Cruzeiro 2 x 1 Flamengo: desperdício, apagão no segundo tempo e a derrota que expõe um problema de Jardim
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Imagem: Adriano Fontes/CRFFlamengo teve controle e criou chances para matar o jogo no primeiro tempo, mas recuou, perdeu intensidade e permitiu uma virada que começou com Arroyo e terminou no último lance, com Matheus Pereira
O Flamengo conseguiu transformar uma partida que estava sob seu controle em uma derrota dolorosa.
No Mineirão, o Rubro-Negro perdeu por 2 a 1 para o Cruzeiro, pela 24ª rodada do Campeonato Brasileiro, depois de abrir o placar e ter oportunidades suficientes para construir uma vantagem confortável ainda no primeiro tempo.
Pedro marcou aos 21 minutos, mas Arroyo empatou aos nove da segunda etapa e Matheus Pereira decretou a virada aos 49 minutos.
O resultado mantém o Flamengo com 45 pontos e impede que a equipe se aproxime do Palmeiras na liderança. O Cruzeiro chegou aos 39 pontos e permanece no G5.
Mas o placar conta apenas parte da história.
A outra parte é muito mais incômoda para Leonardo Jardim: o Flamengo teve o jogo nas mãos, não matou a partida quando poderia e depois simplesmente deixou de jogar.
UM PRIMEIRO TEMPO QUE PEDIA UMA VANTAGEM MAIOR
A atuação inicial do Flamengo foi, em vários momentos, exatamente o que se esperava de uma equipe que pretendia aproveitar o bom momento vivido depois da classificação na Libertadores.
Leonardo Jardim manteve uma estrutura ofensiva, com Pulgar dando sustentação ao meio-campo, Paquetá e Arrascaeta aproximando-se da construção e Carrascal, Samuel Lino e Pedro formando uma frente de ataque móvel.
O Flamengo conseguiu encontrar espaços entre as linhas do Cruzeiro e, principalmente, explorar a movimentação de Pedro.
O centroavante teve uma oportunidade claríssima antes de marcar e chegou a desperdiçar uma cobrança praticamente na marca do pênalti, mandando a bola para fora. Carrascal também teve chances para finalizar.
O problema não foi criar.
Foi não transformar o domínio em vantagem suficiente.
Aos 21 minutos, finalmente, a eficiência apareceu. Arrascaeta encontrou Pedro em ótima condição, e o camisa 9 se desprendeu de Fabrício Bruno para finalizar rasteiro e vencer Otávio.
O gol premiava uma movimentação que funcionava bem: Pedro saía momentaneamente da referência, atacava o espaço nas costas dos zagueiros e recebia passes verticais de um Flamengo que conseguia acelerar quando encontrava o corredor central.
Só que o 1 a 0 era pouco.
Muito pouco.
O FLAMENGO PERDEU A CHANCE DE MATAR O JOGO
Aqui está o primeiro grande ponto crítico da partida.
O Flamengo teve oportunidades para ampliar e não aproveitou.
E contra uma equipe como o Cruzeiro, jogar fora tantas possibilidades costuma cobrar um preço.
Pedro teve uma segunda grande oportunidade depois do intervalo, mas Otávio fez a defesa. Carrascal também encontrou espaço para finalizar.
O Flamengo precisava transformar sua superioridade territorial e técnica em um segundo gol.
Não fez.
E, quando o adversário sobrevive a um primeiro tempo em que poderia ter sofrido mais, a partida muda de natureza.
Foi exatamente o que aconteceu.
ARTUR JORGE MUDOU O JOGO NO INTERVALO
Se Leonardo Jardim teve méritos para fazer o Flamengo funcionar no primeiro tempo, Artur Jorge merece crédito pela maneira como o Cruzeiro voltou para a etapa final.
A Raposa aumentou a agressividade, aproximou seus jogadores ofensivos e passou a atacar com mais frequência os espaços laterais da estrutura flamenguista.
O Cruzeiro deixou de esperar.
Passou a pressionar.
E o Flamengo não encontrou resposta.
A equipe de Jardim começou a perder a capacidade de controlar o meio-campo e passou a defender cada vez mais perto de Rossi.
A consequência foi imediata.
Aos nove minutos, Arroyo recebeu pela direita, conduziu para dentro, deixou Samuel Lino para trás e acertou um chute colocado de enorme qualidade para empatar a partida.
O gol não foi apenas uma bela finalização.
Foi também um retrato do problema defensivo do Flamengo naquele momento.
Samuel Lino foi vencido no duelo individual, e a cobertura não chegou a tempo.
O Cruzeiro encontrou o corredor interno.
Arroyo teve espaço.
E, diante de uma defesa que recuava, teve tempo para escolher onde colocar a bola.
ONDE O ESQUEMA DE ARTUR JORGE PREVALECEU
O duelo tático mudou completamente depois do intervalo.
Artur Jorge conseguiu fazer o Cruzeiro atacar o ponto mais vulnerável do Flamengo: o espaço entre os laterais e os jogadores responsáveis pela cobertura.
O Cruzeiro não precisava necessariamente ter mais posse.
Precisava apenas acelerar quando recuperava a bola.
E foi isso que fez.
Com Matheus Pereira encontrando liberdade para participar da construção e Arroyo atacando por dentro a partir do lado direito, a equipe mineira passou a produzir situações mais perigosas.
Leonardo Jardim, por sua vez, não conseguiu preservar a mesma ocupação dos espaços do primeiro tempo.
O meio-campo deixou de ser um setor de controle e passou a ser um setor de disputa.
Pulgar, que havia sido importante para equilibrar a equipe, começou a ficar mais exposto.
Paquetá não conseguiu oferecer o mesmo controle territorial.
Arrascaeta passou a receber menos bolas em condições de criar.
E Pedro ficou cada vez mais isolado.
O Cruzeiro percebeu isso antes do Flamengo.
O SEGUNDO TEMPO FOI MUITO ABAIXO DO QUE O FLAMENGO PODE PRODUZIR
Não há muito espaço para amenizar a atuação rubro-negra depois do intervalo.
Foi ruim.
Muito ruim.
O Flamengo perdeu intensidade, perdeu organização e, principalmente, perdeu a capacidade de pressionar o adversário após perder a bola.
O time passou a assistir ao Cruzeiro jogar.
E uma equipe que vinha de uma goleada por 5 a 1 sobre o Mirassol e de uma classificação importante na Libertadores não poderia simplesmente desaparecer ofensivamente durante tantos minutos.
O problema não foi apenas físico.
Foi também comportamental.
O Flamengo começou a jogar como se o empate fosse suficiente.
Só que estava vencendo.
E, quando você diminui a intensidade sem ter controle absoluto do jogo, acaba oferecendo ao adversário exatamente aquilo que ele precisa: tempo e espaço.
Pedro, Carrascal e as oportunidades desperdiçadas passaram a pesar ainda mais.
Porque o Flamengo teve chances.
Não tantas quanto no primeiro tempo, mas suficientes para evitar a derrota.
E não aproveitou.
A DEFESA TAMBÉM DEU SINAIS DE FRAGILIDADE
A derrota não pode ser colocada apenas na conta do ataque.
A defesa também apresentou problemas.
O gol de Arroyo mostrou uma equipe vulnerável diante de um atacante conduzindo por dentro.
Nos minutos finais, o Cruzeiro ainda encontrou espaços para finalizar e atacar a área.
Fagner chegou a receber livre em uma situação perigosa, mas finalizou mal. Do outro lado, o Flamengo também teve oportunidades com Carrascal e Paquetá.
O jogo havia se transformado em uma partida aberta e desorganizada.
E esse é justamente outro ponto que precisa preocupar Jardim.
Quando o Flamengo não consegue controlar a partida pela posse, precisa saber controlar pelo posicionamento.
No Mineirão, não conseguiu fazer nenhuma das duas coisas.
AS SUBSTITUIÇÕES NÃO DEVOLVERAM O CONTROLE
Leonardo Jardim tentou mudar o cenário com as entradas de Evertton Araújo, Bruno Henrique, Jorginho, Plata e Luiz Araújo.
Mas as alterações não conseguiram recuperar o domínio territorial apresentado no primeiro tempo.
A equipe continuou sem a mesma capacidade de pressionar a saída do Cruzeiro e encontrou dificuldades para construir ataques posicionais.
Jorginho entrou para tentar reorganizar o meio-campo, enquanto Bruno Henrique e Plata ofereceram alternativas pelos lados.
Mas o problema já era coletivo.
O Flamengo não estava mais conseguindo estabelecer onde o jogo deveria ser disputado.
E, quando isso acontece, substituir jogadores não necessariamente resolve.
MATHEUS PEREIRA PUNE O FLAMENGO NO ÚLTIMO LANCE
O golpe definitivo veio aos 49 minutos.
Depois de uma partida em que o Flamengo teve a oportunidade de controlar o resultado, Matheus Pereira apareceu no momento decisivo para fazer 2 a 1.
O Mineirão explodiu.
E o Flamengo ficou sem tempo para reagir.
A ironia é que a equipe carioca havia vivido situação semelhante poucos dias antes, quando venceu o próprio Cruzeiro no Maracanã e garantiu a classificação na Libertadores.
Desta vez, porém, foi a Raposa quem encontrou o gol no momento decisivo.
A LIÇÃO MAIS DURA PARA LEONARDO JARDIM
A derrota não apaga a evolução recente do Flamengo.
Mas funciona como um alerta importante.
O time de Leonardo Jardim mostrou nos últimos jogos que consegue pressionar, controlar território, acelerar pelos lados e produzir futebol ofensivo de alto nível.
O problema é que ainda precisa aprender a administrar diferentes momentos da partida sem perder sua identidade.
No Mineirão, o Flamengo foi superior em boa parte do primeiro tempo.
Depois, deixou o Cruzeiro crescer.
E, quando percebeu, já não controlava mais o jogo.
Esse tipo de oscilação pode ser tolerado em partidas isoladas.
Em uma disputa de pontos corridos, porém, custa caro.
Ainda mais quando o adversário direto pela liderança pode abrir vantagem.
UMA DERROTA QUE COMEÇOU NOS PÉS DO PRÓPRIO FLAMENGO
O Cruzeiro merece os méritos pela reação e pela capacidade de acreditar até o último lance.
Mas o Flamengo também precisa assumir sua parcela de responsabilidade.
A partida estava ao alcance.
Pedro teve chances para marcar mais de uma vez.
Carrascal também teve oportunidades.
A equipe abriu o placar e teve condições de ampliar.
Depois, inexplicavelmente, deixou de pressionar.
O Cruzeiro cresceu, empatou e passou a acreditar.
E, no futebol, quando você oferece ao adversário a possibilidade de permanecer vivo, não pode reclamar quando ele encontra o golpe final.
O Flamengo não perdeu porque não teve futebol para vencer. Perdeu porque teve futebol para vencer e não soube transformar isso em resultado.
E essa talvez seja a parte mais preocupante da noite no Mineirão.
Porque o Campeonato Brasileiro não pune apenas quem joga mal.
Pune, principalmente, quem joga bem e não mata o jogo quando tem a oportunidade.
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