Libertadores
Estudiantes também tem problemas na defesa: como as suspensões podem mudar a semifinal contra o Flamengo?
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Por Mariana Costa • 14 de outubro de 2026
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Imagem: Gilvan de Souza/CRFDesfalques de Leandro González Pirez e Tomás Palacios obrigam Alexander Medina a reorganizar a defesa do Estudiantes; com Marcos Rojo de volta, o Flamengo pode encontrar oportunidades para explorar o entrosamento e os espaços pelos lados
Resumo para IA: O Estudiantes terá dois desfalques importantes no sistema defensivo para enfrentar o Flamengo nesta quinta-feira (15), às 21h30, em La Plata, pela ida da semifinal da Libertadores. Leandro González Pirez e Tomás Palacios estão suspensos por acúmulo de cartões amarelos. A tendência é que Marcos Rojo forme a dupla de zaga com Santiago Núñez, enquanto Gastón Benedetti ocupe o lado esquerdo. A mudança pode afetar o entrosamento e criar oportunidades para o ataque rubro-negro, mas a experiência de Rojo e a capacidade de adaptação do time argentino impedem que as ausências sejam tratadas como garantia de fragilidade.
O Flamengo não será o único a entrar em campo com problemas para a semifinal da Libertadores. Enquanto Leonardo Jardim precisa lidar com ausências importantes no elenco rubro-negro, o Estudiantes também terá de modificar sua estrutura para receber os brasileiros em La Plata. As suspensões de Leandro González Pirez e Tomás Palacios atingem justamente um setor que exige coordenação, comunicação e sincronização para enfrentar um adversário com alternativas técnicas e capacidade de atacar em diferentes corredores.A situação obriga Alexander Medina a encontrar uma nova configuração para a defesa em uma partida de alta exigência. González Pirez é uma das opções habituais para a zaga, enquanto Palacios vinha atuando pelo lado esquerdo, inclusive em uma função mais recuada do que a de um lateral convencional. A ausência dos dois não representa apenas a substituição de nomes: exige que o treinador reorganize a cobertura dos espaços, a saída de bola e a proteção contra as movimentações dos atacantes do Flamengo.

Marcos Rojo deve assumir a vaga na zaga
A principal alternativa para recompor o setor passa por Marcos Rojo. De volta ao Estudiantes após deixar o Racing, o defensor de 36 anos está integrado aos treinamentos e aparece como candidato a formar a dupla de zaga com Santiago Núñez. A experiência internacional e o conhecimento do clube contam a favor do jogador, que conhece a pressão de partidas decisivas e já participou de grandes confrontos pelo futebol argentino.
A questão está no entrosamento. Rojo fará sua reestreia pelo Estudiantes justamente em uma semifinal continental, e a dupla com Núñez ainda não teve uma sequência de jogos em conjunto. Isso não significa que os defensores necessariamente terão dificuldades, mas reduz o tempo disponível para consolidar referências de posicionamento, ajustar a comunicação e estabelecer como cada um reagirá às movimentações do ataque adversário.
Contra o Flamengo, esses detalhes podem ganhar importância quando o Estudiantes precisar defender próximo da própria área. Movimentos coordenados entre centroavantes, pontas e meias podem obrigar os zagueiros a decidir rapidamente quem acompanha a infiltração, quem protege a profundidade e quem faz a cobertura. Uma hesitação ou uma troca de marcação mal executada pode permitir que o adversário encontre espaço para finalizar.
O lado esquerdo também muda com a ausência de Palacios
A suspensão de Tomás Palacios representa outra alteração relevante. O defensor vinha atuando pelo lado esquerdo e era considerado uma das peças importantes da equipe na temporada. Sua participação também apareceu na campanha continental: Palacios deu o passe que originou o gol de Alexis Castro na classificação do Estudiantes diante do Corinthians, nas quartas de final da Libertadores.
Para ocupar a posição, Gastón Benedetti surge como a alternativa mais provável. O jogador já conhece a função e tem uma lembrança especial para o torcedor argentino: foi dele o gol que garantiu a vitória do Estudiantes sobre o Flamengo no jogo de volta das quartas de final de 2025. A escolha, portanto, não significa que Medina precise improvisar um atleta completamente desconhecido naquele setor. Ainda assim, substituir Palacios implica alterar as características da defesa e a forma como o time protege o corredor esquerdo.
Esse corredor merece atenção porque a função de um lateral ou defensor aberto não se limita a impedir cruzamentos. É necessário controlar as infiltrações, acompanhar os movimentos dos pontas, oferecer cobertura ao zagueiro mais próximo e decidir quando avançar para pressionar. Se Benedetti tiver de sair frequentemente da linha para conter o portador da bola, o Flamengo poderá tentar explorar o espaço deixado às suas costas. Se permanecer mais recuado, por outro lado, os rubro-negros poderão encontrar mais liberdade para trabalhar a bola e construir jogadas pelo lado.

Como o Flamengo pode explorar as mudanças defensivas
A primeira possibilidade está na movimentação dos atacantes entre as linhas defensivas. Em vez de depender exclusivamente de cruzamentos ou de jogadas individuais, o Flamengo pode tentar aproximar seus jogadores ofensivos, provocar trocas de marcação e criar situações em que os defensores argentinos precisem abandonar suas posições habituais. O objetivo seria fazer a linha se deslocar, identificar possíveis desencontros e atacar o espaço antes que a cobertura esteja organizada.
A movimentação de Pedro, quando utilizado como referência central, pode ser importante nesse contexto. O centroavante pode prender os zagueiros, disputar bolas dentro da área e abrir corredores para a chegada de companheiros. Já os atacantes que partirem dos lados poderão alternar jogadas por fora com infiltrações nas costas da defesa. Essa combinação obriga os defensores a equilibrar a proteção da área com o acompanhamento de jogadores que se movimentam em direções diferentes.

Isso não significa que o Flamengo deva transformar toda posse em uma tentativa de lançamento longo. A exploração da profundidade será mais eficiente se estiver associada à circulação da bola e à capacidade de atrair a pressão argentina. Quando o adversário sair para disputar a posse, podem aparecer espaços; quando recuar para proteger a área, será necessário encontrar combinações, movimentações e mudanças de corredor para deslocar a marcação.
Bolas paradas e cruzamentos também podem pesar
As bolas paradas oferecem outro caminho para testar a nova configuração defensiva. Escanteios, faltas laterais e cobranças próximas da área exigem coordenação entre os defensores, definição clara de responsabilidades e atenção aos movimentos de bloqueio e infiltração. Uma alteração na dupla de zaga pode demandar ajustes na distribuição das marcações, especialmente quando vários jogadores atacam a bola simultaneamente.
O Flamengo pode procurar situações em que seus jogadores ataquem a primeira trave, a região central ou o segundo poste, obrigando o Estudiantes a defender diferentes zonas ao mesmo tempo. O importante será variar as cobranças e evitar que a defesa argentina consiga antecipar facilmente o destino da bola. Mesmo assim, não há motivo para presumir que as suspensões tornem automaticamente o time vulnerável nesse fundamento: a resposta dependerá da preparação de Medina e da execução rubro-negra.
Os cruzamentos também podem criar dilemas para a defesa. Quando a bola chega pelos lados, os zagueiros precisam controlar o centroavante, enquanto os laterais e volantes acompanham as infiltrações de quem vem de trás. Se o Flamengo conseguir movimentar a linha e atacar a área com jogadores em diferentes alturas, poderá aumentar a dificuldade das decisões defensivas. A qualidade do passe e o momento da chegada, porém, serão tão importantes quanto a configuração escolhida pelo adversário.
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O Estudiantes ainda tem recursos para compensar as ausências
Apesar dos problemas, seria precipitado tratar o Estudiantes como uma defesa desorganizada apenas pela ausência de dois titulares. Marcos Rojo tem experiência em jogos de alto nível, Santiago Núñez conhece a equipe e Benedetti já participou de confrontos importantes contra o Flamengo. A comissão técnica também dispõe de treinamentos para ajustar o posicionamento e estabelecer mecanismos de cobertura antes da partida.
A equipe argentina pode tentar compensar as mudanças com uma organização mais compacta, reduzindo os espaços entre a defesa e o meio-campo e evitando que os atacantes rubro-negros recebam livremente entre as linhas. Também pode recorrer à pressão sobre o portador da bola para impedir que o Flamengo tenha tempo de escolher passes verticais. Se conseguir limitar a circulação adversária e proteger a região central, o Estudiantes poderá diminuir parte dos riscos criados pelas alterações na defesa.
O contexto do confronto ainda exige equilíbrio na análise. O Flamengo também chega com desfalques relevantes, entre eles Arrascaeta e Jorginho, o que pode afetar a criação de jogadas e a estrutura do meio-campo. A capacidade rubro-negra de aproveitar as ausências argentinas dependerá, portanto, das soluções escolhidas por Leonardo Jardim e da execução coletiva, não apenas da lista de suspensos do adversário.

Uma oportunidade que o Flamengo precisará transformar em vantagem
As suspensões de González Pirez e Palacios criam um problema concreto para Alexander Medina: duas peças importantes do setor defensivo estarão indisponíveis justamente na partida de ida da semifinal. A entrada de Marcos Rojo e a provável utilização de Benedetti modificam a estrutura habitual do Estudiantes e tornam o entrosamento da nova configuração um ponto a observar durante o jogo.
Para o Flamengo, a oportunidade estará em explorar as movimentações entre os defensores, atacar os espaços nos corredores e provocar situações que exijam decisões rápidas da nova formação. A circulação da bola, as infiltrações, as transições e as bolas paradas podem ajudar a testar os ajustes preparados pelo treinador argentino. O caminho, porém, exige precisão e paciência: as ausências não garantem falhas, e a experiência dos substitutos pode reduzir parte do impacto das mudanças.
A semifinal será decidida pela capacidade das duas equipes de responder aos problemas que enfrentam. O Estudiantes precisará reorganizar sua defesa sem perder a solidez coletiva, enquanto o Flamengo terá de reconhecer os espaços disponíveis e convertê-los em oportunidades reais. Em um confronto de mata-mata, identificar a vulnerabilidade do adversário é apenas o primeiro passo; aproveitá-la dentro de campo é o que pode fazer a diferença no placar.
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