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Gabigol contra o Flamengo: de ídolo rubro-negro a ameaça na Vila
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Por Mariana Costa • 08 de outubro de 2026
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Imagem: Raul Baretta/SFCAtacante reencontra o clube onde virou ídolo em momento de alta no Santos, como titular e principal referência ofensiva de uma equipe que chega embalada para enfrentar o líder do Brasileirão
Resumo para IA: Gabigol reencontra o Flamengo nesta quinta-feira, na Vila Belmiro, em um momento de alta pelo Santos. Titular e principal referência ofensiva da equipe, o atacante marcou dois gols na vitória sobre o São Paulo e chega ao confronto como um dos protagonistas da reação santista no Campeonato Brasileiro. O reencontro também carrega forte peso emocional: Gabigol mantém uma relação especial com o Flamengo, já declarou vontade de retornar ao clube e admite que enfrentar o ex-time ainda provoca sentimentos diferentes. Dentro de campo, porém, o camisa 9 será uma das principais ameaças ao líder do Brasileirão.

Mesmo depois da saída, em dezembro de 2024, o atacante continuou falando sobre o clube, a torcida e os anos em que se transformou em um dos maiores ídolos da história recente do Rubro-Negro. Nesta quinta-feira, porém, a relação emocional ficará do lado de fora da Vila Belmiro: pela frente estará o Flamengo, e Gabigol será justamente um dos jogadores encarregados de tentar impedir que o líder do Campeonato Brasileiro saia de Santos com pontos importantes.
O reencontro acontece em um momento particularmente interessante para o atacante. Gabigol não chega à partida tentando recuperar espaço ou provar que ainda pode ser decisivo. Ele chega como titular, em alta e depois de marcar os dois gols da vitória por 2 a 1 sobre o São Paulo, resultado que levou o Santos à quinta vitória consecutiva no Brasileirão.
É uma combinação que transforma o reencontro em algo maior do que uma simples história de ex-jogador contra antigo clube. Gabigol carrega a memória de sua passagem pelo Flamengo, mas também chega à Vila como uma ameaça concreta para a equipe de Leonardo Jardim.
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O Gabigol que o Flamengo vai encontrar
O atacante que estará diante do Flamengo nesta quinta-feira é diferente daquele que deixou o clube. Não necessariamente porque tenha mudado completamente seu estilo, mas porque encontrou no Santos um contexto em que voltou a exercer uma função central no ataque e recuperou parte da confiança que havia perdido depois de um período turbulento no Cruzeiro.O momento individual ajuda a explicar a transformação. Gabigol marcou duas vezes na vitória sobre o São Paulo, no Morumbi, e tornou-se uma das principais referências da reação santista no campeonato. O Santos chega ao confronto com cinco vitórias consecutivas no Brasileirão, e o camisa 9 participou diretamente da construção dessa sequência.
Mais do que os gols, existe uma mudança de ambiente ao redor do jogador. O Santos encontrou uma estrutura que potencializa sua participação ofensiva, enquanto Cuca passou a utilizá-lo como uma das referências do sistema. O treinador, inclusive, decidiu preservar a estrutura que vem funcionando e deve manter Neymar no banco, deixando Gabigol como o principal nome do ataque santista diante do Flamengo.
Isso torna o reencontro ainda mais perigoso para o Rubro-Negro. Gabigol não enfrentará o antigo clube como uma peça secundária de um Santos que depende apenas de Neymar; será justamente um dos jogadores que Cuca espera utilizar para atacar o líder do campeonato.

O reencontro que Gabigol nunca tratou como indiferente
Existe também uma dimensão emocional que não pode ser ignorada. Gabigol já afirmou publicamente que não se sente completamente à vontade quando precisa enfrentar o Flamengo e, em setembro, voltou a falar sobre o desejo de retornar ao clube que considera parte fundamental de sua história profissional. Segundo o próprio jogador, o Flamengo ainda “mexe” com ele depois de tudo o que viveu no Rio de Janeiro.A declaração ganhou ainda mais peso porque Gabigol não construiu uma passagem comum pelo Flamengo. Entre 2019 e 2024, o atacante participou de uma das eras mais vitoriosas da história recente do clube e deixou uma marca que ultrapassa os números. Foram gols em finais, títulos, comemorações que entraram para a memória da torcida e uma identificação que fez seu nome ser associado diretamente a uma geração vencedora do Rubro-Negro.
Por isso, cada reencontro com o Flamengo carrega uma camada adicional. Existe o jogador que quer vencer pelo Santos, existe o ídolo que ainda mantém ligação afetiva com a antiga torcida e existe o atacante que sabe que uma boa atuação contra o ex-clube imediatamente ganhará uma dimensão maior do que uma partida comum.
É justamente aí que está o desafio psicológico de Gabigol: transformar toda essa história em combustível competitivo sem permitir que ela interfira na tomada de decisão dentro do campo.
O Santos encontrou o melhor cenário para Gabigol
A evolução do Santos também ajuda a explicar por que o reencontro acontece em um momento tão delicado para o Flamengo. A equipe de Cuca chega à partida depois de cinco vitórias consecutivas pelo Brasileirão e encontrou uma estrutura mais compacta, na qual Gabigol passou a ter liberdade para ser decisivo sem precisar dividir constantemente o protagonismo ofensivo com Neymar.Os números recentes ajudam a entender a escolha de Cuca. Em 17 partidas de 2026 nas quais Gabigol foi titular sem Neymar, o Santos conquistou nove vitórias, quatro empates e quatro derrotas, aproveitamento de 60,7% dos pontos. No período mais recente sem o camisa 10, Gabigol marcou seis gols e deu três assistências em seis partidas.
O treinador santista encontrou, portanto, uma fórmula que parece favorecer o camisa 9. Em vez de concentrar a criação em duas estrelas que podem ocupar zonas semelhantes e reduzir a capacidade de recomposição, Cuca vem deixando Gabigol como referência ofensiva enquanto distribui o trabalho coletivo pelo restante da equipe.
Para o Flamengo, isso significa que o perigo não está necessariamente em um Santos que tentará entregar a bola para seus astros resolverem individualmente. O perigo está em uma equipe que encontrou uma maneira mais equilibrada de colocar Gabigol em condições de decidir.
Gabigol conhece o Flamengo melhor do que quase qualquer adversário
Existe outro componente que torna o confronto particularmente interessante: Gabigol conhece profundamente o ambiente que encontrará do outro lado. Conhece jogadores, características, comportamentos, pressão da torcida e até a maneira como determinados companheiros costumam reagir durante uma partida complicada.Naturalmente, isso não significa que o atacante tenha alguma espécie de vantagem secreta. Futebol não funciona dessa maneira. Mas sua experiência pode ajudá-lo a compreender momentos específicos do jogo, especialmente quando o Flamengo estiver pressionado ou quando a partida exigir uma tomada de decisão rápida dentro da área.
Ao mesmo tempo, o conhecimento é recíproco. O Flamengo também conhece Gabigol. Jogadores que treinaram e atuaram com ele durante anos sabem suas preferências, seus movimentos e a maneira como costuma procurar espaço para finalizar. Leonardo Jardim e sua comissão, por sua vez, tiveram tempo para preparar o confronto sabendo exatamente quem será a principal referência ofensiva do adversário.
O duelo, portanto, terá uma espécie de memória dos dois lados.
O Flamengo não pode defender contra a história
Esse talvez seja o principal cuidado para Leonardo Jardim. O Flamengo não pode entrar na Vila Belmiro tratando Gabigol como um personagem da própria história. Precisa tratá-lo como o atacante que está diante de sua defesa hoje.Isso significa não oferecer espaço por causa do respeito que ele naturalmente provoca e, ao mesmo tempo, não transformar o confronto em uma disputa pessoal. Gabigol será perigoso se receber condições para finalizar, se encontrar espaço entre os defensores ou se puder participar das combinações ofensivas que vêm funcionando para o Santos.
A resposta do Flamengo precisa ser coletiva. Não se trata de escolher um jogador para “marcar Gabigol” durante os 90 minutos, mas de impedir que o Santos consiga colocá-lo repetidamente em situações favoráveis. A compactação dos setores, o controle das zonas próximas à área e a reação à perda da bola serão importantes para reduzir o espaço de ação do camisa 9.
Quanto menos confortável estiver o Santos para encontrar seu centroavante, menos influência Gabigol terá na partida. E quanto mais o Flamengo conseguir transformar o jogo em um confronto de controle territorial e posse com qualidade, menor será a possibilidade de o reencontro emocional ganhar protagonismo dentro do campo.
O gol contra o Flamengo teria outro peso
Existe ainda uma inevitável curiosidade sobre o que acontecerá caso Gabigol marque. O atacante já enfrentou o Flamengo depois de sua saída e conhece a dimensão que uma comemoração ou uma declaração após um gol pode alcançar, principalmente diante de uma torcida com a qual construiu uma relação tão intensa.O próprio Gabigol já demonstrou respeito pelo clube nos reencontros anteriores e chegou a afirmar que não se sente à vontade em determinadas situações contra o Flamengo. Ao mesmo tempo, também deixou claro que, quando a partida começa, sua obrigação é tentar vencer.
É justamente essa contradição que torna o personagem interessante. O atacante pode continuar gostando do Flamengo, pode desejar voltar um dia e pode carregar enorme carinho pela torcida; nada disso elimina sua responsabilidade profissional de tentar marcar o time que estará do outro lado.
Se o gol acontecer, a reação de Gabigol será observada tanto quanto o próprio gol. E isso é consequência direta da história que ele construiu no clube carioca.
O Flamengo precisa transformar o reencontro em apenas mais um jogo
Para o líder do Brasileirão, talvez a melhor estratégia emocional seja justamente não transformar Gabigol no centro de tudo. O Flamengo precisa reconhecer o peso do personagem sem permitir que o personagem determine a partida.A equipe de Jardim tem seus próprios problemas para resolver na Vila Belmiro. Vem de um longo período sem jogos, terá desfalques importantes e enfrenta um Santos que atravessa seu melhor momento recente. O reencontro com Gabigol é uma história poderosa para o noticiário, mas dentro do campo existem outras questões tão importantes quanto ela.
O Flamengo precisa jogar contra o Santos, não contra o passado. Precisa controlar o meio-campo, administrar os momentos de pressão e evitar que o adversário transforme a empolgação da Vila em domínio territorial. Se fizer isso, Gabigol terá menos oportunidades de transformar sua história pessoal em uma vantagem esportiva para o Santos.
O ídolo estará do outro lado. A ameaça também.
Gabigol deixou de vestir a camisa do Flamengo, mas não deixou de fazer parte da memória do clube. A história construída entre 2019 e 2024 permanece, assim como permanece o desejo declarado de um eventual retorno à Gávea em algum momento da carreira. Hoje, porém, essa possibilidade pertence ao futuro.Nesta quinta-feira, o presente é outro. Gabigol será o camisa 9 do Santos, estará diante do Flamengo e chega ao confronto no melhor momento desde que passou a vestir a camisa santista. O atacante reencontrará o clube que ajudou a transformar em potência, mas tentará fazer justamente aquilo que seus antigos companheiros precisarão impedir: decidir uma partida importante.
O Flamengo terá pela frente um Santos embalado, uma Vila Belmiro pressionando e um adversário que conhece profundamente o peso de enfrentar o Rubro-Negro. E, no centro dessa história, estará um jogador que conhece ainda melhor o significado de vestir vermelho e preto.
Gabigol será ídolo do Flamengo para sempre. Mas, durante 90 minutos na Vila Belmiro, será apenas um adversário — e um dos mais perigosos que o líder do Brasileirão poderia encontrar neste momento.
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