir para atrair um marcador ou inverter o jogo para explorar o lado oposto. O meia, por sua vez, precisa oferecer-se em espaços nos quais possa receber de frente e dar sequência à jogada. Se os volantes ficam distantes dos homens de criação, se o armador não encontra espaços para receber ou se os jogadores ocupam as mesmas zonas, a construção perde fluidez e o ataque fica isolado do restante da equipe.

A utilização de Lucas Paquetá como armador central tornou esse problema ainda mais relevante. Ao deslocá-lo para uma função mais adiantada, Jardim abriu mão de parte da capacidade de condução e progressão que o brasileiro poderia oferecer na segunda volância. Paquetá tem recursos para receber mais atrás, superar a primeira linha de pressão e levar a bola ao campo ofensivo. Quando é colocado como principal responsável pela criação no último terço, porém, precisa atuar em espaços congestionados e assumir tarefas de organização que não necessariamente aproveitam melhor suas características. A escolha, assim, não afetava apenas a posição de um jogador: também alterava a maneira como o Flamengo conseguia conectar a saída de bola ao ataque.

O problema não se resolveria automaticamente com a presença de Arrascaeta ou com a escalação de outro armador. O criador precisa receber em condições de jogar, e os volantes precisam oferecer apoio e alternativas para que a marcação não consiga cercá-lo. De La Cruz poderia contribuir com mobilidade e passe vertical, enquanto Carrascal também oferecia a possibilidade de atuar por dentro. Mas qualquer escolha dependeria da condição física dos jogadores, da distribuição dos demais atletas e de mecanismos coletivos que permitissem receber, girar e acelerar. A questão central era estrutural: quem faria a ligação entre a primeira fase da construção e os jogadores encarregados de decidir perto da área?

Sem essa conexão, os atacantes acabavam tentando resolver situações em inferioridade numérica. Pedro podia ficar cercado pelos zagueiros, os pontas recebiam com pouco espaço para avançar e os jogadores que chegavam de trás não encontravam corredores claros para infiltrar. Contra uma linha de cinco bem organizada, essa desconexão favorecia a defesa: os zagueiros podiam concentrar-se em controlar a área, enquanto os demais jogadores do Estudiantes fechavam as linhas de passe e dificultavam as combinações pelo centro. A posse do Flamengo não obrigava o adversário a abandonar sua estrutura porque raramente criava uma ameaça que exigisse uma resposta imediata.

A solução exigia movimentação coordenada. Um atacante poderia recuar para arrastar um zagueiro, abrindo espaço para a infiltração de um meia; um ponta poderia entrar por dentro enquanto o lateral dava amplitude; um volante poderia conduzir para atrair a pressão e liberar um passe vertical. A inversão rápida também poderia deslocar o bloco argentino antes que os cinco defensores e os jogadores à frente deles recompusessem a cobertura. Nenhum mecanismo garantiria a criação de chances, mas a combinação dessas ações obrigaria o Estudiantes a tomar decisões e aumentaria a possibilidade de encontrar um espaço livre.

O Flamengo, entretanto, teve dificuldade para construir esse tipo de sequência com regularidade. A circulação não deslocava suficientemente a defesa, a bola chegava aos homens da frente sem a vantagem necessária e a equipe dependia cada vez mais de cruzamentos ou de iniciativas individuais. A superioridade numérica no segundo tempo da volta não resolveu o problema porque ter um jogador a mais não cria, por si só, linhas de passe nem rompe uma defesa compacta. Sem aproximação entre volantes, armadores e atacantes, o Flamengo tinha mais jogadores em campo, mas não conseguia transformar essa vantagem em superioridade nas zonas decisivas.

Essa é uma das críticas táticas mais importantes ao trabalho de Jardim na semifinal. O ataque não ficou isolado apenas porque faltou um jogador de criação, mas porque a estrutura não conseguiu alimentar os homens da frente com continuidade, velocidade e variedade. A linha de cinco do Estudiantes foi eficaz ao proteger a área, mas o Flamengo também contribuiu para essa eficácia ao não encontrar conexões e movimentos capazes de desorganizar a marcação. A posse de bola tornou-se previsível, os atacantes ficaram encaixotados e a equipe passou longos períodos sem criar perigo proporcional ao seu domínio territorial.

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Foto: Gilvan de Souza/CRF

Paquetá na armação: o problema era a função, não o nome


A escolha de Lucas Paquetá para iniciar a partida na função de armador expôs uma das decisões mais questionáveis de Leonardo Jardim na semifinal. A ausência de Arrascaeta era compreensível: o uruguaio voltava após cerca de três semanas de recuperação de uma fratura no punho esquerdo e havia participado de apenas dois ou três treinos com o grupo antes da partida decisiva; desta forma, ainda não reunia condições ideais para começar uma partida de alta intensidade física. Além disso, o camisa 10 rubro-negro sempre encontra dificuldades em confrontos marcados por duelos físicos, pressão e pouco espaço para construir. O problema, portanto, não era deixar Arrascaeta no banco, mas escolher a alternativa para ocupar a função de criação.

O problema, portanto, não era deixar Arrascaeta no banco. Era encontrar uma alternativa que permitisse ao Flamengo manter capacidade de criação sem comprometer outras funções do meio-campo. Paquetá tem técnica, condução, capacidade de romper linhas e chegada à área, mas, quando utilizado como principal organizador central, não vinha entregando com regularidade o controle e o último passe que o time precisava contra defesas bem posicionadas. Em partidas sob Jardim, já havia sinais de que seu rendimento era mais interessante quando podia participar da construção desde trás e avançar a partir da segunda volância.

Paquetá já havia demonstrado, em outras partidas sob o comando de Jardim, dificuldades para desempenhar a função de armador central em jogos nos quais o Flamengo precisava assumir a iniciativa e encontrar soluções contra defesas organizadas. Seu rendimento era mais consistente quando atuava como segundo volante, posição em que podia participar da construção desde trás, conduzir a bola, romper linhas e chegar ao ataque sem carregar sozinho a responsabilidade de organizar o último passe. Ao deslocá-lo para a armação, Jardim abriu mão de características importantes no meio-campo e improvisou em uma função na qual o jogador não vinha oferecendo o mesmo rendimento.

Ao deslocá-lo para a função de armador, Jardim abriu mão de características importantes de Paquetá como segundo volante para tentar resolver a ausência de um criador natural, e insistiu em um erro que já havia cometido diversas vezes, só que desta vez em um momento extremamente decisivo. O camisa 11 pode conduzir a bola, superar a primeira pressão, encontrar passes verticais e chegar à área sem carregar sozinho a responsabilidade de organizar todos os ataques. Mais recuado, poderia contribuir para que o Flamengo avançasse com maior qualidade e ajudasse a quebrar a pressão argentina. Mais adiantado, passou a ser cobrado por uma função na qual suas limitações ficavam mais expostas.

Isso não significa que Paquetá tenha sido o responsável isolado pela eliminação, nem que tenha feito tudo mal. Na etapa final, deu um bom passe longo para Plata e quase marcou de cabeça, que aconteceu depois que ele foi recuado com a saída de Erick Pulgar. O próprio desempenho mostrou que ele podia ter contribuído melhor com ações mais verticais e ataque a área se estivesse escaldo em dua função nativa. A crítica é à construção do meio-campo: a equipe precisava de um jogador capaz de conectar os setores e encontrar espaços, enquanto Paquetá foi colocado em uma função que nem sempre favorece suas melhores características.

A decisão ganha ainda mais peso porque o Flamengo possuía alternativas no elenco: Nicolás De La Cruz, que costuma exercer funções de meio-campista central e armador pela seleção uruguaia, poderia oferecer mobilidade, passe vertical e capacidade de conectar os setores. Jorge Carrascal, originalmente contratado também como opção para a ausência de Arrascaeta, era outra possibilidade para atuar por dentro, embora Jardim o utilizasse com frequência aberto pelo lado. Samuel Lino também já havia sido testado centralizado e apresentara muito bons resultados nessa função, deslocando Plata para a ponta em seu lugar. As opções não eram perfeitas, mas existiam alternativas à improvisação de Paquetá.

Muito embora cada alternativa tivesse custos táticos e físicos: De La Cruz, exigia uma avaliação física cuidadosa, em razão do histórico de lesões e do controle de carga adotado pelo clube. Jorge Carrascal vem sendo utilizado por Jardim frequentemente aberto pelo lado mesmo, o colombiano apresentando bastante mobilidade para receber entre linhas e combinar com os atacantes. E Lino, evidentemente, possui características naturais de ponta avançado. Mas, de qualquer forma, em nenhuma das duas partidas tanto Lino quanto Carrascal não receberam funções de dar profundidade lateral ao esquema do Flamengo, jogando posicionalmente estáticos para evitar as investidas laterais do estudiantes e mesmo se a necessidade de profundidade nas pontas fosse necessária, Jardim contava com Plata, Valência e Luiz Araújo no elenco, todos pontas de ofício.

O problema não foi simplesmente a escalação de Paquetá, mas a combinação de funções escolhida para o meio-campo. Contra um Estudiantes compacto, agressivo nos duelos e capaz de bloquear os espaços centrais, o Flamengo precisava de jogadores que recebessem entre linhas, acelerassem a circulação e encontrassem passes capazes de desmontar a marcação. A decisão de Jardim não entregou essas respostas com regularidade. A falta de criatividade não pode ser atribuída exclusivamente à posição de Paquetá, mas sua escalação nessa função reforça a crítica de que o treinador não encontrou a melhor maneira de aproveitar as características disponíveis no elenco.

Ainda assim, a questão tática permanece: Jardim precisava decidir se valia mais preservar Paquetá na segunda volância, onde suas características poderiam ajudar o Flamengo a superar a pressão e acelerar a construção, ou deslocá-lo para uma função na qual já havia apresentado limitações. A opção escolhida sacrificou uma posição em que o 11 podia oferecer força e progressão para tentar preencher a lacuna de um armador sem uma solução natural plenamente consolidada.

O problema não foi simplesmente escalar Paquetá, mas depender dele como armador central sem conseguir construir, ao redor dessa escolha, uma estrutura ofensiva suficientemente eficaz.

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Foto: Gilvan de Souza/CRF

O banco não serve apenas para trocar jogadores: serve para mudar o jogo


A dificuldade de Jardim em alterar o rumo das partidas não se resume ao minuto em que faz as substituições. O ponto mais importante é a relação entre a leitura do problema e a resposta escolhida. Uma alteração pode ser tardia, mas também pode ser ineficaz se repetir a mesma estrutura; pode acontecer cedo e, ainda assim, não resolver nada se o jogador entrar sem uma função clara. O treinador precisa identificar o que o adversário está bloqueando e mudar os mecanismos que sustentam o ataque.

Contra o Estudiantes, a equipe encontrou dificuldades para progredir pelo centro, teve pouca presença na área e não conseguiu criar superioridade com regularidade. A resposta precisava ir além de substituir um jogador por outro de características ofensivas. Era necessário alterar a distribuição dos espaços, aproximar os meias dos atacantes, liberar jogadores para atacar a área e decidir quando retirar parte da proteção defensiva para ganhar presença no último terço.

Jardim pareceu insistir por tempo demais na expectativa de que a estrutura inicial produziria resultado. No jogo de ida, a preocupação em manter altura, força física e proteção nas bolas paradas limitou a margem de intervenção. No Maracanã, a equipe demorou a reagir à expulsão e ao bloco baixo. São situações diferentes, mas ligadas por uma mesma questão: a dificuldade de equilibrar a organização preparada antes do jogo com as necessidades que surgem durante a partida.

O treinador pode defender que suas alterações foram feitas quando julgou necessário, como afirmou após a eliminação. Mas a avaliação não pode depender apenas da intenção do comandante. O critério precisa ser o que o time estava produzindo, o que o adversário permitia e quanto tempo restava para mudar o confronto. Nesse aspecto, a resposta rubro-negra ficou aquém da urgência da semifinal.

Também é preciso distinguir uma crítica a decisões específicas de uma condenação automática de todo o trabalho de Jardim. O Flamengo teve bons resultados sob seu comando e demonstrou, em outros momentos da temporada, capacidade de atacar com verticalidade, movimentação e pressão. O problema foi não conseguir reproduzir esses mecanismos quando encontrou um adversário que reduziu o espaço e transformou o confronto em uma disputa de paciência, duelos e detalhes.

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O peso da identidade do Flamengo


A dimensão do Flamengo torna essa discussão maior do que a escolha entre uma estratégia ofensiva e outra defensiva. Um clube com o investimento, a qualidade individual e a ambição competitiva do Rubro-Negro não pode confundir protagonismo com posse de bola, nem agressividade com desorganização. Mas também não pode aceitar que a prudência retire da equipe os mecanismos que justificam sua superioridade técnica.

O Flamengo não precisa atacar de maneira descontrolada para cumprir sua identidade. Precisa pressionar quando há condições para pressionar, circular a bola com intenção, encontrar os jogadores entre linhas e acelerar quando o adversário está desorganizado. Quando o rival consegue compactar a defesa, a equipe deve ter alternativas para deslocá-lo, criar superioridades e atacar a área. A segurança defensiva deve sustentar essas ações, não substituí-las.

É nesse sentido que a mudança de prioridades sob Jardim se tornou problemática. A escolha de proteger a equipe pode ser compreensível em determinados contextos, mas a semifinal mostrou o risco de levar essa lógica longe demais. O Flamengo terminou os dois jogos sem marcar, não encontrou soluções consistentes mesmo com superioridade numérica e deixou a decisão chegar aos pênaltis sem ter produzido um volume ofensivo suficiente para tornar a classificação mais provável.

O argumento de que a Libertadores exige competitividade física, atenção às bolas paradas e capacidade de suportar pressão é correto. O que não se pode concluir daí é que a resposta adequada seja reduzir a iniciativa ofensiva de maneira tão acentuada. A competição exige adaptação, mas adaptar-se ao adversário não significa renunciar aos próprios recursos. É justamente a combinação entre organização, agressividade e capacidade de mudar o plano que diferencia uma equipe preparada para o mata-mata de outra que depende de episódios isolados.

A vitória em Quito e a classificação sobre o Del Valle mostraram que o Flamengo tinha recursos para resolver jogos mesmo quando não dominava todas as fases. A semifinal contra o Estudiantes mostrou o outro lado: quando a eficiência não apareceu e o adversário conseguiu repetir seu plano, o time não encontrou uma resposta ofensiva suficientemente forte. Não é possível atribuir todos esses problemas às diversas decisões equivocadas de Leonardo Jardim, mas tampouco é possível tratar a eliminação como mero azar nos pênaltis, ou as falhas individuasi dos jogadores.

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Foto: Gilvan de Souza/CRF

Uma eliminação que expõe a responsabilidade do treinador


Perder nos pênaltis faz parte do futebol e, isoladamente, não comprova fracasso tático. O problema é chegar à disputa sem ter conseguido marcar em dois jogos, com poucas chances claras e sem aproveitar plenamente a vantagem de jogar em casa com um atleta a mais durante boa parte do segundo tempo. Nesse cenário, os pênaltis não são uma explicação suficiente: são o último capítulo de uma eliminatória na qual o Flamengo produziu menos do que precisava.

Leonardo Jardim não foi eliminado simplesmente porque escolheu defender mais. Foi eliminado porque, diante de um adversário que conseguiu neutralizar o Flamengo, não encontrou a tempo uma forma eficaz de combinar segurança defensiva e agressividade ofensiva. A preocupação em preservar a estrutura, a escolha de Paquetá para uma função de criação que não potencializa suas melhores características e a demora para ampliar a presença na área contribuíram para o problema.

A principal crítica ao treinador não é que deveria ter abandonado toda cautela ou que havia uma escalação perfeita escondida no banco. É que as dificuldades eram visíveis desde o primeiro jogo e se repetiram no segundo. A comissão técnica precisava reconhecer que o plano não estava produzindo o suficiente e encontrar alternativas mais cedo, mesmo que isso exigisse aceitar riscos maiores.

A semifinal também deixa uma pergunta mais ampla sobre a capacidade de Jardim de adaptar sua equipe em partidas nas quais o roteiro planejado deixa de funcionar. O Flamengo demonstrou em outros momentos da temporada que pode combinar controle, verticalidade e mobilidade. Contra o Estudiantes, porém, essa combinação desapareceu. A equipe ficou presa entre a necessidade de proteger-se e a obrigação de atacar, sem encontrar um equilíbrio capaz de resolver o confronto.

O treinador tem responsabilidade pelas escolhas, pela preparação e pela resposta durante o jogo. Os jogadores também precisam responder tecnicamente, executar as ações e converter as oportunidades que surgem. A eliminação não deve ser reduzida a um culpado único, mas o desempenho coletivo expôs falhas de planejamento e intervenção que estão diretamente ligadas ao comando técnico.

O Flamengo não caiu apenas nos pênaltis. Caiu porque passou 180 minutos sem encontrar uma solução ofensiva consistente para um adversário que soube fechar os espaços. A disputa final decidiu quem avançaria, mas a insuficiência que tornou essa disputa inevitável foi construída muito antes da primeira cobrança.

Imagem secundária para Análise: Leonardo Jardim tentou proteger demais o Flamengo dos riscos, comprometeu sua força ofensiva e foi eliminado na Libertadores mesmo invicto.Imagem: Gilvan de Souza/CRF
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