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Rossi questionado: As falhas que transformaram uma segurança em preocupação

Por Thiago Silva24 de agosto de 2026
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Rossi questionado: As falhas que transformaram uma segurança em preocupaçãoImagem: Gilvan de Souza/CRF

Goleiro argentino vive momento de instabilidade, e sequência de erros levanta uma discussão que vai além de uma partida: até que ponto Leonardo Jardim pode manter Rossi como titular sem recuperar sua confiança?

Durante um longo período, Agustín Rossi foi tratado como uma das peças mais confiáveis do Flamengo. O argentino ganhou espaço, tornou-se titular e construiu uma imagem de goleiro seguro, especialmente em partidas de maior pressão.

Mas o cenário mudou.

Nas últimas atuações, Rossi passou a conviver com uma sequência de falhas e decisões questionáveis que colocaram em discussão uma posição que parecia consolidada no elenco rubro-negro.

A questão, neste momento, não é simplesmente apontar culpados pelos gols sofridos.

É entender por que um goleiro que já demonstrou capacidade para atuar em alto nível passou a transmitir menos segurança justamente quando o Flamengo entra na fase mais importante da temporada.

O PROBLEMA NÃO É UMA FALHA ISOLADA

Todo goleiro está sujeito ao erro.

Uma saída equivocada, uma defesa incompleta ou um gol sofrido em uma finalização difícil fazem parte do futebol.

O que preocupa no caso de Rossi é a repetição.

Quando os erros começam a aparecer em sequência, o problema deixa de ser estatístico e passa a ser também psicológico.

O goleiro começa a hesitar.

A defesa percebe.

Os companheiros passam a proteger mais a própria área.

E o adversário percebe que existe uma possibilidade maior do erro aparecer.

É assim que uma falha individual pode começar a produzir consequências coletivas.

ROSSI NÃO PARECE O MESMO GOLEIRO

O Rossi em seus melhores momentos, era um goleiro que transmitia personalidade.

Era agressivo para sair do gol, participava da construção e demonstrava confiança para assumir riscos.

Hoje, algumas dessas mesmas características passaram a produzir o efeito contrário.

Uma saída que antes parecia demonstração de coragem pode transmitir insegurança quando o timing não é perfeito.

Uma tentativa de jogar curto pode transformar-se em um problema quando a tomada de decisão é lenta.

E uma defesa que antes parecia simples pode ganhar contornos dramáticos quando o goleiro não consegue encaixar a bola.

A confiança de um goleiro é diferente da confiança de qualquer outro jogador.

Um atacante pode errar três finalizações e continuar procurando a quarta.

Um meia pode perder a bola e tentar novamente.

Para o goleiro, um erro pode significar gol.

E um gol sofrido pode permanecer na cabeça durante toda a partida.

O FLAMENGO TAMBÉM PRECISA OLHAR PARA A FRENTE DE ROSSI

Seria injusto colocar toda a responsabilidade pelos problemas defensivos no goleiro.

O Flamengo de Leonardo Jardim joga frequentemente com linhas avançadas, laterais participando intensamente da construção e muitos jogadores posicionados no campo ofensivo.

Esse modelo naturalmente expõe a última linha.

Quando a pressão pós-perda não funciona, os zagueiros ficam mais vulneráveis.

Quando os laterais avançam simultaneamente, os corredores podem ser explorados.

E quando o meio-campo perde a compactação, Rossi passa a enfrentar situações de um contra um ou finalizações em condições muito mais perigosas.

Isso não elimina a responsabilidade do goleiro.

Mas ajuda a explicar o contexto.

ROSSI ESTÁ SENDO EXPOSTO MAIS DO QUE DEVERIA?

Essa é uma pergunta que Leonardo Jardim precisa responder.

O treinador pode continuar utilizando Rossi normalmente, mas precisa avaliar se o sistema está oferecendo ao argentino as condições necessárias para recuperar a confiança.

Talvez seja necessário reduzir temporariamente alguns riscos.

Uma defesa mais compacta.

Menos espaço nas costas dos zagueiros.

Maior proteção à entrada da área.

E uma saída de bola menos arriscada em determinados momentos.

Não seria uma mudança definitiva de identidade.

Seria uma forma de reduzir a margem de erro enquanto o goleiro recupera estabilidade.

ANDREW É UMA ALTERNATIVA REAL?

O Flamengo também possui Andrew como alternativa.

Imagem secundária para Rossi questionado: As falhas que transformaram uma segurança em preocupaçãoImagem: Adriano Fontes/CRF
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O jovem goleiro chegou ao clube cercado de expectativa e já teve oportunidades para mostrar seu potencial.

A existência de um reserva capaz de assumir a posição cria uma situação interessante para Jardim.

Não significa que Rossi deva ser imediatamente barrado.

Significa que a titularidade não pode ser tratada como uma propriedade vitalícia.

Se o desempenho continuar abaixo do esperado, o treinador precisa estar disposto a avaliar uma mudança.

Até porque existe uma diferença importante entre substituir um jogador por punição e substituí-lo por estratégia.

Um período no banco pode, inclusive, ajudar Rossi a recuperar a confiança.

O PIOR CENÁRIO É A DÚVIDA SE TRANSFORMAR EM MEDO

O problema mais perigoso seria permitir que a sequência de falhas contaminasse o comportamento do goleiro.

Um Rossi inseguro pode começar a evitar decisões que antes tomava naturalmente.

Pode hesitar nas saídas.

Pode preferir rebater bolas que normalmente encaixaria.

Pode reduzir sua participação na construção.

E, paradoxalmente, quanto mais tentar evitar o erro, maior pode ser a chance de cometê-lo.

Goleiro precisa jogar com convicção.

Quando a dúvida entra na cabeça, o tempo de reação parece ficar maior.

JARDIM PRECISA DECIDIR SE É HORA DE PROTEGER ROSSI

Leonardo Jardim tem agora uma decisão delicada.

Manter Rossi significa apostar na recuperação de um goleiro experiente, que já mostrou qualidade e conhece o peso de vestir a camisa do Flamengo.

Retirá-lo significa assumir o risco de mudar uma posição extremamente sensível em plena temporada.

Nenhuma das duas escolhas é simples.

Mas existe uma terceira possibilidade: proteger Rossi sem necessariamente tirá-lo do time.

O treinador pode trabalhar especificamente os aspectos que mais geram insegurança, diminuir temporariamente algumas exigências na saída de bola e fortalecer a proteção à sua frente.

Se o goleiro responder, o problema pode ser resolvido sem uma mudança radical.

Se não responder, Andrew precisa estar preparado.

O FLAMENGO NÃO PODE ENTRAR NA RETA FINAL DA TEMPORADA COM UMA DÚVIDA NO GOL

A discussão ganha importância pelo momento da temporada.

O Flamengo está envolvido na disputa do Campeonato Brasileiro e da Libertadores. São competições nas quais um único erro pode eliminar uma equipe.

Nos mata-matas, a margem de recuperação é mínima.

Por isso, a questão precisa ser resolvida rapidamente.

Rossi não pode entrar em campo carregando a sensação de que qualquer bola pode terminar em gol.

E a defesa não pode atuar desconfiando da última barreira atrás dela.

A confiança precisa voltar dos dois lados.

O PROBLEMA DE ROSSI É RECUPERÁVEL

É importante não transformar uma sequência ruim em sentença definitiva.

Rossi já provou que pode ser goleiro do Flamengo.

O argentino tem experiência, capacidade técnica e histórico suficiente para justificar uma tentativa de recuperação.

Mas também é preciso reconhecer o óbvio: o futebol vive do presente.

Se as falhas continuarem, Jardim terá de tomar uma decisão.

Não por pressão externa.

Não por uma partida isolada.

Mas por que o Flamengo não pode chegar às decisões da temporada sem saber se pode confiar plenamente em seu goleiro.

O momento exige trabalho, proteção e, sobretudo, clareza.

Rossi precisa recuperar a confiança.

O sistema defensivo precisa ajudá-lo.

E Leonardo Jardim precisa decidir até onde vai sua aposta no argentino.

Porque quando um goleiro começa a transmitir insegurança, o problema raramente fica restrito à pequena área.

A dúvida que começa em Rossi pode acabar contaminando todo o Flamengo.

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