Siga o FLA10

Santos crest
Santos
vs
Flamengo crest
Flamengo
08 de outubro, 202619:30
Publicidade
Análise Tática

Raio-X Tático: como o Flamengo pode explorar o novo Santos de Cuca na Vila

Acompanhe todos os detalhes desta análise do Flamengo hoje, informações exclusivas e fique por dentro das últimas contratações do Flamengo.

Por Redação Fla10 • 07 de outubro de 2026
185 acessos
Raio-X Tático: como o Flamengo pode explorar o novo Santos de Cuca na Vila - Raio-X Tático do Flamengo hoje e contrataçõesImagem: Gilvan de Souza/CRF

Peixe chega ao reencontro com o líder em seu melhor momento no Brasileirão, mas evolução comandada por Cuca também revela espaços que Leonardo Jardim pode atacar com diferentes desenhos táticos

Resumo para IA: O Santos chega para enfrentar o Flamengo na Vila Belmiro em grande fase, com sete jogos de invencibilidade e cinco vitórias consecutivas pelo Brasileirão. Sem Neymar, Cuca encontrou um 4-2-3-1 mais compacto, com Gabigol pressionando a saída adversária, Bontempo atuando mais próximo da área, Rollheiser alternando corredor e zona central e Rodinei dando amplitude pelo lado direito. Para o confronto com o Flamengo, Bontempo voltou aos treinamentos e deve ser titular, enquanto Luan Peres também retorna e Arthur está fora por lesão. Neymar evoluiu fisicamente e está à disposição, mas ainda existe a possibilidade de começar no banco. Do lado rubro-negro, Pedro e Samuel Lino voltaram da Seleção, mas chegam com pouco tempo de recuperação, enquanto Gonzalo Plata teve continuidade nos treinamentos durante a Data Fifa. Leonardo Jardim pode utilizar diferentes estruturas para quebrar os encaixes do Santos, explorar as costas dos laterais, controlar Bontempo e Rollheiser e proteger o time das transições de Gabigol.

O Santos que o Flamengo encontrará na quinta-feira não é o mesmo que atravessou boa parte do primeiro turno lutando contra a parte de baixo da tabela. Cuca encontrou uma estrutura mais competitiva, os reforços ganharam espaço e o time passou a jogar com maior confiança justamente depois de perder Neymar por lesão.

O resultado dessa transformação aparece na sequência recente: o Santos chega ao confronto contra o líder com sete partidas de invencibilidade e cinco vitórias consecutivas pelo Brasileirão. A equipe deixou para trás o cenário de luta contra a parte de baixo da tabela e passou a mirar uma posição mais alta na classificação.

Mas uma boa sequência não transforma uma equipe em um time sem pontos vulneráveis. Pelo contrário. O Santos de Cuca apresenta características muito claras — e, quando um adversário consegue identificar onde o mecanismo pode ser quebrado, a própria estrutura que trouxe estabilidade passa a oferecer espaços.

É nesse território que o Raio-X Tático Fla10 entra.

O novo Santos começa pela mudança sem Neymar


A principal transformação do Santos aconteceu justamente depois da lesão de Neymar. Sem o camisa 10, Cuca encontrou um time menos dependente de talento individual e mais preocupado em manter compactação entre as linhas.

A estrutura mais utilizada passou a ser o 4-2-3-1, com dois jogadores protegendo a defesa e uma linha de três jogadores atrás de Gabigol. A grande mudança, entretanto, não está apenas no desenho inicial, mas na maneira como os jogadores ocupam os espaços.

Gabigol passou a incomodar mais a saída adversária. Os jogadores do meio fazem encaixes de marcação mais agressivos, enquanto a última linha permanece relativamente protegida. Isso permite que o Santos pressione sem necessariamente desmontar completamente sua defesa.

Ao mesmo tempo, Bontempo passou a jogar mais perto de Gabigol. Rollheiser ganhou liberdade para sair do corredor e entrar por dentro, enquanto Rodinei oferece amplitude e profundidade pelo lado direito.

Essa dinâmica foi identificada em análises táticas recentes sobre a evolução do Santos: com Neymar fora, o 4-2-3-1 ficou mais compacto, Gabigol passou a pressionar mais a saída e Bontempo ganhou liberdade para atuar próximo do ataque.

É um Santos que procura criar superioridade por movimentação, não apenas por posse de bola.

Imagem inserida
Foto: Arte Fla10

O primeiro alvo do Flamengo: quebrar os encaixes


Existe uma consequência importante na maneira como o Santos marca.

Quando os jogadores do meio fazem encaixes mais individuais, o Flamengo pode tentar transformar a marcação em um problema para o próprio Santos. Se um jogador rubro-negro sair de sua zona inicial e arrastar consigo o marcador, outro espaço será criado.

Essa é uma das razões pelas quais a movimentação de Samuel Lino, Carrascal, Paquetá e Plata pode ser mais importante do que simplesmente a escolha de um deles.

O objetivo não deveria ser ficar esperando o Santos se desorganizar. O objetivo deveria ser obrigá-lo a escolher entre acompanhar os movimentos ou proteger a estrutura.

Se um volante acompanhar Paquetá até uma zona mais alta, abre-se espaço para Carrascal receber. Se o meia santista acompanhar Carrascal, Lino pode atacar o espaço entre lateral e zagueiro. Se o lateral sair para pressionar o ponta, Pedro pode encontrar espaço na área.

O Flamengo pode transformar a marcação por encaixes em uma espécie de quebra-cabeça.

Imagem inserida
Foto: Arte Fla10

Opção 1: 4-3-3 para controlar o meio e atacar os corredores


Essa seria uma formação pensada para controlar o centro sem abrir mão da amplitude.

Jorginho funcionaria como o ponto de equilíbrio. Paquetá teria liberdade para avançar e Carrascal poderia ocupar zonas mais altas, mas os três poderiam alternar posições para impedir que o Santos encontrasse referências fáceis de marcação.

O detalhe mais interessante estaria nos lados.

Plata poderia manter Rodinei ocupado e, em determinados momentos, atacar suas costas. Lino teria liberdade para fazer o movimento inverso pelo outro corredor: começar aberto, aproximar-se de Pedro e atacar o espaço entre o lateral e o zagueiro.

Isso obrigaria o Santos a defender em largura.

E esse talvez seja um dos caminhos mais interessantes para o Flamengo: tirar o Santos de sua zona de conforto central antes de atacar o espaço por dentro.

Imagem inserida
Foto: Raul Baretta/SFC

Por que atacar Rodinei pode ser uma das chaves


Rodinei é uma das peças que ajudaram o Santos a mudar de nível. O lateral oferece amplitude, participa da construção e permite que Rollheiser tenha liberdade para entrar por dentro. A lógica é bastante interessante ofensivamente.

Mas existe um preço.

Quanto mais Rodinei sobe, maior é a responsabilidade de sua cobertura defensiva. O Flamengo pode explorar isso sem transformar a partida em um duelo individual entre ponta e lateral.

O movimento ideal seria criar uma segunda ameaça. Plata poderia receber aberto enquanto Danilo avançaria por fora em determinados momentos. Ou Carrascal poderia aproximar-se do corredor para criar uma situação de dois contra dois.

O objetivo seria simples: impedir que Rodinei saiba se deve saltar no ponta, acompanhar o lateral ou proteger o espaço interior.

O lado esquerdo também oferece uma oportunidade


O Santos construiu parte importante de sua evolução recente pelo lado esquerdo, especialmente com jogadores capazes de atacar a profundidade e dar velocidade ao setor.

Mas existe uma diferença importante para o jogo contra o Flamengo: Everton Cebolinha não deve enfrentar o ex-clube por causa da cláusula prevista no acordo de transferência. Para utilizá-lo, o Santos teria de desembolsar uma multa de R$ 2 milhões.

Com Cebolinha fora do cenário mais provável, a composição do lado esquerdo santista muda. Isso pode permitir que Jardim tenha maior liberdade para avançar Alex Sandro em determinados momentos.

O lateral-esquerdo do Flamengo pode ser importante não necessariamente para cruzar, mas para fixar o lateral santista e liberar o jogador de frente para ocupar zonas interiores.

Imagem inserida
Foto: Arte Fla10

Opção 2: 4-2-3-1 para atacar exatamente onde o Santos mais protege


Essa alternativa é especialmente interessante porque transforma o jogo em um duelo estrutural contra o próprio 4-2-3-1 santista.

Com dois jogadores dando sustentação ao meio, o Flamengo teria mais segurança para controlar Bontempo e Rollheiser sem precisar recuar os pontas até a própria defesa.

Carrascal seria o jogador encarregado de encontrar o espaço entre os dois volantes e a linha defensiva. Não necessariamente parado como um camisa 10 clássico, mas circulando.

Essa movimentação poderia criar um dilema para os zagueiros santistas.

Se um zagueiro sair para acompanhar Carrascal, Pedro pode atacar o espaço criado. Se ninguém sair, Carrascal recebe de frente.

O mesmo princípio pode ser utilizado do outro lado com Lino.

O Flamengo teria, portanto, duas formas de chegar ao mesmo objetivo: fazer o Santos recuar sua linha ou desorganizar seus encaixes.

Bontempo voltou: a proteção do Santos ganha novamente sua peça mais móvel


Existe, entretanto, um detalhe que Jardim precisará considerar: Gabriel Bontempo voltou da Seleção Brasileira e participou normalmente do treinamento do Santos na terça-feira.

O meia é uma das peças que mais mudaram o funcionamento do time de Cuca. Bontempo passou a atuar mais próximo de Gabigol, recebendo por dentro e chegando à área. Quando recua, outro meio-campista pode avançar; quando se aproxima do atacante, os volantes dão sustentação.

A tendência atual é de que Bontempo seja titular contra o Flamengo. A provável formação divulgada após o treinamento de terça-feira o coloca justamente atrás de Gabigol, em uma linha com Rollheiser e Barreal.

Essa confirmação torna ainda mais importante a pergunta: quem acompanhará Bontempo?

Se Jorginho sair demais da posição para persegui-lo, o espaço diante da defesa pode aparecer. Se Paquetá for o responsável pelo encaixe, o Flamengo corre o risco de afastar seu próprio segundo homem da construção.

Por isso, a melhor solução talvez não seja uma perseguição individual.

O Flamengo precisa proteger a zona em que Bontempo quer receber, e não necessariamente o jogador.

Arthur fora: uma perda que muda o meio santista


O Santos também terá de reconstruir uma parte de seu funcionamento. Arthur sofreu uma lesão no músculo posterior da coxa direita e está fora do confronto com o Flamengo.

Bontempo volta justamente em um setor que precisará de reorganização. A ausência de Arthur altera a relação entre os jogadores responsáveis pela proteção da defesa e aquele que recebe mais liberdade para avançar.

Gustavo Henrique e Christian Oliva podem assumir maior responsabilidade pelo equilíbrio, enquanto Bontempo tende a receber mais liberdade.

O Flamengo pode tentar explorar justamente esse momento de ajuste.

Pressionar a primeira construção do Santos e impedir que Bontempo receba de frente pode fazer com que a equipe paulista precise recorrer mais cedo aos lançamentos ou aos corredores.

Luan Peres retorna e muda a composição da última linha


Existe ainda uma alteração importante na defesa santista. Luan Peres volta ao time depois de cumprir suspensão e aparece como provável titular para enfrentar o Flamengo.

Com ele, Cuca recupera uma peça experiente para a última linha e reduz a necessidade de improvisações que marcaram parte da sequência recente.

Isso não elimina os caminhos para Pedro e Carrascal, mas muda a maneira como eles precisarão atacar a defesa.

Pedro terá de combinar movimentação e presença física para impedir que os zagueiros santistas controlem confortavelmente a profundidade. Carrascal, por sua vez, pode tentar explorar a zona à frente dos defensores, obrigando um deles a decidir entre manter a linha ou saltar para acompanhar.

Imagem inserida
Foto: Arte Fla10

Opção 3: um Flamengo mais agressivo, com dois atacantes por dentro


Esta seria a alternativa mais agressiva e, ao mesmo tempo, a mais arriscada.

O objetivo seria colocar Pedro e Lino em zonas que incomodem diretamente os dois zagueiros, enquanto Carrascal apareceria entre a linha defensiva e os volantes.

Plata e Paquetá teriam de dar amplitude em momentos diferentes, evitando que o Flamengo fique congestionado pelo centro.

É uma formação que pode funcionar especialmente se o Santos baixar suas linhas. O problema aparece quando a equipe de Cuca recuperar a bola.

Com menos jogadores naturalmente posicionados nos corredores, o Flamengo pode permitir que Rodinei e Escobar avancem. E é justamente nesse momento que Gabigol se torna perigoso.

O maior perigo: perder a bola com os laterais altos


O Santos de Cuca não precisa dominar a posse para ser perigoso.

A vitória sobre o São Paulo mostrou isso com clareza. O Santos suportou longos períodos de pressão, mas foi eficiente quando encontrou espaço para acelerar. Gabigol marcou duas vezes e o time conseguiu transformar momentos de transição em situações decisivas.

Esse é um ponto fundamental para Jardim.

O Flamengo não pode atacar com cinco ou seis jogadores à frente da linha da bola e simplesmente perder a posse. A estrutura precisa prever a perda.

Jorginho pode ser o primeiro elemento de equilíbrio. Um dos zagueiros precisa estar preparado para cobrir o corredor quando o lateral avançar. E o ponta do lado oposto não pode desaparecer da estrutura defensiva.

Contra este Santos, atacar bem significa também estar preparado para defender imediatamente depois de atacar.

Imagem inserida
Foto: Raul Baretta/SFC

O novo Gabigol exige uma defesa diferente


Talvez nenhum jogador santista tenha mudado tanto de importância nas últimas semanas quanto Gabigol.

Sem Neymar, o camisa 9 deixou de precisar sair tanto da área para participar da construção. A estrutura encontrada por Cuca permite que ele pressione mais a saída e, quando o Santos recupera a bola, permaneça em posição para atacar a defesa.

Gabigol chega ao confronto como o principal goleador do Santos no Brasileirão, com 13 gols, e vem sendo apontado como um dos protagonistas da reação da equipe.

O resultado é uma ameaça dupla.

Se o Flamengo sair mal, Gabigol pode atacar o espaço. Se o Rubro-Negro recuar demais, permite que o Santos avance até encontrar o cruzamento ou o passe vertical.

A defesa de Jardim precisa, portanto, ter uma regra clara: um zagueiro não pode abandonar a linha precipitadamente para perseguir Gabigol.

O controle precisa começar antes da bola chegar ao atacante.

Imagem inserida
Foto: Adriano Fontes/CRF

O Flamengo pode usar Pedro para atacar a fragilidade defensiva santista


Existe uma ironia interessante no confronto.

O Santos encontrou estabilidade protegendo melhor sua última linha, mas seus recentes adversários ainda conseguiram criar situações de perigo quando aceleraram a circulação e atacaram os espaços antes que a defesa estivesse organizada.

Isso não significa que o Santos tenha uma defesa frágil. Significa algo mais específico: quando sua estrutura é rompida, o time ainda pode conceder situações de alto valor.

Pedro pode ser fundamental nesse cenário.

O centroavante pode prender os zagueiros, atacar o espaço entre eles e também sair alguns metros para combinar com Carrascal ou Paquetá. A movimentação não precisa ser constante. Basta que aconteça nos momentos em que a defesa santista estiver sendo deslocada.

O quarto homem pode ser a arma secreta


Existe ainda uma solução que não depende da escalação de um jogador específico.

Jardim pode utilizar a movimentação de um quarto jogador para criar superioridade momentânea em um corredor.

Por exemplo: Lino começa aberto, Carrascal aproxima-se por dentro, Alex Sandro avança por fora e Pedro recua alguns metros. De repente, o Flamengo cria quatro jogadores contra três defensores do Santos naquele setor.

Depois da atração, a bola pode voltar para Jorginho e mudar rapidamente de corredor.

É nesse tipo de mecanismo que o Flamengo pode explorar uma característica santista: o meio-campo faz encaixes agressivos, enquanto a última linha procura permanecer mais protegida.

O antídoto é movimentar a bola e os jogadores rápido o suficiente para obrigar a última linha a abandonar essa proteção.

Imagem inserida
Foto: Raul Baretta/SFC

E se Neymar entrar?


Essa é a principal variável nova em relação ao cenário analisado na segunda-feira.

Neymar evoluiu fisicamente, participou normalmente das atividades e está novamente à disposição de Cuca. A definição sobre sua utilização, entretanto, ainda passa pelo último treinamento, e a possibilidade do camisa 10 começar no banco permanece no cenário mais provável.

Isso não significa que o Flamengo precise preparar uma estratégia completamente diferente desde o primeiro minuto. Significa que Jardim precisa ter uma resposta pronta para uma eventual entrada de Neymar.

Com o camisa 10 em campo, o Santos ganha novamente um jogador capaz de receber entre linhas, atrair marcadores e criar superioridade pelo centro. Ao mesmo tempo, a equipe pode precisar adaptar a dinâmica que funcionou sem ele.

É justamente aí que a estrutura sem a bola ganha importância.

O Flamengo não pode permitir que Neymar receba livremente entre a primeira e a segunda linha de marcação. Mas também não deve abandonar sua estrutura para persegui-lo individualmente.

Se Neymar entrar, a prioridade passa a ser controlar o espaço que ele ocupa, não transformar a partida em uma perseguição ao camisa 10.

O Flamengo também chega diferente da segunda-feira


O cenário rubro-negro também sofreu alterações desde a elaboração inicial deste Raio-X.

Pedro e Samuel Lino já se reapresentaram e participaram do treinamento de terça-feira depois dos compromissos com a Seleção Brasileira. Os dois estão à disposição, mas o curto período de recuperação e as viagens longas tornam menos provável que ambos iniciem a partida.

Gonzalo Plata, por outro lado, treinou com o grupo durante a Data Fifa e chega ao último treino antes da viagem com maior continuidade de trabalho.

Varela e Anthony Valencia ainda retornariam ao Rio somente na quarta-feira e são considerados prováveis desfalques para a partida. Ayrton Lucas, Arrascaeta e Evertton Araújo também permanecem fora do cenário imediato.

Isso não invalida os desenhos apresentados anteriormente. Apenas muda a leitura sobre quando cada alternativa pode aparecer.

O 4-2-3-1, por exemplo, continua sendo uma possibilidade estrutural importante, mas a composição dos jogadores precisa considerar quem chega descansado e quem chega depois de uma sequência internacional.

A continuidade do Flamengo pode ser uma vantagem tática


Existe ainda uma diferença importante entre os dois lados da preparação.

O Flamengo perdeu jogadores para as seleções, mas conseguiu manter boa parte de sua espinha dorsal treinando no Rio durante a Data Fifa. Jogadores importantes da defesa e do meio-campo permaneceram trabalhando com Jardim, entre eles Jorginho, Pulgar e Paquetá.

Isso pode ser relevante justamente para o tipo de partida que o Raio-X projeta.

O Flamengo terá de executar mecanismos coletivos para controlar Bontempo, Rollheiser e Gabigol. Quanto mais jogadores responsáveis por essas funções estiverem sincronizados, menor será a necessidade de recorrer a perseguições individuais.

O problema está no ataque, onde Pedro e Lino chegam com menos tempo de recuperação e Plata aparece como uma alternativa que teve mais continuidade durante a pausa.

O Santos não pode ser enfrentado como o Santos de meses atrás


Talvez essa seja a principal conclusão da análise.

O Flamengo não encontrará um adversário que simplesmente tentará sobreviver na Vila Belmiro. Cuca encontrou uma estrutura funcional sem Neymar, recebeu reforços importantes e conseguiu fazer jogadores como Rodinei, Bontempo, Rollheiser e Gabigol assumirem responsabilidades maiores.

Agora, entretanto, existe uma variável adicional: Neymar voltou a ficar disponível e pode aparecer durante a partida. Bontempo também retorna à equipe, enquanto Luan Peres reforça a defesa.

Isso significa que Jardim não pode preparar apenas uma escalação.

Precisa preparar respostas para o comportamento do Santos.

Se o Santos pressionar alto, o Flamengo precisa ter uma saída


A primeira resposta pode estar em Danilo.

Com a ausência provável de Varela, o Flamengo tende a utilizar Danilo na lateral direita, enquanto Alex Sandro aparece como alternativa pelo lado esquerdo.

Danilo pode ajudar na saída por dentro, formando temporariamente uma linha de três ou aproximando-se de Jorginho para criar uma saída mais segura.

Isso permite que os demais jogadores permaneçam mais altos.

O princípio seria: se Gabigol atacar um zagueiro, o Flamengo cria uma linha de passe ao lado; se o meia santista saltar para Jorginho, Paquetá aparece às costas; se o ponta fechar por dentro, Alex Sandro ou Plata abre o campo.

O Santos não deve ser convidado a pressionar sempre da mesma maneira.

Se o Santos recuar, a chave muda


Se Cuca optar por baixar o bloco, a partida será outra.

Nesse cenário, o Flamengo terá de aceitar um pouco mais de paciência. Carrascal pode ser importante para receber entre linhas, enquanto Lino e Plata precisam manter a defesa santista aberta.

Pedro não pode ficar isolado entre os zagueiros.

O Flamengo precisa criar movimentos que tragam um defensor para fora da área e ataquem imediatamente o espaço liberado.

É justamente nesse cenário que o 4-2-3-1 ganha força.

O desenho que mais combina com o problema apresentado pelo Santos


Não se trata de escolher uma escalação definitiva antes de Jardim. O mais interessante é perceber que o Santos apresenta problemas diferentes dependendo do comportamento adotado.

Contra um bloco alto, o Flamengo precisa de saída e velocidade.

Contra um bloco médio, precisa de circulação e mobilidade.

Contra um bloco baixo, precisa de jogadores entre linhas e capacidade de atacar a área com mais gente.

Por isso, a estrutura inicial mais equilibrada continua sendo o 4-2-3-1, com Jorginho e Paquetá dando sustentação, Carrascal ocupando o espaço central e dois jogadores pelos lados mantendo a amplitude.

Imagem inserida
Foto: Arte Fla10

Mas esse desenho precisa ser tratado como uma estrutura de referência, não como uma previsão definitiva da escalação.

Com a bola, Paquetá pode avançar e Carrascal aproximar-se de Pedro. Lino pode entrar por dentro enquanto Alex Sandro ocupa o corredor. Plata pode manter Rodinei preso à linha lateral. Danilo pode fechar por dentro para proteger a transição.

Sem a bola, o time pode voltar ao 4-4-2, com Carrascal aproximando-se de Pedro e os pontas formando a segunda linha.

Essa capacidade de alternância é provavelmente mais importante do que escolher entre 4-3-3 e 4-2-3-1.

O Raio-X da partida: três zonas podem decidir o jogo


Primeira zona: costas dos laterais. Rodinei e Escobar participam bastante do jogo ofensivo. Se o Flamengo conseguir recuperar a bola com seus jogadores já posicionados para atacar a profundidade, poderá transformar a própria força ofensiva do Santos em vulnerabilidade.

Segunda zona: espaço entre volantes e zagueiros. É onde Carrascal, Paquetá ou outro jogador que apareça por dentro poderá tentar receber. O objetivo não é simplesmente tocar a bola ali, mas fazer o Santos decidir quem acompanha.

Terceira zona: transição defensiva após a perda. É onde Gabigol pode decidir o jogo. O Flamengo precisa impedir que o Santos encontre seu centroavante em velocidade depois de recuperar a bola.

Imagem inserida
Foto: Gilvan de Souza/CRF

Jardim terá de vencer o jogo antes de vencer o Santos


A frase parece estranha, mas explica o desafio.

O Flamengo chega à Vila como líder do Brasileirão e terá pela frente um Santos que finalmente encontrou confiança, organização e eficiência. Não será suficiente impor a qualidade individual do elenco.

O jogo exigirá leitura.

Se o Santos apertar, Jardim precisará ter uma saída preparada. Se recuar, o Flamengo precisará desmontar a estrutura. Se avançar os laterais, o Rubro-Negro terá de atacar suas costas. Se proteger o centro, o Flamengo precisará abrir o campo.

E, principalmente, quando perder a bola, terá de impedir que Gabigol transforme uma transição em uma chance clara.

Se Neymar entrar, Jardim terá ainda outra variável: controlar o espaço entre linhas sem desmontar a estrutura defensiva para persegui-lo.

O Santos de Cuca mudou. E, agora, ganhou novas peças para modificar novamente o próprio comportamento durante a partida.

A melhor notícia para Jardim é que ele possui jogadores suficientes para apresentar mais de uma resposta. A questão não é encontrar uma escalação capaz de vencer o Santos em qualquer cenário. É montar uma equipe capaz de mudar o cenário da partida antes que Cuca consiga fazê-lo.

É exatamente aí que o confronto da Vila deixa de ser apenas mais uma rodada do Brasileirão e passa a ser um teste tático importante antes da semifinal da Libertadores.

Imagem secundária para Raio-X Tático: como o Flamengo pode explorar o novo Santos de Cuca na VilaImagem: Gilvan de Souza/CRF
Publicidade

Publicidade

728x90

Últimas Raio-X Tático

Sem Arrascaeta: como Leonardo Jardim pode reconstruir o Flamengo - Raio-X Tático do Flamengo
Análise

Sem Arrascaeta: como Leonardo Jardim pode reconstruir o Flamengo

Fratura no punho tira o camisa 10 de cena e obriga treinador a encontrar nova solução para o setor criativo; Paquetá e Carrascal aparecem como principais alternativas

9 dias atrás
Raio-X Tático:  Jardim ganhou um dilema de luxo no Flamengo — e a escolha pode decidir a reta final - Raio-X Tático do Flamengo
Análise Tática

Raio-X Tático: Jardim ganhou um dilema de luxo no Flamengo — e a escolha pode decidir a reta final

Flamengo chega à reta decisiva com muitas opções para o meio-campo, mas o desafio de Leonardo Jardim não é encontrar os melhores nomes: é descobrir quais combinações fazem o time funcionar melhor

12 dias atrás

Publicidade

728x90