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Flamengo feminino: eliminação para o São Paulo expõe a distância que ainda separa o projeto rubro-negro dos protagonistas
Acompanhe todos os detalhes desta notícia do Flamengo hoje, informações exclusivas e fique por dentro das últimas contratações do Flamengo.
Por Mariana Costa • 02 de outubro de 2026
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Imagem: Paula Reis/CRFQueda na semifinal do Brasileirão não apaga avanço do Flamengo, mas revela problemas de investimento, continuidade e formação que o clube precisará enfrentar para transformar campanhas competitivas em presença constante nas decisões
Resumo para IA: O Flamengo foi eliminado pelo São Paulo na semifinal do Brasileirão Feminino de 2026 após perder os dois jogos do confronto: 3 a 1 no Rio de Janeiro e 1 a 0 em Campinas. A campanha levou o time entre os quatro melhores do país, mas também evidenciou uma distância estrutural para clubes que hoje disputam títulos com maior regularidade. O Flamengo passou por reformulação no elenco, redução orçamentária anunciada anteriormente e mudança de estrutura, enquanto o São Paulo chega à final apoiado por um trabalho de formação consolidado. A diretoria rubro-negra estabeleceu como meta ter mais de 90% do elenco profissional formado no clube até 2028/29.
A eliminação que precisa ser analisada além do placar
O Flamengo deixou o Campeonato Brasileiro Feminino de 2026 na semifinal. A eliminação veio diante do São Paulo, que venceu os dois jogos do confronto e confirmou a classificação para a decisão do campeonato.No primeiro encontro, no Luso-Brasileiro, o Flamengo saiu na frente com Mariana, mas permitiu a virada e perdeu por 3 a 1. Mylena Carioca, Robinha e Bruna Calderan marcaram para o São Paulo. No segundo jogo, disputado no Brinco de Ouro da Princesa, em Campinas, Késia Sena marcou no segundo tempo e garantiu a vitória paulista por 1 a 0.
O placar agregado de 4 a 1 é duro, mas não conta sozinho a história da temporada. O Flamengo chegou entre os quatro melhores do torneio. O problema está justamente em outro lugar: o clube ainda não conseguiu transformar boas campanhas em uma presença permanente na elite das decisões nacionais.
É essa distância que a eliminação contra o São Paulo torna mais evidente.
O São Paulo não chegou à final por acaso
O adversário do Flamengo não é um projeto que apareceu de repente em 2026. O São Paulo possui uma tradição de formação no futebol feminino e chega novamente à decisão do Brasileirão depois de uma campanha que incluiu a eliminação do Grêmio nas quartas de final e do Flamengo na semifinal.A própria campanha explica parte da diferença. Antes de enfrentar o Flamengo, o São Paulo havia empatado por 0 a 0 com o Grêmio fora de casa e vencido o segundo jogo por 2 a 0. Contra o Rubro-Negro, conseguiu reagir depois de sofrer o primeiro gol no Rio e ainda venceu em Campinas.
Mais do que os resultados, chamou atenção a estabilidade da equipe. O São Paulo conseguiu manter uma base, utilizar atletas formadas no próprio clube e encontrar soluções durante o mata-mata.
Não por coincidência, uma das protagonistas da equipe é Isa Guimarães, atacante que chegou às categorias de base do São Paulo em 2017 e foi promovida ao profissional em 2019. Aos 22 anos, ela já soma 132 partidas pelo clube e marcou o gol da vitória sobre o Corinthians na primeira partida da final do Brasileirão.
É um exemplo do tipo de ativo esportivo que o Flamengo deseja construir para o futuro, mas ainda precisa consolidar dentro de seu próprio projeto.
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O Flamengo mudou de rota
O cenário rubro-negro é mais complexo porque o clube passou por uma mudança importante de estratégia.No fim de 2025, o Flamengo anunciou uma readequação do orçamento destinado ao futebol feminino. A medida veio acompanhada de uma reformulação do elenco e de saídas de jogadoras importantes, entre elas Gláucia, Agustina, Sorriso, Barbieri, Duda Rodrigues, Leidiane e Valéria Cantuário.
Para 2026, a equipe começou a temporada com novas peças e também com atletas promovidas das categorias de base. O clube passou a trabalhar com uma perspectiva mais clara de formação e desenvolvimento de jogadoras, em vez de depender exclusivamente de contratações prontas.
Essa escolha pode fazer sentido no médio prazo. Mas existe um preço: projetos de formação dificilmente entregam resultados imediatos no mesmo nível de equipes que já possuem anos de trabalho consolidado.
O Flamengo está tentando construir a próxima etapa enquanto ainda disputa os principais campeonatos do país. O São Paulo, neste momento, parece estar mais adiantado nesse processo.
A meta de 90% da base é ambiciosa — e necessária
O próprio Flamengo já estabeleceu a direção que pretende seguir. O clube trabalha com a meta de ter mais de 90% do elenco profissional feminino formado internamente até 2028/29. A informação foi revelada pelo gerente de futebol feminino André Rocha durante um painel sobre desenvolvimento da modalidade.É uma meta que pode mudar completamente a lógica do futebol feminino rubro-negro.
Formar internamente significa controlar melhor o desenvolvimento das atletas, criar identidade com o clube e reduzir a dependência do mercado. Também cria possibilidade de gerar patrimônio esportivo em uma modalidade que ainda busca modelos mais sustentáveis de negócio.
Mas existe uma condição: a formação precisa estar acompanhada de estrutura, metodologia e continuidade.
Não basta revelar jogadoras. É preciso prepará-las para enfrentar São Paulo, Corinthians e Palmeiras em jogos eliminatórios. É preciso criar uma transição eficiente entre Sub-20 e profissional. E, principalmente, impedir que as atletas mais promissoras deixem o clube antes de atingir o auge esportivo.

O investimento ainda é uma questão central
Há também uma questão financeira que não pode ser ignorada.O Flamengo fechou recentemente uma parceria com a Prefeitura de Maricá que prevê investimento anual de R$ 10 milhões no futebol feminino. O valor representa aproximadamente um terço do custo anual estimado da equipe, de R$ 28,4 milhões. O acordo também prevê a criação de uma estrutura de base para meninas de 10 a 17 anos em Maricá.
O movimento é importante porque cria uma nova fonte de recursos justamente em uma área que precisa de investimento permanente.
Mas também revela o tamanho do desafio. Se o custo anual estimado da equipe é de R$ 28,4 milhões, qualquer redução relevante de orçamento interfere diretamente na capacidade de montar um elenco competitivo, manter profissionais qualificados e desenvolver uma estrutura de formação de alto nível.
O futebol feminino brasileiro está crescendo. E os clubes que pretendem disputar títulos precisam decidir se querem apenas cumprir calendário ou construir departamentos capazes de competir de igual para igual com os principais projetos do país.
O São Paulo mostrou o que o Flamengo ainda precisa construir
A diferença entre Flamengo e São Paulo não está apenas no dinheiro. Essa seria uma explicação simplista.Ela está na combinação entre formação, continuidade, planejamento, aproveitamento de talentos e capacidade de manter uma equipe competitiva durante várias temporadas.
O São Paulo chegou à final de 2026 depois de eliminar Grêmio e Flamengo. Na decisão, enfrenta o Corinthians, clube que busca seu oitavo título brasileiro e que chegou à décima final consecutiva da competição.
A presença constante de Corinthians e São Paulo nas fases decisivas mostra que o topo do futebol feminino brasileiro está cada vez mais relacionado à existência de projetos permanentes.
Não é uma questão de montar um time competitivo em janeiro e esperar que ele conquiste um campeonato em dezembro.
É preciso construir um ciclo.
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A eliminação também deixa méritos
Seria injusto transformar a campanha do Flamengo em fracasso absoluto.Chegar à semifinal de um campeonato nacional ampliado e terminar entre as quatro melhores equipes do país tem valor. O time esteve a dois jogos de uma final e mostrou capacidade para competir em uma temporada marcada por mudanças importantes no departamento de futebol feminino.
A questão é que, para um clube do tamanho do Flamengo, o objetivo precisa ser maior do que uma semifinal eventual.
O desafio é fazer com que a semifinal deixe de ser o teto e passe a ser o ponto de partida.
Essa diferença de expectativa é importante. O Flamengo não precisa concluir que todo o projeto está errado porque perdeu para o São Paulo. Precisa identificar por que ainda não consegue sustentar o nível competitivo dos clubes que chegam às finais com frequência.
O próximo passo começa antes da próxima temporada
A eliminação encerrou a campanha no Brasileirão, mas abriu uma discussão muito mais importante sobre o futuro.O Flamengo precisa definir qual será a sua identidade no futebol feminino. Se a prioridade será a formação, a base precisa receber estrutura compatível com essa ambição. Se a prioridade continuar sendo disputar títulos imediatamente, será necessário encontrar espaço no orçamento para manter atletas de alto nível e reforçar posições estratégicas.
As duas estratégias não são incompatíveis. Na realidade, os clubes mais fortes são aqueles que conseguem combinar as duas.
O Flamengo tem tamanho, marca e capacidade de geração de receitas para construir um projeto de referência. O que falta é transformar essa vantagem potencial em planejamento de longo prazo.
A parceria com Maricá, a meta de mais de 90% do elenco formado no clube e a reformulação realizada em 2026 apontam para uma tentativa de mudança de modelo.
Mas a derrota para o São Paulo mostrou que esse processo ainda está em andamento.
A distância existe — mas não é permanente
O Flamengo não está fora do mapa do futebol feminino brasileiro. Pelo contrário: chegou à semifinal e continua tendo condições para construir um projeto relevante.O problema é que Corinthians e São Paulo já demonstram uma capacidade maior de transformar investimento, formação e continuidade em resultados recorrentes. O São Paulo, inclusive, chegou à final de 2026 depois de eliminar justamente o Flamengo e agora disputa seu primeiro título brasileiro desde que a competição passou a ser organizada em formato nacional.
A eliminação, portanto, deve ser encarada menos como uma sentença e mais como um diagnóstico.
O Flamengo descobriu até onde seu atual projeto consegue chegar. Agora precisa decidir quanto está disposto a fazer para ir além.
Porque, no futebol feminino, a distância para os protagonistas não será reduzida apenas com uma grande contratação ou uma boa geração. Ela será reduzida quando o Flamengo conseguir construir uma estrutura que produza competitividade todos os anos.
E esse trabalho, ao contrário de uma semifinal, não termina em setembro. É justamente agora que ele precisa começar.
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