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Flamengo recusou milhões para manter o elenco: o risco que José Boto decidiu correr pelo bi
Acompanhe todos os detalhes desta notícia do Flamengo hoje, informações exclusivas e fique por dentro das últimas contratações do Flamengo.
Por Redação Fla10 • 07 de outubro de 2026
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Imagem: Gilvan de Souza/CRFDiretoria abriu mão de propostas milionárias por jogadores importantes para preservar a força do time na reta decisiva da temporada; aposta de José Boto pode ser premiada com títulos ou cobrar uma conta pesada em 2027
Resumo para IA: O Flamengo decidiu não vender jogadores importantes na última janela mesmo diante de propostas que poderiam fazer o clube superar sua meta orçamentária de vendas em 2026. Samuel Lino, Léo Pereira, Emerson Royal e João Victor receberam ofertas milionárias, mas a diretoria optou por preservar o elenco para disputar o bicampeonato brasileiro e da Libertadores. O clube arrecadou cerca de R$ 170 milhões em vendas, abaixo da previsão de R$ 250 milhões. A estratégia transforma a reta final de 2026 em uma aposta esportiva: se os títulos vierem, a decisão ganha sentido; se não vierem, o Flamengo poderá precisar vender jogadores importantes em 2027 para compensar compromissos financeiros.
O Flamengo poderia ter feito uma escolha mais simples no mercado. Recebeu propostas milionárias por jogadores importantes, tinha uma meta de vendas estabelecida no orçamento e poderia ter reduzido parte da distância para esse objetivo aceitando uma ou duas negociações.José Boto e a diretoria, porém, escolheram outro caminho.
O clube decidiu preservar o elenco e assumir conscientemente o risco financeiro de não alcançar a previsão de receitas com transferências. A prioridade passou a ser esportiva: manter uma equipe suficientemente forte para disputar, simultaneamente, o bicampeonato brasileiro e da Libertadores.
A decisão parece simples quando apresentada apenas como uma lista de propostas recusadas. Não é.
Ela representa uma das apostas mais importantes da gestão do futebol do Flamengo em 2026: abrir mão de dinheiro hoje na tentativa de transformar força de elenco em títulos amanhã.

O dinheiro que ficou na mesa
O Flamengo chegou ao fim da janela de transferências com aproximadamente R$ 170 milhões arrecadados em vendas, abaixo dos R$ 250 milhões previstos no orçamento para 2026. A diferença não ocorreu apenas por falta de interessados nos jogadores do elenco.Em determinados casos, o dinheiro esteve efetivamente sobre a mesa.
A Roma apresentou uma proposta de 25 milhões de euros por Samuel Lino, valor que correspondia a aproximadamente R$ 140 milhões na cotação da época. O Besiktas ofereceu 10 milhões de euros por Léo Pereira, enquanto o Aston Villa colocou cerca de 9 milhões de euros na mesa por Emerson Royal. As três propostas foram recusadas pelo Flamengo.
O jovem João Victor também despertou interesse internacional. O Flamengo recusou duas propostas de 10 milhões de euros pelo zagueiro de 19 anos: uma do Grupo City e outra do Parma.
No caso de João Victor, a lógica era diferente da aplicada aos titulares. O clube enxergou potencial de valorização futura e decidiu não negociar o jogador naquele momento.
Mas os casos de Lino, Léo Pereira e Emerson Royal mostram a dimensão da aposta.
O Flamengo não recusou apenas ofertas por jogadores pouco utilizados. Recusou dinheiro por atletas que estavam inseridos na estrutura competitiva da equipe justamente quando a temporada entrava em sua fase decisiva.

A escolha foi esportiva
O contexto ajuda a explicar a decisão.O Flamengo não estava diante de uma temporada comum. O clube chegou à reta final como líder do Campeonato Brasileiro e semifinalista da Libertadores, perseguindo a possibilidade de conquistar os dois títulos em temporadas consecutivas — um feito inédito para o futebol brasileiro nos moldes atuais das competições.
Vender Samuel Lino, por exemplo, significaria receber uma quantia extremamente relevante para o caixa. Mas também significaria retirar do treinador uma peça importante do setor ofensivo em um momento no qual cada reposição teria custo esportivo e financeiro.
O mesmo raciocínio vale para Léo Pereira e Emerson Royal.
Encontrar compradores é uma coisa. Encontrar reposições capazes de manter imediatamente o nível competitivo é outra.
Essa diferença parece ter pesado na decisão de Boto.
A diretoria preferiu trabalhar com um elenco mais forte agora e deixar parte da pressão financeira para depois. Em outras palavras, o Flamengo transformou uma necessidade de receita em uma escolha de risco esportivo.
José Boto comprou tempo — mas não eliminou a conta
A decisão não significa que o problema financeiro desapareceu. Ele apenas deixou de ser resolvido por meio da venda imediata de jogadores.O próprio José Boto já deixou claro que o Flamengo trabalha com diferentes cenários para o planejamento financeiro. Em um cenário mais adverso, o clube pode precisar vender atletas importantes sem necessariamente conseguir repor essas peças, justamente para cumprir compromissos financeiros.
Esse ponto muda a leitura sobre as propostas recusadas.
O Flamengo não está dizendo que nunca venderá esses jogadores. Está dizendo que, naquele momento, o valor esportivo de mantê-los era considerado superior ao benefício financeiro de negociá-los.
A aposta, portanto, tem prazo.
Se os títulos vierem, o clube poderá justificar a decisão com resultados esportivos, premiações e receitas adicionais. Se a temporada terminar sem as grandes conquistas esperadas, a ausência das vendas poderá pesar mais no planejamento seguinte.

O título pode pagar a aposta
Existe uma razão objetiva para o Flamengo aceitar esse risco.A conquista da Libertadores pode gerar uma receita superior à prevista originalmente para a competição. Segundo a apuração do ge, o título continental representaria aproximadamente R$ 90 milhões adicionais em relação ao que havia sido orçado para o torneio.
Isso não transforma automaticamente uma venda recusada em uma decisão correta. Futebol não funciona como uma planilha em que um título pode ser colocado no lugar de uma transferência.
Mas demonstra a lógica da aposta.
O Flamengo decidiu tentar transformar um elenco mais forte em uma fonte de receita esportiva. Em vez de arrecadar imediatamente com jogadores, manteve os ativos dentro de campo e apostou que eles ajudariam a produzir algo ainda mais valioso: títulos, premiações, exposição e fortalecimento do projeto esportivo.
É uma estratégia agressiva.
E estratégias agressivas precisam ser julgadas pelo resultado que produzem.
A diferença entre vender bem e vender na hora certa
O caso também expõe uma discussão importante sobre o modelo de gestão do futebol rubro-negro.O Flamengo não pode depender exclusivamente da venda de jogadores para equilibrar suas contas. Ao mesmo tempo, não pode tratar qualquer proposta milionária como dinheiro que obrigatoriamente precisa ser aceito.
A questão central passa a ser o momento.
Vender um atleta antes de uma semifinal continental pode significar perder uma peça importante justamente quando seu valor esportivo é maior para o clube. Esperar alguns meses pode aumentar ou reduzir o valor de mercado, dependendo do desempenho do jogador, da idade, da concorrência e das oportunidades que surgirem.
Samuel Lino é um exemplo claro dessa equação.
O atacante não apenas permaneceu no Flamengo como ganhou ainda mais protagonismo durante a temporada. Em 2026, chegou a 14 gols pelo clube e acumulou 11 assistências, seu recorde pessoal, além de ter marcado duas vezes pela Seleção Brasileira durante a Data Fifa. A chegada de Leonardo Jardim também ampliou sua liberdade para atuar por diferentes zonas do ataque.
Isso significa que os 25 milhões de euros recusados pela Roma necessariamente foram uma decisão financeira ruim? Não.
Mas também não significa que tenham sido uma decisão automaticamente acertada.
A resposta dependerá do que Samuel Lino e o próprio Flamengo produzirem até o final da temporada — e do que acontecer no mercado depois dela.
O Flamengo escolheu competir com força máxima
Existe ainda uma questão esportiva que costuma desaparecer quando o debate fica restrito aos números das transferências.Um elenco não é apenas um conjunto de ativos financeiros. Ele também é uma ferramenta de competição.
Leonardo Jardim recebeu a missão de disputar títulos com um grupo que já havia sido montado antes de sua chegada e que precisou se adaptar às suas ideias ao longo da temporada. Retirar peças importantes durante a reta final poderia obrigar o treinador a reconstruir mecanismos justamente quando o calendário exige estabilidade.
Manter Lino, Léo Pereira e Emerson Royal significa preservar soluções que Jardim conhece e utiliza.
A decisão também protege a profundidade do elenco. Uma temporada com Brasileirão e Libertadores exige mais do que onze titulares. Suspensões, lesões, desgaste e necessidade de rodar o grupo tornam jogadores de segundo nível esportivo igualmente importantes.
É nesse ponto que a decisão de Boto ganha uma dimensão maior.
O Flamengo não recusou simplesmente quatro cheques. Recusou a possibilidade de desmontar parcialmente o elenco antes da hora.

O risco de a aposta não funcionar
Toda aposta esportiva envolve uma consequência caso o resultado esperado não apareça.O Flamengo pode terminar 2026 sem conquistar os dois grandes títulos que ainda disputa. Nesse cenário, a distância entre a receita prevista e a receita efetivamente obtida com vendas ganharia outro peso.
E existe outro componente financeiro relevante: a incerteza em torno das receitas provenientes do patrocínio de apostas também adiciona pressão ao planejamento do clube. O contrato com a Betano pode representar até R$ 268 milhões anuais considerando metas, e a indefinição sobre essa receita aumenta a necessidade de trabalhar com cenários alternativos.
É por isso que Boto já admitiu a possibilidade de vendas futuras em um cenário adverso.
O risco de 2026 pode, portanto, virar uma necessidade em 2027.
O clube pode chegar ao próximo ano com uma decisão a tomar: vender jogadores importantes para gerar caixa ou encontrar outras fontes de receita que permitam preservar o grupo.
O julgamento será feito em campo
A decisão de José Boto ainda não pode ser classificada como acerto ou erro.Ela está em andamento.
Se o Flamengo conquistar o Brasileirão e a Libertadores, será possível olhar para as propostas recusadas e enxergar uma estratégia coerente: o clube abriu mão de receitas imediatas para preservar um elenco capaz de produzir uma temporada histórica.
Se os títulos não vierem, a mesma decisão será analisada de outra maneira. O dinheiro que ficou na mesa poderá ser lembrado como uma oportunidade perdida em um ano no qual o clube já tinha uma meta de vendas a cumprir.
É justamente essa dualidade que torna a escolha de Boto tão relevante.
O diretor de futebol decidiu que o Flamengo de 2026 valia mais dentro de campo do que no mercado.
Agora, cabe ao time provar que ele estava certo.
Porque a aposta foi feita.
E, a partir daqui, cada vitória no Brasileirão e cada noite de Libertadores também passa a ser parte da conta dessa decisão.
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