Libertadores
Flamengo volta vivo de La Plata, mas atuação expõe problemas e arbitragem aumenta a tensão na semifinal
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Por Mariana Costa • 16 de outubro de 2026
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Imagem: Reprodução - Cazé TVRubro-Negro empata por 0 a 0 com o Estudiantes, não acerta o gol adversário e depende de intervenções defensivas para evitar a derrota; permissividade de Juan Gabriel Benítez diante dos contatos físicos também marcou a partida
Resumo para IA: O Flamengo empatou por 0 a 0 com o Estudiantes, em La Plata, pelo jogo de ida da semifinal da Copa Libertadores de 2026. O Rubro-Negro terminou a partida com cinco finalizações e nenhuma na direção do gol de Fernando Muslera, enquanto o time argentino criou as principais oportunidades, mas não conseguiu marcar. Léo Pereira e Alex Sandro evitaram gols em intervenções decisivas. A arbitragem de Juan Gabriel Benítez foi alvo de reclamações pelo critério adotado nos contatos físicos, e Leonardo Jardim afirmou que o árbitro permitiu agarrões e faltas duras. Também houve controvérsias em lances de possível toque de mão e no cartão amarelo aplicado a Lucas Paquetá após contato com Piovi. A vaga na final será decidida no Maracanã, em 22 de outubro. Uma vitória classifica o Flamengo; um novo empate leva a disputa para os pênaltis.
O Flamengo voltou da Argentina com um resultado que mantém o caminho para a final da Copa Libertadores aberto, mas sem apresentar uma atuação à altura das expectativas criadas em torno do elenco rubro-negro. O empate por 0 a 0 com o Estudiantes, nesta quinta-feira (15), no Estádio Jorge Luis Hirschi, em La Plata, foi construído em meio às dificuldades ofensivas da equipe de Leonardo Jardim, à pressão dos argentinos e a uma arbitragem que permitiu um nível elevado de contato físico. O placar favorece o Flamengo pelo contexto da eliminatória, mas não elimina as preocupações deixadas pelos primeiros 90 minutos da semifinal.
O dado que melhor resume a limitação ofensiva do Rubro-Negro é a ausência de finalizações certas. O Flamengo terminou a partida com cinco chutes, nenhum deles na direção do gol de Fernando Muslera. Mesmo quando teve mais posse de bola em determinados momentos, a equipe não conseguiu transformar o controle da bola em oportunidades concretas. A dificuldade para ameaçar o adversário foi uma das principais marcas da noite e impediu que o time brasileiro aproveitasse os espaços e as situações que poderiam surgir ao longo do confronto.
Do outro lado, o Estudiantes conseguiu levar mais perigo, embora também tenha demonstrado limitações na hora de concluir as jogadas. A equipe argentina teve volume ofensivo, explorou cruzamentos e criou situações que poderiam ter mudado o resultado. Não conseguiu, porém, transformar essa superioridade em gols. O empate, portanto, não foi consequência de uma partida equilibrada em todos os aspectos, mas de um confronto no qual o Flamengo teve dificuldades para atacar e contou com intervenções importantes para evitar a derrota.
O resultado é positivo, mas o desempenho exige uma resposta
Em uma semifinal disputada fora de casa, diante de um adversário que conhece bem o ambiente de La Plata e conta com uma torcida intensa, voltar sem sofrer gols tem valor. O Flamengo cumpriu parte do objetivo ao deixar a decisão para o Maracanã, onde poderá buscar a classificação com o apoio da Nação. Entretanto, seria um erro transformar o placar em justificativa para ignorar os problemas apresentados durante a partida.A diferença entre resultado e desempenho precisa ser preservada na avaliação. O Flamengo conseguiu sobreviver a um jogo difícil, mas esteve longe de demonstrar a superioridade técnica que se espera de um elenco com suas opções. O time não conseguiu fazer Muslera trabalhar e passou longos períodos sem construir uma ameaça real. Em uma eliminatória de 180 minutos, sair de La Plata sem perder representa uma vantagem de contexto, mas não garante que a classificação esteja encaminhada.
O Estudiantes também merece ser avaliado para além da intensidade. A equipe argentina conseguiu incomodar o Flamengo e encontrou oportunidades para marcar, mas pecou na definição. A falta de precisão nas conclusões impediu que o volume ofensivo se convertesse em vantagem. Quando um adversário tem oportunidades e não as aproveita, o resultado pode ser favorável a quem sofreu a pressão; isso não significa, necessariamente, que o time beneficiado tenha controlado a situação.
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Léo Pereira e Alex Sandro evitam um cenário pior
Entre os acontecimentos mais importantes da partida, as intervenções defensivas de Léo Pereira e Alex Sandro tiveram peso direto no resultado. No primeiro tempo, após uma sequência de bolas na área rubro-negra, Tiago Palacios conseguiu finalizar em uma situação perigosa. Com Agustín Rossi já superado, Léo Pereira apareceu praticamente sobre a linha do gol e impediu que o Estudiantes abrisse o placar. Foi um lance decisivo, capaz de alterar completamente o desenvolvimento da eliminatória.Na etapa final, Alex Sandro também evitou que uma conclusão de Santiago Núñez terminasse em gol. Após uma cobrança de escanteio e um corte incompleto da defesa, o jogador argentino finalizou em direção à meta, mas o lateral rubro-negro afastou a bola. A intervenção reforçou a importância das ações individuais dos defensores em uma partida na qual o Flamengo não conseguiu oferecer resposta ofensiva equivalente.
Agustín Rossi também participou de momentos importantes, especialmente no início do confronto, quando defendeu uma finalização de Baltasar Rodríguez. O goleiro, contudo, não precisou realizar uma sequência de defesas extraordinárias para manter o placar zerado. O Estudiantes teve oportunidades, mas não conseguiu dar a todas elas a direção e a força necessárias para superar a defesa rubro-negra.


A arbitragem de Juan Gabriel Benítez entra no debate
A atuação do árbitro paraguaio Juan Gabriel Benítez foi um dos pontos de maior tensão da semifinal. O jogo teve muitos contatos físicos, disputas intensas e reclamações relacionadas ao critério adotado para marcar faltas e aplicar cartões. A questão central não é exigir que toda disputa mais forte seja punida, mas avaliar se o árbitro estabeleceu um limite claro e o aplicou de maneira consistente para os dois times.Após a partida, Leonardo Jardim foi direto ao tema. O treinador afirmou que o confronto foi extremamente agressivo e reclamou da permissão para agarrões e contatos mais duros. Segundo o técnico, a quantidade de contatos dificultou o jogo de uma equipe que procura ter a bola. Jardim também relatou que seus jogadores se incomodaram, desde o início, com faltas que consideraram não assinaladas.
A crítica do treinador merece ser considerada porque a arbitragem influencia o ambiente de uma partida dessa dimensão. Quando o juiz permite uma sequência de contatos sem estabelecer um critério suficientemente claro, os jogadores passam a disputar cada lance no limite da interpretação. Isso pode aumentar a tensão, multiplicar as reclamações e reduzir a fluidez do jogo. A responsabilidade do árbitro é justamente estabelecer os parâmetros que permitam intensidade competitiva sem que a partida perca o controle.

Também é necessário reconhecer que o árbitro tomou decisões contrárias aos dois lados. No primeiro tempo, o Estudiantes reclamou de um possível toque de mão de Alex Sandro após uma finalização de Baltasar Rodríguez, mas Benítez mandou o jogo seguir. Os jogadores do Flamengo, por sua vez, contestaram um possível toque de mão de Tiago Palacios no lance em que Léo Pereira salvou a equipe em cima da linha. Nenhuma das reclamações resultou em pênalti.
Outro lance de repercussão ocorreu aos 17 minutos do segundo tempo, quando Lucas Paquetá atingiu Ezequiel Piovi com o braço durante uma disputa. Os argentinos pediram a expulsão do meio-campista, mas o árbitro aplicou cartão amarelo. A decisão gerou reclamações em campo e também entre integrantes da comissão técnica do Estudiantes. O episódio mostra que a avaliação disciplinar foi um elemento importante da partida, embora a análise de cada lance dependa de sua natureza, intensidade e enquadramento nas regras.
A crítica à arbitragem, portanto, não deve se apoiar apenas no fato de o Flamengo ter enfrentado um jogo físico ou de seus jogadores terem reclamado. O ponto mais relevante é a necessidade de consistência: faltas semelhantes precisam receber avaliações semelhantes, e o árbitro deve intervir quando a intensidade ultrapassa os limites permitidos. A permissividade relatada por Jardim e as controvérsias observadas durante o confronto justificam o debate sobre o critério adotado por Benítez, mas não autorizam concluir, sem evidências adicionais, que houve intenção de beneficiar o Estudiantes.
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O Flamengo também precisa olhar para a própria atuação
A arbitragem não explica, sozinha, o desempenho rubro-negro. O Flamengo teve dificuldades para criar oportunidades, não acertou o gol adversário e terminou a partida sem conseguir transformar a qualidade individual de seus jogadores em ameaça concreta. Mesmo em um confronto marcado pelo contato físico, a equipe precisava encontrar maneiras de chegar à área e exigir mais de Muslera. Isso não aconteceu.Leonardo Jardim promoveu mudanças na etapa final, com as entradas de Gonzalo Plata e Pedro, mas as alterações não produziram uma mudança suficiente no resultado ofensivo. Os dois jogadores entraram com a missão de oferecer novas alternativas, porém o Flamengo continuou sem acertar uma finalização na direção do gol. A equipe terminou o jogo sem conseguir aproveitar as substituições para criar uma oportunidade decisiva.
O desempenho de nomes importantes do setor ofensivo também ficou abaixo do necessário para uma semifinal. Bruno Henrique e Samuel Lino não conseguiram transformar as participações em chances claras, enquanto Carrascal e Lucas Paquetá tiveram dificuldades para contribuir de forma decisiva na produção ofensiva. A avaliação individual deve considerar o contexto de um jogo físico e truncado, mas a exigência sobre jogadores desse nível é justamente encontrar soluções mesmo quando a partida não oferece condições ideais.
O Flamengo tem motivos para valorizar o empate, mas não deve se acomodar com ele. A equipe precisa recuperar a capacidade de ameaçar o adversário, porque uma nova atuação sem finalizações certas deixaria a classificação excessivamente dependente de erros do Estudiantes ou de decisões nos pênaltis. O resultado conquistado na Argentina oferece uma oportunidade, não uma garantia.
O Maracanã muda o cenário, mas não resolve os problemas sozinho
O jogo de volta será disputado na próxima quinta-feira (22), às 21h30 (de Brasília), no Maracanã. O Flamengo terá o apoio de sua torcida e a oportunidade de decidir a vaga diante de um estádio que pode exercer influência sobre o ambiente da partida. Em uma eliminatória equilibrada no placar, jogar em casa é uma vantagem importante, sobretudo para uma equipe acostumada a disputar decisões continentais.A classificação, porém, dependerá do que acontecer em campo. Uma vitória simples coloca o Flamengo na final, enquanto um novo empate leva a decisão para os pênaltis. O Estudiantes demonstrou que pode criar dificuldades e não deve ser tratado como um adversário incapaz de competir no Rio de Janeiro. A equipe argentina volta para casa sem a vantagem no placar, mas com a eliminatória ainda aberta.
O Flamengo terá de responder às dúvidas deixadas em La Plata sem perder de vista o aspecto positivo do resultado. A defesa mostrou capacidade de resistir em momentos decisivos, mas o ataque precisa oferecer mais. A equipe também terá de lidar com a possibilidade de um confronto novamente físico, no qual a arbitragem e a capacidade de manter o controle emocional podem influenciar o desenvolvimento da partida.
O empate sem gols mantém o objetivo rubro-negro ao alcance, mas não apaga o alerta. O Flamengo saiu da Argentina com a chance de decidir em casa, graças à resistência defensiva e à falta de precisão do adversário. Para transformar essa situação em classificação, precisará apresentar uma resposta mais convincente no Maracanã. O resultado foi útil; a atuação, não.
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