Rossi questionado: As falhas que transformaram uma segurança em preocupação
Imagem: Gilvan de Souza/CRFGoleiro argentino vive momento de instabilidade, e sequência de erros levanta uma discussão que vai além de uma partida: até que ponto Leonardo Jardim pode manter Rossi como titular sem recuperar sua confiança?
Durante um longo período, Agustín Rossi foi tratado como uma das peças mais confiáveis do Flamengo. O argentino ganhou espaço, tornou-se titular e construiu uma imagem de goleiro seguro, especialmente em partidas de maior pressão.
Mas o cenário mudou.
Nas últimas atuações, Rossi passou a conviver com uma sequência de falhas e decisões questionáveis que colocaram em discussão uma posição que parecia consolidada no elenco rubro-negro.
A questão, neste momento, não é simplesmente apontar culpados pelos gols sofridos.
É entender por que um goleiro que já demonstrou capacidade para atuar em alto nível passou a transmitir menos segurança justamente quando o Flamengo entra na fase mais importante da temporada.
O PROBLEMA NÃO É UMA FALHA ISOLADA
Todo goleiro está sujeito ao erro.
Uma saída equivocada, uma defesa incompleta ou um gol sofrido em uma finalização difícil fazem parte do futebol.
O que preocupa no caso de Rossi é a repetição.
Quando os erros começam a aparecer em sequência, o problema deixa de ser estatístico e passa a ser também psicológico.
O goleiro começa a hesitar.
A defesa percebe.
Os companheiros passam a proteger mais a própria área.
E o adversário percebe que existe uma possibilidade maior do erro aparecer.
É assim que uma falha individual pode começar a produzir consequências coletivas.
ROSSI NÃO PARECE O MESMO GOLEIRO
O Rossi em seus melhores momentos, era um goleiro que transmitia personalidade.
Era agressivo para sair do gol, participava da construção e demonstrava confiança para assumir riscos.
Hoje, algumas dessas mesmas características passaram a produzir o efeito contrário.
Uma saída que antes parecia demonstração de coragem pode transmitir insegurança quando o timing não é perfeito.
Uma tentativa de jogar curto pode transformar-se em um problema quando a tomada de decisão é lenta.
E uma defesa que antes parecia simples pode ganhar contornos dramáticos quando o goleiro não consegue encaixar a bola.
A confiança de um goleiro é diferente da confiança de qualquer outro jogador.
Um atacante pode errar três finalizações e continuar procurando a quarta.
Um meia pode perder a bola e tentar novamente.
Para o goleiro, um erro pode significar gol.
E um gol sofrido pode permanecer na cabeça durante toda a partida.
O FLAMENGO TAMBÉM PRECISA OLHAR PARA A FRENTE DE ROSSI
Seria injusto colocar toda a responsabilidade pelos problemas defensivos no goleiro.
O Flamengo de Leonardo Jardim joga frequentemente com linhas avançadas, laterais participando intensamente da construção e muitos jogadores posicionados no campo ofensivo.
Esse modelo naturalmente expõe a última linha.
Quando a pressão pós-perda não funciona, os zagueiros ficam mais vulneráveis.
Quando os laterais avançam simultaneamente, os corredores podem ser explorados.
E quando o meio-campo perde a compactação, Rossi passa a enfrentar situações de um contra um ou finalizações em condições muito mais perigosas.
Isso não elimina a responsabilidade do goleiro.
Mas ajuda a explicar o contexto.
ROSSI ESTÁ SENDO EXPOSTO MAIS DO QUE DEVERIA?
Essa é uma pergunta que Leonardo Jardim precisa responder.
O treinador pode continuar utilizando Rossi normalmente, mas precisa avaliar se o sistema está oferecendo ao argentino as condições necessárias para recuperar a confiança.
Talvez seja necessário reduzir temporariamente alguns riscos.
Uma defesa mais compacta.
Menos espaço nas costas dos zagueiros.
Maior proteção à entrada da área.
E uma saída de bola menos arriscada em determinados momentos.
Não seria uma mudança definitiva de identidade.
Seria uma forma de reduzir a margem de erro enquanto o goleiro recupera estabilidade.
ANDREW É UMA ALTERNATIVA REAL?
O Flamengo também possui Andrew como alternativa.
O jovem goleiro chegou ao clube cercado de expectativa e já teve oportunidades para mostrar seu potencial.
A existência de um reserva capaz de assumir a posição cria uma situação interessante para Jardim.
Não significa que Rossi deva ser imediatamente barrado.
Significa que a titularidade não pode ser tratada como uma propriedade vitalícia.
Se o desempenho continuar abaixo do esperado, o treinador precisa estar disposto a avaliar uma mudança.
Até porque existe uma diferença importante entre substituir um jogador por punição e substituí-lo por estratégia.
Um período no banco pode, inclusive, ajudar Rossi a recuperar a confiança.
O PIOR CENÁRIO É A DÚVIDA SE TRANSFORMAR EM MEDO
O problema mais perigoso seria permitir que a sequência de falhas contaminasse o comportamento do goleiro.
Um Rossi inseguro pode começar a evitar decisões que antes tomava naturalmente.
Pode hesitar nas saídas.
Pode preferir rebater bolas que normalmente encaixaria.
Pode reduzir sua participação na construção.
E, paradoxalmente, quanto mais tentar evitar o erro, maior pode ser a chance de cometê-lo.
Goleiro precisa jogar com convicção.
Quando a dúvida entra na cabeça, o tempo de reação parece ficar maior.
JARDIM PRECISA DECIDIR SE É HORA DE PROTEGER ROSSI
Leonardo Jardim tem agora uma decisão delicada.
Manter Rossi significa apostar na recuperação de um goleiro experiente, que já mostrou qualidade e conhece o peso de vestir a camisa do Flamengo.
Retirá-lo significa assumir o risco de mudar uma posição extremamente sensível em plena temporada.
Nenhuma das duas escolhas é simples.
Mas existe uma terceira possibilidade: proteger Rossi sem necessariamente tirá-lo do time.
O treinador pode trabalhar especificamente os aspectos que mais geram insegurança, diminuir temporariamente algumas exigências na saída de bola e fortalecer a proteção à sua frente.
Se o goleiro responder, o problema pode ser resolvido sem uma mudança radical.
Se não responder, Andrew precisa estar preparado.
O FLAMENGO NÃO PODE ENTRAR NA RETA FINAL DA TEMPORADA COM UMA DÚVIDA NO GOL
A discussão ganha importância pelo momento da temporada.
O Flamengo está envolvido na disputa do Campeonato Brasileiro e da Libertadores. São competições nas quais um único erro pode eliminar uma equipe.
Nos mata-matas, a margem de recuperação é mínima.
Por isso, a questão precisa ser resolvida rapidamente.
Rossi não pode entrar em campo carregando a sensação de que qualquer bola pode terminar em gol.
E a defesa não pode atuar desconfiando da última barreira atrás dela.
A confiança precisa voltar dos dois lados.
O PROBLEMA DE ROSSI É RECUPERÁVEL
É importante não transformar uma sequência ruim em sentença definitiva.
Rossi já provou que pode ser goleiro do Flamengo.
O argentino tem experiência, capacidade técnica e histórico suficiente para justificar uma tentativa de recuperação.
Mas também é preciso reconhecer o óbvio: o futebol vive do presente.
Se as falhas continuarem, Jardim terá de tomar uma decisão.
Não por pressão externa.
Não por uma partida isolada.
Mas por que o Flamengo não pode chegar às decisões da temporada sem saber se pode confiar plenamente em seu goleiro.
O momento exige trabalho, proteção e, sobretudo, clareza.
Rossi precisa recuperar a confiança.
O sistema defensivo precisa ajudá-lo.
E Leonardo Jardim precisa decidir até onde vai sua aposta no argentino.
Porque quando um goleiro começa a transmitir insegurança, o problema raramente fica restrito à pequena área.
A dúvida que começa em Rossi pode acabar contaminando todo o Flamengo.
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