Flamengo aciona agência da CBF e tenta barrar venda da SAF do Vasco para Marcos Lamacchia
Imagem: Reprodução - Flamengo TVRubro-Negro alega possível conflito de interesses envolvendo a família Lamacchia e pede análise da CBF sobre eventual infração às regras de multipropriedade no futebol brasileiro
A disputa entre Flamengo e Vasco ganhou um novo capítulo fora das quatro linhas. O Rubro-Negro acionou oficialmente a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF), órgão ligado ao sistema de fair play financeiro da CBF, para solicitar a análise e um eventual veto à venda da SAF vascaína para o empresário Marcos Lamacchia.
A movimentação do clube carioca ocorre em meio ao avanço das negociações para que Lamacchia assuma o controle da Sociedade Anônima do Futebol do Vasco, em uma operação avaliada em mais de R$ 2 bilhões e considerada estratégica para o futuro esportivo e financeiro do clube cruz-maltino.
Qual é a argumentação do Flamengo?
O pedido do Flamengo está fundamentado principalmente na Seção 9 do Regulamento de Sustentabilidade Financeira da CBF, que trata das regras envolvendo multipropriedade e influência simultânea sobre clubes que disputam as mesmas competições nacionais e internacionais.
Além disso, o clube também cita o artigo 62 da Lei Geral do Esporte, que estabelece restrições relacionadas ao controle, administração ou influência relevante exercida por pessoas ligadas familiarmente a dirigentes ou investidores de outras equipes.
O ponto central da discussão envolve a relação familiar entre Marcos Lamacchia e a presidente do Palmeiras, Leila Pereira. Marcos é filho de José Roberto Lamacchia, empresário e marido de Leila, tornando-se seu enteado e levantando questionamentos sobre uma eventual situação de influência cruzada entre dois clubes da elite do futebol brasileiro.
Bap já havia sinalizado oposição ao negócio
A iniciativa do Flamengo não surgiu de forma inesperada. Nas últimas semanas, o presidente rubro-negro Luiz Eduardo Baptista, o Bap, já havia manifestado publicamente seu entendimento de que a operação poderia violar normas da FIFA, da CBF e da legislação esportiva brasileira relacionadas à multipropriedade de clubes.
Segundo o dirigente, a discussão não envolve rivalidade entre Flamengo e Vasco, mas sim a necessidade de preservar a integridade competitiva do futebol brasileiro e evitar potenciais conflitos de interesse entre clubes que disputam os mesmos campeonatos.
ANRESF já havia solicitado esclarecimentos ao Vasco
Mesmo antes da manifestação oficial do Flamengo, a própria ANRESF já acompanhava o caso. O órgão enviou pedidos de esclarecimento ao Vasco para entender a estrutura da operação e os mecanismos de governança que seriam adotados em caso de conclusão da venda da SAF.
A agência busca avaliar se haverá controle direto, indireto ou influência significativa de integrantes do grupo econômico ligado aos Lamacchia em outros clubes do futebol brasileiro, especialmente no Palmeiras.
Vasco aposta em mecanismos de proteção jurídica
Nos bastidores, a diretoria vascaína demonstra tranquilidade em relação ao processo e acredita que a negociação atende aos requisitos exigidos pelas normas do futebol brasileiro. O grupo de investidores ligado a Marcos Lamacchia trabalha há meses em modelos de governança e estruturas jurídicas capazes de evitar qualquer tipo de conflito regulatório.
Uma das alternativas estudadas envolve mecanismos de blind trust e separação completa entre gestão, participação societária e influência esportiva, modelo já utilizado em algumas ligas internacionais para evitar conflitos em casos de multipropriedade.
Venda pode mudar o patamar financeiro do Vasco
Caso seja aprovada, a aquisição da SAF por Marcos Lamacchia poderá representar uma das maiores operações da história do futebol brasileiro. Os valores discutidos superam a marca de R$ 2 bilhões e poderiam recolocar o Vasco entre os clubes com maior capacidade de investimento do país.
O projeto prevê investimentos em infraestrutura, modernização administrativa, reforços para o elenco e fortalecimento das categorias de base, acelerando o processo de reconstrução iniciado após a saída da 777 Partners do comando do futebol vascaíno.
Decisão pode criar precedente importante no futebol brasileiro
Independentemente do desfecho, o caso tem potencial para se transformar em um marco regulatório para o futebol nacional. Será uma das primeiras grandes análises envolvendo as novas regras de sustentabilidade financeira e multipropriedade implementadas pela CBF em 2026.
A decisão da ANRESF poderá estabelecer parâmetros para futuras operações envolvendo SAFs, grupos investidores e relações societárias entre diferentes clubes, tornando-se referência para todo o mercado do futebol brasileiro nos próximos anos.
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